22 março 2010

É preciso aprender a economizar melhor o uso da água, ela é finita

O planeta Terra é coberto com 70% de água, sendo que quase toda a água existente no planeta é salgada (97,5%) e está nos oceanos, inadequado para utilização agrícola e industrial. Apenas 2,5% da água existente é doce, e 1% de toda a água doce é imprópria para consumo por estar em rios, lagos e lençóis subterrâneos. Conclusão: No mundo apenas 1,5% da água doce é própria para consumo! O Brasil concentra 13,7% dessa água existente no planeta, e 73% do volume dela é encontrada na Bacia Amazônica. Mesmo sabendo que a distribuição de água é desigual e que porcentagem existente é irrisória, o ser humano ainda não aprendeu a economizá-la.


Na Europa, por exemplo, um habitante consome entre 200 a 300 litros de água por dia. Nos Estados Unidos, esse número é assustador, tendo em vista que cada norte-americano gasta desenfreadamente, por dia, 575 litros sendo 50 deles somente com descarga. O disparate é que em Moçambique esse número é de 10 litros por pessoa/dia. No Brasil o consumo chega a 138,5 litros por habitante/dia, sendo o Sudeste a região que mais consome (166,2 l/hab/dia) e a região com menor consumo é o Norte (101,7 l/hab. dia). O Nordeste está em terceira colocação com um gasto de (106,4 l/hab/dia) ficando a frente ainda das regiões Centro-Oeste (133,1 l/hab. dia) e Sul (134,9 l/hab. dia). O dado mais assustador é que para cada habitante é necessário apenas a utilização de 20 litros/dia.


Além do consumo efetivo da população, no país são desperdiçadas ainda 199 litros/dia de água pela indústria, pecuária e agricultura o que perfaz um consumo diário entre o cidadão e as indústrias de 337,5. O superintendente do Instituto de Águas e Climas, autarquia ligada a Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia, Júlio Rocha, em viagem a Tel Aviv em Israel, conheceu o sistema de tratamento de águas residuárias e o projeto de reaproveitamento que trata o esgoto transformando em água para a Irrigação, alternativa que pode fornecer água reaproveitada de forma consciente.


SEMI ÁRIDO - Na Bahia 69,3% do território é composto pela região do semi-árido que necessita de irrigação nos plantios. Essa região abrange 266 municípios e população estimada pelo IBGE no último senso de 6.451.835 habitantes. A irrigação é uma técnica utilizada na agricultura que tem como objetivo o fornecimento controlado de água para a plantação. No Brasil, 50% do desperdício é causado pelo uso irregular da irrigação.


Um outro grande vilão do desperdiço de água está dentro de casa. Cinco minutos escovando os dentes com a torneira ligada são necessários para desperdiçar 12 litros de água. De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), 63% do consumo de água residencial acontece no banheiro, e o chuveiro é um dos principais responsáveis por essa perda desenfreada. Cada minuto embaixo do chuveiro ligado pode chegar a gastar 6 litros de água. Por exemplo, um banho de ducha por 15 minutos com registro meio aberto chega a consumir 135 litros, porém, se o registro for fechado ao se ensaboar e reduzirmos o tempo para 5 minutos, o gasto cai pra 45 litros. Uma válvula de privada no Brasil chega a utilizar 20 litros de água em um único aperto.


Do mês de janeiro a junho deste ano, são consumidos na Bahia, cerca de 201 milhões de metros cúbicos de água tratada e distribuída pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). Um metro cúbico corresponde a mil litros de água A Embasa realiza campanhas de conscientização nos 355 municípios baianos que recebem água distribuída pela empresa. Ao todo, são cartilhas, panfletos e palestras que são desenvolvidas por técnicos para essas regiões, porém as ações de políticas públicas precisam ser mais efetivas para que a cultura do desperdício diminua e para que a população conheça outras alternativas de consumo.

ALTERNATIVAS VERDES – A Secretaria Nacional de Habitação, por exemplo, investe mais de US$ 10 milhões para a troca de vasos sanitários em residências no Brasil, através do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat – PBQPH. De acordo com a ANA a “alteração significativa do volume de descarga é utilizado para o funcionamento das bacias sanitárias. A redução é de 40% no consumo de cada aparelho, diminuindo em até 15% o consumo diário de água de uma habitação, e criando condições para a implementação de programas de uso racional da água em edifícios, com resultados significativos (reduzindo 12 a 15 litros por descarga para 6,8)”. Essa alternativa pode partir do próprio cidadão. Já está disponível no mercado vasos sanitários que reduzem o desperdício de água. A ANA afirma ainda que 93% das empresas fabricantes de vasos sanitários no Brasil participam do Programa.


Uma outra possibilidade de redução do desperdício é substituir também, as torneiras das pias por outras mais econômicas, além de fechá-las durante o ensaboamento da louça, durante a escovação dos dentes ou durante o ensaboamento no banho. Ainda, pode-se realizar a implantação de coleta e aproveitamento da chuva. Enquanto São Pedro ajudar, você pode captar a água da chuva para consumo não potável como irrigação de plantas, jardins, lavagem do carro, inclusive para a bacia sanitária. Alternativas como estas já estão sendo realizadas em países como Estados Unidos, Alemanha e Japão e nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.


Realizá-las não parece ser tão difícil. Precisa-se apenas que as casas sejam equipadas com calhas nas laterais para que a água da chuva seja filtrada e levada para um recipiente onde ela será reservada, para posteriormente ser utilizada para o consumo não potável. Para quem mora em apartamentos, a alternativa é fazer contratar uma empresa que possa realizar o novo formato de coleta para distribuição no condomínio. Alternativas com estas aliviam o gasto econômico e reduzem o gasto desnecessário, que simbolizam educação e respeito com todos.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

19 março 2010

Música & Poesia

TÔ FAZENDO A MINHA PARTE (Flavinho Silva e Gilson Bernini)


Tô saindo pra batalha,

pelo pão de cada dia,

a fé que trago no peito,

é a minha garantia,

Deus me livre das maldades,

me guarde onde quer que eu vá,

tô fazendo a minha parte,

um dia eu chego lá.


Todo mês eu recebo um salário covarde,

no desconto vai quase a metade,

e o que sobra mal dá pra comer,

sou pobre criado em comunidade,

lutando com dignidade,

tentando sobreviver,

quem sabe o que quer nunca perde a esperança não,

por mais que a bonança demore a chegar,

a dificuldade também nos ensina

a dar a volta por cima,

e jamais deixar de sonhar





ECO (Raiça Bomfim. Blog: Mainha Me Deu Lápis)


Eu quis influir pelo fosso mais fundo

pra içar a palavra impossível, coberta de musgo,

encravada no pântano de meu tormento.


Eu quis abrir a palavra comporta da represa

de minha alma e inundar tudo.


Quando a primeira letra explodisse,

encharcasse as narinas de bálsamo e fulgor,

seria um aterramento absoluto, por amor e fúria.


Eu percorri os labirintos da loucura

em busca da palavra una

capaz de surpreender silêncio e abismos

e lhes roubar o sentido e o pudor.

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18 março 2010

Juarez Paraíso, um inovador (3)

Ícone de inquietação e modernidade durante décadas no âmbito das Belas Artes baianas, Juarez Paraíso foi um dos primeiros artistas a se utilizar na arte do produto da natureza. Ele fez uso das cabaças para compor instigantes esculturas na intenção de derrubar a mítica em torno do sexo, gerador da vida entre os seres animados. Buscava as formas sugestivas, a perfeição das superfícies curvas, e sem mudar a cor natural, uniu as cabaças às significativas aberturas, saliências, reentrâncias e tonalidades dos búzios, amolgados com a fibra de vidro. Como em qualquer trabalho de Juarez, se no esboço anterior que cria deixa claro o conceito, a perfeição da técnica ao unir as peças assegura a integridade do escultura.


Numa época em que existia alta e baixa cultura, o preconceito contra a cultura popular, incluindo aí as histórias em quadrinhos, Paraíso não esqueceu de seus sonhos de infância. Foi nele beber na fonte a inspiração para produzir quadros baseados em personagens dos velhos gibis da infância. Em outros países os quadrinhos entraram na moda através do movimento artístico pop art. A Pop Arte anunciou o fim dos limites entre “alta” cultura e cultura popular. A linguagem da cultura urbana, presente nas estéticas dos quadrinhos, dos anúncios de propagandas, do design de produtos e da fotografia, passou a ser celebrada pelas artes plásticas num movimento que irrompeu no final dos anos 1950 quase que simultaneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos. Com uma visão irônica e crítica, mas muitas vezes positiva, em relação à cultura, ao consumo e aos meios de comunicação de massa, os artistas da Pop Arte faziam obras atrevidas e revigorantes, que sintonizavam com um mundo que emergia transformado após a Segunda Guerra Mundial.

Ao retratar objetos comuns, como latas de sopa, embalagens de sabão em pó, fotografias de artistas, e às vezes até mesmo ao incorporá-los às obras, a Pop Arte se opôs, para muitos, ao Expressionismo Abstrato, representante da “alta” cultura e que dominava o cenário das artes plásticas, e também às pretensões da avant-garde contemporânea. Historiadores afirmam que os artistas da Pop Arte se propuseram a fazer uma arte mais objetiva e universalmente aceita, democrática, que fosse acessível tanto aos conhecedores como a pessoas que não estivessem familiarizadas com o universo das artes plásticas.

Mas nem todos a viam assim. Muitos críticos a acusavam de conformista, burguesa, arte da publicidade que procura nos inserir num mundo consumista, banal e vulgar. A Pop Arte surgiu num momento em que outros fenômenos culturais de massa ganhavam terreno, como a televisão, o cinema holywoodiano, o rock e a música jovem, as histórias em quadrinhos e as ilustradas e coloridas revistas populares. No campo econômico e comportamental instalava-se uma atitude consumista, impulsionada pela impressionante prosperidade econômica dos Estados Unidos no período.

É discutível qual foi a mais extraordinária inovação da arte do século XX, se o cubismo ou a pop art. Ambos surgiram de uma rebelião contra algum estilo já convencional: os cubistas achavam que os pós-impressionistas eram comportados e limitados demais, e os adeptos da pop art, que os expressionistas abstratos eram pretensiosos e veementes demais. A pop art trouxe de volta às realidades materiais do dia-a-dia, à cultura popular, na qual as pessoas comuns extraíam da TV, das revistas ou das histórias em quadrinhos a maior parte de sua satisfação visual.


A pop art surgiu na Inglaterra de meados dos anos 50, mas realizou todo o seu potencial na Nova York dos anos 60, quando dividiu com o minimalismo as atenções do mundo artístico. Nela, o épico foi substituído pelo cotidiano, e o que se produzia em massa recebeu a mesma importância do que era único e irreproduzível; a distinção entre “arte elevada” e “arte vulgar” foi assim desaparecendo. A mídia e a publicidade eram os temas favoritos da pop art, que muitas vezes celebrava espirituosamente a sociedade de consumo. Talvez o maior nome dessa estética tenha sido o americano Andy Warhol, cujas inovações exerceram influência sobre a arte posterior. E o nosso Juarez estava antenado a tudo isso. “Na trajetória de Juarez Paraíso nada foi impossível fazer. Dominou o fazer artístico com a combinação mais perfeita de talento, direção política, habilidade artesanal e obstinação”, escreveu Calasans Neto.




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17 março 2010

Juarez Paraíso, um inovador (2)

No dia 20/11/2008 a jornalista Clediana Ramos escrevia no jornal A Tarde na série Mestres da memória: Salvador, às vezes nem percebe, mas respira arte herdada da África. São composições vindas diretamente desta fonte – afinal a cidade foi o maior porto dos povos africanos escravizados no Brasil. Tem também a eternizada no trabalho de artistas que se inspiram nas características próprias desta cultura como cores e formas. A beleza que pode ser contemplada em museus, praças ou mercados como o Modelo é resultado de uma história de resistência, afinal a referência sobreviveu a partir da memória. Imagine, por exemplo, alguém que era arrancado abruptamente do que lhe dava localização no mundo – língua, família e nacionalidade – para ser obrigado a trabalhar de forma escrava em uma terra estranha.


Foram estes povos aqui chamados de angolas, congos, cabindas, jeje, ijexá, ashantis, nagôs e tantos outros nomes que deixaram reminiscências de suas culturas. A memória delas foi mantida por seus descendentes. Gente como Juarez Paraíso, um dos mais conhecidos dos artistas plásticos baianos que ao ser inquirido sobre as referências afro-brasileiras na sua obra, começa a resposta pela história do seu pai Isaltino Paraíso que saiu de Arapiranga, parte do município de Rio das Contas para estudar na Escola Normal na capital da Bahia.


O sonho de Isaltino era virar professor, o que conseguiu. Mas para chegar lá teve que suportar obstáculos como a ironia de um professor que o chamava de “Isaltina”, pois homem e negro na sala só havia ele. Pois Isaltino voltou com diploma e mais tarde conquistou o amor de Eulália Martins Alves Paraíso, branca e de uma família da elite local. Dono de um espírito libertário teve que deixar a direção da escola para não ser preso. Veio então para Salvador batalhar. “Meus pais foram a representação do que acho que é a arma para se combater o racismo: a união. No caso deles, o amor triunfou sobre tudo”.


Batalha - E assim vai desfiando sua história um artista de vanguarda, como foram tantos dos afro-brasileiros, que colocaram em sua arte, de forma inconsciente ou no sentido da denúncia, dores e aprendizado como o de compreender e conviver com o outro que pensa diferente. Lição que Juarez aprendeu bem em casa, mas o artista acabou vítima do desrespeito. Parte da sua obra sucumbiu diante da intolerância religiosa. Era de Juarez Paraíso os mosaicos que retratavam o nascimento de Oxumarê, instalados nos antigos cinemas Arte I e II, que ficavam no Politeama. Os painéis foram destruídos a marretadas, em 2000, quando a Igreja Renascer em Cristo comprou o espaço. Além da destruição, picharam por cima dos destroços “Deus é Fiel”.


O artista perdeu outros painéis em situações parecidas. Um ficava no Cine Tupi e foi destruído quando a multinacional CIC comprou o espaço. Um mural de 40 metros quadrados de sua autoria ruiu quando a Igreja Universal comprou o Cine Bahia, que ficava na Carlos Gomes. No caso das obras que estavam nos cines Art I e II, Juarez foi à Justiça.


“O que mais doeu é que o painel era desmontável. Era só pedir que eu tirava”, diz Juarez que ganhou uma indenização de 170 salários mínimos, numa busca de reparação simbólica, pois não há como se reconstruir algo nascido em um determinado contexto da sensibilidade artística. “Eles ainda afirmaram durante o processo como justificativa que o cinema não era o Vaticano nem Juarez Paraíso é Leonardo Da Vinci”, relata. O seu depoimento dá bem uma mostra de como a arte de inspiração africana foi entendida do outro lado do mundo. Num primeiro momento era “selvagem”, “primitiva”, pois não seguia os mesmos padrões da européia.


“A produção artística africana era julgada com os olhos da estética europeia que era centrada na representação. Já uma máscara africana, por exemplo, está mais interessada na expressão e não na semelhança do rosto humano por exemplo”, explica o mestre em designer e doutorando em história social, Jaime Sodré. O julgamento depreciativo demorou para acabar. O processo de colonização na África negra começou por volta do século XVI, mas foi a partir da obra de Pablo Picasso, já no século XX, que a arte africana ganhou outro status. Isto porque um dos mais geniais artistas modernos buscou inspiração nas formas e cores do fazer africano.


Ao beber na cultura da África, Picasso a “legitimou” aos olhos ocidentais. “Ele vê na arte africana uma outra estética. Ela é uma arte que trabalha com a geometria e não apenas aquilo que se vê. É uma arte libertária”, analisa Sodré. E este componente libertário se ramificou nas mais variadas direções.


No Brasil e na Bahia a mão destes artistas descendentes de africanos produziu do clássico ao que se pode chamar de moderno. Mesmo que em alguns casos, não tenham utilizado claramente esta influência eles estão entre aqueles que construíram o patrimônio artístico brasileiro. Aleijadinho, Mestre Valentim, Teófilo de Jesus, Leandro Joaquim, dentre outros vão ser seguidos por mestres da contemporaneidade como Rubem Valentim, Hélio de Oliveira, Iedamaria, Emanoel Araújo, Agnaldo Manoel dos Santos, Mestre Didi, Caribé, Juarez Paraíso além dos que não estão listados nos livros, mas se espalham pelos vários cantos da Bahia, mantendo viva uma ligação antiga, mas ao mesmo tempo renovada.

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16 março 2010

Juarez Paraíso, um inovador (1)

Professor, pintor, escultor, gravador, fotógrafo, muralista, publicitário, cenógrafo, figurinista, decorador e artífice. Artista gráfico de todas as técnicas (xilogravura, metal, serigrafia, offset), pintor de todas as tintas (do pincel à pistola). Um artista completo. Juarez Paraíso nasceu em 1934 na pequena Arapiranga. Seus pais vieram, parar em Salvador no início na década de 30. Deles herdou a rara sensibilidade – a mãe tocava bandolim e o pai era professor. Com apenas 14 anos entrou para a Escola de Belas Artes. Com 16, por necessidade, iniciou carreira de professor de desenho. Formou-se em pintura, gravura e escultura. Começou a ensinar na UFBa. Em 1992 passou a ser diretor da Escola de Belas Artes da UFBa. As atitudes, aliadas ao seu audacioso trabalho, tornaram Juarez uma espécie de maldito, dentro do fechado mundo artístico de Salvador.

Na adolescência Juarez era fã de histórias em quadrinhos, apaixonado pelos traços dos artistas Alex Raymond (Flash Gordon), Burne Hogarth (Tarzan), Harold Foster (Príncipe Valente) e Will Eisner (O Spirit). Mais tarde essa influência quadrinística irá aparecer em seus trabalhos. “Aqueles desenhistas das histórias em quadrinhos foram os primeiros a chamar a atenção do menino para uma arte mais nova. Eles representam uma quebra da tradição: nas formas atrevidas quer substituíam a realidade do bom desenho, no exagero, na atmosfera que criavam, e no assunto desenvolvido em torno das eternas lutas do bem contra o mal. A influência dos quadrinhos surge nas entrelinhas de trabalhos de Juarez, pelo uso de estratégicos recursos do domínio das arte que provocam o mesmo impacto, como a distorção de que,m tem o domínio do correto, bem diferente da outra de quem não sabe fazer corretamente”, escreveu a crítica de arte Matilde Matos no livro A Obra de Juarez Paraíso.Na Escola de Belas Artes foi aluno de Raymundo Aguiar, mestre que nas horas vagas fazia caricatura para a imprensa alternativa utilizando-se do pseudônimo K-Lunga. Também foi aluno dos mestres Alberto Valença, Emídio Magalhães e Mendonça Filho.


Temido e odiado pelos acadêmicos, rejeitado pelos medalhões e amado, sobretudo, por seus alunos, Juarez Paraíso faz parte da segunda geração de artistas baianos modernos. Fez duas bienais nacionais de artes plásticas (1966 e 1968), três números da Revista da Bahia, a Galeria Convívio, e participou de toda a luta para criar uma associação de artistas modernos, um sindicato e conseguiu a regulamentação da profissão. Esses ideais morreram com a suspensão da segunda bienal, em 68 e a prisão de Juarez. Mais tarde ele fez diversos murais paras a cidade, monumentos, esculturas, a decoração do Carnaval baiano (um deles com tema em louvor a Jorge Amado), foto-design e no cinema viveu Pedro Arcanjo no filme Tenda dos Milagres, dirigido por Nélson Pereira dos Saltos. Dirigiu o curta sobre a gravura da Bahia na década de 60.


Em 1966 ele fez uma arte ambiental no Cine Tupy, obra futurista de terceira dimensão. Ele sempre buscou a experimentação e a pesquisa nas artes plásticas. O desenho a bico-de-pena e o trabeculado de linhas são o seu forte. A habilidade e a desenvoltura em tratar o material sobre o papel ou tela fazem de Juarez Paraíso o mestre da sua época. Sua obra está marcada pela qualidade e modernidade. Expôs no Peru, Espanha, Chile, EUA, entre outros países apresentando trabalhos em pintura, desenho, fotografia, serigrafia, gravura, tapeçaria, cenário para teatro e cinema, sempre com tendências vanguardistas. Artista dos mais renovadores, sempre em constante pesquisa não só nas artes gráficas como também no campo da escultura e mural. Em 1996 conclui seu mandato de diretor da Escola de Belas Artes e se aposentou como professor após 44 anos no exercício da profissão e recebeu o título de Professor Emérito.


E Jorge Amado o descreveu com dois adjetivos opostos, mas não contraditórios: solidário e solitário. “Solidário com a vida, com a luta do homem, com o tempo e o chão presentes, com as vocações violentadas, com os jovens, armado em guerra contra a injustiça, a miséria, as limitações, contra tudo quanto lhe parece feio e mau (…) solidário com seu tempo, sua terra, seu povo, seus artistas – generoso, militante, solidário promotor de cultura (…) criador vário e inquieto, múltiplo, que não se parece com nenhum outro, solitário em sua criação”.

No livro A Obra de Juarez Paraíso (2006), a crítica de arte Matilde Matos escreveu: “Artistas talentosos, há muitos. São raros os que fazem da arte a razão primordial de suas vidas e se dedicam em pensamentos, palavras e obras à sua evolução. Entre esses, com a capacidade de liderar movimentos que provocam mudanças no espaço da arte, destaca-se um em privilegiadas gerações. Da que surgiu nos anos 60, esse artista é Juarez Paraíso. (...) Ao mestre Juarez Paraíso, devesse a formação da grande maioria dos artistas baianos surgidos entre os anos 60 e começo dos 90. (...). Juarez Marialva Tito Martins Paraíso nasceu sob o signo de Virgem e seu santo é Oxossi. Acredita no amor, na solidariedade e no homem”.


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15 março 2010

Narcisismo baiano impede desenvolvimento cultural (5)

O cacau foi o primeiro ciclo econômico na história contemporânea da Bahia. Vigorou por mais de 40 anos (1930-1970), dando à economia baiana um caráter tipicamente de monocultura exportadora. O auge desse ciclo foi na década de 60, quando o setor agropecuário detinha 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. A Bahia entrou no ciclo industrial a partir da segunda metade da década de 70, com a instalação do segundo pólo petroquímico do Brasil. A introdução do complexo petroquímico promoveu modificações na estrutura industrial do Estado. Esse ciclo se consolidou no final da década de 80. A partir da década de 90 a Bahia adotou um programa de incentivos fiscais voltado para o desenvolvimento industrial do Estado, atraindo empresas encadeadoras e adensadoras da malha industrial. Era o processo de reestruturação produtiva que a economia brasileira passava devido à globalização e ao acentuado grau de abertura comercial.

Mas apenas três territórios (Metropolitano de Salvador, Recôncavo e Litoral Norte) detém mais de 57% do PIB do Estado, devido à concentração da atividade industrial nesses territórios. O novo ciclo de desenvolvimento deve adaptar agora uma maior integração dos territórios do Estado, voltado para inclusão da grande maioria da população baiana que ficou alijada desses ciclos de crescimento.

PÉROLA & GROSSERIA


O ex-governador Octávio Mangabeira (1886-1960) mais conhecido como uma espécie de “filósofo da baianidade”, é autor da pérola: “Mostre-me um absurdo: na Bahia há precedentes”. Sempre lembrado pela firmeza de caráter, clareza de pensamento e confiança inabalável nas instituições democráticas, Mangabeira tem tiradas espirituosas como a que ele disse ao deparar com o atraso em que viviam os baianos em 1947 (ano que assumiu o governo estadual): “A Bahia está tão atrasada que, quando o mundo se acabar, os baianos só vão saber cinco anos depois”.


O escritor Antonio Risério em um artigo no jornal A Tarde, escreveu sobre a “grosseria baiana”, uma cidade “onde a vulgaridade e a grosseria predominam”. Segundo ele, “nossa cidade do Salvador, por exemplo, possui um grau razoável de urbanização, um baixíssimo grau de urbanidade – e parece já não tem a mínima noção do que é ou do que foi urbanidade”. E explicou essa falta de educação do povo baiano no que diz respeito a urbanicidade (o lado cultural humano da urbanização), diz respeito aos padrões sociais e comportamentais associados ao viver em cidade.


Os 22 quilômetros da costa soteropolitana, entre o Farol da Barra e o Farol de Itapuã tem diversos problemas estruturais como ausência de ciclovias e pistas para caminhadas, faltam banheiros públicos, calçadas danificadas, além de praias consideradas impróprias para banho devido ao alto índice de coliformes fecais (Penha, Pedra Furada, Roma, Boca do Rio etc).



LEGALIZAÇÃO DA MACONHA


Graduado em psicologia, mestre em sociologia e doutor em antropologia, Edward MacRae defende a legalização do uso e comércio de drogas, por acreditar que muito mais gente morre por causa do tráfico do que pelo mau uso. “Desde o Neolítico, o ser humano usa as mais variadas substâncias, e somente na Idade Média e agora é que há essa preocupação de as drogas ameaçarem a sociedade, de serem o flagelo da juventude, esse tipo de coisa”, disse na entrevista a revista Muito n.87 do jornal A Tarde (29/11/2009).


“Precisamos pensar a questão das drogas de maneira mais racional (…) Hoje nós temos a mesma ideia, de que a droga nos ameaça, nos enfeitiça, de que ela pega você e o transforma em dependente. Quando, na verdade, nós temos formas de lidar com isso. Veja, com as alterações na lei do tabaco, muita gente está deixando de fumar. Mas o que mais funciona são os controles sociais. Hoje é feio você fumar numa sala onde estejam outras pessoas. Você não vai ser preso por isso, talvez elas nem falem nada, mas quem fuma sabe que não é legal. Foi uma mudança cultural. Nossa vida é regrada pelo olhar d vizinho. É o controle social que determina o tom de voz que a gente usa, a roupa que a gente veste, e o uso que faremos das substâncias. A cultura da droga deve ser incentivada. A cultura da droga é o desenvolvimento e troca de ideias sobre como conviver com essas substâncias. As pessoas, em geral, não são suicidas. Essa cultura vai se desenvolver visando, basicamente, ao bem-estar. No momento, devido à criminalização, ela se elabora em condições de clandestinidade. E daí, em vez de visar ao bem-estar, ela visa ao uso sem ser percebido. Entre jovens, por causa dessa coisa do fruto proibido, tem a coisa da valentia. Então vamos ver quanto você pode fumar, quão doidão você pode ficar...Numa situação de lagalização, e com a interferência intergeracional, você vai ter um outro cenário”.


Ele diz mais: “Os militantes daqui devem atentar para o fato de que o uso da maconha é uma tradição negra no Brasil comparável à capoeira. Quando, no início do século 20, se começou uma preocupação com o uso de drogas, a elite brasileira era muito influenciada por ideias de eugenia. E eles mantinham seus vícios elegantes, de usar ópio, heroína, morfina, haxixe. Não se falava em maconha, que era considerada o ópio do pobre. Só na década de 1930 é que, a partir de uma campanha contra a maconha, unificou-se no Brasil a campanha contra as drogas, que começou a visar especificamente a população negra, que era vista como uma classe perigosa. Quando você criminaliza a maconha, você torna todo negro suscetível a ser parado na rua, levado para a delegacia. Ele vira automaticamente um sujeito. Outra coisa que ninguém leva muito a sério é a questão dos rastafaris. Para muitos deles, o uso da cannabis é visto como algo sacramental, que levaria à meditação. Então a criminalização serviu como ferramenta poderosa para controlar a população negra e posteriormente, na década de 70, para controlar a juventude estudantil”.



O que é ser baiano


Encantamento, magia, sedução

terra da felicidade

onde o tempo não é implacável

e os corpos são talhados para o prazer

e a hospitalidade bem pertinho de você.


Lugar de tranquilidade, baianidade, diversidade

é um modo de ser, de fazer e dizer

E tudo o que tem, já dizia Caymmi, faz a gente querer bem

a Bahia tem um jeito que nenhuma terra tem

Você já foi a Bahia meu bem, hein? Hein?



Território de imaginação, fantasia, devaneio

quero essa terra inteira e não pelo meio

esse povo festeiro, relaxado, receptivo

Tudo passa pela gente, bem tranquilo

E você o que fez nessa vida sem destino:


Ser baiano, antes, era ser gentil

nada dessa violência toda febril

Ser baiano, por natureza, era ser tranquilo

nada apressado com muitos gritos

E agora o que restou:


O sagrado e o profano, o hedonismo e a fé,

o despojamento e o rigor, o dengo e a grosseria,

o atraso e a sabedoria, o antigo e o moderno

Tudo isso na Bahia a gente vê de longe e perto

Uma cidade onde os opostos convivem muito bem


Mas o que é ser baiano:

Acima de tudo, ser herói

acordar cedo para pegar um buzu lotado

esperar um tempão no ponto para descolar salário mínimo suado

suportar o barulho do carro do vizinho mal educado.


E tudo nessa terra é meio surreal

rico e pobre, lado a lado, é muito desigual

e o visível de um invisível

é que o povo procura alegria onde não tem

e canta sua terra como ninguém.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

12 março 2010

Narcisismo baiano impede desenvolvimento cultural (4)

Construção de estaleiros, ferrovias e portos, construção, modernização e recuperação de rodovias, ampliação de aeroportos, além de programas para estimular o desenvolvimento sustentável do semiárido, qualificando os serviços nessa região e combatendo a pobreza. Estes são os pilares para o crescimento da Bahia.

A ferrovia Oeste-Leste, que terá 1,1 mil quilômetros de extensão, facilitará o escoamento de grãos, minérios e biocombustíveis produzidos no oeste, sudoeste e sul do estado, além de se consolidar como uma alternativa ao escoamento da produção agroindustrial do centro-oeste brasileiro. Vamos ver se vai sair do papel para dar resultados.


O programa Água para todos vai abranger todo o território baiano. Serão implantados 100 mil cisternas, 1.800 poços tubulares e 1,5 mil sistemas simplificados de abastecimento de água, priorizando as áreas do semiárido baiano, Bacia do São Francisco e seus principais núcleos urbanos e rurais. Os baianos merecem.


A educação precisa avançar mais no processo de inclusão social dos baianos, principalmente os que vivem nas localidades mais distantes, na zona rural. É preciso melhoria da qualificação do ensino, de valorização e modernização das escolas, de melhorias das condições de trabalho. De capacitação der professores e de outros profissionais da área de Educação e maior oferta de vagas no ensino profissionalizante. Avançar no repasse de transporte escolar e merenda mais nutritiva.

A Saúde tem avançado, aos poucos com a inauguração do Hospital Regional de Juazeiro (com capacidade para realizar mais de 40 mil atendimentos ambulatoriais por mês), o Hospital Geral Roberto Santos foi ampliado com a UTI pediátrica, nova unidade semi-intensiva pediátrica, 14 novos leitos de cuidado intensivo, equipamentos e mobiliários. Já o Hospital Geral do Estado conta com uma nova sala de cirurgia, específica para o Serviço de Trauma Raqui Medular. O Hospital São Jorge na Cidade Baixa está sendo reestruturado. O Recôncavo ganhou o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus. São investimentos importantes na área da saúde.


Avanços significativos aconteceram no combate ao déficit habitacional, mas é preciso priorizar ainda mais as famílias de baixa renda. Diversas ações estão fortalecendo a agricultura familiar, o plano agrícola e pecuário do estado da Bahia sintetiza as diretrizes da política agrícola para consolidar o novo perfil socioeconômico do estado para torná-lo mais rico, sustentável e diversificado.


O Plano Diretor e Desenvolvimento Urbano (PDDU) aprovado em 2008 foi muito criticado por quase todos soterópolis. A cidade ainda cresce de forma desordenada tendo seus pontos críticos como a orla marítima e o eixo da Avenida Paralela, a supressão da mata atlântica, a verticalização da orla marítima e da área do Iguatemi e o agravamento da mobilidade e do trânsito na cidade.


Baía de Todos os Santos. Em cada esquina dos bairros mais antigos de Salvador encontramos terreiros de candomblé, dos mais simples aos mais tradicionais. Essa é a cidade que tem uma igreja para cada dia do ano. A cidade de Salvador é, na verdade, um grande santuário aberto que abriga desde o Senhor do Bonfim até os candomblés como o do Gantois, da Casa Branca, do Ilê Axé Opó Afonjá e dezenas de outros. No passado abrigou também a famosa Irmandade da Boa Morte, na Barroquinha. Hoje a Boa Morte de Cachoeira é um dos únicos remanescentes das antigas irmandades desse gênero que o Recôncavo conservou. As irmandades e confrarias foram os catalisadores da cultura afro no nosso País. Lá elas puderam se associar, proteger-se, comprar cartas de alforria para os irmãos de raça, dar proteção aos negros fugidos e até poderem preparar um funeral digno, com direito a missas e aos rituais católicos para aqueles que faleciam.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

11 março 2010

Narcisismo baiano impede desenvolvimento cultural (3)

A Bahia que pensávamos conhecer (como lembrou bem o economista Armando Avena) e cuja liderança econômica estava solidamente centrada o setor industrial (gerava 48% do PIB, tendo a indústria de transformação 35% desse percentual) era uma ficção. A verdadeira Bahia é um Estado terciário, fortemente vinculado ao setor de serviços, que gera 60% do Produto Interno Bruto, enquanto a indústria de transformação detém apenas 16% do produto. Essa é a Bahia que está a merecer uma ampla discussão sobre suas prioridades, planos e projetos sobre seu futuro.

A Bahia é o terceiro Estado brasileiro com o maior número de parlamentares donos de emissoras de rádio e televisão. O que se convencionou chamar de “coronelismo eletrônico”, ou seja, utilização pelo político de uma concessão estatal para usar veículo de comunicação para influenciar a opinião pública. Apenas Minas Gerais (16) e São Paulo (11) estão à frente da Bahia. Paraná e Piauí, como nove, vão na sequência. Na Bahia, 65 emissoras (radio e TV) estão nas mãos de políticos no exercício de cargo elegível.


A nossa faixa litorânea, geograficamente privilegiada, passou por um processo de ocupação desordenada com as barracas de praia. Os governantes buscaram enfrentar a favelização da nossa orla, tão prejudicial ao turismo e à geração de emprego e renda da cidade. A prefeitura investiu no Programa de Requalificação da Orla de Salvador. Retirou a publicidade irregular, e dos entulhos da praia. Falta retirar as barracas irregulares para a liberação das praias para os banhistas contemplar as belezas dos nossos 51 quilômetros do litoral em sua plenitude.


Precisamos cuidar melhor das nossas paisagens, manter limpa as ruas, monumentos e patrimônios culturais. Revitalizar os locais que envelhecem ou deterioram, como é o caso das igrejas centenárias da capital, ou mesmo a Lagoa do Abaeté que está abandonada. É preciso melhorar setores como o trânsito e a segurança para que os turistas circulem confortavelmente. É preciso também que os órgãos do setor de turismo façam campanhas para que os moradores de Salvador compreendam a importância do turismo. A cidade tem potencial para aumentar o número de turistas, que devem ser bem tratados.

É preciso melhorar a paisagem de Salvador. Há um grande número de imóveis inacabados que a deixa muito feio. Muitos sem reboco dão um aspecto de favelização permanente. Esses imóveis muitas vezes são construídos sem projeto urbanístico, mostrando um empobrecimento visual por falta de variações arquitetônicas.


“A impressão que eu tenho de Salvador é uma cidade devastada pela `alegria`. Você pode fazer tudo, lutar contra um esquema onde a impressão que temos é a de que todo mundo está contra você, parar o seu trabalho como eu parei durante dez dias consecutivos na Pinacoteca; se dedicar mais de um ano ao projeto; manter contatos com fotógrafos que liberaram os royalties das obras para viajar com seguro insignificante; ter a compreensão do diretor da Pinacoteca, Marcelo Araújo, de abraçar o projeto, trazer sete exposições, reunir dez artistas, além de Pierre Verger, que foi uma parceria com a Fundação homônima. A sensação que eu tenho é a de não ter provocado nenhum tipo de reflexão para a cidade. Será que, na próxima edição, teremos que alugar Naomi Campbel para `dar visibilidade internacional` para o

Agosto, como foi feito no último Carnaval? Miss Campbel subiu no trio elétrico para `simbolizar` uma harmonia entre as nossas questões de perda de memória e as questões afrodescendentes. Cicatrizes não se curam com `simbolismos`.”. Esse foi o desabafo do curador Diógenes Mou

ra para a revista Muito (07/09/2008, pags 14 a 17) que sofreu com a falta de apoio oficial, do setor privado e a mídia para dar visibilidade às ex

posições do Museu de Arte Moderna de Salvador ( MAM) - num estado que tem servir de ícone para o Brasil, haja vista ser a capital cultural do p

aís. "Precisa-se oxigenar o olhar da Bahia, por isso a necessidade de trazer gente de fora".

A Bahia é um lugar para amar e odiar com a mesma intensidade. Pode ser mãe e também madrasta.

Nas duas vezes que a arquiteta e curadora italiana Lina Bo Bardi esteve em Salvador, defendeu o resgate da “alma popular” da cidade e a valorização dos artesãos. Ela via a arte popular não como folclore, mas uma realidade criativa. A cidade não entendeu com o resgate da dessemelhante e triste Bahia antiga e continuou cada vez mais descaracterizada culturalmente.


A 85ª edição da Muito traz na capa o artista visual e curador Emanoel Araújo. Ele foi o responsável pela criação do Museu Afro Brasil, em São Paulo, além de ter devolvido aos paulistanos a Pinacoteca do Estado de São Paulo, um dos mais importantes centros de arte do País. Crítico feroz da política cultural brasileira, Emanoel Araújo não esconde o descontentamento com a Bahia de hoje. Para ele, tudo aqui se transformou em folclore. “A Bahia não precisa dessa folclorização que estereotipa tudo, da baiana de acarajé aos capoeiristas. Acabou a arte aqui. Onde está a memória de Genaro de Carvalho, de Jenner Augusto, de Mario Cravo? A Bahia trata mal seus artistas”.

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