12 agosto 2009

Michael Jackson (1958-2009): morre o rei do pop, nasce o mito (3)

ASCENSÃO

Mas foi em meados da década de 70, enquanto Michael trabalhava no musical "The Wiz" - uma versão de "O Mágico de Oz" com elenco de atores negros, que ele conheceu o homem que o tornaria uma estrela e mudaria o mundo da música pop. O produtor musical, compositor e arranjador Quincy Jones, autor de hits para artistas como Frank Sinatra e Aretha Franklin, transformou o talento do artista e ajudou na criação de um novo estilo musical. A primeira colaboração entre os dois foi o álbum "Off the wall", de 1979. O disco foi o primeiro a ter quatro hits de um único artista entre os 10 primeiros sucessos da parada musical. Além da faixa título, "Don't stop till you get enough", "Rock with you" e "She's out of my life" conquistaram o mercado da música. O álbum "Off de wall" explode nas paradas de sucesso e vende 11 milhões de cópias.
A obra-prima do artista veio em 1982. "Thriller" é, até hoje, o álbum mais vendido de todos os tempos, no mundo, com 109 milhões de cópias. Sete das nove faixas que traziam uma mistura de disco, R&B e funk se tornaram hits com pelo menos 65 milhões de cópias vendidas. O videoclipe lançado em seguida para promover o disco surpreendeu o mundo. O vídeo, de 14 minutos, custou cerca de US$ 500 mil e trazia efeitos especiais de última geração. Foi a partir de "Thriller" que a produção de um vídeoclip de sucesso se tornou uma espécie de obrigatoriedade para a carreira de qualquer estrela do pop. O vídeo também abriu as portas para a música negra no canal de televisão dedicado à música MTV. Apenas um ano depois, em 1983, mais um passo na carreira. E que passo! Moonwalk se tornou a marca registrada do mestre. A dança "moonwalk" (andar da lua) virou sua marca registrada.

Com técnica, coreografia e domínio da voz, Michael Jackson torna-se, definitivamente, o rei dos palcos e do pop. Na festa do Grammy em 1983, Michael Jackson bate outro recorde: ganha oito prêmios. Em 1985, ele é o principal artista americano de uma campanha mundial contra a fome na África. A música "We are the world" é de Michael Jackson e Lionel Ritchie.

Além do sucesso da carreira solo, Jackson também gravou uma série de duetos com Paul McCartney, que havia assinado uma das faixas de "Off the wall". Os dois realizaram diversas parcerias em discos e lançaram diversos hits como "Say, Say, Say". O relacionamento entre os dois começou a se deteriorar em 1985, depois que Michael Jackson arrematou em um leilão, os direitos do catálogo da ATV, que incluía os direitos sobre sucessos de mais de 250 músicas compostas por John Lennon e Paul McCartney. A aposta do músico para a compra do catálogo superou a do próprio McCartney, assim como a de Yoko Ono. No mesmo ano, o single "We are the world", parceria entre Jackson e Lionel Ritchie atingiu o topo das paradas de sucesso nos Estados Unidos.

FENÔMENO
O fenômeno Michael Jackson parecia invencível até 1987, com o lançamento de "Bad", o terceiro e último disco da parceria com Quincy Jones. O disco fez cinco hits, incluindo "Man in the mirror" e “Dirty Diana”, e também rendeu um vídeo de 17 minutos, dirigido por Martin Scorcese, para promover a faixa-título e uma turnê de um ano que se tornaria a mais lucrativa da história até aquele momento. Em Londres, durante a inauguração de uma réplica dele no Museu de Madame Tussaud, as cenas de histeria são impressionantes. Igual, só no tempo dos Beatles. Em 1987, o cantor parece mais branco no videoclipe "Bad". O disco vende 30 milhões de cópias.
No álbum seguinte, "Dangerous", de 1991, Michael trouxe uma música mais crua do que os discos anteriores. O encanto em torno do artista continuou, com hits como "Heal the world" e "Black and white", que se tornaram sucessos mundiais, apesar das manchetes nos tabloides e casos na Justiça que começavam a ameaçar a reputação do cantor. Mas em 1995, a compilação "HIStory", com sucessos consagrados e material novo do artista, fracassou em encantar o público com a mesma intensidade dos trabalhos anteriores. O disco apareceu ligeiramente nas paradas de sucesso, apesar dos mais de US$ 30 milhões gastos em campanhas publicitárias - o maior orçamento já usado para promover um álbum.
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela)

11 agosto 2009

Michael Jackson (1958-2009): morre o rei do pop, nasce o mito (2)

Sétimo de nove filhos, Michael Joseph Jackson nasceu na cidade de Gary, em Indiana, em 29 de agosto de 1958. Começou a cantar e a dançar aos 5 anos, iniciando carreira profissional aos 11 como vocalista dos Jackson Five, grupo formado com os irmãos. A mistura singular de soul, funk e rock tornaram Michael Jackson o maior artista do pop no mundo. Além da música, a astúcia do artista para os negócios e a compreensão intuitiva sobre o mercado da música permitiram ampla divulgação e promoção dos seus talentos. Também por conta disso, ele vendeu milhões de álbuns e quebrou diversos recordes na indústria do entretenimento. Com a presença vocal de artistas como Marvin Gaye e Stevie Wonder e a os movimentos de dança tão peculiares quanto os de James Brown, o sucesso de Michael Jackson ultrapassou fronteiras nacionais e raciais. Pioneiro na arte de transformar som em imagem, Jackson soube, como nenhum outro artista, reinar na era dos videoclipes. Sua vida foi marcada pela incessante busca da perfeição. Cirurgias plásticas, clareamento da pele, máscara em público: quem era o verdadeiro homem por trás das mil faces de Michael Jackson?


Apelidado nos anos seguintes de King of Pop (Rei do Pop), cinco de seus álbuns se tornaram os mais vendidos de todos os tempos: Off the Wall (1979), Thriller (1982), Bad (1987), Dangerous (1991) e HIStory: Past, Present and Future - Book I (1995). Adulto, gravou o álbum mais vendido da história, Thriller, com 120 milhões de cópias comercializadas. Teve ainda 13 canções no primeiro lugar das paradas de sucesso, além de faturar 13 prêmios Grammy.

Jackson fez shows no Brasil em 1993. Três anos depois, gravou um clipe na favela do Morro Dona Marta, no Rio. Ele veio ao Brasil em 1996 para gravar o clipe "They don't care about us" (Eles não ligam para nós, uma referência ao problema da exclusão social) na Favela Dona Marta, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Houve uma grande polêmica na época porque, em vez de pedir proteção à polícia para o trabalho na favela, a produção do músico negociou diretamente com Marcinho VP, o chefe do tráfico na ocasião.
À época, ele já iniciara a série de operações plásticas no rosto, que quase o transfiguraram. Jackson dizia ter vitiligo, doença que, alegava, seria responsável pelo embranquecimento da pele. O cantor preparava-se para se apresentar em uma série de 50 concertos em Londres, de 13 de julho de 2009 até março de 2010. A venda de ingressos, em março, terminou em poucos minutos. A temporada representaria uma tentativa de retomar a carreira depois de anos ocupando manchetes, principalmente com insinuações de assédio sexual infantil - em 2003, chegou a ser preso e perdeu fortunas para evitar o tribunal. Um homem perturbado. Maltratado pelo pai durante a infância, Michael Jackson guardou traumas que marcaram a sua breve vida. Ele criou um espaço só seu, Neverland, a "Terra do Nunca".

O INÍCIO
Michael Jackson foi surpreendente em tudo, desde o início. Com apenas 5 anos se juntou aos quatro irmãos no grupo que mais tarde se chamaria Jackson Five. Começava ali a carreira que iria influenciar a música pop no mundo inteiro nas próximas décadas. Estreou como cantor aos 5 anos, ao lado dos irmãos. Sozinho, tornou-se o rei dos palcos e do pop.
Foi a cantora Diana Ross que convidou o Jackson Five para um teste na gravadora Motown, em Detroit. A especialidade da gravadora era lançar artistas negros talentosos que chegassem ao mercado branco. O primeiro passo do artista no mercado da música aconteceu em 1968, com a assinatura do contrato do grupo Jackson Five - formado por Michael e quatro de seus irmãos - com a gravadora Motown. Na época do lançamento do primeiro single, o artista tinha apenas 11 anos de idade. O grupo se tornou o primeiro da história da música pop a ter quatro singles em primeiro lugar nas paradas de sucesso com as faixas "I want you back", "ABC", "The love you save" e "I'll be there". Não demorou para que Michael Jackson se tornasse o centro das atenções e superasse o sucesso dos irmãos.
O primeiro sucesso do grupo na Motown é "I want you back", em 1970. O álbum vende 3 milhões de cópias e ganha disco de ouro – apenas o primeiro de uma série na gravadora. Entre os irmãos, o caçula Jackson se destacava em tudo: era afinado e sabia dançar. Aos poucos, foi assumindo a liderança. A música do artista rompe a barreira racial. Sua dança ganha as ruas. A carreira solo era inevitável.
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10 agosto 2009

Michael Jackson (1958-2009): morre o rei do pop, nasce o mito (1)

“Você viu minha infância por aí?/Estou procurando pelo mundo do qual eu vim/porque eu estive procurando/nos achados e perdidos do meu coração/Ninguém me compreende/Eles vêem como se fossem estranhas excentricidades/Porque eu continuo brincando por aí/igual a uma criança, mas me perdoe//As pessoas dizem que eu não estou bem/Só porque eu gosto de coisas simples/Tem sido meu destino compensar/A infância/Que eu nunca conheci/Você viu minha infância por aí? Estou buscando por essa maravilha em minha juventude/Como piratas e sonhos de aventura/de conquistas e reis em seus tronos/antes de me julgar, tente muito me amar/Olhe dentro de seu coração e pergunte/Você viu minha infância por aí?//As pessoas dizem que eu sou estranho dessa maneira/só porque amo coisas tão simples/Tem sido meu destino compensar/A infância que eu nunca conheci/Você viu minha infância por aí?//estou procurando por essa maravilha em minha juventude/como histórias fantásticas para compartilhar/Os sonhos que arriscaria, veja-me voar/Antes de me julgar, tente muito me amar/a dolorosa juventude que eu tive/Você viu minha infância por aí...”

Essa letra “Child Wood” (Infância) mostra o sentimento de revolta, a busca de Michael Jackson pela infância perdida.
Morre o rei do pop, nasce o mito. Ele tirou o pop do marasmo e reinventou a indústria do entretenimento no início dos anos 80. Influenciou inúmeros profissionais do entretenimento. Mas o lado pessoal de Jackson não alcançou o sucesso do seu lado artístico. Sua vida particular foi conturbada com entrâncias tão obscuras que nem especulações e biografias conseguiram-na expor de forma clara.
O auge de sua carreira ocorreu em 1982, com o lançamento do álbum Thriller, o mais vendido da História, com 41 milhões de cópias em todo o mundo, sendo 21 milhões nos EUA. Foi um cantor dominante no cenário musical dos anos 80 em todo o mundo e se destacava por suas complexas técnicas de dança, como o robot e o moonwalk. O "Rei do Pop" ganhou 13 prêmios Grammy em sua carreira e vendeu cerca de 750 milhões de cópias de álbuns em toda a sua vida. A famosa dança 'moonwalk' foi revelada em uma apresentação de "Billie Jean" em 1983, no canal de televisão NBC.
Acredita-se que ao longo de sua vida Jackson vendeu cerca de 750 milhões de álbuns, o que, somado aos 13 prêmios Grammy que ele recebeu, faz dele um dos artistas de maior sucesso de todos os tempos. O cantor norte-americano Michael Jackson, um dos maiores ícones pop da história, morreu no dia 25 de junho, em Los Angeles, na Califórnia (EUA), aos 50 anos.
“Sem cabeça/Todo mundo/Ficou louco/Situação/Frustração/Todo mundo/Alegação/No quarto/Nas notícias/Todo mundo/Comida de cachorro/Bang back/Morte chocante/Todo mundo/Ficou louco//Tudo que quero falar/É que eles não ligam pra gente//Bata em mim/Odeie-me/Você nunca vai/Me quebrar/Procure-me/Emocione-me/Você nunca vai/Me matar/Julgue-me/Processe-me/Todo mundo/Acabe comigo/Chute-me/Estraçalhe-me/Não diga que sou/Preto ou branco//Diga-me o que aconteceu com minha vida/Tenho uma mulher e dois filhos que me amam/Eu sou vítima da violência da polícia/Estou cansado de ser vítima do ódio/Você roubando o meu orgulho/Oh, pelo amor de Deus/Olho para os céus para cumprir a profecia/ Liberte-me//Sem cabeça/ Todo mundo/ Ficou malvado/ Trepidação/ Especulação/ Todo mundo/ Alegação/No quarto/Nas notícias/Todo mundo/Comida de cachorro/Homem negro/Chantagem/Jogue o cara/Na cadeia//Diga-me o que aconteceu com meus direitos/Eu sou invisível? Porque você me ignora/Sua proclamação me prometeu/ liberdade/Estou cansado de ser vítima da vergonha/Eles estão acabando com minha reputação/Não acredito que essa é a terra de onde vim/Você sabe que eu na verdade odeio falar isso/O governo não quer enxergar/Mas se Roosevelt estivesse vivo/Ele não deixaria isso acontecer, não/Litígio/Bata em mim/Xingue-me/Você nunca vai/Me sujar/Ataque-me/Chute-me/Você nunca vai/Me pegar//Algumas coisas eles não querem enxergar na vida/Mas se o Martinho Lutero estivesse vivo/Ele não deixaria isso acontecer, não//Segregação/Não/Julgue-me certo ou errado/Eles me mantêm no inferno//Estou aqui pra te lembrar” ( Eles Não Ligam Pra Gente – They Don´t Care About Us, Michael Jackson)

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06 agosto 2009

Gey Espinheira, humanista

Ele pautou sua vida pelas causas sociais, pensava a cidade e buscava soluções para os problemas mais cruciais. Trabalhou em prol dos direitos humanos, da paz, da democracia, cidadania e educação. Colocava seus conhecimentos a serviço de quem precisava, porque tinha fé no ser humano. No dia 16 de março de 2009 o sociólogo e professor Gey Espinheira nos deixou, aos 62 anos. A causa da morte foi câncer de esôfago. “A universidade perde um intelectual poderoso, um crítico refinado e um pensador excelente. É um exemplo para os que o seguirão nas ciências sociais e ciências humanas aplicadas”, afirmou o Reitor da UFBA, Naomar Almeida.


Já o coordenador do Unicef na Bahia, Ruy Pavan disse que “o Unicef reconhece em Gey uma personalidade importante para a militância dos direitos humanos, com visão crítica e coragem. Um exemplo que merece ser seguido”. O dirigente do Projeto Axé, Cesare de La Rocca afirmou: “Era um ser iluminado que espalhava esta luz à sua volta. Em minha memória fica a figura do educador com ´p´ maiúsculo, que queria construir um País melhor”.













HUMANISTA - Considerado por intelectuais como uma das grandes culturas humanistas na Bahia, sua existência foi marcada pela defesa dos direitos humanos, democracia, cidadania e educação. Genialidade na forma de analisar a vida e a sociedade e referência intelectual para jovens estudantes. Essas são algumas das características deixadas pelo sociólogo Gey Espinheira. "Muito difícil falar de Gey – por causa da sua grandiosidade. Ele era a combinação mais perfeita de gente, que resgatava gente onde a sociedade não enxergava. Ele era um pesquisador comprometido na produção de conhecimento e que produzia conhecimento. Gey deixou vários projetos com sua causa nobre - o compromisso com os excluídos. Sua alegria era contagiante", ressaltou a diretora da Escola de Enfermagem da UFBA, Eloniza Costa.

Carlos Geraldo D’André Espinheira, ou simplesmente, Gey Pinheira deixou um legado cultural e de humildade. Ele era pesquisador do Centro de Recursos Humanos Ufba, professor adjunto da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e consultor do Centro de Formação do Projeto Axé. Sua vida intelectual era voltada para as ciências humanas. Aos 23 anos era graduado pela Ufba em Ciências Sociais, aos 28 anos mestre pela Universidade Federal da Bahia e aos 45 anos doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo.

Gey tinha experiência na área de sociologia, com ênfase em Sociologia da Saúde, atuava especialmente nos temas direitos humanos, violência, democracia, cidadania e educação. Era também Líder do Grupo de Pesquisa registrado do Direito de Pesquisa do CNPq: "Cultura, cidade e democracia; sociabilidade, representações e movimentos sociais urbanos". Sua vida foi dedicada ao estudo e ao aprendizado constante, sua essência era expandir conhecimentos, escreveu diversos artigos e livros como: "Os limites do indivíduo: mal-estar nacionalidade, os limites do individuo na medicina e na religião" e "A casa e a rua". Foi também o vencedor no gênero na 2ª Edição do Concurso Literário Bahia de Todas as Letras da Editora - EDITUS - da Universidade Estadual de Santa Cruz-Ba, com o romance "Relógio da Torre".

TRAJETÓRIA


Carlos Geraldo D'Andrea Espinheira, nasceu na cidade de Poções. Ele era graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (1970), mestre pela Universidade Federal da Bahia (1975) e doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo (1997). Também era pesquisador do Centro de Recursos Humanos e professor adjunto da Ufba. Sociólogo e professor Gey atuou no Centro de Recursos Humanos da Faculdade de Filosofia da UFBa, onde liderava um grupo de pesquisa sobre cidade, cultura e democracia. Na gestão do professor Orlando Santiago, na época presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) fez o plano estratégico de ação da instituição (2007/2008).


Gey atuava principalmente nos seguintes temas: direitos humanos, violência, democracia, cidadania e educação. Líder do Grupo de Pesquisa "Cultura, cidade e democracia: sociabilidade, representações e movimentos sociais urbanos", era autor de diversos livros e artigos, sendo o mais recente: "Os limites do indivíduo: mal-estar na racionalidade, os limites do indivíduo na medicina e na religião". Atuou, também, como consultor do Planejamento Estratégico Participativo de Ação do Centro de Formação do Projeto Axé. Em dezembro passado, o Fórum Comunitário de Combate à Violência (FCCV), a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal da Bahia e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) promoveram, no encerramento das atividades do FCCV em 2008, uma homenagem a Gey. No convite, as entidades o destacaram "pelo talento e dedicação ao trabalho em prol da garantia de direitos dos jovens, de uma melhor compreensão das dinâmicas sociais relacionadas com violência".


O sociólogo ganhou em 2003 o título de cidadão de Salvador pela Câmara Municipal, Menção Honrosa Prêmio Jaime Wright de Direitos Humanos no ano de 2005, além de outros títulos importantes. Líder do Grupo de Pesquisa registrado do Diretório de Pesquisa do CNPq: "Cultura, cidade e democracia: sociabilidade, representações e movimentos sociais urbanos". Autor de diversos livros e artigos, sendo o mais recente: "Os limites do indivíduo: mal-estar na racionalidade, os limites do indivíduo na medicina e na religião". Salvador: Fundação Pedro Calmon, Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia, 2005.


Com o romance "Relógio da Torre" foi o vencedor no gênero na 2a. Edição do Concurso Literário Bahia de Todas as Letras da Editora - da Universidade Estadual de Santa Cruz-Ba (2007). Em 2008, pela editora da UFBA (EDUFBA) publicou Metodologia e prática do trabalho em comunidade e Sociedade do Medo (org): teoria e método da análise sociológica em bairros populares de Salvador: juventude, pobreza e violência.


IMERSÃO NA VIDA DOS EXCLUÍDOS

“A barba podia indicar a proximidade de um profeta. O olhar, profundo, podia nos induzir à imagem do sábio. A atitude paciente de ouvir o interlocutor, podia deixar trair a vocação do mestre. A fala fascinava, a indicar o tribuno. Quem sabe, Gey Espinheira tenha sido tudo isso, e muito mais (...) Gey viveu com intensidade a sua dimensão de ser político. A política em Gey se fazia pela sua imersão na vida dos excluídos, pelo esforço cotidiano na construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, pela insistência em conferir a condição de protagonista aos cidadãos e cidadãs do povo e pela atitude generosa de distribuir o seu notável conhecimento com toda a sociedade”.(Emiliano José, jornalista e escritor. A Tarde.30/03/2009. Pag.A3)

“O professor Gey Espinheira marcou gerações, seus alunos e ex-alunos sempre o consideraram um mestre maior. E muito maior, pois foi ele também um mestre de vida, levando para a sua – especialmente para as áreas esquecidas, abandonadas, às quais os poderes públicos só vão para perseguir, prender, assassinar – seu conhecimento, sua indignação, sua solidariedade, sua forte palavra de denúncia. Gey nada teve de sociólogo de departamento ou gabinete. Cumpriu também suas obrigações universitárias, fez mestrado, doutorado, publicou livros eruditos, literatura, escreveu dezenas de artigos científicos, exerceu cargos administrativos, porém ia muito além dessas tarefas, ultrapassando os muros acadêmicos e participando diretamente dos fatos de sua cidade e do mundo. Dedicava-se essencialmente ao ser humano, aos seus direitos e à sua dignidade. Foi assim desde cedo, muito jovem, estudante, enfrentando nas ruas os gorilas da ditadura, como em seus primeiros trabalhos como sociólogo” (Ruy Espinheira Filho, escritor, poeta. A Tarde. 26/03/2009.Pag.A3)



“Ao longo de sua vida profissional, Gey praticou feliz casamento entre ciência e magistério, sem deixar de ser amante da vida mundana da cidade, amando os prazeres das noites boêmias, mas também sendo presença solidária no duro cotidiano dos bairros populares. Muitos destes contaram fisicamente com seus olhos e ouvidos, finas antenas a partir das quais fluíam o som poderoso de sua fala e a prosa de seus livros” (Paulo Fábio Dantas Neto. Professor do Dep. de Ciência Política e diretor do Centro de Recursos Humanos da Faculdade de Filosofia da UFBA. A Tarde. 02/04/2009. Pág.A3)


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05 agosto 2009

Homenagem de Setúbal

O desenhista e artista plástico Paulo Setúbal fez um belo comentário sobre minha pessoa em seu blog que você pode ler aqui. Grande abraço Setúbal

Homenagem a Bartolomeu de Gusmão

Nesta quarta, dia 05, na Igreja do Seminário de Belém na cidade de Cachoeira, o padre voador Bartolomeu de Gusmão será homenageado, nos 300 anos do aeróstato (o balão a ar quente que inventou). No local haverá palestras e a inauguração de um memorial. Sobre o padre cientista escrevi esse texto no meu livro Gente da Bahia, Volume 2:

Padre, cientista. Bartolomeu Lourenço de Gusmão era filho do cirurgião-mor do presídio de Santos, o português Francisco Lourenço Rodrigues, e de dona Maria Álvares. O casal teve seis filhos, dos quais cinco tornaram-se padres e freiras (duas). Apenas um não se ordenou. Bartolomeu de Lourenço foi batizado no dia 19 de dezembro de 1685, na Vila do Porto de Santos, São Paulo. Sua família era muito amiga de Alexandre de Gusmão, um sacerdote que veio de Portugal para o Brasil, em 1644, e ingressou logo na Companhia de Jesus, tornando-se mais tarde reitor da Ordem dos Jesuítas, na cidade de Cachoeira, Recôncavo Baiano. O padre Alexandre teria, numa de suas viagens a Santos, convencido a família Lourenço a deixar o pequeno Bartolomeu ir estudar no distrito de Belém - próximo a Cachoeira - onde fundou um seminário em 1687. Mais tarde ele adotou o sobrenome Gusmão.

Depois de fazer os estudos no Colégio dos Jesuítas, em Santos, ainda na infância, Bartolomeu veio morar na Bahia, cuja capital era então a maior e mais importante cidade da América Latina. Ele veio completar o Curso de Humanidades, no Seminário de Belém da Cachoeira, dirigido pelo protetor, padre Alexandre de Gusmão, revelando-se inclinação pelos estudos de Física e Mecânica. O Seminário de Belém foi o local onde o cientista desenvolveu suas principais pesquisas nas áreas de física e matemática. Cursou o seminário jesuíta de Belém onde se fez noviço, mas deixou a Companhia para receber ordens como padre secular.

Estudou em Lisboa no período de 1701 a 1705. De volta a Salvador, ainda na adolescência, construiu uma bomba elevatória para abastecer o colégio dos padres com a água do rio Paraguassu. Foi sua primeira invenção. Pouco tempo depois, aos 15 anos, construiu pela primeira vez um pequeno balão esférico, cheio de ar, aquecido por um fogo, que saía de um prato cerâmico a ele pendurado. Ou seja, por volta de 1700, a Bahia seria palco da primeira construção de um aeróstato (nome científico do balão), fato este que consta, inclusive, numa das atas da Câmara Municipal de Salvador e do livro História da Companhia de Jesus no Brasil, do jesuíta Serafim Leite. Ele se dedicava com entusiasmo ao invento que haveria de imortalizá-lo, consagrando-se como o verdadeiro precursor da aeronáutica no mundo, tentando os primeiros ensaios do vôo humano.

As notícias sobre os experimentos com o engenho se espalharam pela região. E o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão começou a sofrer muitas chacotas e perseguição. Tendo chegado a Lisboa, recomendado ao Marquês de Abrantes, aproximou-se de D.João V, a quem contou os estudos e as experiências sobre a possibilidade da locomoção pelos ares. O monarca mostrou-se interessado. Ele chegou a exibir sua experiência, em 1709, ao rei. Na ocasião, segundo alguns historiadores, “o balão atingiu a altura do telhado da Sala das Embaixadas, no Paço Real de Lisboa”. Mas o balão chocou-se de encontro às cortinas da sala, causando um incêndio. Diante do fracasso ele não desanimou e entregou-se aos trabalhos de reconstrução do aparelho. A partir daí o padre ficou famoso, e passou a ser chamado “padre voador”.

Ele demonstrava também apreciáveis qualidades de orador sacro, tendo posição de destaque. Manejava com maestria as línguas latina, francesa e italiana, como traduzia com facilidade o grego e o hebraico. De seus sermões apenas três peças são conhecidas: Sermão da Virgem Maria, Sermão de Nossa Senhora do Desterro e Sermão da festa do Corpo de Deus, e foram publicados por Afonso d’Escragnolle Taunay, juntamente com o texto do opúsculo impresso em 1710, contendo a descrição de outro invento do sacerdote brasileiro. Intitula-se o folheto: Vários modos de esgotar sem gente as naus que fazem água. Fez versos e participou da Academia dos Anônimos.

Em Lisboa, chegou a ocupar a cadeira de Matemática da Universidade de Coimbra, e, posteriormente, como membro da Real Academia de História. Por ironia, a história mundial não dá ao padre o título de inventor dos balões. Na época, D. João V mandou que lhe dessem a subvenção para que continuasse os estudos. A junta dos três estados negou-se a entregar-lhe o auxílio, sob a alegação de que não havia dinheiro. Sob as maiores dificuldades e sofrendo perseguições de toda espécie, viu-se envolvido em processo no Tribunal da Inquisição. As experiências foram proibidas pela Inquisição, sob a alegação de que “eram diabólicas”. O padre Gusmão foi vítima de insidiosa campanha de difamação. Caiu assim em desgraça, depois de envolvido em complicada intriga, que o obrigou a expatriar-se, fugindo para a Espanha, onde se recolheu ao hospital de Toledo. Foi encarcerado, sob rigoroso jejum, acusado de praticar infernais artes mágicas. Os jesuítas conseguiram, após grande esforço, libertá-lo. Gravemente enfermo, Gusmão foi recolhido ao Hospital de Misericórdia. Não eram só os sofrimentos do corpo, mas os do espírito, diante da ingratidão dos homens. Tal estado de alma apressou-lhe a morte. Na noite de 19 de novembro de 1724, na cidade de Toledo, Espanha, ele faleceu, sendo sepultado na Igreja de São Romão. Em 1783, os Irmãos Montgolfier mostraram suas experiências com balões ao rei da França, Luís XVI, ficando, até hoje, com a glória de serem os primeiros inventores.

Tunay considera-o homem de gênio: “o primeiro americano a realizar, no cenário mundial, uma invenção notável”. O padre Bartolomeu de Gusmão ocupou-se de outras máquinas: um moinho mais veloz que os existentes; um sistema de lentes para assar carne ao sol (inspirado, como a própria Passarola, de Arquimedes); maquinaria para a exploração racional das turfeiras. Seu aeróstato é reconhecido internacionalmente como o primeiro do gênero. A montgolfière, dos irmãos Joseph e Etienne Montgolfier, é de 1783. Curiosamente, os dois franceses celebrizaram-se ainda pela invenção de um aparelho para elevar água, de 1792, de novo, exatamente como o padre Bartolomeu.
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04 agosto 2009

Balada de Hugo Pratt, desenhista sem fronteiras

O personagem é fascinante, verdadeira ode a liberdade. Corto Maltese está sempre em busca de aventuras. Para os novos leitores uma oportunidade de conhecer esse marinheiro, “alter ego” do autor. “A Balada do Mar Salgado” está sendo (re) lançada no Brasil pela editora especializada em quadrinhos, a Pixel. È o ponto inicial nos vários títulos do italiano Hugo Pratt que pinta sonhos com as cores da realidade. Nascido em Rimini (a cidade do cineasta Fellini) em 1927, o pequeno Pratt foi levado por seus pais em uma longa viagem pela África, onde entrou em contato com os costumes e tradições culturais que marcariam sua formação. Morou na Etiópia, retornou à Itália, fixando-se na casa da família em Veneza, onde cresceu e se educou. Ingressou na Cruz Vermelha quando estourou a Segunda Guerra Mundial. É ali que faz seus primeiros registros iconográficos, desenhando uniformes, construções e costumes dos países por onde passou.

Quando a guerra terminou, criou com os roteiristas Faustinelli e Ongaro uma revista onde desenhou o personagem Ás de Espadas. Fracasso. Parte então numa viagem pelo mundo como marinheiro. Nos anos 50 desenvolveu junto com o roteirista Oesterheld os personagens Sargento Kirk, Ticonderoga e Ernie Pike. É nessa época que escreve seus próprios roteiros a partir de suas experiências de guerra e de suas viagens pela áfrica.

Em 1967 escreve e desenha o personagem Corto Maltese, um marinheiro romântico do início do século que vive viajando pelo mundo, como seu autor. A suave melancolia do personagem transformou Pratt numa celebridade. Com Corto Maltese, conquistou os mais importantes prêmios mundiais, entre eles o Yellow Kid, conferido pelo Festival de Lucca. Corto foi inspirado em Lord Jim, de Conrad, o escritor de sua juventude. Corto Maltese é uma verdadeira febre na Europa, e foi um sucesso ao ser editado nos EUA sob o aval do jovem mestre dos quadrinhos americano Frank Miller.

Alto, esguio, sempre vestido com uma capa azul de marinheiro acompanhado de um quepe branco com a aba inclinada sobre os olhos, o cabelo negro e a pele morena, brinco na orelha, Corto Maltese, garboso e intrépido aventureiro, é fascinado pelo mar, esse eterno desconhecido. A aventura corre em suas veias. Nascido na Ilha de Malta, na virada do século, cedo descobriu que o mar era o seu meio natural. E rodou meio mundo perseguindo seus ideais. Forneceu armas para os exércitos de Zapata e Sandino. Lutou pela libertação da Etiópia das mãos dos colonizadores europeus. Organizou o cangaço em seu combate ao coronelismo no sertão brasileiro.

A trajetória se inicia com “A Balada do Mar Salgado” (lançado no Brasil pela L&PM e agora relançado pela Pixel) onde mistura ação, história, filosofia e misticismo. De lá para cá o marinheiro romântico e aventureiro participou de várias histórias na companhia de muitos personagens, entre os quais se destacam Rasputim (um bandido sanguinário), o professor Steiner (um cientista), Cush, o Etíope (guia do deserto), Tarao (indígena da Nova Zelândia), Duquesa Marina Seminova (aristocrata e cativante), Shangai Lil (jovem ativista da seita dos Lanternas Vermelhas) e Boca Dourada (feiticeira baiana). Em suas andanças, Corto também encontra diversas figuras históricas como Jack London (jornalista e romancista americano), John Reed (cuja vida salva durante um motim), Stalin (que lhe salva a vida), o Barão Vermelho, Butch Cassidy, Sundance Kid e Herman Hesse. Pratt tem um desenho muito particular, marcado pelo traço quase cinematográfico, e suas histórias têm um forte conteúdo literário e poético.

Os álbuns com suas aventuras são as mais autênticas graphic novels (quadrinho com estrutura de romance). Afinal o fôlego de romancista é a marca registrada de seu estilo. Quando se pôs a serviço de Corto e passou a mapear suas aventuras, partiu numa viagem sem volta em busca do sentimento da natureza humana. A necessidade de aventuras de Corto passou a ser a sua própria. Pratt visitou muitas vezes o Brasil, teve vários amigos na Bahia com os quais se correspondia. Basta ler as séries “Sob o Signo de Capricórnio” e “Corto Malteses na Amazônia”. A exemplo de seu marinheiro de argola na orelha, que escolhe o destino desenhando uma linha da vida na palma da mão, à navalha (lembram de sua história quando garoto?), Pratt “parte à procura de si mesmo em lugares conhecidos”. Há algo de alquimia, de colecionador neste ficcionista que revisita perpetuamente a vida, suas certezas e sonhos. E, de passagem, ver “contando histórias de uma geração apaixonada pela existência, pois possuía o sentimento de haver sobrevivido”.

Nossas editoras demoraram para publicar algo mais desse profundo marinheiro. Restaram as publicações portuguesas das Edições 70 e distribuídas pela Martins Fontes. Agora, em boa hora a Pixel publica seus álbuns. Vamos aguardar: "Sob o Signo do Capricórnio", "As Célticas", “Corto Maltese na Etiópia", "Corto Maltese na Sibéria", "Fábula de Veneza", "A Casa Dourada de Samarcanda", "Tango", "Mû", “As Mulheres de Corto” (que reúne todas as personagens femininas que se envolveram com ele), e “O Labirinto de Corto Maltese”, livro esotérico listando todos os lugares, culturas e mitos que o personagem conheceu em suas viagens.

Aclamado como um dos maiores autores das histórias em quadrinhos de todo o mundo, Hugo Pratt faleceu em1995, na Suiça, mas sua obra artística permanece sendo continuamente republicada em todas as partes do mundo. (Gutemberg Cruz)

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´lma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela)

03 agosto 2009

Ranxerox, o pós-punk andróide, vai estar entre nós em outubro

O italiano Tanino Liberatore vai participar do próximo Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), que será realizado entre 06 e 11 de outubro, em Belo Horizonte (estarei lá). O encontro trará ainda outros artistas. Da Espanha, Juan Díaz Canales. Dos Estados Unidos, Ben Templesmith. Do Canadá, Guy Delisle. Da Alemanha, Jens Harder. A coordenação do FIQ confirmou outros nomes: o desenhista chinês Benjamin, o editor de quadrinhos chineses na França, Patrick Abry, e Eddie Berganza. Brasileiros que atuam no exterior - como Gabriel Bá, Fábio Moon e Ivan Reis - também irão participar do FIQ, que é realizado a cada dois anos. O homenageado desta sexta edição será o brasileiro Renato Canini. Ele criou personagens como Kactus Kid e foi o mais conhecido desenhista brasileiro de Zé Carioca. Nosso foco hoje é para o trabalho de Liberatore.

A década era de 80. O italiano Paolo Eleuteri Serpieri mostrou um furacão sexual perdido em mundo pós-apocalítico (Druuna), já o britânico Alan Moore relatou estupro (Watchmen) e aleijou uma personagem (A Piada Mortal). Outro inglês, Grant Morrison insinuou relação homossexual (Asilo Arkhan), mas o hardcore maior ficou com Ranxerox que trazia as aventuras violentas e cheias de sacanagem de um andróide punk e sua companheira adolescente Lubna, em um futuro devastado. Stefano Tamburini e Tanino Liberatore anteciparam o gênero de violência extremada nos quadrinhos dos anos 80 e que predominaria no cinema dos anos 90 influenciando cineastas como Quentin Tarantino (Pulp Fiction) e Oliver Stone (Assassinos por Natureza). Esses italianos levaram às últimas conseqüências sintomas de uma sociedade doente e se revelou profético quando observamos os massacres que ocorrem com freqüência nos Estados Unidos. Há uma profunda crítica a valores sociais e morais nos excessos de Ranxerox. Isso está bem mais claro, hoje, como bem observou o estudioso de quadrinhos, Gonçalo Junior.
PARCERIA
O roteirista Tamburini e o desenhista Liberatore iniciaram parceria em 1977 ao editar uma revista underground Cannibale. Foi aí que eles lançaram um andróide chamado Rank Xerox, o mesmo nome da gigantesca corporação cujas máquinas fotocopiadoras eram uma obsessão de Tamburini. Este era responsável não apenas pelos roteiros, mas também pelo desenho, que antes de ser arte-finalizado era retocado pelos desenhistas mais competentes da revista. As histórias eram em preto & branco, curtas - raramente ultrapassavam as quatro páginas. A empresa homônima descobriu o personagem, e não gostou de ser sua marca sendo associada a um robô pedófilo e boçal. Sob ameaça de processo, Tamburini efetuou uma ligeira modificação - Rank Xerox virou Ranxerox.
Com o término da revista Cannibale, o grupo se envolveu numa outra publicação ainda mais radical: Frigidaire. Ranx continuava sujo, tosco, podre e doentio, e as histórias tornaram-se mais longas. Tamburini largou a arte, encarregando esta função a Liberatore. O desenhista, por sua vez, deixou o preto & branco e inseriu cores nas ilustrações da série. Com traço caricato e realista, Liberatore impregnou o universo do anti-herói com uma identidade visual inconfundível.
Quem desejar folhear as páginas onde foram publicadas o anti-herói vai encontrar sequências ininterruptas de ultraviolência, sexo bizarro e perversidades em geral. O cenário é uma Roma futurista e apocalíptica. Decadência, sordidez, indiferença é o que o leitor vai encontrar no relacionamento humano. E em meio a este verdadeiro caos, dois personagens vivenciam aventuras completamente anárquicas e amorais: Ranxerox, o violento brutamontes que batiza a série, e sua namoradinha Lubna, uma junkie de apenas 12 anos com cara de criança e jeito de dominatrix. Quem já leu o romance “Crash” (mais tarde levado para o cinema por Cronenberg) sabe dessas narrativas trágicas, bizarras de relações entre morte, acidentes de carro, mutilações e prazer sexual. Tudo com muito sarcasmo. As aventuras do pós-punk fizeram sucesso nas revistas como a norte-americana Heavy Metal, a espanhola El Víbora, a francesa L'Echo des Savanes e a brasileira Animal.
Tamburini faleceu, vítima de overdose, aos 31 anos de idade. Liberatore sobreviveu aos caos. Nascido na Itália, estudou Artes Plásticas e mudou-se para Roma, onde cursou Arquitetura. Nos anos 80, publicou trabalhos nas revistas americanas, européias e japonesas. Seus alcançou setores como a televisão, o cinema e até mesmo a música: são de sua autoria a capa do disco de "The Man from Utopia", de Frank Zappa; os figurinos do filme "Asterix e Obelix - Missão Cleópatra", trabalho pelo qual ganhou um César; e inúmeras vinhetas televisivas para emissoras do mundo todo. Hoje em dia, mora na França.
FRANKENSTEIN BIÔNICO
O quinto capítulo (Contemporâneos e sucessos – uma escola de sacanagens) o pesquisador Gonçalo Júnios no livro Tentação à Italiana, um perfil dos mestres do erotismo contemporâneo (Ópera Graphica Editora, 2005) aborda Liberatore, o sexo e a paródia do caos, do encontro entre Tamburine e Liberatore, da anatomia dos personagens, parceiros, amoral, tudo ricamente ilustrado. Escreveu o pesquisador:
“O personagem era uma espécie de Frankenstein biônico, pós-apocalipse, que radicalizava essa postura para mandar seu recado num mundo caótico e sem saída, onde a violência se tornou umas ferramenta usual do dia-a-dia – até mesmo nas relações amorosas. Sua parceria, por quem era apaixonado, chamava-se Lubna, uma garotinha pré-adolescente viciada em drogas, de visual punk, que se prostituía para comprar alucinógenos”
“Entre as características que a dupla procurou destacar nas histórias de Ranxerox estavam a petulância, a mal-criação e a depravação de uma sociedade moralmente corrompida e corrupta. O personagem principal e Lubna, aliás, formavam um casal suigeneris que lembraria bem a dupla sanguinária de ´Assassinos por Natureza´, filme de Oliver Stone. Assim como no cinema, Lubna estava longe de ser uma garotinha frágil, como parecia”.
“O universo da dupla era extremamente violento, com uma realidade distorcida a partir do comportamento da juventude em sua época, influenciado principalmente pelo movimento punk, que surgiu nos EUA no final da década de 1960 e migrara para a Inglaterra em meados dos anos de 1970. Além das idéias inconformistas e até fatalistas, o visual punk de Ranxerox funcionava também como uma forma de protestar pela manipulação do vestuário e até da flagelação do próprio corpo. O personagem se tornou uma das mais controvertidas invenções dos quadrinhos. Chegou a ser descrito como o primeiro anti-herói pós-punk, um humanóide brutamontes que prenunciou a era do caos urbano quer se seguiu nos vintes anos seguintes. Polêmico pela violência exagerada e extremamente original em sua abordagem temática, transformou-se numa das referências de sua época”.
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31 julho 2009

Som incendiário de Jimi Hendrix

O som é incendiário, elétrico, faiscante. Quem ouve não esquece jamais. Como um alquimista do som, ele buscava novos acordes, efeitos, sonoridades. Tentava imitar ao máximo os sons e músicas que vinham de sua mente. Excelente compositor e arranjador, ele era, antes de tudo, um experimentador. A experiência em misturar os sons para descobrir o que cada nota revelava, as cores que transcendia. E tudo isso porque ele tinha uma intensa relação com seu instrumento que não era apenas uma simples ferramenta de trabalho, mas uma extensão de seu corpo e alma. Seu universo sonoro cheio de estranhas e, ao mesmo tempo atrativas texturas e timbres, produzidas na sua uivante Stratocaster, jamais foi repetida. Ninguém ousou como ele. Sua guitarra elétrica não era mais obrigada a tocar só meras notas ou ritmo. Nas suas mãos, a guitarra transformou-se numa máquina geradora de sons tridimensionais. Eram cores e sons feito caleidoscópio na pele de quem ouvia, no som que irradia. E foi assim que ele revolucionou todo o conceito de música de sua época.


“Para mudar o mundo, você precisa antes mudar a sua cabeça."

Foi em agosto de 1969 que seu som espalhou para a multidão na Feira de Arte e Música de Woodstock, em uma fazenda no interior do estado americano de Nova York. Cerca de 500 mil pessoas assistiram Jimi Hendrix tocar na guitarra o hino americano Star Spangled Banner, fornecendo o som e a imagem que simbolizou a festa.

"Me dá licença que vou beijar o céu."

Jimi Hendrix era autodidata e canhoto, tocava de maneira completamente estranha uma guitarra Fender Stratocaster para destros, com as cordas invertidas. Ele revolucionou a maneira de tocar guitarra, desenvolvendo o uso da alavanca e principalmente dos pedais conhecidos como wha-wha. Mais do que isso, colocou a figura do guitarrista como principal personagem nas bandas de rock. Seus solos e riffs foram uma das principais raízes para o nascimento do heavy metal. Em todo seu trabalho misturou elementos do rock e do blues, até hoje é considerado o guitarrista número 1 de toda a história do rock e música pop de todos os tempos. Um guitarrista que segurou a chama do blues preservando sua mensagem para que as novas gerações a descobrissem. Em sua viagem explorou territórios desconhecidos para depois recontar em suas músicas.

INFÂNCIA

James Marshal Hendrix nasceu em Seattle no dia 27 de novembro de 1942. Iniciou na música tocando blues, sua influências fora Muddy Waters e Robert Johnson. Mudou-se para Nova York em 1963, trabalhou tocando em estúdio na gravação de outros cantores, tocou para grandes nomes como Isley Brother, Jackie Wilson, Sam Cooke e a lenda viva Little Richards.

“O dia em que o poder do amor for maior que o amor pelo poder, o mundo encontrará paz”

Seu primeiro nome artístico foi Jimmy James, montou a banda “Jimmy James and The Blues Flames”, Chas Chandler, baixista do The Animals, torna-se empresário da banda, no momento em que já haviam conseguido contrato com a Columbia. Rapidamente deixa de ser figurante e monta sua própria banda, Jimmy James and The Blue Flames. O jovem guitarrista canhoto chama a atenção não apenas pelos solos imprevisíveis e de estilo inédito até a época, mas também pela extrema habilidade em tocar a guitarra com os dentes ou nas costas. Depois de algumas reformulações no grupo, a banda mudou de nome, para “The Jimi Hendrix Experience”. Com o novo nome foram para Londres, nesta viagem surge a gravação da imortalizada música “Hey Joe”, além de “Purple Haze” e “The Wind Cries Mary”, fizeram grande sucesso na Inglaterra, desta viagem amadureceu a idéia do primeiro álbum “Are you Experienced”, lançado em 1967. Após uma turnê como banda de apoio na Europa fazem sua estréia na America no Monterey Pop Festival na California, logo após seguindo em turnê americana como banda de abertura dos Monkees.

“O conhecimento fala mas a sabedoria escuta”

Este álbum até hoje é considerado um marco na história do rock. No mesmo ano lançaram o segundo trabalho, “Axis : Bold as Love”, e em 1968, “Eletric Ladyland”. A banda acaba em 1969, Hendriz monta com Mitch Mitchell, Billy Cox , Larry Lee , Juma Sultan e Jerry Vélez, a “Bando of Gypsys”. Em agosto de 1969, a banda estoura no festival de Woodstock. Em 1970 a banda Experience seria reformulada e lançariam The First Rays of the New Rising Sun, logo depois mudando novamente de nome para Cry Of Love. Em 18 de setembro de 1970 Jimi Hendrix entrou em coma em um quarto de hotel de Londres, sozinho, sendo encontrado desacordado por uma equipe de paramédicos. A caminho do hospital foi constatada a sua morte em virtude de sufocamento por seu próprio vômito. Existem muitas controvérsias sobre a real causa da morte, mas provavelmente Hendrix sofreu uma overdose de comprimidos tranquilizantes. Ele morreu, mas sua enorme influencia exerce até hoje sobre o mundo da música.

"Minha filosofia pessoal é minha música. Nada menos que a música - vida - isso é tudo"





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30 julho 2009

Garotas de papel no Brasil

Até hoje as garotas mexem com o imaginário dos homens. No final do século 19 o teatro de revista vivia o seu auge nos Estados Unidos e transformou dançarinas em estrelas, fotografadas para revistas, anúncios e cartões, mas na década de 40 elas começaram a aparecer nas portas dos armários e paredes dos quartos de milhares de admiradores. E foi justamente esta a origem do nome pin up: o ato de pendurar as ilustrações em algum lugar. Desenhadas ou fotografadas, as garotas invadiram o planeta com suas poses sensuais porém sem vulgaridade.

Foi a partir de 1964, numa produção da Pirelli inglesa, que o calendário passou a ser um objeto absolutamente fascinante que logo se tornou peça de coleção, disputada em antiquários, e valendo bons dólares. As fotos de Robert Freeman nas areias de Mallorca eram atraentes e transgressoras. E definiram um estilo da Pirelli européia de fazer calendário marcado pela presença da mulher: no estado de mais puro sensualismo e beleza. E, também de cenários irresistíveis – o sul da França, oásis marroquino, paisagens da Tunísia, da Califórnia, da Jamaica, ou das Bahamas. Hoje, um exemplar dessas folhinhas vale pequenas fortunas nos leilões de memorabilia.

Em 1974, a Sotheby´s vendeu uma das folhinhas de Marilyn por US$286. Em 1991 uma exposição em Nova Iorque vendia reproduções de fotos antigas da atriz, do tempo em que era operária, por US$2 mil. E muitos das atrizes e modelos tiveram seus melhores momentos estampados em folhinhas que são vendidas nas grandes livrarias do país. E a pin up, antes simplesmente um desenho ou uma foto que ornamentava paredes e chamava visualmente a atenção pela beleza do rosto e do corpo, tradicionalmente escultural e sexy, acabou se transformando numa arte requintada de galerias e museus.

Segundo o estudioso das pin ups, Rudolf Piper (que lançou em 1976 o livro “Garotas de Papel”, pela Editora Global), por volta de 1930, no Brasil a prática de utilização da figura feminina tornou-se comum. Na publicidade, os belos corpos de mulheres vendiam produtos variados, de lingerie a cigarros. O cinema já antecipara a mudança desde 1917. “O Malho” tornou-se a primeira publicação essencialmente feminina e, em 1934, sofria a concorrência de “A Cigarra”. Mas o mito da pin up só foi oficializado com a Segunda Guerra Mundial. O mercado nacional começou a ser invadido por uma enxurrada de fotos, posters, cartazes e calendários com mulheres famosas, posando nuas.

Depois da guerra voltou-se ao esquema piadas pin ups. O Riso, Bom Humor e Seleções de Rir Ilustrada eram sucessos de mercado. Jayme Cortez, um dos pioneiros no destaque dispensado às modelos nacionais, trabalhava na paginação e fotos femininos nos anos 50. Também muito conhecido, principalmente nos calendários das Borrachas Oriori, era o pintor Vicente Caruso que, no final dos anos 40, utilizando uma técnica mista de óleo e pastel, criou belas folhinhas representando índias brasileiras, morenas e de olhos verdes, num clima de mistério e tentação. Nos anos 20 quem fazia esse tipo de trabalho era o ilustrador Renato Silva na revista “Shimmy”.

Nos anos 50, a revista Escândalo lançava duas pin ups famosas: Elvira Pagã e Luz Del Fuego, esta última convivia com as suas serpentes que ajudaram a aumentar sua fama, e foi quem fundou o Partido Naturalista Brasileiro, cujo lema era “Menos roupa e mais pão”. A famosa estrela dos cabarés, Elvira Pagã, metida em maiô de lamê dourado, ganhou manchetes no Brasil e no exterior e capas durante 15 anos. Ela lançou o biquíni nas praias brasileiras (sendo presa por isso) e que, cantando, dançando e despindo-se nos palcos mais famosos do País, levava os homens à loucura. Nessa época, circulava clandestinamente os famosos “catecismos” de Carlos Zéfiro, o desenhista de histórias pornográficas quadrinizadas.

No final da década de 50 surgiu a revista Senhor, que segundo Rudolf Pipper, “inovou a imprensa do gênero, gráfica e estilisticamente, abordando as pin ups com inteligência e riqueza, elegância e sofisticação”. Destinada ao público Classe A, foi a pioneira entre outras publicações luxuosas que, hoje, proliferam. Nos anos 60, o semanário de humor e política O Pasquim transformou Leila Diniz, musa do cinema novo brasileiro, na mais notável e descontraída pin up nacional.

O gaúcho Benício se destacou como um dos melhores ilustradores da época. Ele é autor da maioria dos pôsteres das chanchadas nacionais, além de capista exclusivo dos livros de bolso da Editora Monterrey. Com a censura nos anos 70, esse gênero se esvaziou. Nos anos 80 o consumidor de pin up voltou a satisfazer suas fantasias dependurando no quarto calendário com fotos de Monique Evans, Sônia Braga, Denise Dummont e Aldine Muller. Nos anos 90, chegou a vez de Doris Giesse, Sônia Lima, Andréa Guerra e Luciana Faria. Nos dias atuais, você escolhe...
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29 julho 2009

Bettie Page foi a pin-up girl mais famosa

Criada tradicionalmente em uma família religiosa do Sul dos Estados Unidos, ela passou por um casamento fracassado e muitas outras experiências traumáticas. Mais tarde se muda para Nova York. É lá que um fotógrafo amador faz suas primeiras fotos, dando início à uma vertiginosa carreira de modelo. A beleza e a sensualidade da moça a transformam em uma das mais famosas pin-up’s de todos os tempos. A carreira, no entanto, é interrompida quando um senador americano dá início a uma dura perseguição a pornografia, transformando Bettie Page no símbolo da imoralidade.

The Notorious Bettie Page(2005) é um filme que revela parte da história real da lendária pin-up (foto antiga de mulher, que ganha esse nome por se destinar a pendurar na parede). A direção é de Mary Harron, que já havia feito Psicopata Americano e Um Tiro Para Andy Warhol. A fotografia em preto e branco, sem ajustes ou retoques, ajuda a recriar o clima dos anos 50.O filme vale a pena ser visto pela performance marcante de Gretchen Moll que, tingindo os cabelos de castanho e cortando a franja marcante que fez Bettie famosa, incorpora com perfeição a pin-up. Sua presença na tela é marcante e Gretchen relaciona-se com as câmeras tão bem quando fazia a Bettie real.

FAMA - Bettie ganhou essa notoriedade pela sua relação visceral com a câmera. Ela posava com uma impressionante descontração e naturalidade. Suas fotos foram responsáveis por diversos fetiches que até hoje são copiadas exaustivamente pelas revistas masculinas. Vale explicar que pin-up girl é uma modelo ou atriz cujas imagens sensuais são produzidas em grande escala. E Bettie Page habitou a imaginação de milhares de homens nos anos 50, em uma época que revistas como Playboy ainda não tinham invadido o mercado.

O filme conta a história de Bettie em um período que vai dos anos 30 aos 50. O trabalho da cineasta procura desmistificar certos aspectos da vida de Page. Ela sempre foi associada erroneamente como uma mulher pornográfica. Bettie era uma mulher comum e inocente que nunca se arrependeu de ter posado, pois seu trabalho nunca teve essa conotação. A imagem de uma mulher devassa foi criada pelos consumidores na tentativa de aumentar a sua satisfação pessoal ao apreciar as fotos. Um claro caso de que a imagem se tornou maior que a figura real.

O roteiro do filme segue essa trajetória, demonstrando os nostálgicos anos 50, repleto de ingenuidade. Nota-se que Bettie Page era uma garota cristã que aos poucos foi aflorando seu lado exibicionista, mas sem perder sua aura inocente. Sua imagem foi explorada por uma sociedade machista, ao mesmo tempo preconceituosa que a levou a comparecer em uma seção comandado pelo senador Estes Kefauver (David Strathairn), para explicar sobre suas supostas práticas pornográficas.

O filme explora esses contrastes buscando explicar o que torna algo realizado com inocência em produto pornográfico. O formato utilizado para apresentar essa transformação é a comédia leve. Através do humor, a diretora Mary Harron demonstra que o erotismo é um atributo produzido pela mente e não pelo ato em si.

AMEAÇA - Símbolo sexual dos anos 50, a pin-up Bettie Page chocou a população da época ao se deixar fotografar em poses sensuais, em trajes sado-masoquistas. Em uma sociedade recatada, a imagem apresentada daquela forma era vista como uma ameaça, e chegou a ser investigada pelo governo. Bettie, às portas do tribunal, relembra todos os fatores que a levaram ao estrelato em uma carreira que poucas ousariam ter.

Sem malícia, a garota sempre usou o erotismo para chamar a atenção, mesmo quando vivia em uma rígida família religiosa da cidade de Nashville. Casando-se cedo, Page se desiludiu no amor ao perceber no seu marido um homem frio e violento. As ilusões acabariam quando, já separada, ela sofre um estupro coletivo. Mas Bettie parte rumo à Nova Iorque, buscando uma carreira de atriz. Enquanto estuda, a jovem ganha a vida fazendo fotos como pin-up, mas ela custa a perceber o que sua ingenuidade representa para os homens americanos.

Essa é a Bettie, morena de curvas arredondadas, salto agulha, meia arrastão, chicote em punho, atitude sadomasoquista e aquela carinha de virgem de um lado, safada do outro. Ele foi a modelo pin-up mais famosa dos anos 50. Mas, por trás de tanto carisma, simpatia e beleza que ela sempre esbanjou frente às câmeras, existe uma sulista jovem cheia de sonhos e pequenas tragédias em sua vida e é isso retratou a cinebiografia The Notorious Bettie Page. A atriz Bettie Page morreu no dia 11 de dezembro de 2008, em Los Angeles (Estados Unidos). Ela tinha 85 anos. ( A origem da expressão pin-up deve-se ao fato de que muitas das imagens de mulheres sensuais, recortadas em revistas, jornais e cartões postais, eram penduradas - em inglês, pin up- em oficinas e borracharias Estados Unidos a fora).
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28 julho 2009

Pérolas da MPB (2)

“Para um coração mesquinho/Contra a solidão agreste/Luiz Gonzaga é tiro certo/Pixinguinha é inconteste/Tome Noel, Cartola, Orestes/Caetano e João Gilberto” (Paratodos, Chico Buarque)


“Drão!/O amor da gente/É como um grão/Uma semente de ilusão/Tem que morrer pra germinar/Plantar nalgum lugar/Ressuscitar no chão” (Drão, Gilberto Gil)


“Mandacaru/Quando fulora na seca/É o siná que a chuva chega/No sertão/Toda menina que enjôa/Da boneca/É siná que o amor/Já chegou no coração...” (Xote das Meninas, Luiz Gonzaga e Zé Dantas)



“Tire suas mãos de mim,/eu não pertenço a você,/não é me dominando assim,/que você vai me entender,/eu posso estar sozinho,/mas eu sei muito bem aonde estou,/você pode até duvidar/acho que isso não é amor” (Será, de Villa Lobos e Renato Russo)



“Eu, tu e todos no mundo/No fundo, tememos por nosso futuro/ET e todos os santos, valei-nos/Livrai-nos desse tempo escuro” (Extra, Gilberto Gil)



“Avião sem asa, fogueira sem brasa/Sou eu assim sem você/Futebol sem bola,/Piu-Piu sem Frajola/
Sou eu assim sem você” (Fico Assim Sem Você, Abdullah e Cacá Moraes)


“Viver é um livro de esquecimento/Eu só quero lembrar de você até perder a memória” (Elevador. Ana Carolina)


“Eu vim/Vim parar na beira do cais/Onde a estrada chegou ao fim/Onde o fim da tarde é lilás/Onde o mar arrebenta em mim/O lamento de tantos "ais".”(A Paz, Gilberto Gil e João Donato)


“Exagerado/Jogado aos teus pés/Eu sou mesmo exagerado/Adoro um amor inventado” (Exagerado, Cazuza, Ezequiel Neves e Leoni).


“Veja bem!/É o amor agitando o meu coração/Há um lado carente/Dizendo que sim/E essa vida dá gente/Gritando que não...” (Grito de Alerta, Gonzaguinha)


“Quando a mão tocar no tambor/Será pele sobre pele/Vida e morte para que se zele/Pelo orixá e pelo egum” (Serafim, Gilberto Gil)



“Rebento, a reação imediata/a cada sensação de abatimento/Rebento, o coração dizendo: Bata!/a cada bofetão do sofrimento/Rebento, esse trovão dentro da mata/e a imensidão do som nesse momento” (Rebento, Gilberto Gil)


“Pra cada braço uma força/De força não geme uma nota/A lata só cerca, não leva/A água na estrada morta/E a força nunca seca/Na vida que é tão tão pouca” (A Força que Nunca Seca, Chico César e Vanessa da Mata)


“O mundo é o mar/Maré de lembranças/Lembranças de tantas voltas que o mundo dá” (Memórias do Mar, Vevé Calazans e Jorge Portugal)


“Amores são águas doces/paixões são águas salgadas/queria que a vida fosse/essas águas misturadas” (Memórias das Águas, Roberto Mendes e Jorge Portugal)


“Onde eu nasci passa um rio/que passa no igual sem fim/igual sem fim minha terra/passava dentro de mim” (Onde eu Nasci passa um Rio, Caetano Veloso)


“Por você/Eu dançaria tango no teto/Eu limparia/Os trilhos do metrô/Eu iria a pé/D
o Rio à Salvador...” (Por Você, Roberto Frejat, Guto Goffi e Mauro Santa Cecília)



“Eu fico/Com a pureza/Da resposta das crianças/É a vida, é bonita/E é bonita...” (O Que É, o Que É?, Gonzaguinha)



“Não me salvo/Porque não me acho/Não me acalmo/Porque não me vejo/Percebo até/Mas desaconselho...”(Enquanto Durmo, C. Oyens e Zelia Duncan)



“Sexo é integração/Não é abuso/Não é serviço/Seu corpo forte e bonito/Não é só por isso/Pré-requisito/Pra minha satisfação” (Sexo, Christiaan Oyens e Zélia Duncan)



“Vou te contar os olhos já não podem ver/Coisas que só o coração pode entender/Fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho” (Wave, Tom Jobim)


“Errar é útil/Sofrer é chato/Chorar é triste/Sorrir é rápido/Não ver é fácil/Trair é tátil/Olhar é móvel/Falar é mágico/Calar é tático/Desfazer é árduo/Esperar é sábio/Refazer é ótimo/Amar é profundo/E nele sempre cabem de vez/Todos os verbos do mundo” (Todos os Verbos. Marcelo Jeneci e Zélia Duncan)


“Meu coração, não sei por que/Bate feliz quando te vê/E os meus olhos ficam sorrindo/E pelas ruas vão te seguindo/Mas mesmo assim/Foges de mim” (Carinhoso. Pixinguinha)


“A lua girou, girou/Traçou no céu um compasso/A lua girou, girou/Traçou no céu um compasso” (A Lua Girou, Milton Nascimento)
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´lma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela)