01 setembro 2016

Causas ecológicas no Homem Animal



A questão ecológica já frequenta as páginas das histórias em quadrinhos desde o início de 1980, década que marcou a ascensão dos quadrinhos adultos. Muitos autores se preocupam com o meio ambiente e discutem em suas obras a melhor maneira de como a civilização pode continuar a viver, sem que, para isso, a natureza deixe de existir. Com a onda verde que atingiu os meios de comunicação, a ecologia entrou com mais força nos gibis. Basta lembrar o Monstro do Pântano, Homem Animal, Orquídea Negra, o caipira Chico Bento, o baiano Mero, dentre outros.

Um personagem obscuro e com poucas histórias publicadas nos anos 1960 surgiu através dos traços de Carmine Infantino. Trata-se do Homem Animal, cujo poder era a capacidade de absorver as características de animais que estivessem por perto. A partir de 1988, o argumentista inglês Grant Morrison iniciou a sua versão do herói e, em pouco tempo, a revista Animal Man passou a ser uma das mais elogiadas pela crítica e público. Motivo: as histórias têm sido a sua aproximação real com os animais, não apenas para extrair poderes, mas para sentir o que eles sentem. A partir daí, Morrison humaniza os animais que aparecem nas histórias: um golfinho relata ao impressionado herói como foi a festa anual da matança de uma aldeia de pesadores; a agonia de um chipanzé aidético e estágio terminal, propositadamente contaminado pelo homem. O Homem Animal se envolveu tanto com as causas ecológicas que, ao chegar em casa e encontrar a geladeira cheia de pedaços de amigos seus, virou vegetariano. O enredo é consistente, e os desenhos de Chas Troug e Doug Hazlewood, bem estruturados.

Nenhum herói se envolveu tanto com as causas ecológicas como o Homem Animal. Alterego de Buddy Bakder, o Himem Animal era um personagem obscuro e com pouquíssimas histórias publicadas nos anos 1960, através dos traços de Carmine Infantino. Quando os agentes da DC foram para a Inglaterra em busca de talentos para os gibis americanos, ficaram surpresos ao contratarem o roteirista Grant Morrison. Ele queria o pior personagem da editora, prometendo que o transformaria num grande sucesso. Em pouquíssimo tempo, a revista Animal Man passou a ser uma das mais elogiadas pela crítica e público entre os títulos mensais de super herói. O quinto número da publicação recebeu na última votação anual, promovida entre os leitores, pelo Comics Buyers Guide, a classificação de segunda melhor história do ano. Uma prova que um autor é sempre melhor que os personagens que o cercam.

O leitor brasileiro começou a acompanhar as aventuras do personagem no terceiro número da revista DC 2000, da Editora Abril. Foi um experimento (da Vertigo/DC Comics) dos mais bem sucedidos com a expansão do conceito de super-herói: Buddy Baker, o Homem Animal, embora um super-herói, sofria dilemas e situações nada comuns. Na história de estreia – primeira parte de uma minissérie em quatro edições – Buddy Baker, um pacato dublê de cinema que abandonou o uniforme de super herói, resolve voltar à ativa. Seu superego, o Homem Animal tem o poder de absorve e duplicar as habilidades do animal que estiver mais próximo por apenas 3º minutos. Assim, ao passar perto de uma formiga pode adquirir a força dela nas proporções humanas, perto de um cachorro pode obter o faro dele e assim por diante. O herói não se transforma nos bichos como no seriado televisivo Manimal, apenas adquire os poderes.

Desempregado, com filhos, Buddy resolve retomar sua carreira por estar cansado e ser sustentado pela esposa. Mas as pessoas não o levam muito a sério, preferem os outros super herois mais conhecidos. O personagem tem uma aproximação real com os animais, não apenas para extrair poderes, mas para sentir p que eles sentem. Começam aí os problemas. E tudo vai e complicando logo na sua primeira aventura. O herói atende ao chamado de um laboratório de experiências que contaminou um chipanzé com o vírus da Aids. Como ficar impassível diante de um animal aidético, em estágio terminal, propositalmente contaminado pelos humanos?

Quando o Homem Animal chega em casa e encontra a geladeira cheia de pedaços de amigos seus, o a que sente? Buddy briga com a família, quer torna-los vegetarianos e passa a adotar atitudes pouco comuns para um super herói, como ajudar ações ilegais do Green Peace. A cada aventura, Morrison humaniza os animais. Assim, a atual onda ecológica deve muito ao sucesso do Homem Animal, escrita por Grant Morrison e desenhada por Chas Trouog e Doug Hazlewood.

Na saga “O Evangelho do Coiote”, Morrison mergulha, por meio do personagem, num universo alheio ao gênero de super-heróis, embora lidando essencialmente com um.  “O Evangelho do Coiote” retrata a realidade como algo existente em camadas, na verdade em pluralidades e, como tal, as realidades existem para além da percepção unidimensional do leitor/leitora para com histórias em quadrinhos, mas também da própria história em quadrinhos para com o leitor/leitora. Morrison, em “O Evangelho do Coiote”, mergulha nessa fina e delicada transição de realidades por meio do Coiote, na HQ chamado de “Astuto”, que personifica um coiote saído diretamente de outra mídia. E nessa transição entre autor/obra artística/leitor-leitora, experimentamos página a página, quadro a quadro, a “ponta do iceberg” da nossa realidade para com a realidade de Buddy Baker. É o ápice da metalinguagem em Homem Animal.


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