25 outubro 2016

Trajetória de Frank Miller (01)



Ele conquistou uma posição de destaque no cenário da cultura pop americana. Roteirista e desenhista
de sucesso, Frank Miller teve uma carreira meteórica no competitivo mercado dos quadrinhos nos Estados Unidos, a ponto de impor suas próprias regras à indústria.

A Comic Con Experience 2016, que acontece no São Paulo Expo entre 1º e 4 de dezembro, terá a volta de Frank Miller, mestre dos quadrinhos que esteve na CCXP 2015 e agora retorna para discutir Cavaleiro das Trevas III: A Raça Superior, a sua nova minissérie do Batman que está sendo publicada atualmente nos EUA e no Brasil.

Sua carreira começou aos 20 anos, como desenhista da revista Twilight Zone, da Gold Key Comics. Logo passou a desenhar episódios da revista Weir War (histórias de terror) para a DC. Mas foi na Marvel que seu nome começou a brilhar. Não com seus primeiros trabalhos, dois números do Homem Aranha, mas com um herói com a vida comprometida pela pouca vendagem: O Demolidor.

Em 1980 ele criou Elektra na primeira história que escreveu para a revista Demolidor. Ele pegou a revista mensal do personagem quase falida e, ao longo do tempo em que esteve desenhando e roteirizando suas aventuras, desenvolveu e sedimentou seu hoje inconfundível estilo. Fiel à linha de humanização dos super heróis, Miller praticamente recriou o Demolidor, inspirando nas aventuras do personagem ingredientes adultos como sexo, violência e análises psicológicas, derrubando ainda o habitual maniqueísmo dos personagens dos quadrinhos.

Em sagas que chegaram a durar meses, Miller introduziu nas aventuras do Demolidor uma de suas mais importantes criações, a ninja assassina Elektra (o grande amor da juventude do herói). Mas, apesar de sua popularidade, ele não hesitou em mata-la para que se tornasse um eterno fantasma na vida do Demolidor.

O assassinato da anti-heroína foi a fórmula de sucesso instantânea. Elektra tornara-se criminosa tão implacável e violenta que o autor foi obrigado a exterminá-la. Morta, tornou-se mito. A genialidade de Miller acertou os leitores nas veias. Elektra é uma das grandes obras da década de 1980.


Desligando-se do Demolidor (personagem criado em 1940 por Jack Cole) depois de colocá-lo entre os líderes de vendagem, Miller partiu para um novo trabalho. A segunda maior editora de quadrinhos nos EUA, a DC Comics deu carta branca a Miller para criar, de cabo a rabo, Ronin. Essa minissérie em seis partes foi o laboratório do autor para alçar novos voos. Em cada edição, ele testou técnicos de arte inspirados em quadrinhos europeus, sul americanos e japoneses. Num mercado como o americano, que sempre olhou para o próprio umbigo, experimentar técnicas estrangeiras, por si só, já é uma ousadia.

Diferente dos quadrinhos época (e estamos falando de 1983), a narrativa de Miller tinha aspectos peculiares. Mudava de closes para grandes planos gerais, usava uma espécie de plano sequência, não enclausurava os quadros em formatos quadrados ou retangulares, mas variava-os. Talvez a sequência memorável seja a sucessão de páginas duplas em que a base do antagonista é liquidada e suas luzes vão apagando aos poucos, enquanto Ronin faz o seu trabalho.

Lançada em 1983 seis edições mensais, Ronin, inteiramente criado por ele, revelava a maturidade do traço, do roteiro, da edição de páginas e da diagramação desse autor. Mas não obteve o mesmo sucesso imediato.

2 Comentários:

At 5:46 PM, Blogger Estúdio Rafelipe said...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
At 6:05 PM, Blogger Estúdio Rafelipe said...

Há um pequeno erro no presente artigo: o Daredevil (Demolidor) o qual Miller trabalhou não é o mesmo criado nos anos 1940.
O primeiro Daredevil foi criado em 1941, por Lev Gleasson e Charlie Biro, e publicado pela editora Lev Gleasson (informação constante no livro "Homens do Amanhã" de Gerard Jones.
O Daredevil o qual Miller trabalhou foi criado por Stan Lee e Bill Everett, em título próprio criado pela Marvel Comics em 1963.

 

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