02 setembro 2014

É preciso olhar com atenção (1)



Na atual sociedade do espetáculo em que vivemos, do narcisismo industrializado, é preciso pensarnão apenas o que vemos, mas como vemos. Ver, atualmente, está ao lugar do ser, perdemos outras dimensões da existência, pois segundo a filosofia oriental, cada um se torna o que contempla. É preciso pensar em “como vejo” para ser capaz de entender sua participação como sujeito do conhecimento. Porque se você vê pelos olhos de outros, alguém lhe obrigou a ver o que você nem sequer teve chance de escolher. No momento em que alguém viu no seu lugar e lhe impôs sua visão, você compactuou com o visto sem chance de escapar ao imposto. É preciso ter cuidado com esse olho devorador que tudo quer abarcar nessa sociedade de vigilância, de televisões e monitores por todos os lados a vender imagens declaradamente marcadas pela brutalidade da persuasão e da sedução. Esse sim é o olhar perverso, marcado por sua posição absoluta que define a forma do mundo sem admitir contestação. Esse é o olhar autoritário que impera sobre
outros proibindo-lhe existência. Um olhar fascista proibe pensar de outro modo, outra visão. É preciso olhar com atenção, pensar uma ética do olhar.

Para Décio Pignatari, televisão é olho contra olho, olhar contra olhar, dose diária de um “midiacamento” insuportável e insubstituível, mistura de elixir e droga, que provoca reações variadas no paciente, da náusea ao vício e à paixão. Sendo vício, viciado e vicioso, o olhar da televisão é sectário. Quem não assiste televisão não pertence à seita dos “haxixins”, é perigoso como qualquer não-sectário. O olho crocodílico da televisão cola e bricola. Tudo consome, tendo em vista o consumo.

“A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo ser acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar,esquece a amplidão”. Esse é um trecho do livro da escritora Marina Colasanti, “Eu sei, mas não devia”.

“A vista é o que nos faz adquirir mais conhecimentos, nos faz descobrir mais diferenças”. O texto é de Aristóteles na abertura da Metafísica. O olhar deseja sempre mais do que o que lhe é dado ver. Todos os filósofos
falaram sobre o olhar. “A vista – escreveu Giordano Bruno – é o mais espiritual de todos os sentidos”. O olhar antigo captou o movimento sob as aparências da matéria corpuscular. O olhar científico procura descrever a energia. No olhar da Renascença, o olho do pintor convive harmoniosamente com o olho do sábio. Leonardo da Vinci, pintor-cientista, dá ao olho o poder de captar a “prima verità” de todas as coisas. “O olho, janela da alma, é o principal órgão pela qual o entendimento pode obter a mais completa e magnífica visão dos trabalhos infinitos da natureza”.

Para Hegel os olhos não são espelhos do mundo e janela da alma, como escreveram Leonardo da Vinci e muitos renascentistas (ou mesmo o olho do corpo é fonte de pecado, como disse Padre Antônio Vieira) e
sim o olhar que se impressiona com os acontecimentos políticos da época, pensar o mundo interior à consciência do mundo e definir o movimento de constituição da História. O homem sem consciência de si, para si, é um ser silencioso e vazio. Ele substitui a cegueira da imaginação pelo pensamento der ver: a consciência e a coisa, o sujeito e o objeto – divisões brutais que determinam com rigor as esferas do sensível e do pensado, do que vê e do que é visto.


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HUMOR GRÁFICO NA BAHIA
Uma exposição com as obras dos precursores do grafismo baiano (cartum, caricatura, charge e quadrinhos) até os dias atuais é de grande necessidade para o grande público (jovem e adulto).

É necessário apresentar ao público a história desses artistas que continuam invisíveis e são importantes no registro dos acontecimentos históricos e sociais.

Por esse motivo, vamos apresentar em 2015 uma grande exposição de humor gráfico na Bahia e queremos a participação de todos os artistas.

Paraguassu, K-Lunga, Tischenko, Sinézio Alves, Fernando Diniz, Theo, Lage, Setubal, Nildão, Ruy Carvalho, Cedraz, Cau Gomez, Bruno Aziz, Valterio, Flavio Luis, Luis Augusto, Valmar Oliveira, Andre Leal, Angelo Roberto, Eduardo Barbosa, Gentil, Jorge Silva, Carlos Ferraz, Helson Ramos, Hector Salas, Tulio Carapiá, Sidney Falcão são alguns dos artistas cujas obras estarão na mostra.
Participe, colabore. Contato: gutecruz@bol.com.br
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública), na Midialouca (Rua das Laranjeiras, 28, Pelourinho. Tel: 3321-1596) e Canabrava (Rua João de Deus, 22, Pelourinho). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929.

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