15 julho 2009

Mauricio de Sousa comemora 50 anos de carreira (3)

O jovem de 73 anos de idade, Mauricio de Sousa está pronto para ampliar seus domínios no campo da diversão e do entretenimento. Consciente de que é preciso ampliar o acesso das crianças à pré-escola, seu foco agora é a Educação. “Para a próxima década vamos direcionar alguns dos nossos produtos com o foco na Educação. Há algum tempo procurei autoridades brasileiras para tentar ajudar num problema terrível. É que 12 milhões de crianças no Brasil têm acesso à chamada pré-escola, e 14 milhões não têm. Chegam à escola sem saber pegar num lápis. Essas crianças despreparadas atrasam as outras em um ou dois anos. E daí vêm evasão, desconforto, desânimo. Eu quero criar uma série de filmes com programas como a Vila Sésamo, que funcionem atendendo às crianças que não têm acesso à pré-escola, mas têm televisão em casa. Montar um show de educação, com base no currículo do Ministério da Educação. A China já me abriu as portas para fazer isso. Vamos atuar como auxiliares da Educação formal. Vamos também atuar na área de livros didáticos ou paradidáticos, e em todos os nossos produtos, com orientação dos nossos pedagogos, vamos ter uma visão voltada para a Educação”.


Segundo Maurício, “tudo o que fizermos agora terá o viés da educação (...) Quem abriu meus olhos foi a China, que me contratou para um projeto de pré-alfabetização para 180 milhões de crianças”. O governo chinês passou uma lista com “mandamentos” sobre o que deveria estar nas histórias: respeitar os mais velhos, ser educado etc. “Tudo o que minha família havia ensinado sobre comportamento”, conta Maurício. Não haverá mudança no tema das histórias para aproximá-las da cultura chinesa. A primeira revista a ser apresentada, inclusive, narra o Descobrimento do Brasil.

O quadrinista irá desenvolver materiais da Turma da Mônica para as crianças chinesas. Os livros, impressos ou disponíveis na internet, atenderão cerca de cem milhões de jovens só em Xangai e outros milhares de estudantes por todo o país. "Os personagens brasileiros irão ajudar os pequenos a se interessarem pela leitura", completou Mauricio. Essa não é a primeira participação de Sousa no mercado editorial chinês. Ele já editou em mandarim o livro infantil Descobrimento do Brasil, em 2007.Há também um outro projeto voltado para crianças brasileiras por meio da TV, com uma série de 60 programas educacionais.

As revistas editadas na China pertencem a uma série didática que inclui temas como "Fenômenos da Natureza", "Futebol", "Meio Ambiente " e "Imigração". “Não há uma periodicidade definida ainda, mas já foram lançadas cinco edições e vem mais por aí”, explicou o diretor de Planejamento Editorial da Mauricio de Sousa Produções, Sidney Gusman. “O mercado chinês tem um potencial muito grande, mas como a ‘Turma da Mônica’ adora desafios, o Mauricio já está pensando em outras possibilidades de negócio no país“, disse Gusman.

Maurício de Sousa afirmou acreditar que a China é um mercado potencial para os seus produtos. “O primeiro sinal eu percebi há muitos anos, quando participei de um festival de desenho animado promovido por uma emissora de TV de Pequim. Enviei o único material que eu tinha na época e foi um grande sucesso”, lembrou. O empresário disse ainda que recebeu um convite para “negociar a série de desenhos animados” dos seus personagens, mas ainda não tinha esse projeto desenvolvido. Em relação à diferença do idioma e da cultura entre Brasil e China, o cartunista afirmou que as crianças “são iguais em todos os países”. Além disso, ressaltou que parte do interior do Brasil é “parecido com as regiões rurais da China”.

No Brasil, o grupo vende mensalmente cerca de 2,5 milhões de revistas em quadrinhos com os personagens criados há quase 50 anos. Além de exportar as publicações para cerca de 50 países, a Maurício de Sousa Produções tem por volta de 3.000 produtos licenciados. Segundo Maurício de Sousa, as versões internacionais das revistas são comercializadas pelo escritório do seu grupo em Nova York, que também cuida das traduções para os países onde o material circula
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um estado d´alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Roha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela)

14 julho 2009

Mauricio de Sousa comemora 50 anos de carreira (2)

Para começar as comemorações dos 50 anos de carreira, no dia 18 de julho, às 22h, o canal de TV a cabo The Biography Channel irá estrear o documentário “Biography: Mauricio de Sousa”, que traça um perfil do artista e traz entrevista com fãs e outros desenhistas dos quadrinhos como Jim Davis, criador do Garfield. No dia seguinte, 19 até o dia 18 de agosto, no MuBE, em São Paulo (Av. Europa, 218, Jardim Europa), abrirá a exposição “Maurício 50 anos” que fará um apanhado da trajetória do artista, divididos em duas partes: uma sobre a carreira do quadrinista, reunindo tiras e personagens, dos clássicos aos menos famosos, e outra com releituras de quadros e esculturas de Leonardo da Vinci, Rodin e Michelangelo, “adaptados” com personagens da Turma da Mônica..

A antologia MSP 50 - Mauricio de Sousa por 50 Artistas Brasileiros, reunirá interpretações de 50 desenhistas brasileiros para os personagens da Turma da Mônica. A obra, com 200 páginas, terá participação de Spacca, Laerte, Ziraldo, os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, entre outros. E deverá ser lançada em setembro, durante a Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

Ainda na programação de eventos tem o livro Bidu 50 Anos, coletânea de histórias do primeiro personagem de Mauricio de Sousa. A edição trará a reimpressão de Bidu # 1, gibi publicado em 1960 pela Editora Continental. O lançamento também deverá acontecer em setembro, na bienal carioca.

Site Máquina de Quadrinhos, em que as crianças terão a oportunidade de criar HQs da Turma da Mônica por meio de um banco de dados com imagens de personagens, cenários e outros elementos. As melhores histórias poderão ser publicadas nas revistas da turma do Bairro do Limoeiro. Deverá entrar no ar em agosto.

Está programado ainda um livro ainda sem título, contando a trajetória artística do criador da Turma da Mônica. Lançamento previsto para dezembro. E um CD Maurício, 50 anos de música, com as melhores canções já feitas para shows, desenhos animados, campanhas institucionais e programas especiais de Mônica e seus amigos.

PROJETOS

Sobre seus novos projetos Maurício confessou: “Vamos dar uma renovada na nossa produção de filmes. Fiz um contato com estúdios do mundo todo, e vamos começar a fazer co-produção. Um estúdio só te limita a fazer um projeto, e isso não atende à demanda do mundo. Eu tenho que fazer um filme em co-produção com chineses, outro com italianos, outro com americanos… Estamos planejando o Penadinho em computação gráfica, para a televisão; e Astronauta, também em três dimensões, para ser visto com óculos. A Turma da Mônica vai virar “Romeu e Julieta” para cinema; depois, Horácio. Chico Bento, também virá em computação gráfica. E em Roma vamos fazer Ronaldinho Gaúcho”.

“Ronaldinho é um sucesso danado no mundo - embora aqui não seja tanto. Só em revistas está em 32 idiomas diferentes, e a Mônica em 20. Veja a força do futebol. Por isso mesmo estou sugerindo que o Pelezinho seja o mascote do campeonato do mundo em 2014, no Brasil. Estamos atirando em todos os lados que nos é permitido. E eu estou preparando terreno para poder delegar um pouco mais na empresa, e voltar a fazer o que gosto: tira de jornal, que me fascina”.

Sobre a queda no índice de leitura ele foi enfático: “A Mônica Jovem é a revista de mangá mais vendida no mundo, hoje. O pessoal vai à banca de jornal e faz reserva para garantir seu exemplar, antes que acabe. A criançada não está lendo? Não concordo. E lê mais também por causa da internet. Meus netos hoje escrevem, se comunicam mais do que meus filhos. Vendemos quase três milhões de exemplares da revista tradicional da Turma da Mônica, e vamos chegar a cinco milhões. Quatro pessoas leem cada revista, é só multiplicar. As crianças e os jovens leem, mas é preciso chegar à revista, ao livro, o bom produto, a mensagem interessante, curiosa, bem escrita, e com bom preço, para estimular ainda mais a leitura. Quem lê fala e escreve melhor”.

Ao perguntar sobre o crescimento da Mônica para atingir uma faixa de público diferente ele informou: “É que a infância começou a encolher. Aos sete, oito anos, as crianças começaram a ir para o mangá japonês, e abandonar a Turma da Mônica tradicional - embora depois, quando as pessoas casam, indicam para os seus filhos. Pensei: já que elas gostam de mangá e também da Turma da Mônica, vou juntar as duas coisas. Aí nasceu a Turma da Mônica, meio mangá. E deu certo. Tanto que já tem concorrente na nossa cola”.
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um estado d´alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Roha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela)

13 julho 2009

Mauricio de Sousa comemora 50 anos de carreira(1)

Para comemorar os 50 anos como quadrinista, Maurício de Sousa organizou uma série de eventos como o lançamento de uma exposição, um livro em que 50 quadrinistas brasileiros reinterpretam a Turma da Mônica, CD com músicas dos personagens, documentário e anuncia qual caminho seguirá daqui para frente. Foi no dia 18 de julho de 1959 que uma tira em quadrinhos publicada na Folha da Manhã trazia a estréia dos personagens Franjinha e Bidu criados pelo então repórter policial Maurício de Sousa (MS). De lá para cá ele não parou mais de desenhar e hoje cerca de 16 revistas com a assinatura de MS chega, às bancas brasileiras.

Os 50 anos serão comemorados ao longo de um ano, a partir de 18 de julho, com eventos diversos. Um dos mais originais será a publicação do livro "MSP 50", que significa "Mauricio de Sousa Por 50 Artistas Brasileiros", um trocadilho com a sigla da empresa, Mauricio de Sousa Produções. O livro contará com gente como os baianos Cedraz (Xaxado), Cau Gomez (cartunista de A Tarde) e Flavio Luiz (Aú, o Capoeirista); Fábio Lyra (Menina Infinito), Samuel Casal (Prontuário 666), Spacca (Jubiabá), Fábio Moon e Gabriel Bá (O alienista), Jean Okada (Exploradores do Desconhecido), Rafael Sica (Picabu), José Aguiar (Folheteen), Renato Guedes (Super-Homem), Vinicius Mitchell (Irmãos Grimm em quadrinhos), Ivan Reis (Lanterna Verde), Ziraldo (Menino Maluquinho), Laerte (Os piratas do Tietê), Lelis (Cidades do Ouro) e Fernando Gonsales (Níquel Náusea).
De fato, aos 73 anos e pai de dez filhos, Mauricio de Sousa busca informações no seu dia a dia. "Quando comecei, jovem ainda, a única experiência que realmente dominava era a minha relação com um cãozinho, daí o Bidu ter sido o primeiro personagem. Em seguida, ao observar o comportamento das minhas filhas, consegui me sentir seguro para criar a Mônica, a Magali. E hoje ainda observo os pequenos e suas relações com a tecnologia para ficar sempre atualizado."
Foi a partir de tal observação que Mauricio vislumbrou o passo seguinte à Turma da Mônica, ou seja, iniciar uma coleção com os personagens já adolescentes. Mais: notou a voracidade com que os jovens brasileiros devoravam quadrinhos em mangá e decidiu criar a Turma da Mônica Jovem que, agora em seu décimo número, tem uma tiragem média de 200 mil exemplares. É pela editora Panini que Mauricio desdobra seus projetos, que incluem livros e coleções. Antes, ele passou pela Editora Abril, onde começou a publicar em 1970, e Globo (1988). "Foram grandes parceiros mas, em um determinado momento, senti falta de mais fôlego nos investimentos."
Ele, de fato, é insaciável. Depois de uma frustrada negociação com a TV Globo nos anos 1990, Mauricio pretende retomar a produção de desenhos para telas pequena e grande. Na televisão, ele negocia com o canal Discovery um programa com bonecos, semelhante ao Vila Sésamo. No cinema, o esquema envolve parceria com produtoras de diversos países, cada uma cuidando de um personagem. "Assim, teremos vários filmes em um mesmo tempo." E os quadrinhos continuam na pauta: já há um projeto de histórias do Penadinho com o traço tridimensional. "Quero agora investir em educação", conta Mauricio, que já acertou com a China conteúdos sobre a história do Brasil. "Eles se interessaram, por exemplo, sobre o descobrimento do nosso País. Quero fazer isso também aqui."
Maurício em números:
1 bilhão de revistas publicadas
3 mil produtos licenciados
7 vezes campeão do prêmio Ibest, como melhor site infantil brasileiros
12 filmes já foram produzidos
50 idiomas traduzidos
120 é o número de países que publicam as revistas
200 mil foi a tiragem da primeira revista da Turma da Mônica
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10 julho 2009

Poesia, poesia, poesia para melhorar o dia-a-dia

Apanhador de palavras


Sou um apanhador de palavras
encostadas em um livro qualquer
uso para compor meus silêncios
repor meus sentimentos
e reunir meus tormentos.


Quero secar as palavras
molhadas em meus sentimentos
controlar as lágrimas
que correm sofregamente.


Umedecendo minha alma
prestes a desaguar rio acima
tipo de doença que rói
e rói silenciosamente.


As palavras voam e a escrita permanece
é o que garante o adágio vindo do latim
escrita é que nem ódio, só envelhece
e o amar nunca se esquece, é que nem prece.



Decifrar segredos

Quero me alfabetizar
para decifrar seus segredos
lampejos, apelos, tormentos
tudo dentro de um só tempo.


E a sua letra esférica
De caligrafia corrida
escrevendo em minha pele
toda minha vida sentida.


E a felicidade inside
na fragilidade da natureza revolta
Amores, odores, sabores, tudo flores
No amanhecer de todas as coisas


Sei que sem você não existo.


Queria tirar os pés do chão
amar com intensidade
para voar com os pássaros
livre, volto, na imaginação.


Espero que você capte a essência
e que sua sensibilidade não morra na superfície
ao grudar em meu corpo para esquentar minha alma
você possa sentir o pulsar suave
a dor insustentável
a tristeza cortante
a vida transbordante
dessa minha solidão.



Desejo da alma

Para acessar minha alma
é preciso acionar os cinco sentidos
expondo meu corpo em movimento
adentrando no pelo da pele
no traçado do toque e dos gestos
um manifesto
no cheiro amiscado do meu tato
um fato
no gosto salgado do meu suor
não se afogue no lençol
na visão transparente da ruptura
sem amargura
na audição sussurrada das palavras
gemidas, desgovernadas
para sentir minha energia
entre o limite do interno e externo
a única vida que pulsa
expulsa a razão
transborda o coração
para viver de emoção
pura paixão.



Tatuagem

Quero tatuar na minha pele
Todas as formas de seu corpo
Que minha visão excita
Meu paladar agita
Meu tanto transmita
Minha audição incita
E meu cheiro infiltra
Tudo isso circulando em corpo
Como energia nos limites entre a cabeça e os pés
Maremotos, incêndios, tempestade
Quero estar agora no por do sol de fim de tarde
De um céu transmutado de vermelho em abismo alaranjado
Inflamado no caráter dionisíaco de sua nudez
E a minha flaxidez se infla, se retesa em flecha
Entre as formas arredondadas de seu corpo febril
E rios de energia escorrem entre montes-seios
Até o vale-púbis sobre o branco colchão
E os corpos fundidos em corrosões
Ondas de energias fagulham filosofia
É a vida, é a vida, é a vida
Num êxtase de sensação desmedida.


Linguagem

Fale comigo
na linguagem do amor
no esboço de um sorriso,
de um afeto e não de dor.


Fale comigo
na linguagem do olhar
do brilho da retina
que não esconde o desejar.


Fale comigo
na linguagem do tocar
de sentir sua mão em meu corpo
deslizando sem parar.


Fale comigo
na linguagem do sentir
o cheiro doce de ervas
perfumando meu jardim.


Fale comigo
Na linguagem de sinais
no acervo do seu corpo
que não esquecerei jamais.


Escrita

Não sei porque
Preciso tanto escrever
Para poder viver.
E com toda essa escrita
É a minha voz que grita
Esperando por você.


Utilizo um mar de letras
Para conseguir na sarjeta
Minha voz interior
E no fim dessa história
Tantas lutas, tantas glórias
Numa vida sem pudor.


Agora me dê licença
Não vou descrever a crença
Que me faz superar.
É que de tanto escrever
Eu só penso em você
Para poder sobreviver.



Quem desejar adquirir o livro Bahia um estado d´alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Roha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela)

09 julho 2009

Contexto Midiático, obra de Sérgio Mattos, expõe o jornal, a rádio, a tevê e a internet

Para celebrar o bicentenário da fundação da imprensa na Bahia, em 2011, o jornalista, poeta e professor Sérgio Mattos lança uma obra com reflexões sobre políticas nacionais de comunicação, projetos pedagógicos e os impasses conceituais com que se defrontam professores e estudantes do campo midiológico. Trata-se de O Contexto Midiático, livro publicado pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), José Marques de Melo, no prefácio do livro, “produzidos no período 1982-2007, os estudos que formam esta coletânea estão amalgados pelo fator que os interliga dialeticamente, bem explícito na palavra-chave do título: contexto. Trata-se do contexto pressentido por seu mestre McAnany: a globalização que perpassa a conjuntura pós-guerra fria, projetando-se, no espaço brasileiro, através da tumultuada reconstrução democrática”.

Dividido em cinco partes, o primeiro aborda conceitos e tendências, refletindo sobre o contexto teórico e histórico da periodização da televisão (definindo as fases do desenvolvimento histórico da tevê brasileira): Multimídia – uma nova revolução da informação mostra o impacto das novas tecnologias na mídia, considerando-se a influência da Internet no jornalismo e na televisão; a convergência das mídias, as redes pessoais e o profissional multimídias; as tendências; O papel social do rádio: a mão dupla da comunicação, levanta questões que levam a refletir sobre o papel social das emissoras de rádio educativas; E os efeitos da publicidade: uma introdução ao debate.
A segunda parte do livro (A Censura, o estado e os Meios de Comunicação) está dividido em três capítulos. O primeiro aborda O Estado e os meios de comunicação: o controle econômico. Segundo o professor Mattos, “como reflexo direto do modelo de desenvolvimento econômico adotado, a indústria publicitária do país cresceu tão rapidamente que, hoje, o Brasil está entre os dez maiores países do mundo em investimento publicitário. Como resultado da política do governo de entregar suas contas de publicidade apenas para agências nacionais, em 1980, sete das dez maiores agências do país eram domésticas. Em resumo, a influência do Estado no desenvolvimento da indústria publicitária tem sido realizada através da legislação (contra e a favor), como também pela sua participação direta na economia. Como resultado dessa participação, o governo se transformou no maior anunciante individual do país. Como anunciante, o Estado tem contribuído de várias maneiras para o crescimento do setor publicitário, além de ter aumentado o seu poder de pressão e controle sobre o meio de comunicação”.
O segundo capítulo, Mecanismos de controle da informação e da cultura, discute a atuação do Estado como entidade reguladora dos fluxos informativos e da difusão cultural na sociedade, por meio da legislação, dos subsídios e da seleção e ou indução de conteúdos. Um balanço sobre os instrumentos de censura no Brasil identifica os instrumentos de controles utilizados pelos regimes constituídos a partir da segunda metade do século XX, e as novas formas de censura praticadas no dia a dia, tanto pelo cidadão como pelo governo.

Educação, Jornalismo e Comunicação. Três assuntos discutidos e analisados na terceira parte. A começar por Freire e a natureza política da educação onde o educador revela a “politicidade da educação” e a “educabilidade do político e do ato político”. Em Proposta de Trabalho para a UFBA (1988-1992) ele expõe a plataforma de reforma da UFBA quando se inscreveu como candidato reitor (1987). Estatuinte para a UFBA e Universidade de Verdade são artigos que complementam suas propostas. Meio de comunicação a serviço da educação (pedagogia dos meios) ele mostra a luta para engajar nossas escolas no processo tecnológico de nosso tempo, procurando desenvolver tecnologias alternativas para usufruir os benefícios dos meios de massa no processo ensino-aprendizagem. Afinal, educação é a solução para todos os nossos problemas, conclui. Ensino do Jornalismo: sem integração entre a teoria e a prática não haverá solução estimula o debate sobre o ensino do Jornalismo e sua prática laboratorial.. E Vinte anos de conquistas que deram respeitabilidade à comunicação ((1957-1977) mostra a expansão da industria cultural devido à criação, nas universidades, das escolas de Comunicação, que se multiplicaram por todo o país.
A quarta parte da obra, Contribuição Ético-Profissionais aborda a ética na mídia e na saúde, e a trajetória de sucesso de Roberto Marinho, responsável pela implantação das Organizações Globo. A quinta e última parte analisa a televisão na Bahia, e singularidade regional – A Tare Municípios: uma experiência jornalística voltada para o municipalismo.
Autor de inúmeros trabalhos acadêmicos, Sérgio Matos já lançou obras como “O vigia do tempo” ('977), “Estandarte” (1995), “Mídia controlada: a história da censura no Brasil e no mundo” (2005), “Memória da imprensa contemporânea da Bahia” (2008), “Amadeu, um bandido nordestino” (2008) e “Só Você pode Jayme – um perfil de Jayme Ramos de Queiroz” (2009). Segundo a presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Consuelo Pondé de Sena, na orelha do livro, “esta obra tem tudo para agradar aos jornalistas e comunicadores, não só pelo conteúdo histórico, mas especialmente por tratar de assuntos poucos explorados, a exemplo de Á censura, o Estado e os meio de comunicação´, tão presentes no passado quanto nos dias de hoje (...) Expõe, também, sua visão da mídia regional, trazendo à consideração dos leitores da Bahia a televisão no Estado, além da sua experiência como editor de A Tarde Municípios”.
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um estado d´alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Roha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela)

08 julho 2009

Uma turma que chegou para ficar

Tudo começou nas salas de aula, do contato com tantas crianças, daquela algazarra gostosa do dia-a-dia na escola, do zum zum zum juvenil. Parecia que ele estava dentro de um gibi que tanto gosta de ler junto com os livros desde garotinho. Assim Luis Augusto teve a idéia de criar uma história em quadrinhos cujo foco é o universo infantil em toda a sua diversidade, abordando questões como diferenças físicas e sociais, paixão, ciúme, traquinagem, entre outras. E tudo com espaço para alegria, fantasia, sonho, dor, tristeza e a luta para continuar a viver. O que Luis Augusto faz é mostrar a criança primeiro como cidadã, como ser presente e atuante, seus direitos, deveres e responsabilidade com muito senso de humor. E haja humor em cada tirinha!.

O primeiro as saltar do papel para os quadrinhos e depois os livros infantis e até desenho animado foi Lucas, um garotinho que não sabe falar. O menino que já carregava a responsabilidade de representar a mudez social da infância sem perder a doçura agradou a todos. Lucas é apaixonado pelo esporte: joga futebol, anda de skate com o amigo Pedro Souza e adora viajar nas palavras. Ah!, ele também gosta de sonhar, olhar para as estrelas e tentar imaginar quantas delas estão olhando para ele... Além de frequentar a escola, de fugir da Carolina (e se Lucas não fala, Carolina fala pelos dois, diz o que pensa e fala sem pensar), nosso garoto acompanha o dever de casa dos gêmeos (Vitor e Gabriel) e ganha uns trocados tomando conta do Luís Fernando, o filho do vizinho.
Os gêmeos Vítor e Gabriel têm imaginação para o resto da vida e estão nas tiras para contestar e transgredir, como as personagens mais velhas já não conseguem fazer. “Imaginação é a arma mas eficaz para uma infância trancada entre as quatro paredes de um apartamento de classe média, numa cidade como a nossa”, disse o autor. Caio em sua cadeirinha de rodas levanta poeira e polêmicas sobre nosso direito de ir e vir, sobre os livros que a professora lê na escola, e sobre a escola, que roda, roda sem sair do lugar. Ele sabe brigar por seus direitos e dizer o que pensa com tranquilidade
Um outro garoto prodígio é Leandro, o melhor amigo do Lucas. Ele tem uma enorme capacidade de ser criança, sonhar e acreditar nos seus sonhos. Sonhar é bom... Ele é judeu, frequenta a sinagoga e deixa o rabino com os cabelos ainda mais branco. Assim é Leandro, uma criança doce que brinca sem pressa de crescer, e ele está sempre de olhos arregalados, admirado com o novo, e tudo é novo para ele.
Quem gosta de barulho deve conhecer Winnie, irmã mais nova do Martin. Ela é bem diferente do irmão mauricinho. Enquanto Martin passa horas na frente do computador, Winnie treina para sua vida política, fazendo discursos para suas bonecas ou meso passeatas no playground. Tem ainda a romântica Mirela, a sonhadora Lívia, o filósofo Rafael que confessa sua paixão pela Natália, a vaidosa que vive organizando desfiles e apresentações de moda.
A turma conta com Félix, sempre achando que existe algo de ruim atrás de tudo de bom que lhe acontece; Diogo, menino de rua que tem tanto medo das pessoas quanto as pessoas tem dele; Ícaro que apareceu nos sonhos de Lucas e é um grande mistério da turma, e muitos outros. Os personagens discutem, com bom senso, algumas questões sérias do dia a dia. São diversas crianças que fazem parte do Fala Menino!, exemplo de dignidade humana, de vida. Os traços são firmes com personagens bem delineados e roteiros precisos e profundos. Assim é o trabalho do professor, arquiteto, desenhista e escritor Luís Augusto que já espalha sua criação para todos os estados brasileiros. Confira então essa seleção de suas melhores tiras, leia, reflita e se divirta.

07 julho 2009

Quadrinho que fala ao coração e chega na consciência

Lucas é mudo, mas sempre consegue passar o seu recado. Caio é cadeirante e sabe lidar muito bem com a trajetória da vida. Rafael é deficiente visual que gosta de filosofar sobre tudo o que ainda não viu, mas enxerga o mundo de uma perspectiva lúcida. Mateus é autista e consegue entender o que está em sua volta. Leandro, o melhor amigo de Lucas, é um garoto judeu super ativo e cheio de imaginação. Essa é uma turminha muito especial. Faz parte da tirinha Fala Menino!, do cartunista e escritor baiano, Luis Augusto Gouveia. Os personagens possuem necessidades especiais, mas os traços de Luis Augusto não caem no arquétipo da cartilha contra o preconceito. Mesmo com limitações físicas, as crianças não permitem que isso impeçam de realizar as ações típicas da infância como as brincadeiras, as paqueras, os sonhos. Tudo isso com uma dose de humor e otimismo. Uma turminha que tem que lidar com os dilemas da infância, dialogando com o mundo dos adultos de um jeito muito especial.

Desde 1996 que Luis vem publicando suas tiras diárias no jornal A Tarde. Ao colocar luz sobre a infância e juventude da garotada, Luis Augusto desmistifica e dá dignidade ao personagem. Em termos de inclusão e exclusão, Augusto mostra como as crianças ouvem o som do mundo, sente os perfumes, o calor do toque, do abraço amigo e sugere a inclusão, onde todos se tratam de igual para igual. Se seus personagens possuem limitação visual e/ou auditiva, são crianças felizes e com capacidade de sentir o mundo. O objetivo é falar sobre diferenças e deficiências. As crianças não nascem com preconceito, mas vão adquirindo no decorrer da vida, então o artista trabalhar na infância para ter uma sociedade melhor.
DIVERSIDADE - Assim é o trabalho criativo de Luis Augusto, discute o relacionamento do mundo adulto com a infância apresentando a diversidade do universo infantil e contribuindo para que a criança tenha voz atuante na sociedade. Reflexivo, contemplativo e incisivo.“Com a honestidade da perspectiva infantil, falar da criança como o ser inteligente e crítico que é, capaz de discutir o comportamento adulto. E junto com o Lucas, discutir o relacionamento do mundo adulto com a infância, talvez o único momento da vida em que somos quem nascemos para ser, sem tantas máscaras sociais, sem tantos preconceitos”, diz o autor. O Fala Menino! nos conta de diferenças físicas ou sociais, de superação de limites, de inclusão, de responsabilidade social com a naturalidade das lições que apenas a infância sabe dar.
Os desenhos de Luis Augusto Gouveia foram premiados pela UNICEF, inclusive no Prêmio Ibero Americano de Comunicação pelos Direitos da Infância. A tira está sendo publicada no jornal A Tarde, além de vários livros editados e uma série de desenhos animados de 15 capítulos (de 45 segundos cada) que ficou no ar na programação das emissoras baianas.
O que chama atenção nos quadrinhos de Luis Augusto é sua perspectiva nova em termos de linguagem, conteúdo e forma. Refletir e expressar o seu tempo é essencial para o desenhista. Ter consciência de sua época. Como expressar seu mundo, de que formas dispõe para a execução e que posições tomar frente à realidade do momento. Essas são perguntas que muitos desenhistas se fazem a todo instante, uns mais outros menos. Uma obra de arte significa sempre uma tomada de posição do artista perante a vida. Aqueles que procuram uma arte de consumo fácil, de puro ócio, dificilmente seu trabalho resistirá ao passar do tempo. O de Luis Augusto vai atravessar gerações, porque além de falar ao coração, chega junto na consciência, o que é essencial. Promove dignidade e emancipação das pessoas especiais.
Antes de se formar em Arquitetura e Urbanismo, em 1994, já trabalhava com arte educação em escolas da Bahia. Trabalhou com Ziraldo fazendo histórias para a revista O Menino Maluquinho, da Editora Abril. Em 1989, publicou a tira Liu e o Mágico do Sobaco, lançou o fanzine Calouro humano. A seguir produziu uma série de quadrinização de músicas da MPB publicada em forma de revista, a MPB em HQ. Em 1995, recebeu Menção Honrosa no 1º Concurso Nacional de Histórias em Quadrinhos da Academia Brasileira de Artes, em São Paulo, com a história Hamlet na Varanda. Fez ilustrações em Nova York, desenho animado em São Paulo (participou da animação do clip da música “Tieta”, de Caetano Veloso), e tem trabalhos publicados em todo o Brasil. Da sua experiência como Arte-Educador nasceu o “Fala Menino”, obra pela qual ganhou o Prêmio HQ Mix de Melhor Álbum Infantil (1997) e Menção Honrosa na Categoria Trabalhos Gráficos, outorgado pela Unicef (1999). O antigo estudante de Arquitetura seguiu de vez sua vocação para desenhista.

06 julho 2009

O mundo pelos olhos das crianças

Desde sempre, as crianças se destacaram nas histórias em quadrinhos. Mas o termômetro do sucesso desses personagens foi indicado pelo público leitor. O alemão Wilhelm Busch criou, em 1865, dois garotos travessos, Juca e Chico. Mas a primeira criança que deu impulso à nova arte foi sem dúvida Yellow Kid, o Garoto Amarelo, criado em 1895 por Richard Outcault. Inspirados nos personagens Juca e Chico, Rudolph Dirks começou a publicar, em 1897, as trapalhadas dos Sobrinhos do Capitão. Em 1912, Richard Outcault lançou Chiquinho (Buster Brown). Em 1905, Wilson McCay fez surgir O Pequeno Nemo com desenhos surrealistas e oníricos.

Se nos EUA o apoio ideal da HQ foi no jornal diário para adultos, na França quem desempenhou o mesmo papel foi a revista infantil. E no Brasil, as revistas de humor. Em 1924 Harold Gray cria uma garotinha de cabelos encaracolados e olhos vazados: Aninha, a Pequena Órfã. Em 1929 Hergé criou o adolescente Tintin e seu cão Milu em viagens pelo mundo. 1931 surgiu o trio Reco Reco, Bolão e Azeitona, de Luiz Sá na revista Tico Tico. 1943 Marge lançou Luluzinha e Bolinha. 1950, Charles Schulz, inspirado, criou o incompreendido e desprezado Charlie Brown em seu Peanuts. 1951 nasceu Dennis, o Pimentinha de Ketchan. 1960 Ziraldo lançou a revista Pererê, o melhor exemplo de brasilidade que temos nos quadrinhos. Mauricio de Sousa publicou as tiras de Bidu, Cebolinha, O Astronauta. Em 1964 inspirada em sua filha ele criou Mônica, e o argentino Quino deu vida a terrível e questionadora Mafalda. Em 1984 o irreverente Menino Maluquinho, de Ziraldo, sai das páginas do livro para os quadrinhos.
Existem outras crianças nos quadrinhos, muitas outras. Mas, em grande parte, colocadas de modo idealizado, sem problemas. Em dezembro de 1996 estreou nas páginas do jornal A Tarde a tira diária Fala Menino!, de Luís Augusto Gouveia. Trata-se da primeira série de quadrinhos que enfoca o universo infantil chamando a atenção para toda a diversidade que neste existe, onde há lugar para alegria, fantasias e sonhos, mas também para momentos de dor, tristezas, perdas e diferenças... deficiências. São histórias de crianças, das quais algumas são portadoras de necessidade especial, que vivem as mais divertidas aventuras em casa, na rua ou mesmo na escola. Tudo com muita reflexão. Onde a deficiência é apresentada não como algo desejado, mas que é superada. Assim surgiu Lucas e sua turminha. Lucas é mudo, porque não sabe falar. E, entre muitos, ele é amigo da surda Mirela, do cego Rafael e do autista Mateus.
Tratar, nos quadrinhos, de crianças “deficientes”, que o autor prefere chamar de “portadoras de necessidades especiais” requer muita sensibilidade, habilidade e criatividade para não cair no tom piegas. Mas as aventuras desses pequenos que pintam e bordam a todo momento e fazem barulho como todas as crianças são resultados do convívio de Luís Augusto com centenas de crianças, entre elas, meninas e meninos autistas e portadoras de vários tipos de deficiências. Com este contato direto, e muitas pesquisas, ele percebeu que as crianças convivem, muito bem, com as diferenças e as dificuldades. E viu mais: elas sabem superar limites (seus e dos outros) sem culpas ou piedade. Essa turminha sapeca convive muito bem com a diferença.
O que Luís Augusto está fazendo é mostrar a criança primeiro como cidadã, seus direitos, valores, o respeito, carinho e amizade, tudo com muito senso de humor. Nas entrelinhas diz muito mais: a mudez de Lucas pode ser uma metáfora que representa a mudez social da criança. Quantas vezes os adultos não têm paciência de ouvir o que os pequenos tem a dizer. Se no início escrevi que Fala Menino! trazem histórias sobre crianças deficientes, estava errado. São histórias sobre crianças. Crianças que superam, seja um simples problema de matemática, ou mesmo uma surdez de nascença. Os limites de cada um entram no contexto para realçar a capacidade do homem de ultrapassar obstáculos para ser feliz. Assim, o limite traz, sempre, potenciais a serem desenvolvidos. São histórias sobre NÓS!.
E o próprio autor superou todos os obstáculos em publicar seus desenhos, enfrentando os quadrinhos estrangeiros que invadem quase todos os nossos espaços, superou a falta de visão de muitos editores que não acreditam no tema abordado, superou a tudo e a todos porque acreditou no que fazia. E foi com os olhos de criança que conseguiu enxergar esperanças nesse mundo de contrastes e incertezas. Com os olhos brilhando de verdades que conseguiu atingir crianças e adultos, redescobrindo a vida e o mundo. É preciso espalhar essas sementes com urgência para todos. Desde as crianças até aos mais idosos.
Suas histórias são exemplo de dignidade humana. Exemplo de vida que merece ser divulgado a todos, professore, médicos, engenheiros, psicólogos, donas de casa, pais e filhos, todos formadores e multiplicadores de opiniões. Com traços firmes, personagens bem delineados e roteiros precisos e profundos, o professor, arquiteto, desenhista e escritor Luís Augusto espalhou seu aprendizado na Bahia e já atingiu muitos outros estados. É preciso observar o amadurecimento e a evolução de seu trabalho. Desde a primeira tira publicada durante o ano de 1997 o que se nota é o crescente equilíbrio entre roteiro e imagem, e o constante desenvolvimento da personalidade das crianças. Esse eterno aprendiz sabe das coisas, sabe da vida, e passa tudo isso em seus quadrinhos. Nós agradecemos por essas preciosidades diárias que são publicadas no jornal e que agora estão reunidas em livro. Vale a pena conferir.
Do convívio diário com crianças de escolas particulares de Salvador e, principalmente de seu trabalho junto às meninas e meninos autistas e/ou portadores de necessidades especiais, que surgiu a turminha do Fala Menino!. Lá, Luis Augusto percebeu que as crianças convivem muito bem com as diferenças e dificuldades e, o que é mais importante, sabem superar limites.
O autor consegue despertar no leitor o sentido de cidadania, fazendo-o refletir em como as crianças podem ser atuantes sem perder a infância. Mas ao escolher esse foco como tema, o assunto ainda rende preconceitos. Crianças com necessidades especiais são capazes de aprender e desenvolver novas habilidades da mesma maneira que qualquer outra.

01 julho 2009

Acabar com obrigatoriedade do diploma no jornalismo foi “erro” do Supremo

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, classificou como "um erro de avaliação” a decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional a exigência obrigatória de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Segundo Britto a independência e a qualidade necessárias ao correto trabalho jornalístico são “obtidas somente com diploma e com o registro no Ministério do Trabalho. O primeiro garante a qualidade técnica e o segundo a qualidade ética.” Britto argumentou ainda que a legislação vigente até então já garantia reserva de mercado para outros profissionais atuarem na imprensa, por meio das figuras do colaborador e do articulista. "A decisão do STF, na minha compreensão, não observou corretamente qual é o papel do jornalista e a sua função na defesa da liberdade de expressão", afirmou o dirigente da OAB.
Em matéria publicado no mês de maio (18/05/2009) o jornal A Tarde revelou que a Bahia é o terceiro Estado em “coronelismo eletrônico”, ou seja, dez parlamentares baianos são acionistas de rádio ou TV. E o jornalista, escritor e deputado federal Emiliano José em artigo publicado no jornal A Tarde (22/06/2009) informou: “Quem acredita e defende a democracia compreende e defende a necessidade de uma nova lei de imprensa que proteja e defenda a cidadania e assegure a liberdade de imprensa”. Dos 191 países da ONU só um não tem uma Lei de Imprensa: o Brasil. “Não é possível ficar à mercê da cabeça de cada juiz, que estabelecerá o que fazer em cada situação caso permaneça o quadro legal atual”, comenta Emiliano. O jornalista e escritor Tasso Franco na Tribuna da Bahia (22/06/2009) disparou: “Agora, o STF, anuncia a contratação de 14 jornalistas por concurso com salário inicial de R$6.651,52 e vive o drama, em edital, se exige diploma de jornalista ou se abre para todos: motoristas de táxis, cozinheiros, médicos, terapeutas ocupacionais, mágicos, garçons e outros. E tome tiro no pé”.
As discussões sobre a necessidade ou não de diploma para o exercício jornalístico "costumam confundir liberdade de expressão com liberdade de imprensa, e liberdade de imprensa com liberdade de empresa". Segundo o pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (Nemp) da Universidade de Brasília (UnB), Venício Lima, essa confusão ficou evidente durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que acabou (dia 17) com a exigência do diploma de jornalista para quem exerce a profissão. Lima disse que a confusão ficou mais evidente nos momentos em que advogados e ministros partiam da falsa premissa de que "os jornalistas seriam os senhores de suas pautas”. “Quem assistiu ao julgamento notou que as condições reais da autonomia passaram longe das discussões. Até mesmo o advogado da Fenaj [Federação Nacional dos Jornalistas] cometeu esse equívoco durante a defesa, quando questionou a dispensa do diploma sob o argumento de que a profissão seria o quarto poder. Isso é falso porque esse poder nunca pertenceu aos profissionais, mas às empresas.”
Para o pesquisador, “ficou a impressão de que toda essa discussão [ocorrida no STF] estava no vazio, uma vez que, nos últimos 40 anos – durante a vigência da Lei de Imprensa – nunca os jornalistas tiveram tal independência”. Por esse mesmo motivo, Lima acredita que a dispensa de diploma para a prática jornalística não trará grandes mudanças para a imprensa brasileira. “O jornalista já funcionava como um profissional qualquer. Só que as pessoas muitas vezes ignoram o fato de que esse exercício profissional era feito em empresas que têm, como quaisquer outras empresas capitalistas, sua ética e seus objetivos voltados para o lucro”, afirmou.
Lima defende que o estudo da ética como disciplina, comum aos cursos de jornalismo, não representa uma garantia de que o exercício profissional da atividade seja realizado de forma ética. “Não haverá necessariamente prejuízos éticos porque formação e diplomas não garantem ética nas atitudes do indivíduo”, argumenta. Já as corporações sindicais ligadas a jornalistas e às empresas de ensino que formam jornalistas terão, segundo o pesquisador, prejuízos sensíveis a partir da decisão do STF. “Apesar de provocar poucas alterações para o exercício jornalístico no país, a decisão do Supremo afetará diretamente as corporações sindicais e as empresas de educação que fabricam jornalistas em escolas pouco qualificadas”, disse.
“A exemplo do que ocorre em outros países, a imprensa não poderá abrir mão de pessoas qualificadas. Por isso não acredito em demissões. Isso representaria a piora significativa da qualidade do material jornalístico”, disse. Para Lima, o público brasileiro é bem mais esclarecido do que o da década de 1980 e, com isso, os veículos estarão atentos para não comprometer a qualidade de sua produção e a efetividade dos processos comunicativos com o público.

Projeto de lei para regulamentar a profissão
O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) afirmou (18) que poderá propor ao Congresso um projeto de lei para regulamentar a profissão de jornalista, após ouvir os representantes da sociedade civil e entidades do setor. Segundo o parlamentar, a decisão do Supremo não levou em conta a evolução das profissões. Ele citou como exemplo a advocacia. “Os advogados, antigamente, para atuar nos tribunais, não precisavam de diploma. Depois, havia o diploma, mas não o Exame de Ordem. Em seguida, além do diploma, passou a ser necessária uma prova duríssima na OAB”, explicou Miro. A construção de uma lei regulamentando a profissão também é defendida pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azedo. “A Constituição diz que é livre o exercício das atividades profissionais no país, na forma estabelecida em lei. Se o questionamento é sobre um decreto-lei da ditadura, agora, sob o império e o abrigo da Constituição de 1988, é possível fazer outra lei para legitimar essa exigência do diploma”, afirmou Azedo.
O presidente da ABI defende que os profissionais e os estudantes de jornalismo promovam um protesto em frente ao Supremo contra a decisão da Corte. “Nós vivemos um processo em que, através das décadas, a competência, a qualificação e a ética aumentaram e o ministro Gilmar Mendes e os seus companheiros deram um gigantesco passo atrás”, disse. Para o professor de comunicação, autor de vários livros sobre jornalismo e atualmente presidente da Biblioteca Nacional, Moniz Sodré, a decisão do STF beneficia principalmente os donos de empresas. “Não concordo com a tese de que estavam defendendo a liberdade de expressão. Foi uma desconsideração do Supremo com a importância da atividade jornalística”, afirmou Sodré.
Segundo ele, apesar da crise que abriu, a decisão do STF pode ser útil para levar a uma reflexão entre os jornalistas sobre qualificação profissional. “Crise também significa oportunidade. É uma boa chance para se discutir o que é jornalismo e o que é informação hoje”, disse Sodré. Sobre o impacto que a extinção da necessidade do diploma pode causar no meio acadêmico, o professor afirmou que as boas escolas vão permanecer, mas que poderá haver reflexos negativos nas faculdades mais fracas. “Considerando que qualquer profissão passa por qualificação e isso hoje acontece através dos cursos universitários não tem como suspender a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, mesmo porque, como em outras profissões, o jornalista pode causar riscos às pessoas se publicar informações de forma equivocada. A formação superior é importante para a qualificação do profissional de jornalismo”, considerou.
Decisão “rebaixa” exercício do jornalismo
O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) Sérgio Murillo, considerou um “prejuízo imenso e histórico” para a categoria a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou inconstitucional a obrigatoriedade do diploma em curso superior específico para o exercício da profissão de jornalista no Brasil. O Ministério do Trabalho não pode mais exigir o diploma para conceder registro de jornalista a qualquer cidadão. “Aparentemente, não precisa de nenhum critério. Inclusive pessoas sem formação escolar, analfabetas, podem obter o registro de jornalista. Não sei se o STF tomou pé do nível de rebaixamento em que coloca o jornalismo no Brasil neste momento”, criticou Murillo.
A Fenaj também lamentou a argumentação usada pelo presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, em seu voto. Ele foi o relator do recurso ajuizado pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo (Sertesp) e pelo Ministério Público Federal (MPF) contra uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que tinha afirmado a necessidade do diploma. “O presidente do STF desrespeitou os jornalistas brasileiros, ao dizer que esta atividade tem a mesma dimensão da culinária e do corte e costura”, disse Murillo. “ Por que, então, não permitir que um cidadão sem advogado possa se defender perante uma Corte?”, comparou, em alusão à formação profissional exigida dos advogados.
Para a Fenaj, o STF optou por acatar na íntegra a tese das empresas e enfraquecer a categoria.“É entregar o galinheiro para os lobos tomarem conta. Acaba a valorização do mérito pessoal de se procurar por um escola de jornalismo e substitui-se pela vontade do patrão, que vai decidir com base num 'talentômetro' quem pode, ou não, ser jornalista”, ressaltou Murillo. O dirigente da Fenaj confessou que ainda não sabe como orientar o posicionamento dos sindicatos, mas ressalvou que, apesar do “ golpe profundo”, a decisão do STF não foi uma “sentença de morte” para a organização profissional dos jornalistas. (Fonte: Agência Brasil, A Tarde e Tribuna da Bahia).

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30 junho 2009

Fim do diploma expõe jornalistas a riscos e fragilidades

O Supremo Tribunal Federal (STF)) derrubou a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. O presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azêdo, criticou a decisão. "A ABI lamenta e considera que esta decisão expõe os jornalistas a riscos e fragilidades e entra em choque com o texto constitucional e a aspiração de implantação efetiva de um Estado Democrático de Direito, como prescrito na Carta de 1988", disse ele em nota. Na nota, Azêdo diz esperar que a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) recorra ao Congresso Nacional para "restabelecer aquilo que o Supremo está sonegando à sociedade, que é um jornalismo feito com competência técnica, alto sentido cultural e ético". Ele informa que a ABI organizou o 1º Congresso Brasileiro de Jornalistas em 1918 e aprovou "como uma das teses principais a necessidade de que os jornalistas tivessem formação de nível universitário".

O Brasil virou um Estado Judiciário. Tudo é decidido pelo Gilmar Mendes e seus comparsas de STF. Medida Provisória que a oposição não gosta: vai pro STF. Número de vagas nas câmaras municipais: vai para o STF. Projetos de lei aprovados, mas que alguém resolve contestar: vai para o STF. Obrigatoriedade ou não de diploma para exercer uma profissão: vai para o STF. O Judiciário decide tudo, praticamente governa esse país e as pessoas ainda aplaudem. Quanto tempo vai demorar para o STF resolver julgar se eleição foi válida ou não. "Ah, acho que o povo votou nele, mas foi por causa da propaganda. Vamos tirá-lo do cargo e dar posse para o outro". O que ninguém quer ver é que vivemos a mercê de juízes, com um poder desproporcional nas mãos. Controle externo do Judiciário? É tarde, porque eles já nos controlam!
"Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área". Com essa declaração polêmica, comparando comida e notícia, Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) justificou a decisão do órgão proferida no dia 17 de junho que dispensa o diploma de jornalismo como requisito obrigatório para o exercício da profissão. Mendes alegou que a sentença – de oito votos contra um – foi baseada na Constituição Federal de 1988, que garante a ampla liberdade de expressão, não contemplando o Decreto-Lei nº. 972/69, que exigia o diploma.
PRIVILÉGIOS - Em um artigo publicado no jornal A Tarde (Toga de privilégios, 19/05/2009), o professor universitário, economista e jornalista Helington Rangel foi enfático: “Ao Supremo Tribunal Federal se conferem méritos por corporificação ao guardião-mor da democracia e do ordenamento jurídico da liberdade, mesmo sendo instituição de magistrados como qualquer outra, composta por homens pactuados ideologicamente, capazes de erros na mesma intensidade que qualquer mortal na sua habilidade de decidir”.
“Na realidade – continua Rangel -, converte-se como utópica a formação da imagem de que juízes, abrigados pelas togas, são munidos unicamente de seriedade, competência e honestidade, fiquem preservados das tentações experimentadas pelas simples almas pecadoras, livres das fraquezas mundanas, incorporadas de forma dinâmica no ambiente social”.
BOMBA - O veredicto caiu como uma bomba dividindo opiniões entre os profissionais de imprensa, tanto os diplomados quanto os chamados "precários", ou seja, os que não passaram por uma faculdade. Deixou atônitos também milhares de estudantes de jornalismo em todo o país que contraíram dívidas junto ao Programa de Financiamento Estudantil (Fies) e outros empréstimos particulares para cumprir a exigência legal vigente até a controversa decisão do STF.
Representantes do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) e Associação Baiana de Imprensa (ABI) se pronunciaram contra a decisão judicial. A presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba), Kardé Mourão Lopes, defende que “a decisão é um retrocesso, um golpe duro para a categoria, e vai comprometer a qualidade do jornalismo”. Repórteres, sindicalistas, professores e estudantes de jornalismo repudiaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou inconstitucional a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Para Sérgio Mattos, professor de Assessoria de Comunicação e Ética, da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), “parece que os ministros não sabiam o que estavam dizendo, o que me causa espanto. Eles confundiram alhos com bugalhos. Fizeram uma mistura muito grande sobre o que é ser jornalista e quais as atividades desempenhadas com o direito e a obrigatoriedade do diploma. As declarações deixaram transparecer que eles estavam por fora sobre a função do jornalista”. Mattos considera a decisão um “retrocesso” e afirma que a categoria precisa unir forças.
“O posicionamento do ministro é um absurdo porque a atividade jornalística lida com a vida das pessoas e é preciso que se entenda isso. Um erro jornalístico pode ser fatal”, avalia a coordenadora do curso de Jornalismo do Centro Universitário da Bahia (FIB), Cristiana Serra. “Assim como medicina, o jornalismo precisa de especialidades. Acredito que estas pessoas que votaram nunca entraram numa redação de TV, rádio ou jornal. Temos o comprometimento com a veracidade das informações”, informou a radialista e jornalista Márcia Melo.(Fonte: Agência Brasil, A Tarde e Tribuna da Bahia).

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29 junho 2009

As artes vão sobreviver no século XXI?

A tecnologia transformou o mundo das artes. Primeiro aconteceu uma acentuada mudança geográfica para longe dos centros tradicionais (européias) de cultura de elite. A partir do final dos anos 40 New York substituiu Paris como o centro das artes visuais. O modernismo supunha que a arte era progressista e, portanto, o estilo de hoje era superior ao de ontem. Era, por definição, a arte da avant garde. O pós-modernismo contestava a essência de um mundo que se apoiava em crenças opostas, ou seja, o mundo transformado pela ciência e a tecnologia nela baseada, e a ideologia de progresso que refletia.

A tentativa de comparar “a obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica” (Walter Benjamin) com o velho modelo do artista criativo individual reconhecendo apenas sua inspiração pessoal tinha de fracassar. A criação era agora essencialmente mais cooperativa que individual, mais tecnológica que manual. Como observou Benjamin, a era de “reprodutibilidade técnica” transformou não apenas a maneira como se dava a criação, mas também a maneira como os seres humanos percebiam a realidade e sentiam as obras de criação. Isso não mais se dava pelos atos de adoração e prece seculares em nome dos quais os museus e galerias, tão típicas da civilização burguesa do século XIX, supriam as igrejas.

As impressões dos sentidos, e mesmo as idéias podiam alcançá-los simultaneamente de todos os lados. A tecnologia encharcaria de arte a vida diária privada e pública. A obra de arte se perdera na enxurrada de palavras, sons e imagens, no ambiente universal do que um dia se teria chamado arte. Então esse crítico alemão excêntrico chamado Walter Benjamin foi um visionário. Ele percebia nas discussões sobre arte uma supressão da cultura popular, um foco limitado, um desprezo mesmo daquilo que era chamado de arte comercial. Ele se opôs a um certo modo elitista de enfocar arte, e a viu enquanto um dos efeitos da cultura. A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica enfocava o que estava acontecendo em decorrência da ascensão da fotografia, o fato de que a fotografia permitia a exploração da arte em si mesma.

Abalou conceitos, tabus como originalidade e autoria, colocou em questão a idéia do artista como o único produtor que vende sua tela. A “aura” do original foi descrito pela primeira vez por Benjamin, quando ele fala da qualidade única que um original possui, de como foi produzido, em seu tempo e lugar. Só que hoje ela é reproduzida por todo o mundo de todos os jeitos e essas reproduções não têm nenhum valor ao original, de seu self origin.

O sociólogo Renato Ortiz no capítulo sobre “legitimidade e estilos de vida” (no livro Mundialização e Cultura. Editora Brasiliense, 1991) informa: “É somente na passagem do século XVIII para o XIX que o universo artístico torna-se independente das injunções políticas e religiosas. Até então, a obra de arte cumpria uma função religiosa (habitava as igrejas e os conventos), política (luta entre burguesia iluminista e o poder aristocrático), ou ornamental (os retratos nas cortes ou nas famílias dos grandes comerciantes). Este constrangimento se reforçava ainda com a existência do mecenato. O artista dependia materialmente daquele que o sustentava. A modernidade reformula este quadro. Surge o artista enquanto indivíduo livre (isto é, capaz de escolher seus temas e sua linguagem), e uma esfera autônoma (quase sagrada) da arte enquanto tal. Os julgamentos políticos, religiosos, ou comerciais (antagonismo entre os românticos e a literatura de `massa`, o folhetim) são substituídos por critérios exclusivamente estéticos. A afirmação de Flaubert, ´a arte pela arte`, revela um novo espírito, a presença de um domínio fechado sobre si mesmo, cujas regras de funcionamento escapam às ingerências externas”.

No final do século XX os interesses econômicos de indústrias de consumo se fundiram com as vanguardas e extraíam seus lucros de um certo ciclo de moda e de vendas em massa instantâneas para uso interativo mas breve. Se a distinção entre o sério e o trivial, o bom e ruim, profissional e amador foi deixado de lado com base em que a única medida de mérito eram as cifras de venda, ou que eram elitistas, ou que, como dizia o pós-modernismo, não se podia fazer qualquer distinção objetiva. Qual será o papel ou mesmo a sobrevivência das artes no século XXI?. Só o tempo dirá.

Para Hipócrates, a arte é longa, a vida é curta. Já Mário Pedrosa resumiu: arte, necessidade vital. Com mais de 40 mil anos de história, a pintura continua sendo um espaço aberto à reflexão e ao prazer. “Não podemos matar uma tradição pictórica. A pintura é mais poderosa que a guerra, os governos ou o gosto”, disse René Ricard. A arte não morrerá, informou o crítico Frederico Morais (no seu livro Arte é o que eu e você chamamos arte. Record, 1998), simplesmente porque em arte não há progresso. Nem, a rigor, decadência. Mudam os meios de expressão, mudam os suportes, os materiais, e as técnicas empregadas pelo artista, as formas de apresentação e circulação das obras de arte, mas, essencialmente, a arte não muda. Desde os tempos pré-históricos ela é sempre uma necessidade vital para o homem e as nações. As questões da arte serão as questões de sempre. Assim, quando será decifrado o mistério da arte?.
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26 junho 2009

Manifestações artísticas (7)

Bauhaus (1919 a 1933)

Escola democrática alemã que fundava-se no principio da colaboração da pesquisa conjunta entre mestre e alunos. Progresso é educação e o instrumento da educação é a escola. Devido ao afastamento entre artesão e artista a escola tinha o objetivo de recuperar o artista para produção industrial. Em 1919, o arquiteto alemão Walter Gropius integrou duas escolas existentes na cidade de Weimar, a Escola de Artes e Ofícios, do belga Henri van de Velde, e a de Belas-Artes, do alemão Hermann Muthesius, e fundou uma nova escola de arquitetura e desenho a que deu o nome de Staatliches Bauhaus (Casa Estatal de Construção), com sede em um edifício construído em 1905 por Van de Velde.
As origens mais remotas da Bauhaus provêm do movimento Arts and Crafts, do inglês William Morris, que procurou restabelecer a dignidade medieval do artesanato e do artesão. Todavia, o ensino da Bauhaus opunha-se às concepções de Morris, contrárias à revolução tecnológica e à produção em série. Também não agradava a Gropius o estilo art nouveau, devido a seu caráter decorativo e esteticista. A ascendência mais próxima da Bauhaus está na associação Deutscher Werkbund, fundada em 1907 por Hermann Muthesius para incentivar as relações entre os artistas modernos, os artesãos qualificados e a indústria. Muthesius desejava criar o que chamava de Maschinenstil (estilo da máquina). Gropius, que foi membro da Werkbund, materializou esse objetivo, em grande parte, na Bauhaus.

A Bauhaus combatia a arte pela arte e estimulava a livre criação com a finalidade de ressaltar a personalidade do homem. Mais importante que formar um profissional, segundo Gropius, era formar homens ligados aos fenômenos culturais e sociais mais expressivos do mundo moderno. Por isso, entre professores e alunos havia liberdade de criação, mas dentro de convicções filosóficas comuns. O ensino era suficientemente elástico, com a participação, na pesquisa conjunta, de artistas, mestres de oficinas e alunos. Para Gropius, a unidade arquitetônica só podia ser obtida pela tarefa coletiva, que incluía os mais diferentes tipos de criação, como a pintura, a música, a dança, a fotografia e o teatro. De tal maneira a filosofia da Bauhaus impregnou seus membros que sem demora se definiu um estilo em seus produtos despidos de ornamentos, funcionais e econômicos, cujos protótipos saíam de suas oficinas para a execução em série na indústria. O estilo Bauhaus era fruto do pensamento dos professores, recrutados, sem discriminação de nacionalidade, entre membros dos movimentos abstrato e cubista.

Pop Art (Década de 1950)
O pop art começou a tomar forma quando alguns artistas, depois de estudar símbolos e marcas da propaganda, começaram a transformar isso em arte. O objetivo principal dos artistas do pop art era criticar a sociedade por causa do consumismo. O épico foi sendo transformado pelo cotidiano, eram usados quadrinhos, ilustrações e anúncios publicitários, além de tinta acrílica, poliéster, látex, etc, como materiais artísticos. Entre os principais artistas do Pop Art, destacam-se Robert Rauschenberg, Roy Lichtenstein e Andy Warhol. O Pop art surgiu como uma rebelião aos estilos convencionais de arte, trazendo de volta as realidades do dia-a-dia e a cultura popular. Essa nova modalidade de manifestação artística surgiu na Inglaterra, porém teve seu pleno desenvolvimento em Nova York, EUA, nos anos 60.
Arte Conceitual (Década de 1960)
Textos, imagens e objetos são as referências artísticas deste tipo de arte. A obra deve ser valorizada por si só. Um dos meios preferidos dos artistas conceituais é a instalação, ou seja, um espaço de interação entre a obra e o espectador. Até mesmo a televisão e o vídeo são usados nas instalações. Destacam-se os seguintes artistas: Joseph Beuys, Joseph Kosuth, Daniel Buren, Sol Le-Witt e Marcel Broodthaers, Nam June Paik, Vito Acconci, Bill Viola, Bruce Naumann, Gary Hill, Bruce Yonemoto e William Wegman.
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