09 março 2018

60 anos sem Assis Valente


No dia 10 de março, morria o compositor e cantor (além de desenhista), Assis Valente (1911-1958). Ele alcançou merecido sucesso na década de 1930 graças a Carmen Miranda que lançou várias de suas músicas como “Good-bye Boy”, “Camisa Listrada” e “O Mundo não se Acabou”. O auge da carreira de Assis Valente coincidiu com a época de ouro do rádio brasileiro, tendo no samba seu maior representante. Moreira da Silva, Carlos Galhardo, Nara Leão, Aurora Miranda, Aracy de Almeida, Carmen Miranda, Luiz Gonzaga entre outros gravaram suas musicas.

Ele teve uma infância difícil, agravada com o fato de ter sido tirado dos pais. Foi criado por uma família na cidade de Alagoinhas, que o tratava como empregado, até se mudar para Salvador. Lá fez cursos de desenho e se especializou na fabricação de próteses dentárias, profissão que manteve até o fim da vida.


A primeira composição foi feita em 1932, o samba "Tem Francesa no Morro", logo gravado pela cantora Aracy Cortes. Mas foi na voz de Carmen Miranda que suas canções ficaram conhecidas. Depois de ver o show da cantora, Assis Valente não sossegou enquanto não se aproximou da estrela. Especialmente para ela, compôs, ainda em 1932, o samba "Good Bye, Boy", que virou sucesso.

BRASILIDADE - Valente foi um dos compositores que mais retrataram em suas canções a brasilidade, aproveitando para fazer crônicas alegres, com críticas leves aos acontecimentos da época. Criticava a influência estrangeira na cultura nacional como, por exemplo, nos sambas "Good Bye Boy" e "Tem Francesa no Morro", nos quais se utiliza de expressões das duas línguas para fazer uma sátira.

Nessa época, o governo federal, comandado por Getúlio Vargas, decidiu investir na cultura nacional e, em contrapartida, iniciava o processo de agravamento da censura. Na década de 50, as músicas de Assis Valente já não eram mais gravadas, coincidindo com o declínio das gravações do samba tradicional. No seu lugar, a bossa-nova aparecia como representante da MPB no Brasil e exterior.


Os desenhos de Assis Valente chegaram a ser publicados em revistas famosas da época, como a Fon-Fon, logo que ele chegou ao Rio, em 1927. O trabalho como protético também era elogiado, sendo considerado um dos melhores da cidade. O sócio José de Aguiar Dantas acabou a parceria no laboratório de próteses por causa da carreira artística de Valente, que o afastava das obrigações do negócio. Em 1938, o compositor abriu seu próprio laboratório.

Compositor de incontáveis sucessos (Cai Cai Balão, Para Onde irá o Samba, Boas Festas, Chegou a Hora, Pão Duro, Fez Bobagem) morreu em total miséria, pressionado por dívidas que se somaram a seus problemas existenciais, até o suicídio. Em seu derradeiro bilhete ele pedia à sua sociedade arrecadadora que pagasse seus débitos, dívidas de um homem que sempre viveu em condições que (no máximo) poderiam ser chamadas de modestas.


Aurora Miranda, Moreira da Silva, Francisco Alves, Bando da Lua, Elza Cabral, Irmãs Pagãs, Almirante, Mário Reis, Sônia Carvalho, Orlando Silva e Carlos Galhardo também incluíram Valente em seus repertórios. Galhardo foi o primeiro a gravar "Boas Festas", música natalina popularizada no Brasil pelos versos "Eu pensei que fosse filho de Papai Noel".

Ele cantou o amor alegre, o amor de carnaval, a festa, o riso das ruas, criticando e ironizando, dando um formidável testemunho de seu tempo, dando linguagem popular e espontâneo. Enfrentou permanentemente problemas que hoje são extremamente aflitivos no Brasil, e que só agora começou a ser discutidos, tanto a nível social como profissional: homossexualismo, raça, direitos autorais e muitos outros condutores diretos a total marginalização do ser humano e de profissional. Sua última composição, "Boneca de Pano", data de 1950, foi gravada pelo conjunto Quatro Ases e Um Coringa. Em 1956, a cantora Marlene tentou fazer um resgate de suas músicas com o disco "Marlene Apresenta Sucessos de Assis Valente". Dois anos depois, com 50 anos, o compositor acabou com a própria vida tomando veneno. Morreu em 10 de março de 1958.


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