07 janeiro 2014

Cronologia das Histórias em Quadrinhos (2)



ORIGEM DAS HQ

A origem das HQs está no início da civilização humana. Nas inscrições rupestres das cavernas pré-históricas (como as de Lascaux, na França, e Altamira, na Espanha), nos baixos-relevos da Mesopotâmia, nos hieróglifos egípcios (século IV a.C.), nas tapeçarias medievais, nos estandartes chineses, nas vias-sacras e vitrais góticos (séculos V a XIII d.C.). Há uma preocupação constante de narrar acontecimentos através de desenhos sucessivos.

No século XIV, ilustrações europeias introduzem os filactérios (faixas com palavras escritas junto à boca dos personagens) considerados a gênese dos balões. O primeiro exemplar de uma ilustração com um filactério teria sido datado de 1370 (a Tábua Protat, um pedaço de madeira onde um centurião romano, diante do Calvário, aponta um dedo para a cruz e declara: “Vere filius Dei erat iste” - sim, na verdade este homem era o filho de Deus).

A invenção da imprensa, no século XV, e o aperfeiçoamento das técnicas de impressão de ilustrações, como a xilogravura e a litografia, constituem um impulso a mais. No século XIX, o texto passa a acompanhar sistematicamente o desenho – as ilustrações humorísticas já existiam nos periódicos europeus (jornais e revistas) da época. Dentre os exemplos mais célebres de publicações que ressaltavam ilustrações, estão: Le Magasin Pittoresque (surgido na França, em 1833), Punch (Inglaterra, 1841) e Harper’s Weekly (Estados Unidos, 1857).

1509 (ALEMANHA) - O alemão Albrecht Duerer narra, em sequência de gravuras, o drama da Paixão de Cristo.

1570 – Renovação da moda, na estamparia.

1600 (INGLATERRA) - Surge a primeira forma de livro, ilustrado, produzido em massa. Descrevia as aventuras de shows de marionetes, chamados Punch e Judy.

1646 (ITALIA) – O padre Massini escrevendo sobre os Caracci, usou pela primeira vez o termo caricatura.

1649 (ITALIA) – La Belle Frondeuse, canção ilustrada

1654 (FRANÇA) – Lanterna mágica de Père Athanasius Kirchner, ancestral do projetor de slides.

1658 – Orbis Sensualis Potus – O Mundo Sensível das Crianças – livro de ensino do latim para crianças por meio de ilustrações do educador checo Comenius.

1700 (EUA) – Benjamin Franklin utiliza-se de charges e caricaturas como editoriais no sentido de unir as treze colônias americanas em sua luta pela liberdade.

1731 (INGLATERRA) – O pintor e gravador inglês William Hogarth pinta um grupo de seis quadros que contam uma história, A Harlot's Progress (O progresso de uma prostituta).

1765 (EUA) – Paul Revere grava seu primeiro cartoon.

1796 (ALEMANHA) – Aluísio Senefelder inventa a lithographie.

1799 (BELGICA) – Robertson constrói o phantascope.

1808 (BRASIL) – Sob a direção de Frei Tibúrcio José da Rocha, as oficinas reais lançaram, a 10 de setembro, o primeiro número da Gazeta do Rio de Janeiro. Jornal oficial, feito na imprensa oficial, submetido à censura oficial. Desde 1o de junho era introduzido semi clandestinamente no País o Correio Brasiliense que Hipolito José da Costa imprimia em Londres.

1811 (BRASIL) – Em 14 de maio é lançado A Idade d'Ouro do Brasil, segundo jornal a aparecer no país. Surgiu na cidade de São Salvador, capital da Província da Bahia, no governo de D.Marcos de Noronha e Silva, Conde dos Arcos. Era redigido pelo bacharel Diogo
Soares da Silva Bivar e pelo padre Ignácio José de Macedo. Circulou até 1827.

1812 (BRASIL) – É lançada no mês de agosto As Variedades ou Ensaios de Literatura, primeira revista a aparecer no país e, como o próprio nome indica, se relacionava com mais com os assuntos literários.

1812 (INGLATERRA) – Primeira agência de publicidade inglesa.

1814 (JAPÃO) - HOKUSAI MANGA. O artista japonês Hokusai produziu diversos rolinhos de pano, com sequências verticais. Ficaram conhecidas como Hokusai Manga. E até hoje a história em quadrinhos, no Japão, recebe o nome de manga. O ideograma chinês usado por Hokusai pode ser dividido em man (“involuntário” ou “a despeito de”) e ga (“imagem”). Os gibis japoneses se assemelham a lista telefônica. Tem mais de 500 páginas. Os caracteres são escritos verticalmente em vez de horizontalmente. E também a leitura é da direita para a esquerda.

1814 (EUA) – Sob influência das revistas satíricas francesas e inglesas, o New York Post começa a publicar charge política diária.

1820 (FRANÇA) - Jean Charles Péllerin publica asESTAMPAS DE ÉPINAL. Primeiros quadros militantes e depois histórias edificantes. Folhas volantes, ilustradas e coloridas pelo método pochoir.


1820 (ESPANHA) – Os Desastres da Guerra, série de gravuras de Goya.

1822 (EUA) – Com a aparição da litografia, a imprensa sofre uma transformação radical de impressão, expressão e comunicação. Surge a história de Caspar Braum e Friedrich Schneider: Fliegende Blatter.

1822 (FRANÇA) – Primeira fotografia, de Niepce: A Mesa Posta.

1823 (EUA)- Charles Ellms publica, em Boston, um almanaque que, pela primeira vez, incluía em suas páginas, além de anedotas e passatempos, algumas historietas cômicas cuja aceitação popular superou todas as expectativas.

1827 (FRANÇA) - MONSENHOR VIEUX-BOIS. Criação do professor suíço Rudolph Topffer. Os personagens estão à procura de algo aparentemente simples, mas que acaba provocando catástrofes.

1829 (FRANÇA) – Claude Genoud inventa a estereotipia que possibilita a futura impressão em alta velocidade.

1829 (FRANÇA) – Topffer produz outras histórias em imagens: Voyages et aventures du Docteur Festus e Monsieur Cryptogame.






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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública), na Midialouca (Rua das Laranjeiras, 28, Pelourinho. Tel: 3321-1596) e Canabrava (Rua João de Deus, 22, Pelourinho). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

06 janeiro 2014

Cronologia das Histórias em Quadrinhos (1)



A história em quadrinhos (HQs) é formada por dois códigos de signos gráficos: a imagem e a linguagem escrita. Esse meio de expressão é uma espécie de confluência das técnicas de cinema, artes plásticas, fotografia e literatura, mas tem absoluta autonomia em relação às quatros.

Surgiram como uma consequência das relações tecnológicas e sociais que alimentavam o complexo editorial capitalista, amparados numa rivalidade entre grupos jornalísticos nos EUA (Hearts vs. Pulitzer), dentro de um esquema preestabelecido para aumentar a vendagem de jornais, aproveitando os novos meios de reprodução e criando uma lógica própria de consumo.

Os quadrinhos refletem a pedagogia de um sistema e funciona como reforçadora dos mitos e valores vigentes. A força do quadrinho enquanto instrumento de penetração e divulgação cultural, política e ideológica é imensa. Estudar o que os quadrinhos estão dizendo e, principalmente, o que eles poderiam dizer é uma tarefa urgente. O quadrinho amadureceu como arte e leitura do nosso tempo.

A história em quadrinhos, como toda narrativa, tem várias funções, independente de mercado. Entreter, educar e retratar a sociedade, espelhando determinada realidade. O universo das HQs pode ser visto como uma espécie de espelho de cada época.

3.000 a.C. - Os egípcios, muito antes dos hieróglifos, já se divertiam com desenhos humorísticos feitos em papiros.

PERÍODO DA PRÉ-HISTÓRIA – 1509 a 1895

Os homens das cavernas utilizavam a pintura como forma de demonstrar sua superioridade frente aos outros animais, acreditando que assim detinham o poder sobre os mesmos. Dessas pinturas, chamadas rupestres (“o que se encontra em rochedos”), pode-se observar uma série de características típicas dos quadrinhos atuais, como sobreposição de imagens e arte sequencial.

Através dos hieróglifos, os egípcios mostraram sua capacidade de deixar para a posteridade sua história, decorando seus templos e túmulos e usando muitas vezes o poder da arte sequencial para narrar as histórias dos deuses e faraós.

Na Roma antiga, a coluna de Trajano baseava-se em monumento criado no Egito onde a história de determinada personalidade, imperadores ou faraós, era contada em forma de uma sequência de esculturas em relevo, ao redor da coluna, subindo em espiral.

A tapeçaria de Bayeux, feita na Inglaterra e com 70 metros de comprimento, há um relato da epopeia dos cavaleiros normandos. Essa tapeçaria é considerada “a maior banda desenhada do mundo”.

Esses primórdios ainda não possuíam uma das principais características das atuais HQ’s (apelido carinhoso dos quadrinhos): os balões. A primeira representação de “fala” em uma imagem data de 1370 e é conhecida como a tábua Protat, na qual um centurião romano, diante do Calvário, levanta um dedo em direção à cruz e declara: “Vere filius Dei erat iste” (“Sim, na verdade esse é o filho de Deus”). De sua boca, sai um filactério (designação antiga do balão), contendo essa mensagem.

Nessa época essas imagens não eram usadas para entretenimento e sim para fins de relatos históricos. É a partir de 1806, com as estampas de Épinal (pequenos cartões de madeira confeccionados nas oficinas de Péllerin de Épinal, na França, iniciando com temas religiosos, logo passando para temas históricos), que o termo “história em quadrinhos” pode ser usado, pois essas estampas possuem legendas, transformando-se assim numa história contada.

1070 – A Tapeçaria de Bayeux registrou em bordados uma história em quadros de 77 metros de largura um episódio notável da História – a deposição do Rei Haroldo pelos romanos.

1072 – Pintado por Stephanus Garcia entre 1028 e 1072, o Manuscrito do Apocalipse, chamado Santo Severo, já mistura o texto com as imagens.

1250 – A Bíblia moralizada, dita de São Luis.

1310 – A vida de Raymond Lulle introduziu definitivamente os balõeszinhos da Idade Média: Manuscrito de Karisruhe.

1370 – O bosque de Protat, fragmento de Carème.

1374 – A Bíblia dos pobres, xilográfica. Reunidos em cadernos (blocks books), destinados aos clérigos pobres. São os primeiros comic books.

1450 – Gutenberg abre uma oficina de impressão, em que utiliza pela primeira vez os tipos móveis.

1480 – Ars Moriendi, xilografia. Série de estampas pedagógicas.

1485 – La danse macabre, primeira edição francesa de Guyot Marchant. Aos temas da vaidade do mundo e do triunfo da morte vem se juntar o da dança macabra. Panfleto dinâmico ilustrado.
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