29 junho 2023

Novo livro da Noir: Traços da Diversidade

As histórias em quadrinhos estão cada vez mais presentes na vida das pessoas e seu público e produtores ficaram muito mais abrangentes e diversos nos últimos anos. Consequentemente, estão surgindo mais e mais HQs com histórias e personagens para todos os tipos de público. As narrativas criadas com temáticas feministas e LGBTQIA+ estão no centro dessa mudança e vêm para mostrar, de um jeito bastante acessível e atrativo ao público, histórias que não eram contadas antes.

 


O livro TRAÇOS DA DIVERSIDADE. De J.Carlos a Laerte mapeia experiências da comunidade LGBTI+ no Brasil através dos quadrinhos. É o novo livro da Editora Noir. O primeiro sobre quadrinhos LGBTQIA+ no Brasil! Um documento histórico. Os interessados podem pedir através do site: www.editoranoir.com.br. O envio é de até 72 horas. São histórias amorosas, de feitos profissionais, de viagens e reflexões aparecem de forma quase biográfica. O objetivo é fortalecer o sentimento de pertencimento, além de inspirar a população LGBTI+, costumeiramente alvo de preconceito e outras violências. O tema sexualidade saiu das mãos dos homens e passou, sobretudo, para as das mulheres. Com isso, autoras dedicaram-se, através de questões pessoais e coletivas, a (re) contar essa história, buscando muitas vezes justiças para os corpos apagados durante séculos. A obra apresenta desde as ilustrações de J.Carlos, do Amigo da Onça, Carlos Zefiro, passando pelos personagens de Henfil, Claudio Seto, Anita Costa Prado, Alice Pereira, Luiza de Souza, Henrique Magalhães, Adão, Mario Cesar,  Iturrusgarai, Laerte,  entre muitos outros.

A existência de temas caros a homossexuais, bissexuais, travestis e transexuais é fruto de um movimento que começou, no Brasil, na década de 1970, com pequenas publicações alternativas, se reorganizou na década de 1980 em uma resposta à crise da Aids, e se tornou mais visível na década de 1990, abrindo espaço para conquistas de direitos. Mas essas conquistas vieram a partir de decisões do Poder Judiciário ou Executivo, e não de novas legislações propostas e aprovadas pelo Congresso — reflexo de um país conservador, que ainda registra recordes de agressões contra pessoas LGBTI+.

Na sigla do GLBT o T identifica, simultaneamente, travestis e transexuais homens e mulheres, mas não transgêneros. Intersexuais são aqueles que nascem com o sexo não claramente definido como masculino ou feminino. O símbolo + tem a função de abarcar todas as identidades inseridas nos espectros de gênero e sexualidade que não são cobertas pela sigla LGBTI (como queer, assexuais e outros). O diálogo sobre gênero nos quadrinhos desconstrói tabus e preconceitos, gerando reflexões e ações para o bem de todas as pessoas. Quando há debate, rompe o silenciamento que leva à desinformação, à opressão e à violência.


 

Como conhecer os quadrinistas LGBTQUIA+ se eles foram silenciados. Essa obra busca resgatar o apagamento da arte gráfica sobre o tema feito por homens e mulheres. Havia uma grande ausência das mulheres nas artes gráficas brasileira. Muitas vezes a figura por traz dos anônimos é uma mulher. Muitas anonimizavam seus trabalhos, por isso existe essa lacuna de dados de gênero. Essa lacuna é negativa para a pluralidade do gênero.

O objetivo é romper om o silencio. O mecanismo interno do silencio funciona como modelo. É uma relação de poder e firmeza para reforçar lugares de uns e o insucesso de outros. A produção desse conhecimento é para pensar o Brasil hoje. Como o silencio se constitui na subjetividade das pessoas LGBTQUIA+ os saberes produzidos por essas pessoas devem ser divulgados, compartilhar essas experiências no gesto de resistência e luta

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