09 maio 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (15) Mangostão

 


Fruto tão exótico quanto saboroso, nativo do sudoeste da Ásia que, embora formado por uma casca espessa, mantém-se comestível por limitado período. Mangostão ou “mangostin”, como é chamado em alguns lugares da Bahia, é tido como a fruta mais famosa e saborosa do trópico asiático. Como tudo que é diferente surge primeiro na Bahia, essa extravagante delícia foi introduzida no Brasil justamente aqui, por volta de 1935, sendo que na década seguinte surgira no Pará. O maior produtor baiano de mangostão é o município de Una, onde se estima uma área de 50 hectares, aproximadamente cinco mil plantas. Os plantios começaram por volta de 1956 e estima-se que a metade se encontra em produção. Nos anos de 1999, 2000 e 2001, a cidade comercializou respectivamente seis mil, 10 mil e 60 mil caixas de 1,4 kg de frutos. Outras cidades baianas como Taperoá, Ituberá, Uruçuca, Nilo Peçanha e Tancredo Neves totalizam cerca de 20 hectares, ou seja, duas mil plantas.

 

Composto principalmente de água, fibra, cálcio, fósforo, proteína, carboidrato, ferro e vitaminas A e B, o mangostão é utilizado principalmente como fruto fresco. A parte comestível é formada por quatro a oito segmentos carnosos brancos translúcidos e com sabor bastante delicado. Não existem variedades de mangostão, uma vez que sua reprodução se dá sem a fecundação do fruto, assim, as plantas são invariavelmente femininas, e sua reprodução por semente funciona como uma espécie de clonagem. (Texto do livro Breviário da Bahia, de Gutemberg Cruz lançado em 2014 pela Assembleia Legislativa da Bahia)

08 maio 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (14) Estrada Real

 


Estrada Real era o nome alusivo à via terrestre que, no século XVIII, a partir da Capitania do Rio de Janeiro, dava acesso à região das Minas Gerais e Chapada Diamantina, na Bahia. Devido ao volume de riqueza explorado na região, a Coroa portuguesa procurou garantir o seu controle e fiscalização de maneira severa, instalando postos de inspeção (registros) para arrecadar os diversos tributos sobre minerais, como o ouro e diamante, bem como mercadorias, escravos e animais em trânsito, instituindo mais tarde as chamadas Casas de Fundição e mantendo na região dois destacamentos de cavalaria, os chamados Dragões das Minas, além de um terceiro, no Rio de Janeiro. A designação Estrada Real reflete o fato de ser esse o caminho oficial, o único autorizado para a circulação. A abertura ou utilização de outras vias constituía crime de lesa-majestade, sendo a origem da expressão descaminho com o significado de contrabando. Como era proibido se fazer o trajeto por outra via, o caminho foi usado por imperadores, soldados, mercadores, músicos, aventureiros e intelectuais, que além de produtos, carregavam ideais, como o de se transformar o Brasil em uma república independente.

 

As vias hoje reunidas sob o nome de Estrada Real foram fundamentais na história do povoamento e da colonização de vastas regiões do território brasileiro, tornando-se verdadeiros eixos histórico-culturais de construção de parte da nossa história. A grande movimentação e importância da Estrada Real fizeram nascer ao longo dos seus 1.200 km, inúmeras vilas, povoados e cidades. Mas é claro que com o fim desse ciclo econômico e com a industrialização, o caminho ficou por muito tempo adormecido, que acabou por conservá-lo e possibilitou hoje o surgimento de vários projetos de recuperação para explorar seu potencial turístico.  A união desses destinos reuniu atrativos de sobra para uma longa viagem. São construções coloniais, igrejas, museus, reservas ecológicas, esportes de aventura, estações de águas minerais, culinária mineira e, principalmente, muita história. Entretanto, a Estrada Real não nasceu com toda essa extensão, foi devido a união de três caminhos surgidos em momentos diferentes que deram origem ao que ela é hoje: o Caminho Velho, o Caminho Novo e a Rota dos Diamantes.

 

Desde abril de 2004, 28 municípios baianos, em um mil quilômetros de extensão, passaram a fazer parte dos caminhos da Estrada Real. O marco inicial do roteiro da Estrada Real na Bahia começa na cidade de Rio de Contas, localizada a 1,2 mil metros de altitude e com inúmeros atrativos religiosos, culturais e históricos. São cerca de 287 prédios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sem mencionar a riqueza natural, como inúmeras cachoeiras e o Pico das Almas, um dos pontos mais altos do Estado. O projeto Estrada Real consiste em aproveitar, para fins de turismo, o caminho construído na época do Brasil colônia. Na Bahia, a Estrada Real atravessa pólos turísticos da Chapada Diamantina, onde os tempos áureos do ciclo do diamante se fez com mais força, integrando os municípios de Lençóis, Mucugê, Palmeiras, Andaraí, Seabra, Iraquara, Itaetê, Nova Redenção, Ibicoara, Rio de Contas, Érico Cardoso, Rio do Pires, Jussiape, Piatã, Abaíra, Paramirim, Livramento de Nossa Senhora, Morro do Chapéu, Jacobina, Miguel Calmon, Piritiba, Wagner, Bonito, Ourolândia, Campo Formoso, Saúde, Caem e Utinga. (Texto do livro Breviário da Bahia, de Gutemberg Cruz lançado em 2014 pela Assembleia Legislativa da Bahia)

07 maio 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (13) Lamparinas do Sertão

 


O Grupo Lamparinas do Sertão surgiu da inquietação de jovens que descobriram na arte teatral, um poderoso instrumento de comunicação durante o período escolar. Ao fim desse período, nasceu a necessidade de continuar produzindo arte. Então, alguns jovens reuniram lideranças atuantes da comunidade de Lagoa da Boa Vista – Seabra – Bahia, para discutir a possibilidade da criação de um grupo cultural (teatral) no povoado. Surge assim, no dia 17 de julho de 2003, o Grupo Cultural Lamparinas do Sertão. O grupo desenvolve atividades artísticas, culturais e social como: noites culturais, gincanas, apresentações em eventos, oficinas teatrais, Fiforró (festas tradicionais) e intercâmbios com grupos de outras cidades. Nome que se refere a um artefato muito comum no interior sertanejo, usado para suprir a ausência da luz elétrica, no qual, tem como combustível o querosene (óleo diesel). Por fim, a chama firme expelida por essa “lamparina” significa a força da arte sertaneja.

 

Saiba mais e como ajudar:

www.lamparinasdosertao.blogspot.com.br

Lamparinasdosertao@yahoo.com.br

 

06 maio 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (12) Caravana Teatro Itinerante

 


A Caravana Teatro Itinerante é um projeto cultural idealizado na Chapada Diamantina com o intuito de fortalecer a prática teatral no interior baiano, através de intercâmbios artísticos e culturais entre municípios. Visa ainda oportunizar a sustentabilidade através da arte, bem como revelar novos talentos. A RCCB conta atualmente com treze grupos de municípios diferentes:, Grupo Gruta de Andaraí, grupo Bom’nartes de Bonito, Grupo D’caras de Baixa Grande, Grupo Encenações de Morro do Chapéu, Grupo Renascer’art de Utinga, Lamparinas do Sertão de Seabra, Aceleza Sampaio de Souto Soares, Retalhos de Vida de Iraquara, CIA de Teatro Umbuzeiro de Itaberaba, GAM Grupo Art’Mania ’Salvador, Grão de Palmeiras, Impactantes de Brotas de Macaúbas e Trupe da Saúde de Senhor do Bonfim. Cada grupo organiza o evento na própria cidade contanto com apoio e patrocinadores locais e do poder público. O projeto tem por objetivos constatar, mapear e cadastrar as cidades onde existem grupos artísticos atuantes, assim como seus respectivos artistas, reunindo-os em uma grande amostra cultural do interior da Bahia, envolvendo teatro, música, dança, cinema, literatura e diversas oficinas.

05 maio 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (11) Museu do Sorvete

 


Em frente a um mar apinhado de lanchas e saveiros na Baía de Todos-os-Santos, o casarão ergue-se imponente na orla da Ribeira, em Salvador. Erguido em 1904, tombado em 1981 e abandonado desde 1993, o Solar Amado Bahia reabriu as portas em 2019 para dar lugar a uma sorveteria, um espaço cultural e um museu dedicado ao sorvete. Por trás da empreitada está o empresário Natanael Couto. Autodidata, ele começou a vida vendendo picolés nas ruas de Salvador até montar a sua própria fábrica, a Sorvetes Real, hoje uma das maiores da Bahia. Fincada na região da Cidade Baixa, a Ribeira tem um clima bucólico e ares de cidade de interior. Ganhou status de ponto turístico ao se firmar como uma espécie de corredor do sorvete na capital baiana. É lá que fica a Sorveteria da Ribeira, icônico estabelecimento fundado em 1931, famoso por seus sorvetes de frutas. No seu entorno, surgiram pelo menos outras quatro sorveterias, que atendem uma alta demanda de público nos fins de semana.

04 maio 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (10) Praça da Piedade

 


Cenário de açoitamentos quando era apenas um “morro” na frente da igreja e das execuções dos quatro condenados da Conjuração dos Alfaiates, em 1799, a Praça da Piedade, em Salvador, reuniu em 1979, há 40 anos, um grupo de artistas que promovia uma “ocupação cultural” da praça, movimento que uniria artistas de vários segmentos e ficaria conhecido como Poetas na Praça. A Praça da Piedade passa a ser realmente o local de encontro e de expressão de todos os movimentos organizados que começam a ganhar as ruas e que vão sendo criados a partir do MPP como o Movimento dos Sem Teto, Movimento GLBT, Movimento Indiodescendente, Movimento Negro, Movimento de Mulheres, e tantos outros que encontraram na Praça da Piedade o legado de libertação e rebeldia que o MPP deu continuidade a partir do levante dos Alfaiates ou Rebelião dos Búzios, dos Malês e do maior mais genial poeta e revolucionário de todos os tempos, Antonio Frederico de Castro Alves.

03 maio 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (09) Poetas da Praça

 

O Movimento Poetas na Praça teve início em janeiro de 1979 com a tomada da Praça da Piedade pelos poetas que ali instalaram uma trincheira de resistência cultural e diariamente, por uma década, transformou o local no primeiro Ponto de Cultura que se tem notícia no país, com a promoção de leitura diária de poemas, textos, manifestos, etc., realizada por poetas, políticos, artistas, e por cidadãos até então sem um espaço para expressar a sua voz e a sua criatividade. Mas não foi só leitura, teve também a popularização do livro, oferecido em diversas formas práticas e baratas e por diversos meios de impressão, desde o mimeógrafo, à reprografia, e mesmo feitos à mão, artesanalmente. A ordem era tornar o livro acessível a todos. Mas também a literatura baiana, brasileira e universal foi levada para a praça através de exposições biobibliográficas em homenagem a diversos escritores, além de leitura de textos dos principais livros dos mesmos.

 


Em 1986 o movimento enfrentou sua primeira dissidência, que levaria ao término da ocupação da praça no final da década. O motivo foi a publicação de uma Antologia dos Poetas da Praça, que, por questão de custo, incluiu apenas quatro dos autores. Alguns dos insatisfeitos fundaram o grupo dissidente Eco da Poesia da Praça, mantendo os laços e a origem do movimento original. O fim da ocupação física e contínua da praça não encerrou o movimento. Ao contrário, o transformou em parte da cultura em todo o país, ganhando espaços em bares, teatros e universidades

 

02 maio 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (08) Martim Gonçalves

 


O diretor, tradutor, cenógrafo, figurinista, crítico, jornalista e professor pernambucano Eros Martim Gonçalves (1919-2019) morou durante cinco anos na Bahia.  Mais do que emprestar o nome ao teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Martim foi fundador da primeira Escola de Teatro do país ligada a uma instituição de ensino superior. Com a criação da Escola de Teatro da Ufba, nos anos 1950, marcou a trajetória de  atores como Othon Bastos, Nilda Spencer (1923- 2008) e Antonio Pitanga, além do cantor Caetano Veloso e do cineasta Glauber Rocha (1939-1981). Foi também um dos fundadores do Teatro Tablado no Rio de Janeiro. O diretor falava quatro línguas e tinha conexões em mais de 20 países. E No final dos anos 1950, conseguiu se articular de tal forma que a Escola reuniu um inédito poder, uma capacidade técnica que nenhuma outra instituição tinha. Daí vem o estigma. Ele teve uma contribuição decisiva na criação do Museu de Arte Sacra e do Centro de Estudos Afro- Orientais. Além disso, foi ele quem influenciou a criação do Museu de Arte Moderna da Bahia no Solar do Unhão, com projeto da arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992). Durante sua passagem pelos Diários Associados, Martim conheceu o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger (1902-1996), sendo responsável por promover suas pesquisas em solo africano. Eles articularam viagens juntos, detalhadamente para Nigéria e Senegal e, graças a Martim e ao dinheiro da [Fundação] Rockefeller, Verger conseguiu gravar no palco da escola a roda de xirê completa, que hoje está no acervo da Fundação Pierre Verger. Outro impasse que marcou a passagem de Martim Gonçalves pela Bahia foi com a primeira turma de atores profissionais que chegou perto de se formar na Escola de Teatro da Ufba, mas rompeu o vínculo com a instituição e fundou a Companhia Teatro dos Novos. Foi essa mesma companhia que criou, em 1964, o Teatro Vila Velha (TVV). A importância de Martim Gonçalves para o teatro baiano e brasileiro é inquestionável.

01 maio 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (07) Escola de Teatro da UFBA

 


Primeira faculdade de teatro do país, a Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba), criada em 1956 pelo magnífico reitor Edgard Santos. É ela também a primeira escola latino-americana a adotar o método Stanislavski de formação de atores, tendo como primeiro diretor o professor Martim Gonçalves, que dá nome ao teatro da instituição, no Canela. A fundação da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia deu-se como parte do ambicioso projeto do Reitor Edgard Santos que, na década de 1950, expandiu massivamente a ação da UFBA no terreno da cultura e abarcou, entre várias outras iniciativas de porte, a criação de importantes centros para a pesquisa, o ensino e a difusão das artes, entre os quais a Escola de Música, a Escola de Dança e o Museu de Arte Sacra da Bahia.

30 abril 2022

CURIOSIDADES BAIANAS (06) Igreja da Graça

 


Um dos primeiros templos cristãos de Salvador foi a capela, construída em taipa e cobertura de palha, por Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru, e sua mulher, a princesa tupinambá Catarina Paraguaçu, por volta de 1535: a Igreja da Graça. Paraguaçu era filha de um cacique tupinambá. Em 1527, Caramuru e Paraguaçu foram para Saint-Malo, na França, onde Paraguaçu foi batizada em 30 de julho de 1528, na Cathédrale Saint-Vincent-de-Saragosse de Saint-Malo, com o nome cristão de Katherine du Brézil. Ela casou-se depois com Caramuru.

 

A igreja foi construída no século XVIII, com recursos de Catarina Paraguaçu, no mesmo local da capela que já existia desde 1535. Catarina era devota da Mãe de Jesus, como retratado em uma pintura do artista Manoel Lopes Rodrigues, feita 1881, no teto da igreja. No templo religioso estão os restos mortais de Catarina Paraguaçu, a índia que se causou com o náufrago português Diogo Álvares Correia, o Caramuru.

29 abril 2022

CURIOSIDADES BAIANAS 05 Primeira arquiteta da Bahia

 


Lycia Conceição Alves (1904 - 2005). Primeira mulher a se formar em arquitetura na Bahia. Diante da supremacia absoluta masculina, respondia com a supremacia intelectual. A cidade da Bahia não abria as portas para sua primeira arquiteta. Foi trabalhar nove anos depois de formada na Embasa na função de topógrafa, numa época em que era a única mulher a trabalhar na empresa. E se não pode exercer a profissão de arquiteta, sua energia foi direcionada em protetora dos animais.

28 abril 2022

CURIOSIDADES BAIANAS 04 Dois de Julho

 


No alto, a representação de um povo que lutou pela independência diante da Corte portuguesa. Com uma lança em punho, o índio vem acompanhado, logo abaixo, de uma mulher – ela, por sua vez, é a própria Bahia. Do outro lado, a índia Catharina Paraguaçu, que não participou das batalhas, mas mostra a participação feminina em cada uma delas. Nos mosaicos, as incursões e tomadas de balsas portuguesas tanto na Ilha de Itaparica quanto em Cachoeira, no Recôncavo. O Rio São Francisco também está ali, personificado por um homem velho. Entre eles, um punhado de leões, exibindo a força e a energia dos combatentes. Tudo isso compõe o Monumento ao 2 de Julho que, à época de sua inauguração, em 1895, era o mais alto de toda a América Latina. Só que, no meio da Praça do Campo Grande, a escultura de 25 metros enfrentou batalhas diferentes, nos últimos tempos. O Monumento ao Dois de Julho foi todo criado na Itália pelo artista italiano Carlo Nicoli y Manfredini, então vice-cônsul do país no Brasil. Com estética neoclássica, foi construído nas cidades de Pistóia e Carrara e transportado nos lastros de navios até ser montado em Salvador. As únicas peças feitas no Brasil são as bases dos candelabros. Erguidos em granito, vieram da Serra de Itiúba,

27 abril 2022

CURIOSIDADES BAIANAS 03 Farol de Itapoan

 


Em 7 de setembro de 1823, o Farol de Itapuã foi inaugurado. O Engenheiro Zózimo Barroso o construiu, sobre a Pedra da Piraboca para sinalizar bancos de areia ali existentes e orientar a navegação marítima de Salvador. O farol tem 21 metros de altura, apresenta a forma de uma torre toda em ferro fundido, emite um relâmpago branco a cada 6 segundos, uma luz fixa branca, com alcance de 15 milhas náuticas (28 km), facilitando, assim, a navegação de embarcações que veem de longe. O farol está entre os cinco mais antigos da Bahia e foi fabricado na Escócia e montado aqui para orientar as embarcações que chegavam ao local e diminuir os acidentes causados pelas rochas e bancos de areia na região. Originalmente pintado de roxo-terra. Em 1939, passou a ser pintado em faixas horizontais de cor branca e laranja e, em 1950, sua pintura foi novamente modificada para vermelho e branco, cores que mantém até hoje. Além de útil para a navegação, ele também virou cenário, cartão postal de Salvador.

26 abril 2022

CURIOSIDADES BAIANAS 02 Beleza negra

 


Em um momento em que apenas brancos brincavam dentro das cordas e os negros só eram aceitos como cordeiros, Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, então com 20 anos, desceu o Curuzu no Carnaval de 1974 acompanhado de umas 100 pessoas negras que levavam cartazes exaltando a beleza negra e outras frases importadas do movimento negro dos Estados Unidos. Era a resposta ao fato de que jovens negros  tinham suas fichas de inscrição  rejeitadas pelas agremiações carnavalescas. Esperavam-se pelo menos 500 pessoas, mas o medo da repressão fez a maioria recuar. Qualquer menção a direitos humanos soava como coisa de comunista, e, para diminuir o risco de confronto com a polícia, Vovô foi convencido a abrir mão do nome que havia decidido para o bloco, Poder Negro. Depois de uma consulta a um pesquisador belga amigo, chegou-se a Ilê Aiyê, que em iorubá significa mundo negro.

 

25 abril 2022

CURIOSIDADES BAIANAS 01 A maior biblioteca rural do mundo está na Bahia

 


Biblioteca Comunitária Maria das Neves Prado. Está sediada em um prédio de três andares, o único daquela área da caatinga. Já foi apelidado de “Empire State of Paiaiá”, reunindo os quase 100 mil livros, segundo a contagem oficial, da autodeclarada “maior biblioteca rural do mundo”. No distrito de São José do Paiaiá, em Nova Soure, com pouco mais de 700 habitantes tem apenas uma rua central pavimentada, uma biblioteca com mais de 40 mil volumes,  espécie de lavoura intelectual do semi-árido baiano. O professor Geraldo Prado é o fundador da maior biblioteca rural do mundo, na Comunidade do Paiaiá, localizada em Nova Soure. É a segunda maior biblioteca comunitária do mundo. Só perde para uma que fica nas proximidades de Valladolid, na Espanha, em um lugar onde moram 170 pessoas.

24 abril 2022

Curiosidade dos quadrinhos (27) Cowboy homossexual

 


Na década de 1950 os quadrinhos de super-herois entraram em baixa e as editoras investiram em outros gêneros, inclusive faroeste. Foi nessa época que a Marvel criou o cowboy Rawhide Kid (no Brasil, publicado coo Billy Blue), que fez relativo sucesso até cair no esquecimento poucos anos depois. Com a chegada de Joe Quesada à direção da Marvel, trouxeram o cowboy de volta, mas com uma nova roupagem. O personagem perdeu o ar de homem durão do velho oeste e adotou atitudes de um homossexual estereotipado. Rawhide Kid levantou muita polêmica com sua volta, em 2003. A editora tirou o personagem do ostracismo, mas também do armário. Na minissérie Slap Leather (algo como Tapa no couro), publicada pelo selo Marvel Max, o herói é apresentado como homossexual. O personagem da década de 1950 tinha jeito de mau e era durão e bom de briga. Anos depois é retratado bem afeminado. Isso tudo antes de O Segredo de Brokeback Mountain virar sucesso nos cinemas.

Criado em 1955 por Stan Lee e Bob Brown, a personagem era conhecido por sua timidez com as garotas, mas nunca tinha sido abordado desta forma. Billy Blue, como é conhecido no Brasil, teve série própria com mais de 150 edições entre 1960 e 1979, e apareceu esporadicamente em outras publicações da Marvel, incluindo as recentes mini-séries western Blaze of glory e Apache skies, de John Ostrander e Leonardo Manco, junto com outros velhos caubóis da Marvel. Nas duas, era heterossexual convicto.

 

23 abril 2022

Curiosidade dos quadrinhos (26) Stan Lee quase largou os quadrinhos

 


Nos anos 60, os quadrinhos eram vistos como algo lido apenas por pré-adolescentes. Por isso, foi pedido a Stan Lee que escrevesse textos mais simples. Na altura, o escritor estava considerando mudar de carreira e acreditou que a criação do Quarteto Fantástico seria seu último trabalho na área. Então, e com o apoio de sua esposa, Lee resolveu ser rebelde e aumentou a complexidade de seu texto e também de seus personagens. Na verdade, a HQ do Quarteto Fantástico ganhou tanto sucesso que acabou mudando o paradigma dos quadrinhos, fazendo frente a títulos como Liga da Justiça, da DC.

https://www.aficionados.com.br/curiosidades-stan-lee/

 

22 abril 2022

Ícone da pop art: Andy Warhol

 

Ele foi figura mais conhecida e mais controvertida do pop art, Andy Warhol (1927-1987) mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe. No início foi vitrinista, fez todo tipo de desenho para todo tipo de publicidade, gravura, capa de livro, cartão de Natal, etc. A transição da publicidade para a arte pura se deu através das histórias em quadrinhos. Os primeiros trabalhos de Andy foram versões ampliadas das tiras de Dick Tracy usadas como elemento decorativo nas vitrines da loja novaiorquina Lord and Taylor. Uma das características de sua arte é justamente esta qualidade ou nitidez de imagem da publicidade ou da imagem produzida mecanicamente. Ele foi um dos primeiros a empregar a serigrafia para multiplicar os seus trabalhos. Para ele, como para a produção industrial, o que conta é a quantidade, e esta que acaba por gerar a qualidade.

 


Warhol não estava interessado em ideias mas em objetos. Ou melhor, imagens de objetos industrializados – a lata de sopa Campbell, a garrafa de Coca Cola, a tampinha Pepsi Cola, o vidro de ketchup ou as caixas de sabão em pó Brillo. Para ele estas imagens tinham o mesmo valor que as outras que ele também repetiu exaustivamente de personalidades famosas como Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Elvis Presley, Marlon Brando, Mao Tsé-tung e até Pelé, além do símbolo da foice e do martelo. Tudo neutro, asséptico e brilhante como os esquemas gráficos de livros de bolso. Nenhuma emoção ou subjetividade – o seu rosto deixava transparecer o mesmo tédio dessas imagens colhidas aleatório da sociedade de massa.

 


Quando em 1960 Warhol realizou as primeiras pinturas baseadas em Dick Tracy, Popeye e Super Homem, além de duas garrafas de Coca Cola, inaugurando assim, em meio a um dos mais sofisticados cenários das artes plásticas contemporâneas, um novo filão: a elevação da banalidade e da vulgaridade cotidiana a estatuto de arte (ou vice-versa). A consagração viria mais tarde, em 1962, quando, além de realizar a série de pinturas de notas de um dólar, Warhol expôs suas já clássicas latas de sopa Campbell´s  na Ferus Gallery, em Los Angeles. Estava confirmada uma nova arte, uma das últimas correntes artísticas do século 20 a manter uma profunda tensão estética em seus propósitos, um questionamento entre o lugar da arte e a banalidade do mundo.

 


Personagem obrigatório nos acontecimentos sociais de Nova York, ele usava seus cabelos, tintos, platinados e quando rarearam foram substituídos por perucas no mesmo tom e corte. Óculos de aros coloridos ele já usava na década de 50. Na moda, lançou o clássico e trivial look despojado: calça jeans, tênis e paletó escuro. No universo povoado por pessoas e situações do então “submundo das artes”, Warhol foi o responsável pelo lançamento do grupo Velvelt Underground na cena pop novaiorquina dos anos 60. O grupo não só apresentou Lou Reed ao mundo como mostrou aos hippies que havia muito mais sujeira embaixo do tapete do que o movimento flower power imaginava. Além de Lou Reed e John Cale, cabeças do Velvet, no Greenwich Village, Wahol introduziu a cantora alemã Nico ao grupo e passou a incluí-la na maioria de suas performances, projetos multimídia e filmes.

 


Em 1969, Warhol fundou a revista Interview. Editou livros, produziu filmes e apresentações no estúdio que mantinha em Manhattan, chamado Factory (Fábrica) e viveu cercado por uma fauna de gente pouco convencional. Depois era visto com frequência na discoteca Studio 54. Responsável pela frase de que todo mundo, no futuro, seria famoso por 15 minutos, Warhol foi um marco na arte norte americana. Retratou personalidades e produtos com a frieza de uma máquina tendo conquistado fama e prestígio só comparáveis aos grandes artistas do século. Na época, o diretor do Museu de Arte Moderna de Nova York, Richard Oldenburg resumiu o perfil do artista que ajudou a criar as bases da pop art: “Warhol fez seu estilo de vida uma obra de arte... Foi uma das primeiras pessoas a se transformar, por ser artista plástico, em estrela”.

 

21 abril 2022

Erotismo e pornografia (04)

 

A pornografia e o erotismo transitam sempre em terreno marcado pelas contradições, um território não-determinado, uma fronteira entre situações opostas, a tensão entre polaridades. Ao se instalarem, o fazem sempre como uma transgressão das interdições que também são, por sua vez, parte de um conjunto de contradições. Essa impossibilidade de traçar limites preciso entre o erótico e o pornográfico é sinal de sensatez e um bom ponto de partida, tendo em vista as contradições, o jogo semântico que cerca o uso social dessas palavras, a forma dialética com a história tem tratado do assunto.

 


Como explicar as transformações os costumes, principalmente ao dissipar-se o que restava da afetada atitude de pudor herdada do século XIX. Desmoronava assim um obstáculo cuja força não deve ser subestimada. Quando eu era estudante, quase todos os meus mestres, tenho certeza, teriam sentido um tanto embaraçados em desenvolver diante de nós certos temas. Não parecia decente perder tempo com tais assunto. O que envergonhava nossas mães já não envergonha nossos filhos. Aí está a ruptura. Com uma violência que deixou atônito cada um e nós, desmoronaram debaixo de nossos olhos estruturas erguidas há séculos para ordenar as relações entre sexos. As proibições caíram. Os corpos se desnudaram. Acostumamo-nos a não mais enrubescer diante de certos temas. Certos comportamentos, outrora cuidadosamente dissimulados, começaram a ser alardeados, enquanto a conjugalidade se revestia de novas formas.

 

A revolução que, anulando disposições consagradas desde as origens da espécie humana, veio modificar de cima a baixo a divisão dos papeis e dos poderes entre os homens e as mulheres. Cada cultura, em consequência, guardou o erotismo e a pornografia forçosamente um lugar privilegiado em seu sistema, cada uma apresentando-os à sua maneira. Não é fácil estabelecer o limite entre erotismo e pornografia, na medida em que ele varia com as épocas e segundo os indivíduos.

 

Para o ensaísta, romancista e historiador de arte, Alexandrian, “a nova forma de hipocrisia consiste em dizer: se este romance ou este filme fosse erótico, eu me inclinaria diante de sua qualidade, mas é pornográfico, por isso eu o rejeito com indignação. Esse raciocínio é tanto mais inepto quanto ninguém consegue explicar a diferença entre um e outro. E com razão: não há diferença. A pornografia é a descrição pura e simples dos prazeres carnais; o erotismo é essa mesma descrição revalorizada em função de uma idéia do amor ou da vida social. Tudo o que é erótico é necessariamente pornográfico, com alguma coisa a mais. É muito mais importante estabelecer a diferença entre o erótico e o obsceno. Neste caso, considera-se que o erotismo é tudo o que torna a carne desejável, tudo o que a mostra em seu brilho ou em seu desabrochar, tudo o que desperta uma impressão de saúde, de beleza, de jogo deleitável; enquanto a obscenidade rebaixa a carne, associa a ela a sujeira, as doenças, as brincadeiras escatológicas, as palavras imundas”.

 


O erotismo e a pornografia reside na palavra escrita, não em representações desenhadas, pintadas ou esculpidas, e não em fotografias – ou seja, em nada do que está contido nas páginas do livro, mas sim na mente do observador. O erotismo e a pornografia têm muito a dizer-nos sobre a bossa própria natureza como seres humanos, sobre o contexto atual em que vivemos, e muito para agradar ao sentido estético. Podemos tapar os olhos e os ouvidos, que não desaparecem. O erotismo e a pornografia são parte entrelaçados da estrutura do mundo contemporâneo.

 

20 abril 2022

Erotismo e pornografia (03)

 

Há um binômio opositor entre erotismo e pornografia. Antes sinônimos de um mesmo malefício moral, agora se separam para cumprir uma compreensão simplista e binária sobre o permitido e o indesejado. Erotismo é apropriado, conceitualmente, para higienizar uma postura regrada sobre a sexualidade e pornografia é tida por uma rotulação de imundície e deturpação.

 

Erotismo atende ao que é “referente ao amor” e acresce por “literatura erótica”, deixando claro o entendimento de que se trata de algo legitimado através das letras e de um sentimento nobre. Pornografia está atrelada a palavras como “devassidão”, “obscenidade”, “caráter imoral de publicações”, abrangendo produções em suportes subalternos. A origem da pornografia começou com os estudos sanitários sobre a prostituição entre os séculos XVIII e XIX. O erotismo, por sua vez, surge no século XVI e também surge como uma ameaça, mas vinculada a um bom gosto, sob respaldo de uma parcela erudita e abastada da sociedade.

 

O erótico e o pornográfico, duas instâncias de representações culturais do prazer, estão presentes em centenas de espaços. A questão que se coloca é: a quem interessa dizer o que é obsceno e pornográfico? O que é erótico para um pode ser – e frequentemente é – pornográfico para outro.

 


O artista multimídia Eduardo Filipe que adota a alcunha de O Sama, numa entrevista ao site Raio Laser (https://www.raiolaser.net/home/13-perguntas-para-sama) falou sobre os limites entre erotismo e pornografia:

 

“Penso que a pornografia está contida no erotismo, mas o erotismo não cabe bem na pornografia. Entretanto, estes limites variam de cultura para cultura… Além disso, há o componente político presente em qualquer relação humana, que se dá através de lugares de poder. No Brasil, por exemplo, só recentemente as mulheres estão conseguindo se libertar do antiquado papel de submissão, e por isso começam a estabelecer novas direções e relações de poder no imaginário erótico, ou até mesmo pornográfico. Para o homem brasileiro médio, geralmente machista e carregado de preconceitos, isso poderá ser doloroso. Mas ou eles se adaptam ou vão merecer a extinção. O meu trabalho contém erotismo, mas não duvido que existam aqueles que o achem pornográfico.

 


“Não gosto de cagar regra, mas eu particularmente não curto nada que envolva a submissão de uma pessoa sem o consentimento da mesma. E também acho uma tremenda maldade envolver crianças e animais em situações eróticas e/ou pornográficas. Posso abrir algumas exceções para as representações artísticas, tipo desenhos ou pinturas com animais ou crianças em situações eróticas, que remontam tempos bem antigos, mas apesar de não curtir, acho bem menos grave do que situações que envolvam pessoas reais. Inevitável não lembrar do Mike Diana ou do Suehiro Maruo. Estes caras navegam por mares bem diferentes dos que eu navego, mas não posso negar que são grandes artistas. Fora isso, entre adultos que se respeitam e estão de acordo, por mim, vale tudo. Abaixo o falso moralismo!”