27 fevereiro 2022

Prazeres e orgasmos em Mondo Sama

 

O cinema tem muita influência sobre seu trabalho. Sua formação no teatro e no cinema explica.  E mistura literatura com artes plásticas e HQ. Seu trabalho tem um certo nível de erotismo. Influências de Georges Bataille, Fellini, Nelson Rodrigues, Truffaut, Carlos Zéfiro entre outros. Seu trabalho dialoga não só com os quadrinhos, mas com cinema, teatro, política e artes plásticas. É de encher os olhos e a mente. Trata-se de MONDO SAMA, obra de Eduardo Filipe que adota a alcunha de O Sama e lançado pela Editora Noir. Observem bem esta obra pois o papel é especial em alta gramatura, impressão em duas cores, e o acabamento bem caprichado. São contos curtos, violentos e virulentos.

 


Artista multimídia, ele colhe os frutos do sucesso como ator, diretor, artista plástico e quadrinista de mão cheia. A Balada de Johnny Furacão, graphic novel noir foi lançada pela editora Flaneur em 2011. A obra lançada agora pela Noir é uma compilação de 20 histórias escritas e desenhadas pelo autor, tratando de inúmeros temas que refletem sua formação como indivíduo e artista – formação tanto local, nos circuitos alternativos de arte e cultura do Brasil durante a época da ditadura, assim como uma formação geral, inspirada na elite dos quadrinhos underground e alternativos nos grandes centros do mesmo período.

 


Seu trabalho esbanja habilidade tanto em traços mais particulares como também emulando estilos de suas grandes referências. Destaques para a diagramação e o contraste no trabalho em branco-e-preto e no uso da cor magenta. Nas suas narrativas há uma mistura de fantástico, realismo mágico, momentos autobiográficos e outros delírios gráficos. A obra é filha da contracultura. E isso diz tudo.

 

Muito pouco conhecido no Brasil, Sama vive em Portugal. Publicou o livro de arte Belles de Jour, as HQs Caderno do Sama, La Doce Vita, Xmas Thing e a primeira versão de Mondo Sama. Uma obra indispensável para quem gosta de quadrinhos de qualidade.

 

25 fevereiro 2022

Grandes entrevistas de Henfil: Sick da Vida

 

Ele foi um homem de denúncias. Calibrou a expressão Diretas Já. Viveu apenas 43 anos (1944/1988), mas, como poucos soube compreender e captar a essência do desencadear dos acontecimentos de sua época. Sua obra foi muito marcada pela ditadura militar. Além de excelente desenhista era muito bom nas entrevistas. O livro SICK DA VIDA – AS GRANDES ENTREVISTAS DE HENFIL, do jornalista Gonçalo Junior lançado pela Editora Noir levou mais de dez anos para ser produzido por conta do grande desafio de garimpar as inúmeras conversas antológicas do artista. O resultado foi a junção das 18 consideradas maiores e mais importantes pelo autor, que saíram em grandes veículos como Ele Ela, Playboy, O Bicho, Status, Coojornal, Veja, O Pasquim, o livro Cartas para um novo Brasil, de Geneton Moraes Neto, entre outros.

 

Numa entrevista a revista Veja (1971) Henfil revelou: “Baixinho sou eu. Hoje. O Cumprido também sou eu - numa versão antiga. Vamos dizer que eu andei e Cumprido ficou para trás. É isso. Cumprido é como eu era: um cara carola, infantil, ingênuo, aquele mineiro com aquela formação religiosa antiga, mórbida. A religião do terror, na qual tudo é pecado (o raio que está caindo é castigo de Deus). Do pecado mortal, venial e original. Cumprido ficou nessa fase. Agora eu me identifico com Baixinho, que é totalmente como eu sou hoje: toda uma negação desse meu passado. E de uma maneira muito agressiva, porque esse meu passado me incomoda bastante (…) Baixinho procura, através da agressão, do ridículo, me checar e ao meio em que vivo”.

 


Jaguar comparou Henfil com Garrincha, ou seja, único. Em depoimento a revista Humor Status (1979), o artista foi categórico ao definir o seu modo de desenhar: “Eu não sei desenhar. Pra mim, é como mastigar pedra. Eu sei fazer tracinhos, juntá-los e formar figuras. Tanto é que tenho de desenhar muito rápido, para que saia alguma coisa parecida com o que eu gostaria de fazer. Meu desenho é caligráfico. Desenho como escrevo”.

 

Sick da Vida é uma obra fundamental para conhecer o quanto o humor gráfico foi importante na luta contra os arbítrios na ditadura militar, a partir de um artista de saúde bem frágil – era hemofílico – e de coragem imensa que se jogou como um camicase na luta pela volta da democracia. Ajuda também a entender o Brasil de hoje, com os resquícios, equívocos e traumas herdados por 21 anos de ditadura. “Não é possível compreender tudo isso sem ler os quadrinhos e os cartuns de Henfil e, agora, suas geniais entrevistas. Acredito que seja impossível sair o mesmo depois de conhecer suas ideias e seu posicionamento contundente como artista gráfico e humorista”, ressalta Gonçalo.

 

A obra revive a genialidade criativa do cartunista. Relembra como ele possuía uma visão peculiar de mundo. Aqui, exposta em entrevistas e depoimentos. Graúna, Zeferino, Bode Orelana, Ubaldo, Orelhão, cada tipo sublinhava, com humor amargo, aquilo que se lia nos jornais e se via nas ruas. Era um trabalho mais direto, mas nenhum personagem mostrava as vísceras do povo como o Fradim. O personagem mostrou de maneira completa os horrores da condição humana e, ao que se sabe, o país de Sarney (presidente na época) tem quase nenhuma diferença daquele governado por militares.

Um guerrilheiro do cartum, assim Henfil foi definido pelo cartunista Miguel Paiva. Segundo o caricaturista Cássio Loredano: “Henfil tirou de debaixo do tapete o que para lá tinham varrido zelosamente a nossa História inteira”. As tiras, o texto e os cartuns de Henfil, significaram, em quase todo o período militar, um sopro de esperança. Ele adotou o lápis como arma para denunciar e questionar tradições e comportamentos sociais. Segundo o caricaturista Cássio Loredano, “Henfil tirou de debaixo do tapete o que para lá tinham varrido zelosamente a nossa História inteira”.

 


“O Humor de Henfil era cruel. E didático. Como se ele acreditasse que o Humor serve apenas para ensinar o Homem a ser melhor. E que soubesse que o homem só aprende se lhe dói. O Humor do Henfil era doloroso. E hilariante. Era engraçado e cruel, debochado e - ´pausa! – desbordante de ternura. No Fradim baixinho o Henfil fez de tudo para não deixar seu lado doce e terno vir à tona. Quando ele inventou a Graúna – o mais emocionante personagem do imaginário brasileiro – com sua barriguinha redondinha, uma bolinha preta, suas perninhas finas feitas de dois pauzinhos e sua máscara de infinitas expressões conseguidas com três tracinhos, Henfil abriu-se mais para as pessoas que o amavam. Neste personagem ele deixou-se ver mais”, escreveu Ziraldo na apresentação do álbum A Volta da Graúna, pela Geração Editorial (1973).

 

Os traços de Henfil são curtos, rápidos, transmitem força e expressividade. Talvez o maior exemplo de síntese seja mesmo a Graúna, que chegou a ser comparada com um ponto de exclamação. O leve deslocamento de um de seus traços altera seu humor. Ele contribuiu para renovar o traço humorístico brasileiro e criou personagens que entraram para o cotidiano do país. Poucos desenhistas conseguiram erguer uma coleção de personagens tão identificada pelo brasileiro médio como o mineiro Henrique de Souza Filho, Henfil, o travesso do traço. Seu desenho era uma caligrafia. Com duas linhas, fazia um personagem e levava sua irreverência às últimas e às melhores consequências.

 

Vale a pena conferir os depoimentos de um dos maiores cartunistas brasileiros de todos os tempos reunidas nesse livro. E seu humor corrosivo faz muita falta.

22 fevereiro 2022

Goula: uma aventura de branco e moreno

 

No dia 10 de setembro de 1986, depois de perambular pelas páginas dos mais importantes jornais franceses, Alain Voss volta ao Brasil e publica no Caderno 2 do Estado de São Paulo, por dez edições, Goula, uma aventura de branco e moreno, a história tem a cidade de São Paulo como pano de fundo. Narra a personagem de uma mulher de 20 metros de altura, nua que passou pela cidade de São Paulo.

 


A misteriosa mulher gigante está sendo caça em SP. Os repórteres Branco e Moreno usam de esperteza para enfrentá-la. Eles põem em prática um superplano para enganar a giganta nua que espalha o terror nas ruas paulistanas. Confinada no estádio do Pacaembu, com uma fome que nada consegue matar. O ex-presidente Jânio Quadros, na época prefeito de São Paulo, tem uma grande participação na aventura.

 


A gullivera golena é chamada de Goula e o prefeito de São Paulo mandou um de seus secretários ao Pacaembu com um plano para domar a gulosa gigante. Só o professor Von Stroheim consegue decompor a garota no final da história que terminou no dia 20 de setembro de 1986. O forte da narrativa é a apresentação de importantes pontos da cidade, como a avenida Paulista, o parque do Ibirapuera e o estádio do Pacaembu.

 


Alain Voss nasceu na França, filho de pai alemão e de mãe francesa. Ele veio para o Brasil ainda pequeno por volta dos cinco anos de idade. Começou a trabalhar com quadrinhos na década de 1960 e ilustrou, entre outras coisas, as capas de LPs da banda Os Mutantes como Os Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets e O Jardim Elétrico. Seus principais trabalhos em quadrinhos na época foram O Careca e O Loco.

 

Em 1972 voltou para a França, fugindo da opressão da ditadura militar brasileira. Lá, trabalhou para a revista Métal Hurlant (a conhecida Heavy Metal), ao lado de nomes como Sérgio Macedo, Nikita Mandryka, Richard Corben, Philippe Caza, Gotlieb e Enki Bilal.

 

Voltou ao Brasil em 1981 trabalhando com quadrinhos: Inter Quadrinhos e Monga – A Mulher-Gorila. Em 1989, ganhou o prêmio de melhor desenhista nacional da primeira edição do Troféu HQ Mix. No ano seguinte, uma exposição sobre seu trabalho apresentada no Museu da Imagem e do Som ganhou o Troféu HQ Mix de melhor exposição. Em 2001, o Itaú Cultural promoveu o evento Anos 70: Trajetórias, destacando o trabalho de Voss ao lado de Robert Crumb, Paulo Caruso, Angeli e Laerte.

Nos últimos anos de vida, criou quadros, ilustrou capas de discos e livros. Mesmo debilitado por um AVC sofrido em 2009, colaborou com a edição brasileira do Le Monde Diplomatique, produziu a HQ Anarcity no computador e lançou as tiras Os Zensetos para Caros Amigos. Morreu em 2011 em Portugal.

 

21 fevereiro 2022

Super heróis brasileiros estão de volta

 

A década de 1960 foi muito movimentada. Os hippies surgiram com seu flower power e depois de um apogeu, em Woodstock, sumiram inteiramente. Ainda na moda, dominava batas, colares, brincos, estampados. Era o psicodelismo. Todos se abriram aos filósofos orientais, às aventuras sentimentais, ao exotismo de outras geografias, à vida no campo. Os quadrinhos se liberam com o movimento underground. Aparecem heroínas – Barbarella, Valentina -, reflexo dos movimentos feministas. Ziraldo lança o gibi Pererê, a primeira a refletir toda a euforia de uma época, com personagens tipicamente brasileiros. Henfil cria Os Fradinhos. Mauricio de Sousa cria os personagens Mônica, Cascão e Chico Bento. O maior mito do cinema novo, Glauber Rocha torna-se símbolo de sucesso do cinema brasileiro no exterior com os filmes Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe, Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro.

 


A bossa nova viajou muito bem para os EUA, onde todo mundo dançava o twist. O destaque era para o talento elegantíssimo de Tom Jobim e o canto de João Gilberto. Depois, surgiram os Beatles marcando o início da fase iê-iê-iê e da fama mundial, e Londres virou a swinging city. No comando da Jovem Guarda, Roberto e Erasmo Carlos arrebatam as paradas com versões de rock estrangeiros, doces baladas e novos padrões de comportamento jovem. Armados de guitarras e discursos inflamados, Caetano Veloso e Gilberto Gil semeiam a polêmica nos festivais de MPB, colhem prestígio e inventam a Tropicália. Foi o período do protesto. Profeta do protesto, o cantor popular Bob Dylan estoura nas paradas com a composição Blowin´in the Wind (Soprando no Vento) e torna-se um hino do movimento pelos direitos civis. Jimi Hendrix reinventou a guitarra elétrica e trouxe o blues para a era da eletrônica. O explosivo grupo de rock Rolling Stones cantou os sonhos de revolta de uma geração. Andy Warhol, James Rosenquist e Roy Lichtenstein anunciam a pop art, arte adequada para a sociedade de consumo.

 


Os empresários José Sidekerskis, Victor Chiodi, Heli Otávio de Lacerda, Cláudio de Souza, Arthur de Oliveira e Miguel Penteado criaram, em 1959 a editora Continental, que tempos depois seria rebatizada de editora Outubro (a partir de 1961). Sediada num pequeno prédio de no bairro paulistano da Moóca, a Outubro só publicava quadrinhos de autores nacionais. Nas suas publicações se consagraram grandes nomes das HQ como Flávio Colin, Júlio Shimamoto, Aylton Thomaz, Inácio Justo, Getúlio Delphim, Gedeone Malagola, Sérgio Lima, Juarez Odilon, Nico Rosso, Lyrio Aragão, Luís Saidenberg, Gutemberg Monteiro e tantos outros, sob a direção artística de Jayme Cortez. A editora acabou em 1966. Mas continuou, com nova direção, com o nome mudado para Taika. Os quadrinhos clássicos brasileiros estão sendo editados pela Criativo junto com o selo GRRR!. Entre os heróis estão: Homem Lua, Pele de Cobra, Fantastic, Pabeyma, a Espiã de Vênus, Aba Larga, Patrulheiro Fantasma.  Tem ainda heróis brasileiros publicados pela editora em outra série como Homem Fera, Superargo, Fantar, Gato, Carrasco, Fikom, entre outros.

 


Em 1968 o jovem Fernando Ikoma começou a publicar pela Editora Edrel, de São Paulo, a ESPIÃ DE VÊNUS – Série de ficção científica que conta a ação de Sibele, uma agente do planeta Vênus em missão na Terra. Sibele, que teve poucas HQs publicadas, duas em revista própria (ambas presentes na edição lançada pela Criativo) e mais algumas distribuídas em revistas diversas da editora Edrel.

 


A contracultura foi um movimento forte na década de 60, consolidando os roadie-movies, filmes ambientados na estrada, geralmente de conteúdo maduro, com questionamentos sócio-políticos ou existenciais. E foi nesse clima que nasceu o PELE DE COBRA, um ex-militar que larga tudo para viver na estrada, dormindo em pousadas decadentes ou mesmo ao luar, tendo por única companhia sua potente moto. Trajando uma vistosa jaqueta de couro de ofídeo, Criado por Eugenio Colonnese, Rivaldo Amorim de Macêdo em 1967 e publicado pela GEP (Gráfica Editora Penteado). Seu nome deve-se à sua jaqueta de couro de cobra que ele sempre usa em suas HQs. Em vez de máscara e superpoderes, o Pele de Cobra era um motoqueiro sem destino, acostumado a acampar nas terras inabitadas que circundavam as rodovias. Com o fim da GEP, o herói foi cancelado, permanecendo no limbo por mais de 30 anos. Em 2001 a editora Ópera Graphica trouxe de volta o Pele de Cobra e diversos heróis de Colonesse num álbum chamado "A última missão". Desenhado por Watson Portela e escrito por Franco de Rosa, a trama girava em torno do Cobra e de vários heróis dos anos 60, muito deles à beira da aposentadoria e decadentes. Era um quadrinho avançado que antecedeu em mais de uma década o seriado Carga Pesada, da rede Globo, que abordava temas e situações semelhantes.

 


O paulistano Gedeone Malagola lançou O HOMEM LUA no formato de tiras diárias em 25 fevereiro de 1965 no jornal paulistano Diário Popular, em uma única aventura de 24 capítulos. Inspirado no herói norte-americano Fantasma (The Phantom), o misterioso Homem Lua mora na metrópole paulistana, mas possui uma base de atuação escondida na floresta amazônica, onde é conhecido e respeitado por todas as tribos indígenas da região. Sem limites geográficos, o herói também combate ameaças em outros países e continentes, graças ao seu velocíssimo Jato Lua. Em 1967 é lançao o primeiro número do personagem em revista própria. O herói teve 12 HQs completas produzidas nos anos 60, além da primeira aventura, publicada em tiras. Depois disso, Gedeone nunca mais retomou o personagem.

 


Também estreando em tiras diárias no Jornal Paulista, em 1964 estava o super herói PABEYMA, com desenhos de Carlos Cunha. O novo visual do personagem veio, em 1968, quando passou a ser publicado como gibi mensal da editora Edrel (SP), desenhado por Paulo Fukue e escrita por Wilson Cunha, Nelson Ciabattari e Cunha. Suas aventuras se passavam em um mundo de criaturas evoluídas, de animais como pássaros, repteis, cavalos, etc. O herói não usava máscara, mas um uniforme verde e amarelo. Ele emerge numa tribo indígena brasileira, sendo chamado pelos índios de Pabeyma, que em tupi guarani significa imortal, aquele que dorme na caverna. A saga ocorre no futuro da Terra. O herói-diplomata, ser genético criado artificialmente, mas impregnado da alma tupi-guarani, vai até o planeta Marte resolver uns problemas desencadeados pela vaidade de uma orgulhosa rainha. As intenções pacíficas de Pabeyma fracassam e ele é obrigado a lutar contra um imenso eunuc e até mesmo contra sua majestade – o que nosso herói não sabia era que, de acordo com as leis de Marte, aquele que vencesse a rainha em combate, era obrigado a desposá-la em matrimônio.

 


ABA LARGA representa um movimento no Sul do Brasil, integrando um conturbado momento político brasileiro ligado a Leonel Brizola, que apoiava a nacionalização da HQ, através da Cooperativa Editora de Trabalhos de Porto Alegre (CETPA). A CETPA pretendeu implantar no Brasil um modelo de distribuição de HQ’s e outros formatos a ela ligados na época – como álbuns de figurinhas e revistas infantis – para todo o Brasil, nos moldes dos grandes syndicates norte-americanos. Criação de Getulio Delphim, em 1962. “Os Abas Largas” era como denominavam a Polícia Montada do popular 1º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, nos pampas gaúchos em virtude do chapéu que servia de cobertura no uniforme. Teve somente três edições. Os Abas Largas foram inspirados na Polícia Real Montada do Canadá, policiais de renome e fama internacional.

 


O quadrinhista Rubens Cordeiro (o Rubão) introduziu no segundo número da revista Pele de Cobra, um misterioso personagem, o PATRULHEIRO FANTASMA, em 1967. Tratava-se do espírito de um policial rodoviário que patrulhava as estradas brasileiras, sobretudo a noite, ajudando pessoas em dificuldades, em particular caminhoneiros vítimas de assaltos. Foi uma HQ curta de apenas cinco páginas, mas que serviu para despertar a curiosidade dos leitores.

 

 


CAPITÃO GUITARRA  também conhecido como Golden Guitar, criado por Rubens Cordeiro (arte-final) em 1967. O lápis da maioria das histórias era de Apa (Benedito Aparecido da Silva). Na identidade secreta, Capitão Guitarra era o cantor pop Renato Fortuna, calcado em Roberto Carlos, sucesso da época da Jovem Guarda. Vestido um uniforme azul e vermelho, o herói combatia bandidos como o Cabeleira e o Violinista a bordo de seu carrão Abarth, levando a tiracolo uma guitarra dourada que disparava dardos tranquilizantes, gás lacrimogêneo e outros truques especiais. Seus amigos eram os músicos da banda Os Taiobas: Beto, Bolão e Bolha. Sua namorada era Verinha. Mesmo com um visual descolado, a revista não passou do quarto número.

 

No final dos anos 80 e o casal Ataíde Braz e Neide Harue resolveu produzir a saga de SKORPION. Num futuro próximo (2030), o mundo está moralmente devastado, corporações multinacionais corruptas controlam tudo no planeta. Cidades decadentes e hiper violentas abrigam gangs de degenerados, viciados numa nova droga que invadiu o mercado: a droga da eterna juventude. Por ela muitos matam e muitos morrem. É neste cenário pós-apocalíptico que surge Skorpion, uma jovem justiceira empenhada em destruir o sistema corrupto vigente. Tal qual uma ninja high-tech, ela patrulha a cidade em uma velocíssima moto, como uma verdadeira máquina de guerra urbana.

08 fevereiro 2022

HQ usa metalinguagem para falar sobre a importância das histórias em nossas vidas

 

Quando determinada linguagem falar dela mesma, estamos diante de uma função metalinguística. A metalinguagem nada mais é do que a preocupação do emissor totalmente voltada ao próprio código que está sendo utilizado. No desenho animado Gato Félix, de Pat Sullivan, os pontos de interrogação que pairavam sobre a cabeça do pensativo Félix se tornavam varas de pescar. Era a linguagem experimental nos desenhos e quadrinhos. Félix usou o balão (fala) como balão para fugir de Marte e voltar para a Terra. Em Homem-Animal – O Evangelho do Coiote, Grant Morrison Grant Morrison parte da inserção de um personagem oriundo de outra mídia, ou realidade como se refere o roteirista, que acaba interagindo com o novo meio no qual é inserido, para criar uma metáfora para discutir as particularidades dos quadrinhos. O cinema utilizou a metalinguagem em A Rosa Púrpura do Cairo e Uma Cilada para Roger Rabbit, entre outros.

 


Agora chega uma declaração de paixão aos quadrinhos. Não só por trabalhar seus elementos particulares de forma tão divertida, mas pelas homenagens a artistas (Laerte, Andre Diniz, Scott McCloud, Juan Giménez) e personagens incríveis (Little Nemo, Tianinha, Diomedes, Turma do Lambe Lambe, Bone). Isso sem falar no estilo da arte. Criada por André Freitas (desenhista), Dayvison Manes (letrista e responsável pelo projeto gráfico), Marcelo Saravá (roteirista) e Omar Viñole (colorista), META: Depto. de Crimes Metalinguísticos é uma publicação da Zarabatana Books.

 

Traz uma história que acompanha uma polícia que investiga casos acontecidos em diferentes universos nas mais variadas mídias. A missão do grupo é investigar o assassinato de um desenhista cujos principais suspeitos são seus próprios personagens. A HQ acompanha o cotidiano do escritório brasileiro do Meta – uma polícia secreta que investiga crimes envolvendo quebras da quarta parede, nos quais personagens matam o próprio autor; autores que prostituem seus personagens; relacionamentos amorosos entre pessoas reais e personagens ficcionais; pessoas reais que entram em desenhos animados para nunca envelhecerem. O Meta age no mundo dos quadrinhos, da TV, do cinema, do teatro, da literatura, dos games, enfim, em qualquer mídia que tenha narrativas ficcionais.

 


A obra representa também o reconhecimento da importância das histórias na formação das pessoas. “Nossos aprendizados, tudo que internalizamos e que vira característica nossa, vieram de alguma narrativa que vivemos ou conhecemos”, reflete Saravá. “Os filhos aprendem vendo os pais e repetem a história; ou fazem o contrário, reagem e vão para o lado oposto contar uma história completamente diferente. Mas sempre há ligações”, aponta. “Na escola, eu sempre aprendi melhor quando havia uma história envolvida. Isso atrai a atenção das pessoas, faz mergulhar no que está sendo falado”. E conclui: “A natureza do roteiro de quadrinhos é muito parecida com a do roteiro de um filme ou de um programa de tevê”, explica. “A diferença é que no cinema você trabalha com o espaço e o tempo e no quadrinho você trabalha com uma mídia espacial e qualquer representação temporal deve ser desenhada: não é movimento de verdade, mas simulacros. Mas, mesmo assim, se você sabe contar uma boa história, sabe contá-la no teatro, nos quadrinhos, no cinema, no rádio ou em um videogame”.

 

A HQ foi lançada em dezembro de 2020, e encontra-se disponível em diversas comic shops, livrarias e também, no site da editora Zarabatana Books. O Prêmio Jabuti de 2021 deu à obra “META: Depto. de Crimes Metalinguísticos” o primeiro lugar na categoria histórias em quadrinhos

23 janeiro 2022

O que há para ler em quadrinhos?

Você me Trouxe o Oceano

 


Amadurecimento numa aventura emotiva, assim é a graphic novel Você me Trouxe o Oceano, roteiro de Alex Sanches e ilustrações de Julie Maroh lançado pela Panini. Trata-se da história do adolescente Jake descobrindo quem é e a sua jornada de aceitação e amor. História sobre os segredos que os dividem e as verdades que os libertam. Jake não consegue nadar desde que seu pai se afogou. Mesmo assim, ele anseia pelo oceano e está determinado a deixar sua cidade natal por uma faculdade no litoral. Sua melhor amiga deseja ficar no deserto, e a mãe de Jake o incentiva a sempre seguir pelo caminho seguro. Por meio de sua busca por identidade, ele encontrará um poder adormecido e terá que se decidir entre virar as costas para a corrente ou mergulhar de cabeça nas ondas. Confira!

 

 


Apesar de Tudo

 

Duas pessoas que por anos a fio nutriram um amor platônico um pelo outro e que se reencontram quando já estão na casa dos sessenta. Ela é carismática e ambiciosa. Ele, enigmático e sedutor. Opostos que se atraem, mas não se tocam. A obra é Apesar de Tudo, da Editora Saquarema, do premiado quadrinista espanhol Jordi Lafebre.

 


A Casa

 

Para quem gosta de quadrinho reflexivo, A Casa, de Paco Roca, lançado pela Devir, é uma boa pedida. Semi-autobiográfico, o trabalho é comovente. Trata sobre a perda do patriarca da família e como a casa que pertence a ele é repleta de lembranças. Há o processo de partilha, seus filhos concordam em visitá-la e consertá-la, para colocá-la a venda. A reunião vai desencadear em cada um as memórias de toda uma vida com a propriedade e, claro, com o pai.

 


Polina

 

 

Ela dança na cara da adversidade e faz dela palco pra alcançar tudo o que sempre quis. A obra é comovente, mas deve ser lida com calma para apreciar toda a beleza do traço, gestos. Polina, do desenhista Bastien Vivés, lançado no Brasil pela Editora Nemo, conta a história da bailarina russa, da infância ao início da idade adulta, particularmente na relação conturbada com um professor exigente. Mas tudo que conseguiu fazer tem influência de seu mentor. Por fim, sua humildade para praticar a gratidão.

 

 


Oleg

 

Oleg é alter-ego do autor, o suíço Frederik Peeters, publicado pela Editora Nemo. A obra faz uma leitura curiosa sobre o mercado editorial dos quadrinhos (demanda, sucesso, o peso das premiações, bloqueio criativo).  Ele é avesso à tecnologia, ao ritmo frenético do mundo contemporâneo, em constante mudança. Assim, o quadrinho é uma arte que requer tempo e paciência para se desenvolver, e é sua carreira. Ao longo da narrativa, a intimidade de um homem e daqueles que o cercam. Verdadeira declaração de amor à arte dos quadrinhos. A obra viaja pela mente do autor e mostra de maneira profunda a personalidade de Frederik Peeters. HQ visceral sobre a vida de um homem em busca de sua inspiração perdida. Dizem que a vida é um desafio, e cabe a cada um encontrar as peças certas do jogo que se encaixem ao que lhe é proposto. “Viver é – não é – muito perigoso. O aprender a viver que é o viver mesmo.” (Grande Sertão Veredas, JGR). A definição para Lego (acrônimo de OLEG) aparece da seguinte forma “O sistema LEGO é um brinquedo cujo conceito se baseia em partes que se encaixam permitindo muitas combinações”, dessa forma, a narrativa de Oleg se resume perfeitamente nessa definição.

22 janeiro 2022

Dicionário filosófico de palavras (03)

  


Liberdade - O significado de Liberdade é uma condição de que é livre, que tem o direito de agir de acordo com o seu livre arbítrio, ou seja, conforme sua própria vontade. É claro que esse direito de agir e fazer as próprias escolhas não devem prejudicar ninguém. Liberdade pode também ser definida como um conjunto de ideias liberais de cada cidadão. A história da conceituação de liberdade vem de épocas e de diversos pensadores que registraram a interpretação do termo conforme variadas doutrinas sociais

 


 

Niilismo - Pensamento filosófico de quem não acredita em absolutamente nada: religião, política, condutas sociais. Alguém que acha que a existência humana não tem propósito, não tem sentido, não tem significado algum. Apenas existimos por existir.

 


 

Resiliente - Capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, algum tipo de evento traumático, etc. - sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. A palavra significa a habilidade de lidar e superar as adversidades, transformando experiências negativas em aprendizado e oportunidade de mudança. Ou seja, “dar a volta por cima”. Nas organizações, a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade.

 


 

Responsabilidade - É o dever de arcar com as consequências do próprio comportamento ou do comportamento de outras pessoas. Responsabilidade não é somente obrigação, mas também a qualidade de responder por seus atos individual e socialmente. A responsabilidade é uma aprendizagem que qualquer ser humano adquire em relação à inteligência emocional ao longo dos anos. A responsabilidade não é algo exclusivo de adultos, já que qualquer pessoa, como também as crianças podem cumprir com uma atividade desde que seja de acordo com sua idade. A responsabilidade é uma forma de demonstrar confiança. Ser responsável ser conscientes em cada momento e em cada movimento da nossa vida. A responsabilidade em uma pessoa é uma demonstração de um caráter forjado com boas intenções. Aquelas pessoas que são responsáveis, normalmente e com toda segurança se desligam de artimanhas como podem ser a mentira e o engano para conseguir vantagem em tudo àquilo que faz.

 


 

Singularidade - Termo feminino que se refere a algo ou alguém que possui a característica de ser único, que se distingue dos demais, extraordinário. Ela pode ser descrita como uma qualidade ou adjetivo atribuído a um ser vivo que seja singular, que se diferencie do restante dos seus semelhantes, seja por suas atitudes ou por outras características que não tenham pluralidade. Qualidade do que é singular, único, só. O que é peculiar a um só indivíduo e não aos outros. Particularidade

 

 


Solidariedade  - Palavra que indica a qualidade de solidário, é um ato de compaixão com o próximo. É ajudar o seu semelhante sem nenhum tipo de distinção. A solidariedade social é a ação ou princípio moral pela qual a sociedade em conjunto tenta eliminar determinadas situações adversas que sofrem alguns dos seus membros. É comum diante de catástrofes naturais ou atos terroristas de grande magnitude. Do ponto de vista acadêmico, a solidariedade social pode ser definida como característica dos componentes individuais de um sistema social, estabelecendo relações de interdependência e por atuar como um todo.

 

 


Sustentabilidade - O conceito de sustentabilidade refere-se ao equilíbrio entre uma espécie com os recursos do ambiente ao qual ela pertence. Basicamente, a sustentabilidade, o que se propõe é atender as necessidades da geração presente, mas sem prejudicar ou sacrificar as capacidades a futuro das gerações que vem, de satisfazer suas próprias necessidades, ou seja, algo como encontrar o equilíbrio certo entre essas duas questões.

21 janeiro 2022

Dicionário filosófico de palavras (02)


 

Biodiversidade - As mais variadas formas de vida que podem desenvolver-se em um ambiente natural como plantas, animais, microrganismos e o material genético que os forma. Esta diversidade em qualquer comunidade natural implica em um equilíbrio do ecossistema em questão porque cada espécie cumpre e desenvolve uma determinada função ecológica, por isso é que a perda da diversidade, como consequência da ação voluntária do homem através da contaminação, caça de espécies que se encontram em processo de extinção, entre outras questões, alarmam muito profundamente e preocupam àqueles defensores das mesmas e que não desejam fazer parte de um planeta devastado e desequilibrado pelas manobras e falta de consciência de alguns seres humanos.

 


Compatibilidade - Significa qualidade, estado, capacidade ou condição do que é compatível; capacidade daquilo que pode existir ou harmonizar-se com outro; e faculdade do que pode ser possuído ou exercido simultaneamente por um mesmo indivíduo (cargo, função, ofício, vantagem, direito etc.).

 


Diversidade – Do latim diversĭtas, é uma noção que se refere à diferença, à variedade, à abundância de coisas distintas ou à divergência. É tudo o que nos diferencia de algo ou de outro, ela varia através de escolha: corte de cabelo, ou até mesmo de coisas da própria natureza: cor dos olhos. Muitos possuem várias culturas, raça, carros, até um jeito de dormir nos diferencia uns dos outros; também abrange a um status econômico, que é uns dos aspectos mais relacionados a diversidade. A razão da existência da humanidade é a diversidade. O mundo fica mais pleno quando temos o diverso no conhecimento, na forma de pensar, nas expressões artísticas e culturais, nas manifestações sexuais, nos nossos relacionamentos, na biologia (biodiversidade), na política, nas organizações sociais, na economia.

 



Empatia - Palavra de origem grega (empatheia, formado por “en”, “em”, mais “pathos”, “emoção, sentimento”) e corresponde a ter aceitação por algo ou pelos outros. O termo empatia é atribuído ao filósofo Theodor Lipps ((1851-1914). Ser empático é ser uma pessoa aberta a se relacionar com outras, é estar disposto a se comunicar bem com amigos, parceiros amorosos e até com os demais funcionários de sua empresa, mantendo um clima sadio. Cultivar esse comportamento ao nosso redor é fundamental para nutrir relações agradáveis e criar ambientes harmoniosos. Significa compreender o outro, utilizando a razão, a vibração, a intuição, a emoção, a atenção, a percepção e a ação, expressando compaixão e sensibilidade para com o que o outro sente e tendo a percepção de como ele lida com isso.

 

Florestania – Expressão que sintetiza os conceitos de cidadania e direitos florestais, é o código genético de nossa identidade. O ponto inicial da florestania é o respeito reverente pelos ecossistemas. O equilíbrio dinâmico dos ambientes, os ciclos da natureza como acontecem em cada lugar, às relações entre os seres e elementos que levaram milhões de anos para chegar à forma que hoje têm

 


Inclusão – É o ato de incluir e acrescentar, ou seja, adicionar coisas ou pessoas em grupos e núcleos que antes não faziam parte. Socialmente, a inclusão representa um ato de igualdade entre os diferentes indivíduos que habitam determinada sociedade. Assim, esta ação permite que todos tenham o direito de integrar e participar das várias dimensões de seu ambiente, sem sofrer qualquer tipo de discriminação e preconceito. É chamada de inclusão a toda atitude, política ou tendência que pretende integrar as pessoas dentro da sociedade através de seus talentos e que, por sua vez, sejam correspondidas com os benefícios que a sociedade possa oferecer. Este tipo de integração deve ser realizado do ponto de vista econômico, educativo, político, etc.

 


Intolerância – Do latim intolerante, intolerância, natureza ou qualidade do que é insuportável, insolência. A humanidade praticou muitas intolerâncias ao longo da História, notadamente étnicas, religiosas, filosóficas, sexuais. Denomina-se intolerância ao ato de depreciar uma pessoa por causas de suas orientações políticas, religiosas, sexuais, etc. A atitude intolerante pode ser identificada como uma deficiência, e neste sentido, são poucos os que podem sentir-se isentos totalmente deste defeito. Isto não significa coincidir com todas as crenças, atitudes ou ações de uma pessoa, mas simplesmente evitar levar esta diferença a nível pessoal. A intolerância em certas ocasiões pode ser revestida de formas perigosas como a discriminação racial.

 

 

20 janeiro 2022

Dicionário filosófico de palavras (01)

 

Neste A,B, C de palavras inspiradoras, positivas que pode ter o poder de nos elevar moralmente e espiritualmente. A felicidade depende de sua mente.

 


Abraçar - É uma terapia, e das fortes! É medicinal, acalma. É extremamente efetivo para ajudar na cura de doenças (como a pressão arterial), solidão, depressão e ansiedade – e ainda ajuda a melhorar nossa memória! O abraço pode aumentar a auto-estima. Ensinar a dar e a receber. O valor de igualdade é gerado ao recebermos calor e dividirmos e a percebermos que o amor flui nos dois sentidos.

 


Acessibilidade - Qualidade do que é acessível, do que tem acesso. Se refere à possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.

 


Acolhimento - Ação ou efeito de acolher; acolhida. Modo de receber ou maneira de ser recebido; consideração. Boa acolhida; hospitalidade. Lugar em que há segurança; abrigo. O acolhimento está no olhar, na busca por ver o que está por trás das situações cotidianas, no desejo sincero de “bom dia”, no abraço, na atenção dispensada a todos que chegam e são bem-vindos, na conversa franca, na escuta, na troca.

 


Alteridade - Palavra que tem origem no latim, com a junção de “alter” (o outro) com o sufixo “tatis” (dade), que é o elemento usado para formar substantivos abstratos a partir de adjetivos. O termo alteridade faz parte de matérias como a filosofia e a antropologia, referindo-se à qualidade ou o estado do que é outro, ou seja, de alguém que é diferente. O significado de alteridade está justamente relacionado ao outro; alteridade é a qualidade ou estado daquilo que é diferente. É o antônimo de identidade. No estudo da antropologia, a alteridade é o conceito que define a existência do indivíduo a partir da relação com o outro. A alteridade é a diferença entre o indivíduo dentro da sociedade e o indivíduo como unidade. Esses dois conceitos só podem existir em função um do outro. Nenhum indivíduo pode existir senão a partir da visão e do contato com o outro. Não pode haver indivíduo se não houver uma relação estabelecida entre ele e outro, ou outros (a coletividade). Alteridade não significa que tenha de haver uma concordância, mas sim uma aceitação de ambas as partes. É a capacidade de se colocar no lugar do outro na relação interpessoal (relação com grupos, família, trabalho, lazer é a relação que temos com os outros), com consideração, identificação e dialogar com o outro

 


Agradecer – Do latim gratu, grato, formou-se agradar, de que agradecer é incoativo (verbo o que começa em outro). O agradecimento não é tão frequente nas relações humanas. Com base nesse desconcerto, foi instituída o Dia de Ação de Graças, celebrado a 25 de novembro. Expressar gratidão (a alguém). (Agradecimento) A gratidão é o ato de reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc. No dia a dia expressamos nossos agradecimentos através de expressões comuns, tais como: obrigado, você é muito amável, eu que agradeço, não precisava, entre outras. Estas expressões são fórmulas de cortesia que servem como mecanismo da socialização.

  


Altruísmo - Um tipo de comportamento encontrado em seres humanos e outros seres vivos, em que as ações voluntárias de um indivíduo beneficiam outros. É sinônimo de filantropia. No sentido comum do termo, é, muitas vezes, percebida como sinônimo de solidariedade. Atitude que visa o bem-estar do próximo, não tendo em consideração interesses particulares. Dedicação desinteressada; ato de amar ao próximo sem esperar nada em troca. Dedicação demonstrada de maneira desinteressada; filantropia. A palavra "altruísmo" foi criada em 1831 pelo filósofo francês Auguste Comte (1798-1857) para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros. Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que são as inclinações específica e exclusivamente individuais (pessoais ou coletivas).

 

08 janeiro 2022

A filha de Lennon

 

Era uma vez uma menininha muito bonitinha chamada Milenon. Doce, meiga, um encanto de pessoa, amada por todos no bairro da Saúde, em Salvador. Onde ela passava chamava atenção diante de sua gentileza e empatia. Mas o que os outros não sabiam era da sua origem....

 

Há 23 anos uma garota chamada Mila tinha a atenção de todos. Além da beleza, ela era uma garota de grande nobreza,  e generosidade. Fazia amizade com todos em sua volta. Mesmo sendo uma garota pobre, conseguiu superar grande dificuldade, ou pressão em sua vida, tirando disso mais força e aprendizado, de que pouco usamos nosso potencial, isso é resiliência. Vivia feliz no bairro onde morava.

 


Do outro lado do Atlântico, mais precisamente na cidade portuária situada no noroeste da Inglaterra, conhecida como Liverpool, surgiu uma banda de rock and roll, The Beatles, formada por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, mais tarde considerada a banda mais influente de todos os tempos. O conjunto construiu sua reputação tocando em clubes de Liverpool e Hamburgo durante três anos a partir de 1960. No início de 1964, os Beatles tornaram-se estrelas internacionais, liderando a "Invasão Britânica" do mercado pop dos Estados Unidos e quebrando vários recordes de vendas. Nos anos 1970 o grupo se dissolveu e Lennon, McCartney, Harrison e Starr lançaram álbuns solo.

 

John Lennon resolveu conhecer outras localidades, e curioso, chegou ao Rio de Janeiro usando chapéu e óculos escuros para não ser reconhecido pelos fans e acabou chegando na Bahia, mais precisamente em Salvador. Ficou encantado com toda a ancestralidade africana do Pelourinho e acabou morando por alguns dias no bairro da Saude, em uma pequena pensão para não chamar a atenção da mídia. Em uma de seus passeios matinais conheceu Mila, uma morena de deixar qualquer rapaz estonteado. Bela, sensual, tudo isso não escapou aos olhos de Lennon que logo tentou conquista-la.

 


Falava um português enviesado, mas aos olhos do amor isso não era problema. Os outros sentidos falavam por eles. E tempos depois ele teve que partir, voltar para sua terra natal. Mas não durou muito. O lendário John Lennon foi morto a tiros perto de seu apartamento em Nova York por um fã que depois seria identificado como Mark Chapman, repleto de motivações absurdas para cometer o crime. O mundo inteiro entristeceu e cantou “Imagine”, uma espécie de hino da paz, onde os ouvintes imaginam um mundo utópico.

 

Sua letra encoraja o ouvinte a imaginar um mundo em paz, sem barreiras nas fronteiras ou divisões de religiões e nacionalidades e considerar a possibilidade de que o foco da humanidade deveria estar em viver uma vida desapegada de bens materiais. A letra nos convida a imaginar um mundo sem posses, onde ninguém é dono de nada. Dessa forma, não haveria a necessidade de querer conquistar sempre mais e mais, e todos teriam o necessário para sobreviver, acabando com o problema mundial da miséria e da fome.

 


Voltando para a Bahia, no pacato bairro da Saude, perto do Centro Histórico do Pelourinho a garota Mina estava grávida, mas não podia contar a seus pais. Então ela foi para a casa da tia, em Arembepe, na cidade metropolitana de Camaçari. Quando a criança nasceu, uma garotinha linda, ela quis homenagear o pai e uniu seu nome Mila ao de Lennon. Saiu Milenon. E essa é a história da filha de John Lennon que mora anonimamente na Saude. Essa sua invisibilidade o torna muito mais feliz do que esse estrelato todo do mundo atual com a tal de twitada, instagran e outras modernidades tecnológicas. Ela está longe desse estrelato todo. Mais uma coisa é certa. Tem os traços de Lennon e a beleza da mãe.