04 setembro 2014

O olhar na MPB



Quantas composições foram feitas para traduzir o olhar? Na música popular brasileira o olhar sempre foi uma referência. Vamos citar algumas. “Olhar Matreiro”, de Cazuza e Fagner revela: “Quando eu voltar pra você/Eu vou voltar inteiro/Quando eu chegar com meu olhar matreiro/Quando eu tocar a campainha/Me aninha/Certo que você é minha rainha...”. Tom Jobim parece que não entendeu o significado do olhar na composição “Este Seu Olhar” cuja letra diz: “Este seu olhar quando encontra
o meu/Fala de umas coisas/Que eu não posso acreditar/Doce é sonhar, é pensar que você/Gosta de mim como eu de você//Mas a ilusão quando se desfaz/Dói no coração de quem sonhou/Sonhou demais, ah! se eu pudesse entender/O que dizem os seus olhos”.

Já o tropicalista Tom Zé vai fundo em “Teu Olhar”: “Quando é dia/teu olhar/água clara/teu olhar/pela fresta/do olhar/procurava/teu olhar/minha alma, minha calma, estrela-dalva”. Mesmo sem entender a separação, Tim Maia encontra “Ternura em seu Olhar”: “Que parou comigo/Estou perdido e pra você/Eu já não sou ninguém/Mas apesar de tudo/Ao cruzar olhos nos olhos/Estou certo que tem//Ternura, ternura/Em seu olhar/Ternura, ternura/Em seu olhar”.

E foi dessa maneira que Gilberto Gil viu “Seu Olhar”: “Há no seu olhar/Algo que me ilude/Como o cintilar/Da bola de gude/Parece conter/As nuvens do céu/As ondas brancas do mar/Astro em miniatura/Micro-estrutura estelar//Há no seu olhar/Algo surpreendente/Como o viajar/Da estrela cadente/Sempre faz tremer/Sempre faz pensar/Nos abismos da ilusão/Quando, como e onde/Vai parar meu coração?//Há no seu olhar/Algo de saudade/De um tempo ou lugar/Na eternidade/Eu quisera ter/Tantos anos-luz/Quantos fosse precisar/Pra cruzar o túnel/Do tempo do seu olhar”

O trio Flávio Venturini, Zé Eduardo e Paulo Oliveira escreveram a composição “Teu Olhar, Meus Olhos”: “Olhei teus olhos/Vi o meu olhar e/Uma luz nasceu//Fechei meus olhos/Vi o seu olhar e/Tanto amor cresceu//E vi o brilho dos teus olhos/Brilhar no mundo dos meus sonhos/Me vi no fundo dos
teus olhos/Brincamos juntos tantos sonhos//Amor o sonho/Nunca vai mudar em/Teu olhar, teu olhar, meus olhos”. Candeias ficou preso pela “Expressão do teu olhar”: “Na expressão do teu olhar foi que senti/Que me amavas, eu não podia, não podia fugir/Na expressão do teu olhar compreendi/Que precisava do carinho que nunca senti/Os teus olhos lindos, encantadores tinha um quê das flores/Rosas formosas com brilho do orvalho da manhã/Calados serenos transmitindo um tom de veneno/Me atraias, olhar sedutor/Cadê, o ativo olhar que há tempos conheci/Sedução do olhar que pressenti cheio de calor/Deus criou a beleza na mulher/Vem o tempo e destrói a obra do criador”. E o paulistano Guilherme Arantes canta que “O universo vai se abrir, sob o efeito de um olhar” na canção “Sob o Efeito de Um Olhar”.

Moraes Moreira e Antônio Risério conheceram o “Olhar de Cobra” que diz: “Ela tem um olhar de cobra/Que toda hora/Paralisa o meu/E toda vez que ela olha/A brisa beija a flora/Estrelas brilham no breu”. A banda Chiclete com Banana dispara o “Olhar 99”: “Olhe meu olhar noventa e nove/Salpicado de amor”. Na carnavalesca “Chão da Praça”, Moraes Moreira e Fausto Nilo falam de “olhos negros, cruéis, tentadores/das multidões sem cantor” pois “lá no Oriente tem gente/com olhar de lança na dança do meu amor”. Alexandre Peixe cantou o “olhar de escorpião”. Na composição “Olhinho”, Zeca Baleiro confessa: “Olhos santos, santos olhos/olhos de quem quer ver/o que ninguém vê/quer ver o que ninguém ver/furacão, avião, lamparina, sina, carnificina e solidão”.
 
Já Humberto Teixeira em “Dono dos Teus Olhos” cheio de ciúme revela: “Não se esqueça/que eu sou
dono dos teus olhos/faz favor de num espiá pra mais ninguém;esse azul cor de promessa dos teus olhos/faz qualquer cristão gostar de tu também/que nosso Senhor perdoe os meus ciúme/quando penso em cegar os óio teu/pra que eu/somente eu/seja o teu guia/os óio dos teus óio/a luz dos óio teu”.

Leila Pinheiro conhece muito bem o “Olhar de Mulher” quando canta: “Ninguém pode ofuscar/A jóia rara/Que brilha no olhar/De uma mulher/Quem sabe o que quer/Não pode resistir/A gloria de existir/Sobe essa luz/A jóia que seduz/Não cabe em sua mão/Só pode possuir/Quem sabe o seu valor/E der em troca/O coração/De graça em troca/O coração”. Tem muito mais olhar na MPB...

HUMOR GRÁFICO NA BAHIA
Uma exposição com as obras dos precursores do grafismo baiano (cartum, caricatura, charge e quadrinhos) até os dias atuais é de grande necessidade para o grande público (jovem e adulto).

É necessário apresentar ao público a história desses artistas que continuam invisíveis e são importantes no registro dos acontecimentos históricos e sociais.

Por esse motivo, vamos apresentar em 2015 uma grande exposição de humor gráfico na Bahia e queremos a participação de todos os artistas.

Paraguassu, K-Lunga, Tischenko, Sinézio Alves, Fernando Diniz, Theo, Lage, Setubal, Nildão, Ruy Carvalho, Cedraz, Cau Gomez, Bruno Aziz, Valterio, Flavio Luis, Luis Augusto, Valmar Oliveira, Andre Leal, Angelo Roberto, Eduardo Barbosa, Gentil, Jorge Silva, Carlos Ferraz, Helson Ramos, Hector Salas, Tulio Carapiá, Sidney Falcão são alguns dos artistas cujas obras estarão na mostra.
Participe, colabore. Contato: gutecruz@bol.com.br
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública), na Midialouca (Rua das Laranjeiras, 28, Pelourinho. Tel: 3321-1596) e Canabrava (Rua João de Deus, 22, Pelourinho). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929.


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