17 junho 2015

Dicionário poético



Como assíduo leitor de livros sobre cinema, música, quadrinhos, artes plásticas, filosofia e sociologia, confesso que poucas vezes abro o dicionário. Agora parece que mudei. Estou apaixonado por um dicionário.Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento, livro de Adriana Falcão traz preciosidades poéticas, reflexivas, bom mesmo. Leitura agradável, Falcão parece que aprisionou as palavras que o vento soprou para ela e agora está soltando, uma por uma, de A a Z. Vou selecionar algumas para que o leitor possa apreciar o trabalho dela:

Abandonoquando uma jangada parte e você fica.
Bondade - aquilo que sai do coração quando a torneira está aberta.
CalendárioOnde moram os dias.
DesculpaPalavra que pretende ser um beijo.
Escuridãoo resto da noite, de alguém recortar as estrelas.
FotografiaUm pedaço de papel que guarda um pedaço de vida nele.
Gulaquando chocolate é mais importante que espelho.
Horizontelinha que serve para evitar que o céu e o mar se misturem.
Imaginaçãotodo filme que passa na cabeça da gente.
Juventudeos primeiros capítulos da pessoa.
Lealdadequalidade de cachorro que nem todas as pessoas têm.
Manhão prelúdio do dia.
NomeToda palavra que tem dono.
Óbvionão precisa explicar.
Poetaquem nasceu com talento para pôr do sol.
Quererquando o olho do desejo brilha.
Razãoquando o juízo aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.
Sonhoum outro você que fica acordado enquanto você dorme.
Ternuraamor com recheio de goiaba.
Universoum verso que contém toda a poesia desse mundo.
Virgulaa respiração da ideia.
única palavra do dicionário das aves traduzida para o português.
Zíperfecho que precisa de um bom motivo para ser aberto.

Adriana recolheu todas essas palavras e muitas outras e colocou neste precioso dicionário. A cada página, essas palavras soltas vão direto para a alma da gente. Ela estreou com o romanceA Máquina. Depois veio a experiência no teatro com o musicalCambaio, parceria de Chico Buarque e Edu Lobo. Ela publica crônicas na revista Veja Rio, uma delas transformada no infanto-juvenilMania de Explicação, sucesso de público.

Emoções, sentimentos e palavras estão no livroMania de Explicação, a história de uma menina que
tinha a mania de explicar o mundo. Nele, a menina explica quesaudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não conseguee quelembrança é quando, mesmo sem autorização, o seu pensamento reapresenta um capítulo.

Falcão escreve roteiros para programas de TV, comoA Grande Família,Comédia da Vida PrivadaeO Auto da Compadecida, da Globo. Outro sucesso da escritora e roteirista é o realismo mágico de um casal de adolescentes chamadoLuna Clara e Apolo Onze, onde cria personagens tão extravagantes quanto Aventura e Doravante e que mistura amor adulto, amor juvenil, paciência, sorte, enganos e desenganos. Uma prosa gostosa de se ler, com jeito de criança pedindo bala. Sua prosa é talentosa.

Outra obra de Adriana Falcão éO Doido da Garrafa, coletânea de textos preparados para a edição carioca do suplemento de serviço da revista Veja no Rio de Janeiro. Suas crônicas são leves e livres, preparadas com esmero de uma artesã que sabe trabalhar o vernáculo com descontração e beleza.A sala do coração tem muitas janelas e duas portas. A que para dentro e a que para fora. A que para dentro está sempre aberta. A que para fora vive trancada, escreveu. Como um falcão, Adriana tem pleno domínio da palavra, do texto simples, belo, romântico. Quando se abre um livro de Adriana Falcão as portas e janelas da alma se abrem também e as palavras começam a circular em nossas mentes e corações. É uma boa companhia.
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