27 junho 2022

Curiosidade dos quadrinhos (49) Primeira tira cômica de longa duração

 


De acordo com diversos historiadores do gênero das histórias em quadrinhos, o dia 12 de dezembro de 1897 marca o nascimento da primeira tira cômica publicada em jornal. Katzenjammer Kids (Os garotos Katzenjammer), da autoria de Rudolph Dirks, estreou no periódico norte-americano New York Journal. Ao contrário de outros autores contemporâneos, Dirks já começou delineando em traços sua técnica de contar uma breve história em sequência de quadrinhos. Ao lado de F.B. Opper e seu Happy Hooligan (Feliz Desordeiro), os dois foram pioneiros em utilizar o balão na fala dos personagens. O Katzenjammer Kids, além de ser uma tira cômica de longa duração, considerada engraçada pelo público e pela crítica, é também historicamente importante. Durante muitos anos, pensou-se que a tira era simplesmente uma imitação do trabalho anterior de Wilhelm Busch, ‘Max und Moritz’, que desde 1865 vinha entretendo leitores na Alemanha e mais tarde difundindo-se por todo o planeta. Na realidade, a organização Hearst – do magnata da imprensa William Randolph Hearst – havia legitimamente licenciado a criação artística de Busch, que aparecia sob o seu nome original nas edições em idioma alemão nas páginas do New York Journal, de propriedade de Hearst.

 

No ano seguinte a série teve de ser interrompida por um breve período, pois Dirks havia sido convocado para lutar na Guerra entre a Espanha e Estados Unidos. Ao regressar, inovou seu cast de personagens, acrescentando o Capitão (cujo relacionamento não fica claro – talvez amante de Mama Katzenjammer) em 1902 e O Inspetor (um funcionário público preguiçoso), em 1905. De seus cinco personagens centrais, apenas os garotos têm nome  — Hans e Fritz — os demais mencionados apenas pelo título.

 

Em 1914, estreou uma nova tira nos jornais da cadeia rival de Joseph Pulitzer, outro magnata da imprensa, sob o título O Capitão e os Garotos, publicado durante mais de meio século. Enquanto isso, a tira dos KatzenjammerKids continuou sendo publicada na edição de domingo do New York Journal por mais de trinta anos. Durante a Primeira Guerra Mundial, quando tudo o que era germânico estava proibido, o título foi alterado para The ShenaniganKids, e os personagens Hans and Fritz renomeados para Mike e Aleck, e sua nacionalidade de alemã passou a ser holandesa. A situação foi revertida em 1920.A partir de 1917, surgiu uma versão diária da tira intitulada Os Katzies. A despeito de nova onda de antigermanismo às vésperas da Segunda Guerra Mundial a publicação se estendeu até 1953.

 

A comprovação do status de clássico das histórias em quadrinhos é o fato de que passado mais de um século, a obra de Rudolph Dirks ainda pode ser editada pela agência de distribuição jornalística King Features – fazendo dela, de longe, a tira cômica de mais longa duração.

 

26 junho 2022

Curiosidade dos quadrinhos (48) Efeitos do tempo na série Gasoline Alley

 


A série Gasoline Alley veiculados aos domingos nas páginas coloridas do jornal Chicago Tribune, criada por Frank King em 1918 foi talvez a primeira produção na história dos quadrinhos a mostrar os efeitos do tempo sobre a vida das personagens, de modo semelhante ao que ocorre no mundo não ficcional. Começou a ser publicada semanalmente em cartuns de um único quadro. Em 1919 evoluiu para tiras diárias, cujo tema principal era um grupo de amigos que passavam o tempo conversando sobre automóveis. Mas é em 1921 que tem início a fase mais interessante de Gasoline Alley, quando o solteirão Walt, um dos personagens principais, encontra um bebê abandonado na porta de sua casa, e após certa relutância decide criá-lo.Walt  casou-se, teve filhos naturais, adotou uma menina, acompanhou os casamentos dos filhos, ganhou netos..., e, com isso, Gasoline Alley se estendeu por cinco gerações de personagens.

 

Em 1918 os automóveis estavam tornando-se uma mania nos EUA. Frank buscou aproveitar essa onda, em 24 de novembro desse ano lançando a tira protagonizada por Walt Wallet e seus amigos Doc, Avery e Bill conversando sobre automóveis. A grande virada aconteceu em 14 de fevereiro de 1921, quando, buscando atrair o público feminino para sua tira, King introduziu um bebê na história. Adota o bebê (Skeezix) e a partir desse momento a tira passa a acompanhar o desenvolvimento do bebê em tempo real, tornando-se mais uma narrativa da vida de uma família tipicamente americana do que comentários sobre automóveis. Skeezix passa a ser o primeiro personagem de quadrinhos a não se manter imutável com o tempo, envelhecendo junto com seus leitores, assim como passa a ocorrer com os demais personagens da tira.

 

25 junho 2022

Curiosidade dos quadrinhos (47) June Turpé Mills: primeira mulher cartunista a criar uma super-heroína

 

Em 1941 June Tarpé Mills (1912 - 1988) criava Miss Fury. Mills foi uma pioneira, por ter sido a primeira mulher a escrever e ilustrar uma história em quadrinhos de super-herói tendo como protagonista uma super-heroína. No início de sua carreira como cartunista, June Tarpé Mills, assim como muitas mulheres cartunistas antes dela, escondeu seu sexo assinando como Tarpé Mills. Tratava-se de uma estratégia para conseguir chamar a atenção dos editores para o seu trabalho.  Tarpé Mills Inicia sua carreira aos vinte e seis anos, em 1938, quando ela fez sua estreia nos quadrinhos com Amazing Mystery Funnies e Funny Pages. 92 Seu primeiro trabalho foi Daredevil Barry

Finn, para a Centaur Publishing. Depois produziu The Purple Zombie e Mann of  India, para a Eartern Color’s Reg’lar Fellers Heroic Comics e Fantastic Feature Films para a Target Comics. 93 O sucesso viria, no entanto, com Miss Fury, uma história em quadrinhos muito mais sofisticada. 

 


Em 05 de abril de 1941, publicou as primeiras tiras dominicais da super heroína Miss Fury, cujo nome original era Black Fury.  As tiras ocupavam uma página inteira de jornal, sendo publicadas nesse formato até 1952. No Brasil, as aventuras da Miss Fury foram publicadas no Suplemento Juvenil, durante o ano de 1944, com o nome de Mulher Pantera, e no Almanaque do Águia Negra, em 1962.

 

Circulando principalmente em jornais, os quadrinhos da Miss Fury colocaram Mills no hall das cartunistas norte-americanas bem sucedidas. No formato de revista em quadrinhos, teve oito números publicados pela Timely Comics (hoje Marvel Comics), entre 1942-1946. Suas revistas, na época em que foram lançadas, venderam mais do que as da Mulher Maravilha. Ao criar sua super-heroína, Mills, sem o pretender, acabou abrindo caminho para que outras mulheres cartunistas tivessem oportunidade de se destacar no campo da aventura e da superaventura. Não é exagero colocar a criação da Miss Fury como um momento de mudança dentro da indústria dos quadrinhos, uma mudança que afetaria diretamente as mulheres cartunistas. No auge de sua popularidade, os quadrinhos da Miss Fury foram impressos em centenas de jornais nos Estados Unidos, bem como em Europa, América do Sul e até mesmo na Austrália.

 

Em 1947 as tiras da Miss Fury deixaram de ser publicadas por seis meses. Mills, por orientação de seus advogados, teve que interromper temporariamente a produção das tiras da Miss Fury, devido a um processo de plágio. Uma personagem, lançada em 1945, cujo nome era Miss Cairo Jones, criada por Jerry Albert e Bob Oksner, teria sido inspirada na Miss Fury. A questão é que as aventuras da Miss Cairo Jones eram distribuídas por um syndicate filiado ao Bell Syndicate, que distribuía as tiras da Miss Fury. Mills parou de produzir os quadrinhos da Miss Fury em 1952.  A autora praticamente se aposentou da indústria dos quadrinhos. Fez um breve retorno em 1971, para ilustrar uma produção para a Marvel, um romance chamado Our Love Story, para a Marvel Comics. No entanto, não obteve o mesmo sucesso das décadas de 1940 e 1950.