
Para Schiele a Natureza era tanto mais fascinante no período outonal das plantas em decomposição, no processo de desintegração. Explorou sem complacência a antevisão da morte em tudo, nas belas flores já ressequidas, nos traços de fome, de vício, de devassidão, de doença em corpos ainda jovens, nas visões alucinatórias de cidades imersas em escuridão. Muitos dos corpos masculinos e femininos que desenh

As imagens intensas e distorcidas de Schiele são inflexíveis na expressão de sentimentos humanos. Profundamente afetado pelas explorações do inconsciente, a obra de Schiele dava forma às suas próprias ansiedades e inseguranças. A sua carreira foi breve, e muitas das suas obras contêm sexo explícito, o que levou o artista à prisão por "fazer desenhos imorais". A aguda intensidade nervosa de seu estilo tornou-o um dos mais importantes pintores expressionistas, embora ele nunca tenha se identificado formalmente com o movimento. Schiele morreu prematuramente de influenza, no momento em que seu trabalho começava a ser reconhecido. Egon Schiele nasceu em Tulin em 1890 e morreu em Viena em 1918, vítima de tuberculose.

O ambiente onde ele vivia, Viena, era capital do império austro-húngaro, um lugar de grande efervescência cultural. Apesar dos ricos salões e das grandiosas festas, grassavam a fome, as doenças e a pobreza extrema, criando um clima de catástrofe que culminou na 1ª Guerra Mundial. Nesse ambiente de contrastes, floresceram a arte, a ciência, a filosofia, a literatura, a música, a arquitetura. Foi nessa Viena, em que conviviam Sigmund Freud, Ludwig Wittgenstein, Arnold Schoenberg, Alban Berg, Anton von Webern, Gustav Mahler, Robert Musil, Karl Kraus, Stefan Zweig, Otto Wagner, Adolf Loos, Josef Hoffman, e muitos outros, que Schiele se instalou, aos 17 anos, sob a proteção de Gustav Klimt (1862-1918).
A histeria era a doença da moda. Para os litera

Enquanto Klimt, mais ligado ao Simbolismo e à chamada Arte Nova, mostrava o lado imperial da sociedade vienense, Schiele desenhou e pintou a crueldade

As tendências narcisistas do artista foram aumentando de intensidade até a sua morte em outubro de 1918. Sua obra passou a maior parte do século sem sair de Viena, enfiada em pinacotecas particulares, tapada do público com pudores que o autor nunca teve. A temática é difícil, diante do erotismo cru e intenso. Ele pintou para atacar a convenção de que no corpo humano a cabeça fica acima do sexo. Como isso é questão de perspectiva, ele tinha recursos de sobra para obrigar o espectador a encarar o outro ponto de vista, grudando-lhe os olhos com traços e cores no foco de suas obsessões sexuais. Quem olha sua obra com atenção, muda de opinião. A nudez do ser humano que ele pintava era mais preciso do que qualquer fotografia, basta observar seus auto-retratos.
Sua vida foi curta e trágica e sua carreira inteira não cobre uma década. Nela, produziu 300 telas e 3.000 desenhos num mercado em que esteve a maior parte do tempo entalado. Morreu aos 28 anos de gripe espanhola, depois de passar incólume como soldado pela I Guerra, servindo na retaguarda em repartições burocráticas do Exército imperial. "Certamente, eu fiz pinturas que são horríveis, não nego isso, mas será que as pessoas acreditam que eu gosto de fazer as coisas desse modo para horrorizar a burguesia? Não. Isso nunca foi o caso. Mas o desejo tem seus fantasmas. Eu não pintei esses fantasmas por prazer. Pintei porque essa era a minha obrigação", revelou o artista.
Apesar de sua muito curta vida (afinal, ele morreu com 28 anos), Egon Schiele se confunde com toda a vaga expressionista da Áustria. Sempre com o dedo acusador em direção a uma sociedade corrupta, Schiele teria em Oscar Wilde um par na literatura. Na música, eu estaria tentado a apontar Handel como uma espécie de precursor, ainda que em mundos muito distintos. Não tendo sido um inovador nato nem tão-pouco um revolucionário, Handel era muito viajado e deixava transpirar essas influências em suas composições. Por qualquer motivo, vendo essas gravuras de sexualidade latente de Schiele, não consegui deixar de pensar em Handel. Olha, fica o desafio: dá uma olhada nessa rádio para ouvir música dele e concorda ou discorda do que eu escrevi
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