17 maio 2006

O último tabu do cinema


Por causa dos conselhos de classificação e os apetites do público, os filmes tratavam o sexo como um detalhe do romance, deixando o sexo propriamente dito para os filmes classificados com x-rated (pornográfico) e para as salas especiais. Mas, à medida que a oferta de pornografia por meio da Internet e da televisão a cabo se torna mais rotineira, mais filmes estão querendo ficar para trás e apresentam sexo explícito. A hiperexposição e a explicitação das relações sexuais foram a tona dos filmes na década de 90. “O privado, a intimidade do corpo são os temas que restam num mundo cada vez mais globalizado”, disse uma cineasta francesa.

“Tenho a impressão de que o cinema dos anos 90 passou por uma espécie de ´crise da representação´ do sexo, justamente por conta do abrandamento das restrições quanto ao que podia ou não ser exibido na tela. A necessidade de um certo véu favorece a criação de um imaginário erótico riquíssimo, baseado no jogo de mostrar/esconder, que estimula a imaginação e pode ser excitante também. Os filmes dos anos 70 beneficiaram-se disto. Nos anos 90, a obsessão de ´tudo mostrar´ criou um impasse, pois evidenciou que algo da relação sexual escapa a qualquer representação, imagética ou não. A compulsão de tudo mostrar é que faz o desligamento do erotismo para a pornografia”, explicou a psicanalista Maria Rita Kehl.

“De Olhos Bem Fechados” (1999), último trabalho de Stanley Kubrick fala de sexo o tempo todo, sem mostrar uma única cena realmente erótica ao longo das 2h40 de duração do longa. “O sexo é o último tabu do cinema”, disse a diretora francesa Catherine Breillat. A diretora, escritora, roteirista e cineasta Catherine Breillat, conhecida por seu trabalho como ativista, estudiosa da condição da mulher e de sua inserção sócio-cultural no mundo masculino lançou em 1999, seu sexto filme “Romance”, história de uma mulher insatisfeita no casamento. “Acho que dava para filmar pessoas fazendo amor de uma maneira humana. Na época, a lei classificava como pornô toda representação explícita do amor físico. Para mim, a indústria pornográfica é a outra vertente da lei islâmica. Uma e outra se baseia na idéia de que nos órgãos sexuais, principalmente no da mulher, há algo obsceno”.

“O Tédio”, de Cédric Kahn (1998) usa a sexualidade para discutir um antigo impasse social: o excesso de consciência, por parte de um parceiro (o professor de filosofia), contra a natureza em estado bruto do outro, a gordinha Cacília, uma jovem de 17 anos. A natureza puramente sexual do encontro dos dois fica evidente nas cenas explícitas nas quais não há nenhuma troca de carícias. O franco-belga “Uma Ligação Pornográfica” (1999), dirigido por Frédéric Fonteyene, trata da relação entre um homem e uma mulher que colocam anúncios no jornal em busca de parceiros sexuais em uma relação definida por eles como pornográfica. A partir daí, o espectador acompanha seus vários encontros até à plena realização das fantasias. Da ligação pornográfica descobrem uma ligação afetiva. As cenas de sexo são deixadas a cargo da imaginação de quem vê, ou, em parte, substituídas por discursos sobre o erotismo e o amor. O filme recusa-se o sexo falseado para a câmera em favor do discurso verbal sobre o erotismo e o mor. O que está em jogo é uma nova ética do olhar.

Dirigido pelo coreano Jang Sun Woo, “Mentiras” (1999) fala de um escultor de 38 anos que se envolve com uma garota de 18. O sadomasoquismo é assumido como prática sexual preferida do casal. Eles vivem a obsessão pelo prazer do sexo livre e largam tudo – família, dinheiro, lugares. Sexo explícito pode ser encontrado em “Olhe para Mim” (1999), do italiano Davide Ferrario. Ele explora os limites entre o pornográfico, o erótico e o melodramático. O espanhol “Lucia e o Sexo” (2001), de Julio Medem é um filme sobre a vida. Encara os seres humanos como ilhas à deriva, sempre movidos a desejos, fantasias, ações e acasos, em busca de controle sobre suas trajetórias. O olhar para os desejos e seus efeitos, expostos sobre viés trágico e poético.

O diretor canandense Bertrand Bonelo assina “O Pornógrafo”, filme franco-canadense (2001) sobre o conflito entre pai e filho. Trata-se de um diretor de filmes pornográficos em crise de identidade. O primeiro filme em língua inglesa do francês Patrice Chéreau, “Intimidade” (2001), é a um só tempo terno e visceral, ao narrar a história de um casal de estranhos que se encontra semanalmente num apartamento para um relacionamento de poucas palavras e muitos orgasmos. O intenso relacionamento sexual entre um homem inglês e uma estudante americana é o que se vê em “Nove Canções” (2004), do cineasta britânico Michael Winterbottom. As cenas de sexo são intercaladas com eletrizantes shows de música aos quais o casal assistem. Em 2003 o diretor Vincent Gallo lança o filme norte-americano “Brown Bunny”, um road movie sobre um piloto de motos angustiado e solitário que percorre os EUA em uma van recordando um antigo amor. Esses são alguns filmes exibidos a partir da década de 90 que aborda a intrigante questão do sexo no cinema. Um estudo mais aprofundado sobre o tema será lançado dentro em breve. Há cinco anos venho pesquisado sobre Erotismo e Pornografia na música, cinema, poesia, literatura, quadrinhos, artes plásticas e fotografia.

6 Comentários:

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