16 março 2018

O russo Tishchenko não pode ser esquecido


Há 100 anos o desenhista russo Nicolay Tishchenko (1926-1981) começava a publicar suas charges no jornal A Tarde. Foram 16 anos de charges (julho de 1958 a março de 1975). Ele ajudou, com suas charges, a perceber as ambiguidades da condição humana, as contradições disfarçadas, os anseios e insatisfações. Seu traço vivo, forte, fixou nossos tipos, usos e costumes sociais e políticos, dando às suas figuras um décor próprio. Preferiu a charge à caricatura, pois inspirava mais o riso do que o terror. Afinal, a caricatura individualiza o ataque, abrindo o flanco a retaliações diretas. A charge política é uma arma de combate que, além de fazer rir, leva o leitor à reflexão, ainda que sob a ótica de desconstrução e do entretenimento.


No início – 1958 – ele não entendia o coloquialismo do nosso idioma, mas seu traço forte se destacava logo nas charges que foram publicadas no jornal A Tarde. O russo Tischenko aos poucos foi conhecendo nossa cultura, nossa política e idioma. Preferiu a charge à caricatura, pois inspirava mais o riso do que o temor. Afinal, a política é uma forma de combate que além de fazer rir, deve levar o leitor à reflexão, ainda que sob a ótica da desconstrução e do entretenimento. 

Pintor, chargista e publicitário, seu traço era marcado pela sensibilidade européia e, naquela época, foi uma grande sensação no mercado. A repercussão das charges publicadas em A Tarde incentivou o desenhista a reuni-las no livro Charges. Ele publicou dois livros de charges e um dedicado “às crianças grandes”, além de uma série de ilustrações para a Câmara de Vereadores da Cidade. Introspectivo, Tischenko tem trabalhos em guache, aquarelas e esculturas espalhadas por todas as partes do mundo.


Os primeiros trabalhos do russo Nicolay Tishchenko foram publicados na Europa, mas foi na Bahia que ele dedicou quase toda a sua vida às charges e ilustrações. Quem desejar conhecer a trajetória desse artista, leia o livro O Traço dos Mestres, premiado com o HQ Mix em 1996.


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