08 janeiro 2009
Prazer da aventura e da descoberta, Tintin (4)
07 janeiro 2009
Prazer da aventura e da descoberta, Tintin (3)

Capitão Haddock é alto, robusto, jovial e rude de aparência, um lobo do mar. Apreciador de um whisky e de uma boa cachimbada. Não esconde nada de seus sentimentos, é sincero e espontâneo. Sua cólera é catártica, serve para ele se vingar das mentiras e da mediocridade do mundo. Suas boas intenções duram pouco e as burradas acumulam-se. Nestor é o fiel mordomo do capitão Haddock. Coadjuvante assumido.
ou a vender mais de 50 milhões de livros no mundo inteiro, e já foi traduzido para mais de 21 idiomas. Na França, é conhecido por 95% das crianças e 81% dos adultos. O ex-presidente Charles de Gaulle comentou, certa vez, que Tintin era seu maior rival internacional. O cineasta Jean Cocteau dizia que Tintin “nasceu na idade da adolescência”. Durante anos ele passeou através do mundo com a mesma silhueta de rapaz direito, rosto de lua cheia com seu topete rebelde, indiferente a todas as modas masculinas, fiel às calças de jogador de golfe e os “blue jeans” dos anos 30. Apesar de suas roupas serem consideradas por muitos um tanto anacrônicas para o mundo de hoje o herói nunca saiu de moda.06 janeiro 2009
Prazer da aventura e da descoberta, Tintin (2)


Os quatros primeiros episódios que criou (Tintin no País dos Sovietes, Tintin no Congo, Tintin na América e Os Charutos do Faraó) não tinham uma verdadeira sequência, e sim um conjunto de “gags”. Motivo: Hergé concebia suas histórias em função da publicação num jornal e teria que criar “suspense” diariamente. No sexto episódio, A Orelha Quebrada, a estatueta percorre toda a obra, perseguida incessantemente pelos vários protagonistas. Aos poucos, Hergé deixa de lado a visão estereotipada que dominou suas primeiras obras (visão eurocêntrica) e passa a dedicar mais atenção à elaboração das histórias e à pesquisa aprofundada sobre povos e lugares onde se situariam as aventuras de Tintin.
Antes de Tintin, as tiras em quadrinhos européias ainda encontrava-se na idade da pedra. Hergé acabou influenciando diversos desenhistas, criando o que se denominou a “escola belga” de quadrinhos. Mas a consagração definitiva só se deu durante os anos 50. Seu traço é sempre claro, fino, definido, exato como um mapa. Perfeito em cada detalhe, admirável na organização das cores.
narrativa que influenciou algumas gerações de desenhistas do velho continente. O personagem é a ponte entre a escola européia contemporânea e a norte americana no início do século XX. Três nomes se destacam entre os principais cultivadores do estilo Hergé no quadrinho contemporâneo. Um deles é Ives Chaland que criou o personagem Freddy Lombard, uma espécie de Tintin adulto. O outro é o holandês Joos Swarte que se revelou na revista Charlie e explora o design dos anos 50. O terceiro é o espanhol Daniel Torres cuja ligação com Hergé está nos cenários. Sua inspiração no rock, jazz e cinema dos anos 50 estão mesclados ao detalhismo hergeniano.05 janeiro 2009
Prazer da aventura e da descoberta, Tintin (1)
Educação e respeito humano, características de Tintin eram, na verdade, pontos de honra para seu criador. O valor mais importante para Hergé era a sociabilidade, o esforço máximo para evitar mágoas. Escoteiro na infância, o que marcou o seu caráter social e cooperativo. Tintin é o alter ego de seu criador, o repórter aventureiro e audacioso que Hergé não conseguiu ser. Acompanhado de seu fiel cachorro Milu e de seu amigo, o capitão Archibald Haddock, Tintin viaja o mundo inteiro seguindo sua curiosidade e buscando a verdade e a justiça.

15 dezembro 2008
Jardim dos Sonhos
pele, ouvindo os sons das folhas balançarem com o sopro dos ventos e aquela profusão de cores ao seu redor. O jardim era o seu mundo. E assim ele cresceu acreditando existir um jardim em seu corpo e, a cada atividade, procurava recuperar o jardim perdido seja em seu bairro ou mesma na cidade vizinha.Seu amor por jardim era tanto que ele se tornou jardineiro. E com grande eficácia conseguia prazer no que fazia. Cuidar das plantas. Naquele pequeno pedaço verde de terra ele operava o milagre de fazer com que a vida ressurgisse com beleza. Era um trabalho detalhista, de amor à natureza. Sua vida era um jardim, pois ele respirava o verde das árvores, o perfume das flores e carregava dentro de si um jardim de delícias, um jardim de sonhos.

que borbulha na mina. E, a cada dia, a cada momento ele passa a cuidar com minúncia do seu jardim, desenvolvendo essa repetição e modificando, transpondo esse acontecimento fortuito para fazer disso um instante de beleza, de prazer. O cuidar das coisas belas. E ele saber de cor onde estava cada plantinha e mesmo que tudo aquilo desaparecesse ele seria capaz de recriá-lo, porque todas as árvores, folhas, flores e raízes estavam formado em seu corpo. A essência do jardim estava dentro dele. A beleza que ele via no jardim era a beleza que morava em seu corpo.
FÉRIAS12 dezembro 2008
Música & Poesia
Tá vendo aquele edifício moço
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas prá ir, duas prá voltar
Hoje depois dele pronto
Olho prá cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
"Tu tá aí admirado?
Ou tá querendo roubar?"
Meu domingo tá perdido
Vou prá casa entristecido
Dá vontade de beber
E prá aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer...
Tá vendo aquele colégio moço
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Fiz a massa, pus cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem prá mim toda contente
"Pai vou me matricular"
Mas me diz um cidadão:
"Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar"
Essa dor doeu mais forte
Por que é que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
Mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer...
Tá vendo aquela igreja moço
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá foi que valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse:
"Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asa
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio, fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar"
Segunda Elegia, Terceira Sede (Fabricio Carpinejar)
Ser inteiro custa caro.
Endividei-me por não me dividir.
Atrás da aparência, há uma reserva de indigência,
a volúpia dos restos.
Parto em expedição às provas de que vivi.
E escavo boletins, cartas e álbuns
- o retrocesso da minha letra ao garrancho.
O passado tem sentido se permanecer desorganizado.
A verdade ordenada é uma mentira.
O musgo envaidece as relíquias. Os dedos retiram as teias,
assisto à revoada de insetos das ciladas.
Fujo da claridade, refulge a poeira.
O par de joelhos na imobilidade de um rochedo.
Reviso o testamento, alisando a textura
como um gramático da seda.
Desvendo o que presta pelo som do corte.
O que ansiava achar não acho
e esbarro em objetos despossuídos de lógica
que me encontram antes de qualquer pretensão.
O que fiz cabe numa caixa de sapatos.
Colecionava talhos de madeira, bonecos
adornados com a ponta miúda do canivete.
Lá estava um dos sobreviventes, desfocado,
vizinho das medalhas escolares
e dos parafusos condoídos de ferrugem.
Um auto-retrato não seria tão fidedigno.
Eu era aquela frincha de chão florido, casca e húmus.
Quantas foram as miudezas que não combinavam
com o conjunto e, na falta de harmonia,
abandonei no depósito da infância?
E se faltou confiança para restaurá-las ao convívio,
faltou coragem para excluí-las em definitivo.
Somos o desperdício do que estocamos.
Não aprendemos a desaprender.
Não doamos nada, nem a palavra passamos adiante.
O porão tem vida própria e respira
o que jogamos fora.
O que refugamos na ceia volta a nos mastigar.
Tudo pode fermentar: o forro, os passos, o odor do braço.
Tudo pode nascer sem o mérito do grito,
como um murmúrio ou estalar de um abraço.
Tudo pode nascer, ainda que abafado.
11 dezembro 2008
Revolução e puritanismo
Em seu livro “Pessoas Extraordinárias. Resistência, rebelião e jazz” o historiador Eric Hobsbawm dedicou o capítulo 17 a Revolução e Sexo. Diz ele: “Os sistemas de dominação e exploração de classes podem impor severas convenções de comportamento pessoal (por exemplo, sexual) em público ou na vida privada, mas também pode não o fazer. A sociedade hindu não era, em nenhum sentido, mais livre ou igualitária do que a comunidade não-conformista inglesa, pelo simples fato de que a primeira utilizava os templos para demonstrar uma grande variedade de atividades sexuais da maneira mais atraente possível, enquanto a segunda impunha restrições rígidas a seus membros, pelo menos em teoria. Tudo o que se pode deduzir desta diferença cultural específica é que os devotos indus que quisessem variar sua rotina podiam aprender a fazê-lo muito mais facilmente do que os devotos galeses”.10 dezembro 2008
Corrupção cria raízes na sociedade

A impunidade compõe o ambiente propício para o quadro de desencanto institucional e de depressão cívica que se observa hoje no país. A idéia de impunidade na corrupção destrói a idéia de nação. É preciso estimular mais a vigilância da sociedade. Afinal, a cultura da ineficiência com falta de transparência é um coquetel explosivo.A sociedade não tem o hábito de fiscalizar. É preciso investigar, processar, punir, prevenir, e a sociedade precisa se fortalecer e fiscalizar. A morosidade do Judiciário cria toda essa sensação de impunidade. É preciso que o sistema penal tenha ritos mais simples, fase investigativa mais curta, para desestimular a corrupção, e revisão do foro privilegiado. Mais transparência na gestão de todas as esferas públicas e diminuição de burocracia na máquina do Estado.


09 dezembro 2008
Paixão pelo saxofone
Há 170 anos surgia o saxofone, mas o novo instrumento de sopro só foi patenteado dois anos depois. Criado no século 19 pelo belga Adolphe Sax, o instrumento não foi valorizado pelas orquestras sinfônicas. Do início nas bandas marciais ele acabou transformando-se no símbolo do jazz, depois caiu na boca do rock, das trilhas de cinema, da publicidade e de uma nova geração que ganha a vida e se diverte explorando a sensualidade de seu som.Sendo um instrumento híbrido (corpo de metal, mas a palheta é de fibra de madeira), sua sonoridade típica e seus múltiplos recursos cativaram os músicos, que nele encontraram meios para expressar seu talento. Muitos afirmam que o saxofone é o instrumento que mais se aproxima da voz humana. O soprano tem dois formatos: reto (o mais comum) e curvo (pouco usado)


05 dezembro 2008
Música & Poesia
Já se pode ver ao longe
A senhora com a lata na cabeça
Equilibrando a lata vesga
Mais do que o corpo dita
O que faz e equilíbrio cego
A lata não mostra
O corpo que entorta
Pra lata ficar reta.
Pra cada braço uma força
De força não geme uma nota
A lata só cerca, não leva
A água na estrada morta
E a força nunca seca
Pra água que é tão pouca.
Segunda Elegia, Terceira Sede (Fabricio Carpinejar)
Ser inteiro custa caro.
Endividei-me por não me dividir.
Atrás da aparência, há uma reserva de indigência,
a volúpia dos restos.
Parto em expedição às provas de que vivi.
E escavo boletins, cartas e álbuns
- o retrocesso da minha letra ao garrancho.
O passado tem sentido se permanecer desorganizado.
A verdade ordenada é uma mentira.
O musgo envaidece as relíquias. Os dedos retiram as teias,
assisto à revoada de insetos das ciladas.
Fujo da claridade, refulge a poeira.
O par de joelhos na imobilidade de um rochedo.
Reviso o testamento, alisando a textura
como um gramático da seda.
Desvendo o que presta pelo som do corte.
O que ansiava achar não acho
e esbarro em objetos despossuídos de lógica
que me encontram antes de qualquer pretensão.
O que fiz cabe numa caixa de sapatos.
Colecionava talhos de madeira, bonecos
adornados com a ponta miúda do canivete.
Lá estava um dos sobreviventes, desfocado,
vizinho das medalhas escolares
e dos parafusos condoídos de ferrugem.
Um auto-retrato não seria tão fidedigno.
Eu era aquela frincha de chão florido, casca e húmus.
Quantas foram as miudezas que não combinavam
com o conjunto e, na falta de harmonia,
abandonei no depósito da infância?
faltou coragem para excluí-las em definitivo.
Somos o desperdício do que estocamos.
Não aprendemos a desaprender.
Não doamos nada, nem a palavra passamos adiante.
O porão tem vida própria e respira
o que jogamos fora.
O que refugamos na ceia volta a nos mastigar.
Tudo pode fermentar: o forro, os passos, o odor do braço.
Tudo pode nascer sem o mérito do grito,
como um murmúrio ou estalar de um abraço.
Tudo pode nascer, ainda que abafado.
04 dezembro 2008
Bahiano
Cantor. Nascido em 05 de dezembro de 1887, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, Manuel Pedro dos Santos ganhou fama ao se tornar cançonetista com o apelido de Bahiano. Especializado em modinhas e lundus, ele cantava acompanhado de violão e teve a chance de se tornar conhecido e ganhar lugar definitivo na história da música popular brasileira e do samba em particular, ao gravar para a Casa Edison o considerado primeiro samba levado ao disco, o Pelo Telefone, em 1917. Foi o primeiro samba a alcançar sucesso nacional. Para tanto, influíram vários fatores. A letra jocosa e provocativa sobre a “jogatina” na cidade (“O chefe da polícia/pelo telefone/mandou me avisar/que na Carioca/tem uma roleta/para se jogar...”) era de fácil assimilação e foi sem dúvida o estopim para a difusão maciça do samba. Nas gravações, a letra foi alterada (“O chefe da folia/pelo telefone/manda me avisar/que com alegria/não se questione/para se brincar//Ai,ai,ai/deixa as mágoas para trás/ó rapaz!/ai,ai,ai/fica triste se és capaz/e verás//Tomara que tu apanhes/pra nunca mais fazer isso/tirar amores dos outros/e depois fazer feitiço...”). Não faltaram também os aproveitadores, que na esteira do êxito da gravação de Bahiano correram atrás dos lucros. Nas ruas, e nos jornais da época, o samba vingara com inúmeras versões e acirrada polêmica, contribuindo definitivamente para a fixação do gênero como música de carnaval.O batuque é a célula-mãe da manifestação musical popular mais importante do país e dele surgiram ramos, afluentes, tendências, que se espalharam por todo o território. Sob nomes mais diversos, ganharam estilos e andamentos próprios, sotaques regionais, assumiram caráter romântico, jocoso, boêmio, patriótico. Na união dos africanos, com baianos e imigrantes italianos surgiria música naturalmente. Do batuque passou para calundus e calhandos, seguiram-se fofa, lundu e fado (ambiente urbano) e jongo, samba e coco (rural), passando pela modinha, lundu-canção, maxixe e choro até chegar na vertente atual do samba, seja samba-canção, samba-enredo, samba de roda, samba de breque, samba funk ou samba reggae.
03 dezembro 2008
Tudo flui com Heráclito

Heráclito chamou a atenção para a perene mobilidade de todas as coisas. Segundo ele, nada permanece imóvel e nada permanece em estado de fixidez e estabilidade, mas tudo se move, tudo muda, tudo se transforma, sem cessar e sem exceção ("tudo flui"), recordando a futura e famosa afirmação de Lavoisier. Para ele, só o devir das coisas é permanente, no sentido de que as coisas não têm realidade senão justamente no perene devir. Para Heráclito, o devir é um contínuo conflito dos contrários que se alternam, é uma perene luta de um contra o outro, uma guerra perpétua. E como as coisas só têm realidade no perene devir, essa guerra se revela como o fundamento da realidade das coisas.

02 dezembro 2008
Harmonia e imperfeição

No universo não há só harmonia e simetria. Se só houvesse equilíbrio jamais haveria transformação. Todas as coisas fundamentais que existem dependem de um desequilíbrio. O próprio Universo se originou do desequilíbrio. Quando o sistema está equilibrado, não se transforma. Sem transformação não há criação, nada acontece. Portanto, tudo o que ocorre e que se transforma no mundo o faz devido a imperfeições, ao desequilíbrio. É a tensão entre harmonia e imperfeição que gera a criatividade do mundo natural, das formas mais simples àquelas mais complexas. Como pode existir harmonia em um Universo que tende à desorganização. Esse é um dos grandes desafios da Ciência.

01 dezembro 2008
Decifrando a transa (1972) de Caetano Veloso
Se o LP anterior tinha tons sombrios da cinzenta paisagem londrina (Caetano Veloso, 1971), onde a capa traz um close do rosto do artista com fisionomia fechada e um espesso agasalho de pele e a vasta cabeleira em um exílio forçado, o disco de 1972 é o retorno, onde o Caetano múltiplo pede para ser decifrado. Você não me conhece, ele assume na primeira faixa.

A sensual "You don´t know me" abre o disco com um excelente arranjo acústico e um Caetano sutil e interpretativo. A música incidental cantada por Gal Costa (Saudosismo) foi gravada originalmente por Caetano no compacto duplo com os Mutantes. “Por que não me mostra (o que está) atrás do muro?”, ele pede cantando.



28 novembro 2008
Música & Poesia
Das armadilhas do dia a dia nada a temer
Eu vi suas mentiras, nada pode me ferir
Eu tô mais perto, só vou no certo, é pode vir
Eu sou forte pele negra do Adão.
que me coube por herança,
colho safra de palavra,
armazeno provisão,
bebo de sede no poço,
como a fome no feijão.
Invento tudo que penso,
sou mago, palhaço e rei.
Tenho tudo que não tenho,
lua no fundo do copo
e o arco-íris na sopa.
De mãos dadas com Carlitos
alimento de pão e mel
os bichos todos do circo.
Pelo sem-fio da tarde
recebo urgente avegrama:
“De longe país ao Sul
vão no caminho do vento
dois passarinhos azuis.
Solicito alpiste e água
na concha de cada mão.”
A noite cobre meu sono
e da serragem do sonho
faço colchão, travesseiro.
Acordo. É ganho ou perda
ter mais um dia a viver?
Com flanela limpo os óculos
(janela dos olhos míopes)
mas não vejo mais poesia,
que sou cada vez mais turvo
diante da vida dura
e do mundo tão escuro.
27 novembro 2008
A fama eterna de Andy Warhol (2)

Em 1969, Warhol fundou a revista Interview, uma espécie de órgão oficial do grupo eclético que ele frequentava: artistas, modelos, fotógrafos, roqueiros, estilistas de moda, atores e gente famosa simplesmente por ser famosa. Ele editou livros, produziu filmes e apresentações no estúdio que mantinha em Manhattan, chamado Factory (Fábrica) e viveu cercado por uma fauna de gente pouco convencional. Depois era visto com frequência na discoteca Studio 54.
Warhol foi um dos fundadores da pop art nos Estados Unidos. A pop art nasceu na Inglaterra, mas iria se desenvolver plenamente nos EUA, onde, em pouco tempo, tornou-se o primeiro movimento realmente norte-americano em arte, o que foi confirmado em 1964, quando Robert Rauschemberg tirou o grande prêmio da Bienal de Veneza, para surpresa dos europeus, que se consideravam os donos da arte mundial e inventores de todos os movimentos de arte do século XX. A pop floresceu nos EUA porque é essencialmente uma expressão estética da sociedade de consumo e da cultura de massa.






