23 janeiro 2022

O que há para ler em quadrinhos?

Você me Trouxe o Oceano

 


Amadurecimento numa aventura emotiva, assim é a graphic novel Você me Trouxe o Oceano, roteiro de Alex Sanches e ilustrações de Julie Maroh lançado pela Panini. Trata-se da história do adolescente Jake descobrindo quem é e a sua jornada de aceitação e amor. História sobre os segredos que os dividem e as verdades que os libertam. Jake não consegue nadar desde que seu pai se afogou. Mesmo assim, ele anseia pelo oceano e está determinado a deixar sua cidade natal por uma faculdade no litoral. Sua melhor amiga deseja ficar no deserto, e a mãe de Jake o incentiva a sempre seguir pelo caminho seguro. Por meio de sua busca por identidade, ele encontrará um poder adormecido e terá que se decidir entre virar as costas para a corrente ou mergulhar de cabeça nas ondas. Confira!

 

 


Apesar de Tudo

 

Duas pessoas que por anos a fio nutriram um amor platônico um pelo outro e que se reencontram quando já estão na casa dos sessenta. Ela é carismática e ambiciosa. Ele, enigmático e sedutor. Opostos que se atraem, mas não se tocam. A obra é Apesar de Tudo, da Editora Saquarema, do premiado quadrinista espanhol Jordi Lafebre.

 


A Casa

 

Para quem gosta de quadrinho reflexivo, A Casa, de Paco Roca, lançado pela Devir, é uma boa pedida. Semi-autobiográfico, o trabalho é comovente. Trata sobre a perda do patriarca da família e como a casa que pertence a ele é repleta de lembranças. Há o processo de partilha, seus filhos concordam em visitá-la e consertá-la, para colocá-la a venda. A reunião vai desencadear em cada um as memórias de toda uma vida com a propriedade e, claro, com o pai.

 


Polina

 

 

Ela dança na cara da adversidade e faz dela palco pra alcançar tudo o que sempre quis. A obra é comovente, mas deve ser lida com calma para apreciar toda a beleza do traço, gestos. Polina, do desenhista Bastien Vivés, lançado no Brasil pela Editora Nemo, conta a história da bailarina russa, da infância ao início da idade adulta, particularmente na relação conturbada com um professor exigente. Mas tudo que conseguiu fazer tem influência de seu mentor. Por fim, sua humildade para praticar a gratidão.

 

 


Oleg

 

Oleg é alter-ego do autor, o suíço Frederik Peeters, publicado pela Editora Nemo. A obra faz uma leitura curiosa sobre o mercado editorial dos quadrinhos (demanda, sucesso, o peso das premiações, bloqueio criativo).  Ele é avesso à tecnologia, ao ritmo frenético do mundo contemporâneo, em constante mudança. Assim, o quadrinho é uma arte que requer tempo e paciência para se desenvolver, e é sua carreira. Ao longo da narrativa, a intimidade de um homem e daqueles que o cercam. Verdadeira declaração de amor à arte dos quadrinhos. A obra viaja pela mente do autor e mostra de maneira profunda a personalidade de Frederik Peeters. HQ visceral sobre a vida de um homem em busca de sua inspiração perdida. Dizem que a vida é um desafio, e cabe a cada um encontrar as peças certas do jogo que se encaixem ao que lhe é proposto. “Viver é – não é – muito perigoso. O aprender a viver que é o viver mesmo.” (Grande Sertão Veredas, JGR). A definição para Lego (acrônimo de OLEG) aparece da seguinte forma “O sistema LEGO é um brinquedo cujo conceito se baseia em partes que se encaixam permitindo muitas combinações”, dessa forma, a narrativa de Oleg se resume perfeitamente nessa definição.

22 janeiro 2022

Dicionário filosófico de palavras (03)

  


Liberdade - O significado de Liberdade é uma condição de que é livre, que tem o direito de agir de acordo com o seu livre arbítrio, ou seja, conforme sua própria vontade. É claro que esse direito de agir e fazer as próprias escolhas não devem prejudicar ninguém. Liberdade pode também ser definida como um conjunto de ideias liberais de cada cidadão. A história da conceituação de liberdade vem de épocas e de diversos pensadores que registraram a interpretação do termo conforme variadas doutrinas sociais

 


 

Niilismo - Pensamento filosófico de quem não acredita em absolutamente nada: religião, política, condutas sociais. Alguém que acha que a existência humana não tem propósito, não tem sentido, não tem significado algum. Apenas existimos por existir.

 


 

Resiliente - Capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, algum tipo de evento traumático, etc. - sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. A palavra significa a habilidade de lidar e superar as adversidades, transformando experiências negativas em aprendizado e oportunidade de mudança. Ou seja, “dar a volta por cima”. Nas organizações, a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade.

 


 

Responsabilidade - É o dever de arcar com as consequências do próprio comportamento ou do comportamento de outras pessoas. Responsabilidade não é somente obrigação, mas também a qualidade de responder por seus atos individual e socialmente. A responsabilidade é uma aprendizagem que qualquer ser humano adquire em relação à inteligência emocional ao longo dos anos. A responsabilidade não é algo exclusivo de adultos, já que qualquer pessoa, como também as crianças podem cumprir com uma atividade desde que seja de acordo com sua idade. A responsabilidade é uma forma de demonstrar confiança. Ser responsável ser conscientes em cada momento e em cada movimento da nossa vida. A responsabilidade em uma pessoa é uma demonstração de um caráter forjado com boas intenções. Aquelas pessoas que são responsáveis, normalmente e com toda segurança se desligam de artimanhas como podem ser a mentira e o engano para conseguir vantagem em tudo àquilo que faz.

 


 

Singularidade - Termo feminino que se refere a algo ou alguém que possui a característica de ser único, que se distingue dos demais, extraordinário. Ela pode ser descrita como uma qualidade ou adjetivo atribuído a um ser vivo que seja singular, que se diferencie do restante dos seus semelhantes, seja por suas atitudes ou por outras características que não tenham pluralidade. Qualidade do que é singular, único, só. O que é peculiar a um só indivíduo e não aos outros. Particularidade

 

 


Solidariedade  - Palavra que indica a qualidade de solidário, é um ato de compaixão com o próximo. É ajudar o seu semelhante sem nenhum tipo de distinção. A solidariedade social é a ação ou princípio moral pela qual a sociedade em conjunto tenta eliminar determinadas situações adversas que sofrem alguns dos seus membros. É comum diante de catástrofes naturais ou atos terroristas de grande magnitude. Do ponto de vista acadêmico, a solidariedade social pode ser definida como característica dos componentes individuais de um sistema social, estabelecendo relações de interdependência e por atuar como um todo.

 

 


Sustentabilidade - O conceito de sustentabilidade refere-se ao equilíbrio entre uma espécie com os recursos do ambiente ao qual ela pertence. Basicamente, a sustentabilidade, o que se propõe é atender as necessidades da geração presente, mas sem prejudicar ou sacrificar as capacidades a futuro das gerações que vem, de satisfazer suas próprias necessidades, ou seja, algo como encontrar o equilíbrio certo entre essas duas questões.

21 janeiro 2022

Dicionário filosófico de palavras (02)


 

Biodiversidade - As mais variadas formas de vida que podem desenvolver-se em um ambiente natural como plantas, animais, microrganismos e o material genético que os forma. Esta diversidade em qualquer comunidade natural implica em um equilíbrio do ecossistema em questão porque cada espécie cumpre e desenvolve uma determinada função ecológica, por isso é que a perda da diversidade, como consequência da ação voluntária do homem através da contaminação, caça de espécies que se encontram em processo de extinção, entre outras questões, alarmam muito profundamente e preocupam àqueles defensores das mesmas e que não desejam fazer parte de um planeta devastado e desequilibrado pelas manobras e falta de consciência de alguns seres humanos.

 


Compatibilidade - Significa qualidade, estado, capacidade ou condição do que é compatível; capacidade daquilo que pode existir ou harmonizar-se com outro; e faculdade do que pode ser possuído ou exercido simultaneamente por um mesmo indivíduo (cargo, função, ofício, vantagem, direito etc.).

 


Diversidade – Do latim diversĭtas, é uma noção que se refere à diferença, à variedade, à abundância de coisas distintas ou à divergência. É tudo o que nos diferencia de algo ou de outro, ela varia através de escolha: corte de cabelo, ou até mesmo de coisas da própria natureza: cor dos olhos. Muitos possuem várias culturas, raça, carros, até um jeito de dormir nos diferencia uns dos outros; também abrange a um status econômico, que é uns dos aspectos mais relacionados a diversidade. A razão da existência da humanidade é a diversidade. O mundo fica mais pleno quando temos o diverso no conhecimento, na forma de pensar, nas expressões artísticas e culturais, nas manifestações sexuais, nos nossos relacionamentos, na biologia (biodiversidade), na política, nas organizações sociais, na economia.

 



Empatia - Palavra de origem grega (empatheia, formado por “en”, “em”, mais “pathos”, “emoção, sentimento”) e corresponde a ter aceitação por algo ou pelos outros. O termo empatia é atribuído ao filósofo Theodor Lipps ((1851-1914). Ser empático é ser uma pessoa aberta a se relacionar com outras, é estar disposto a se comunicar bem com amigos, parceiros amorosos e até com os demais funcionários de sua empresa, mantendo um clima sadio. Cultivar esse comportamento ao nosso redor é fundamental para nutrir relações agradáveis e criar ambientes harmoniosos. Significa compreender o outro, utilizando a razão, a vibração, a intuição, a emoção, a atenção, a percepção e a ação, expressando compaixão e sensibilidade para com o que o outro sente e tendo a percepção de como ele lida com isso.

 

Florestania – Expressão que sintetiza os conceitos de cidadania e direitos florestais, é o código genético de nossa identidade. O ponto inicial da florestania é o respeito reverente pelos ecossistemas. O equilíbrio dinâmico dos ambientes, os ciclos da natureza como acontecem em cada lugar, às relações entre os seres e elementos que levaram milhões de anos para chegar à forma que hoje têm

 


Inclusão – É o ato de incluir e acrescentar, ou seja, adicionar coisas ou pessoas em grupos e núcleos que antes não faziam parte. Socialmente, a inclusão representa um ato de igualdade entre os diferentes indivíduos que habitam determinada sociedade. Assim, esta ação permite que todos tenham o direito de integrar e participar das várias dimensões de seu ambiente, sem sofrer qualquer tipo de discriminação e preconceito. É chamada de inclusão a toda atitude, política ou tendência que pretende integrar as pessoas dentro da sociedade através de seus talentos e que, por sua vez, sejam correspondidas com os benefícios que a sociedade possa oferecer. Este tipo de integração deve ser realizado do ponto de vista econômico, educativo, político, etc.

 


Intolerância – Do latim intolerante, intolerância, natureza ou qualidade do que é insuportável, insolência. A humanidade praticou muitas intolerâncias ao longo da História, notadamente étnicas, religiosas, filosóficas, sexuais. Denomina-se intolerância ao ato de depreciar uma pessoa por causas de suas orientações políticas, religiosas, sexuais, etc. A atitude intolerante pode ser identificada como uma deficiência, e neste sentido, são poucos os que podem sentir-se isentos totalmente deste defeito. Isto não significa coincidir com todas as crenças, atitudes ou ações de uma pessoa, mas simplesmente evitar levar esta diferença a nível pessoal. A intolerância em certas ocasiões pode ser revestida de formas perigosas como a discriminação racial.

 

 

20 janeiro 2022

Dicionário filosófico de palavras (01)

 

Neste A,B, C de palavras inspiradoras, positivas que pode ter o poder de nos elevar moralmente e espiritualmente. A felicidade depende de sua mente.

 


Abraçar - É uma terapia, e das fortes! É medicinal, acalma. É extremamente efetivo para ajudar na cura de doenças (como a pressão arterial), solidão, depressão e ansiedade – e ainda ajuda a melhorar nossa memória! O abraço pode aumentar a auto-estima. Ensinar a dar e a receber. O valor de igualdade é gerado ao recebermos calor e dividirmos e a percebermos que o amor flui nos dois sentidos.

 


Acessibilidade - Qualidade do que é acessível, do que tem acesso. Se refere à possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.

 


Acolhimento - Ação ou efeito de acolher; acolhida. Modo de receber ou maneira de ser recebido; consideração. Boa acolhida; hospitalidade. Lugar em que há segurança; abrigo. O acolhimento está no olhar, na busca por ver o que está por trás das situações cotidianas, no desejo sincero de “bom dia”, no abraço, na atenção dispensada a todos que chegam e são bem-vindos, na conversa franca, na escuta, na troca.

 


Alteridade - Palavra que tem origem no latim, com a junção de “alter” (o outro) com o sufixo “tatis” (dade), que é o elemento usado para formar substantivos abstratos a partir de adjetivos. O termo alteridade faz parte de matérias como a filosofia e a antropologia, referindo-se à qualidade ou o estado do que é outro, ou seja, de alguém que é diferente. O significado de alteridade está justamente relacionado ao outro; alteridade é a qualidade ou estado daquilo que é diferente. É o antônimo de identidade. No estudo da antropologia, a alteridade é o conceito que define a existência do indivíduo a partir da relação com o outro. A alteridade é a diferença entre o indivíduo dentro da sociedade e o indivíduo como unidade. Esses dois conceitos só podem existir em função um do outro. Nenhum indivíduo pode existir senão a partir da visão e do contato com o outro. Não pode haver indivíduo se não houver uma relação estabelecida entre ele e outro, ou outros (a coletividade). Alteridade não significa que tenha de haver uma concordância, mas sim uma aceitação de ambas as partes. É a capacidade de se colocar no lugar do outro na relação interpessoal (relação com grupos, família, trabalho, lazer é a relação que temos com os outros), com consideração, identificação e dialogar com o outro

 


Agradecer – Do latim gratu, grato, formou-se agradar, de que agradecer é incoativo (verbo o que começa em outro). O agradecimento não é tão frequente nas relações humanas. Com base nesse desconcerto, foi instituída o Dia de Ação de Graças, celebrado a 25 de novembro. Expressar gratidão (a alguém). (Agradecimento) A gratidão é o ato de reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc. No dia a dia expressamos nossos agradecimentos através de expressões comuns, tais como: obrigado, você é muito amável, eu que agradeço, não precisava, entre outras. Estas expressões são fórmulas de cortesia que servem como mecanismo da socialização.

  


Altruísmo - Um tipo de comportamento encontrado em seres humanos e outros seres vivos, em que as ações voluntárias de um indivíduo beneficiam outros. É sinônimo de filantropia. No sentido comum do termo, é, muitas vezes, percebida como sinônimo de solidariedade. Atitude que visa o bem-estar do próximo, não tendo em consideração interesses particulares. Dedicação desinteressada; ato de amar ao próximo sem esperar nada em troca. Dedicação demonstrada de maneira desinteressada; filantropia. A palavra "altruísmo" foi criada em 1831 pelo filósofo francês Auguste Comte (1798-1857) para caracterizar o conjunto das disposições humanas (individuais e coletivas) que inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros. Esse conceito opõe-se, portanto, ao egoísmo, que são as inclinações específica e exclusivamente individuais (pessoais ou coletivas).

 

08 janeiro 2022

A filha de Lennon

 

Era uma vez uma menininha muito bonitinha chamada Milenon. Doce, meiga, um encanto de pessoa, amada por todos no bairro da Saúde, em Salvador. Onde ela passava chamava atenção diante de sua gentileza e empatia. Mas o que os outros não sabiam era da sua origem....

 

Há 23 anos uma garota chamada Mila tinha a atenção de todos. Além da beleza, ela era uma garota de grande nobreza,  e generosidade. Fazia amizade com todos em sua volta. Mesmo sendo uma garota pobre, conseguiu superar grande dificuldade, ou pressão em sua vida, tirando disso mais força e aprendizado, de que pouco usamos nosso potencial, isso é resiliência. Vivia feliz no bairro onde morava.

 


Do outro lado do Atlântico, mais precisamente na cidade portuária situada no noroeste da Inglaterra, conhecida como Liverpool, surgiu uma banda de rock and roll, The Beatles, formada por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, mais tarde considerada a banda mais influente de todos os tempos. O conjunto construiu sua reputação tocando em clubes de Liverpool e Hamburgo durante três anos a partir de 1960. No início de 1964, os Beatles tornaram-se estrelas internacionais, liderando a "Invasão Britânica" do mercado pop dos Estados Unidos e quebrando vários recordes de vendas. Nos anos 1970 o grupo se dissolveu e Lennon, McCartney, Harrison e Starr lançaram álbuns solo.

 

John Lennon resolveu conhecer outras localidades, e curioso, chegou ao Rio de Janeiro usando chapéu e óculos escuros para não ser reconhecido pelos fans e acabou chegando na Bahia, mais precisamente em Salvador. Ficou encantado com toda a ancestralidade africana do Pelourinho e acabou morando por alguns dias no bairro da Saude, em uma pequena pensão para não chamar a atenção da mídia. Em uma de seus passeios matinais conheceu Mila, uma morena de deixar qualquer rapaz estonteado. Bela, sensual, tudo isso não escapou aos olhos de Lennon que logo tentou conquista-la.

 


Falava um português enviesado, mas aos olhos do amor isso não era problema. Os outros sentidos falavam por eles. E tempos depois ele teve que partir, voltar para sua terra natal. Mas não durou muito. O lendário John Lennon foi morto a tiros perto de seu apartamento em Nova York por um fã que depois seria identificado como Mark Chapman, repleto de motivações absurdas para cometer o crime. O mundo inteiro entristeceu e cantou “Imagine”, uma espécie de hino da paz, onde os ouvintes imaginam um mundo utópico.

 

Sua letra encoraja o ouvinte a imaginar um mundo em paz, sem barreiras nas fronteiras ou divisões de religiões e nacionalidades e considerar a possibilidade de que o foco da humanidade deveria estar em viver uma vida desapegada de bens materiais. A letra nos convida a imaginar um mundo sem posses, onde ninguém é dono de nada. Dessa forma, não haveria a necessidade de querer conquistar sempre mais e mais, e todos teriam o necessário para sobreviver, acabando com o problema mundial da miséria e da fome.

 


Voltando para a Bahia, no pacato bairro da Saude, perto do Centro Histórico do Pelourinho a garota Mina estava grávida, mas não podia contar a seus pais. Então ela foi para a casa da tia, em Arembepe, na cidade metropolitana de Camaçari. Quando a criança nasceu, uma garotinha linda, ela quis homenagear o pai e uniu seu nome Mila ao de Lennon. Saiu Milenon. E essa é a história da filha de John Lennon que mora anonimamente na Saude. Essa sua invisibilidade o torna muito mais feliz do que esse estrelato todo do mundo atual com a tal de twitada, instagran e outras modernidades tecnológicas. Ela está longe desse estrelato todo. Mais uma coisa é certa. Tem os traços de Lennon e a beleza da mãe.

31 dezembro 2021

Ano de Yemanjá

 

O ano de 2022 tem início neste sábado, o dia de Yemanjá. Segundo os astrólogos chineses, o ano é do Tigre. Entre nós é da rainha das águas. É a dona das águas, esposa de Oxalá, mãe de todos os orixás. Veste azul, suas contas são transparentes. Pedras e conchas são seus símbolos. Seu dia é sábado e usa abebé prateado. Ebó de milho branco com azeite e cebola também é de seu agrado. No sincretismo afro-católico corresponde a Nossa Senhora da Conceição. Sua saudação é Odoiá!.

 


Deusa das águas, mares e oceanos, esposa de Oxalá e mãe de todos os Orixás, é a manifestação da procriação, da restauração, das emoções e símbolo da fecundidade. Yemanjá: Ye-Omo-Yá_mãe de todos os peixes, que são seus filhos e estão contidos em suas estranhas de água. Está associada ao poder genitor, a interioridade, aos filhos contidos em si mesma. Seu adedé (leque) simboliza a cabeça mestra. Ela é muito bonita, vaidosa e dança com o obebé (espelhinho) e pulseiras.

 

Na Nigéria ela é patrona da sociedade Geledes, sociedade feminina ligada ao culto das Yamis, as feiticeiras. No Rio de Janeiro, Santos e Porto Alegre, o culto a Yemanjá é muito intenso durante a última noite do ano, quando centenas de milhares de adeptos vão, cerca de meia noite, acender velas ao longo das praias e jogar flores e presentes no mar. No dia 02 de fevereiro a festa é nas águas de Salvador. Em 2022, Yemanjá e Exu caminharão juntos para aliar a esperança à motivação no intuito de trazer mais proatividade na luta diária.

 


Maria Bethânia é filha de Iansã, a rainha dos raios e dos ventos. Ela é a menina de Oyá, e também filha de Ogum e Oxóssi. Candomblecista, a abelha rainha canta sobre sua fé em diversas músicas de sua obra. Iemanjá não ficaria de fora: “Yemanja Rainha do Mar” é de composição de Pedro Amorim e Sophia De Mello Breyner: Quanto nome tem a Rainha do Mar?/Quanto nome tem a Rainha do Mar?/Dandalunda, Janaína/Marabô, Princesa de Aiocá/Inaê, Sereia, Mucunã/Maria, Dona Iemanjá..”. Na canção de Dinoel, Vicente Mattos, Arlindo Velloso, Marisa Monte interpreta alguns dos nomes pelos quais Iemanjá é conhecida: “Oguntê, Marabô/Caiala e Sobá/Oloxum, Ynaê/Janaina e Yemanjá/São rainhas do mar”.

 

“O mar serenou quando ela pisou na areia/Quem samba na beira do mar é sereia“, canta Clara Nunes na faixa “O Mar Serenou”. Filha de Ogum e Iansã (orixás do ferro e dos ventos e raios, respectivamente), a artista em diversas ocasiões cantou sobre Iemanjá.  Dorival Caymmi, o “Buda Nagô“, em seu terceiro disco, de 1957, “Caymmi e o Mar“, ele lançou “Dois de Fevereiro” e outras canções em homenagem à Iemanjá e ao mar: “Dia dois de fevereiro/Dia de festa no mar/Eu quero ser o primeiro/Pra salvar Yemanjá”.

 

22 dezembro 2021

O amor dá sentido a vida

 

Não sei porque estou escrevendo nesta noite de sábado. Sim, não sei porque. Confortar a alma, talvez. Sei que estou só. Simplesmente só. Fagner toca na vitrola e eu choro a sua ausência. São 22h30min. Jorginho e Sérgio passaram aqui com três rapazes. Todos alegres vão descobrir a noite.  Eu fiquei aqui no quarto pensando em ti. Esperando um telefonema, uma carta ou algo de você que sei que não vem. E volto a chorar.  Os olhos estão encharcados de lágrimas...como gostaria de te-lo aqui comigo. Como é difícil conviver com a solidão.

 


Durante o verão você brilhou comigo. Em cada canto da cidade estavaamos juntos, unidos. Lembranças....a passagem do  ano e nós no Fantoches brincando, a noite cansado, dormimos juntos. O feriado do dia primeiro a sua fuga para as festas de largo e depois o arrependimento. E nos dias que se seguiram, foram todos de festas. E você não perdia uma. Eu perdia você naqueles momentos. Mesmo assim não censurava. Você era a própria festa. A lavagem do Tororó e a nossa farra. A minha fuga para Olinda e o seu perdão. O nosso encontro louco no último dia de folia. Seus olhos brilhavam e sua boca ardia de desejos. Os nossos abraços em Arembepe, o rolar na areia,os beijos....tudo isso são momentos felizes. Como posso esquecer? Você é uma presença forte em minha vida. Uma coisa que já faz parte de mim. Agora mesmo estou pela metde. Confuso. Sem saber o que fazer. Minha outra parte está longe de mim. Com certeza no inverno de Conquista. Enrolado nos cobertores. E aqui, neste final de verão, volto a ficar só. É terrível.

 


Enquanto uma parte de mim delira na estranheza desta solidão, a outra parte é só vertigem Traduzir essas partes se faz necessário. E quando me afundo em mim, sinto  saudades, porque dentro de mim tem você. E é você que eu procuro neste quarto vazio, nesta noite, neste mundo, nesta vida. Dá vontade de jogar tudo pra cima e correr ao seu encontro. Viajar hoje mesmo. Agora. Porque não faço? Daqui há algumas horas vou descansar esta cabeça pesada no travesseiro e dormir. E tenho  certeza que vou sonhar com você perto de mim. Sonha sim....pelo menos é alguma coisa...melhor do que nada. Mas o que acontece? Será que vai ser sempre assim. No melhor, a separação. Não consigo me conformar. Sei que sou apressado no querer as coisas. Mas desta vez as dores da separação são muito fortes. Acho que é a primeira vez, neste 1982, que passo um fim de semana sem você em Salvador. E a dor quem salva? A esperança de t encontrar amanhã. Ela é quem dá força pra continuar nessa vida.

 


Levanto e troco o disco  de Alceu Valença pelo de Simone. Milton Nascimento e Fernando Brant me conforta com seu poema Amar. “Amar é a melhor maneira de viver”, diz um trecho do poema. “É o que a gente tem de bom”. E é desses dois poetas que transcrevo Amor Amigo, um trecho: “Para mim você é a luz/que revela os poemas que fiz/me ensina a viver/me ensina a amar/quem conhece da terra e do sol/muito sabe os mistérios do mar”. Mais uma: “Um dia ele chegou tão diferente/do  seu jeito de sempre chegar/olhou-a de um jeito mais quente/do que sempre costuma olhar/E não mal disse a vida tanto o quanto/era seu jeito de sempre falar....”

 


Lembra? Sem você a vida para mim nada significa. Te amo e  tempo não varreu isso de mim. O fruto que tenho é o bastante para querer. Para amar. E o amor é o que nos guia, nos une. E por mais que eu diga ou escreva, é sempre bom lembrar que o amor é tudo na vida. É ele que dá sentido a vida. É ele que nos faz viver...Falta poucos minutos para meia noite. O piano de Egberto Gismonti corta a noite e a voz suave de Olivia Byington torna-se mais clara, mais crua. E eu volto a chorar, mais forte. Não sei porque, mas esta canção me faz mais fundo, mais mudo. “A minha solidão é sua/De certo sei que você vaga/Em qualquer parte/Sob essa vaga lua”. Sei que já deliro e choro, e nada mais sei, e nada mais imploro. Só espero dormir  sonhar com você em frente a porta desse quarto, em que embarca sob essa vaga luz, e a luz da lua, apura a nitidez da marca, mais nua, mais clara, mais crua. Boa noite amor. (Salvador, 06 de março de 1982, às 24h).

21 dezembro 2021

O primeiro encontro

 

O verão estava chegando com toda a sua luz, seu brilho. E foi assim que eu o conheci. O local não era uito de meu agrado. As pessoas dançavam frenéticas, luzes e som no ar. A coragem não me veio logo. Com um pouco de bebida a situação foi logo resolvida. E no salão juntei-me aos outros. Mesmo assim sentia-me só. E embora meu coração ansiasse por amizade, não sabia abrir-me, inibido como sou. Num rápido momento o vi passar. Alto, moreno....uma figura que me impressionou. Ele também notou algo em mim. A partir daí não consegui me controlar, e ficávamos distante, olhos nos  olhos até que ele, mais decidido se aproximou e, bem natural, abraçou-me na dança. Horas depois, cansados, subimos para conversar. Conhecer um pouco mais um do outro.

 


Estava um pouco trêmulo. Sua mão decansava docemente na minha. E ele enlaçou-me levemente. Senti os seus lábios aproximando-se dos meus. Inclinou-se para mim e apertou-me estreitamente nos braços. O contato daquela pele macia incenduou-me. Sentaados ficamos. A cabeça encostada no meu ombro, os dedos alisando os cabelos do peito. Meu coração batia aceleradamente. Em seguida convidei-o para dormir em casa.

 

No caminho, a palavra não era necessária, bastavam os gestos. Em casa ele não largava a minha boca. Seus lábios mordiam os meus lábios, seus dentes batiam nos meus dentes e os nossos hálitos se confundiam inteiramente. No instante seguinte, perdemo-nos um no outro, tornamo-nos um único ser, entrelaçamo-nos em uma unidade amorosa que mergulhava cada vez mais fundo na insondável fonte do amor.  Passamos quase toda a noite aplacando-nos. Exaustos, afinal, adormeceno em estreito abraço. Creio que ao mesmo tempo. Entretanto, não acordamos ao mesmo tempo. Acordei em primeiro lugar, com uma sensação de felicidade, que a princípio não soube explicar. Vi-o deitado ao meu lado, nu, o rosto expressivo, bonito.

 


Corpo anguloso, pele torneada do sol, uma boca bem delineada e o pescoço grossso, mas erguio. Aquilo excitava-me. Ele acordou e murmurou baixinho palavras doces. Beijou-me nos olhos, na boca, no pescoço. Suas mãos tornaram-se ágeis e firmes, deslizando-as por entre minhas pernas. Percorri com meus lábios aqueles contornos tão arredondados, de carnes acetinadas, fina e tão polida. Depois tudo seguiu um ritmo quente e novo, nascido naquele instante. Eu ansiava por que essa operação não terminasse nunca. Houve a agonia dos corpos, a união, o pazer inconcebível

 


No dia seguinte ele apareceu.  Usava uma camisa esporte de cor azul e calça jeans. Parecia mais jovem, barba aparada,  com seus cabelos pretos, seus gestos animados e desinibidos, seu soriso tão franco e inocente quanto o de uma criança.  Era simpático, não  conseguia deixar de fita-lo constantemente.  Era diverso  de todas as pessoas que conhecia. Possuia uma marca pessoal  que fascinava.  Estava de férias e, com um convite meu, resolveu ficar por mais tempo naa cidade.  Ele não  era daqui. Apaixonado pelo mar, frequentava-o todos os dias. Queimadão da praia, ficava com aquele suave e delicado olhar meio vaago,  ligeiramente torturado, despertando incontida carga emotiva.  Era seus dias depressivos. Sentia seus olhos pousar em mim. Aproximava-me dele e ficávamos juntinhos horas a fio....

 


E assim foram os dias, meses. O Natal passou, o Carnaval também. E tudo era alegria ate o  dia em que partiu. Já sabia que um dia ele teria que partir, mas na hora não  aceitava aquilo, estava perdendo aquela felicidade, toda aquela alegria. E ele partiu. Fiquei a escutar os discos e lembrar os momentos que passamos juntos. Impossível libertarmos do  que nos deixaram como marcas, por mais que nos esforcemos, por mais que escandamos, por mais que as disfarçamos, que as mergulhamos no álcool ou enganemos com alegres ou tristes canções, elas estão presentes. Impossível esquecer as noites de conforto, de calor, os dias de sol, de mar, nas festas, nas feiras, em tudo o que fazia....Impossível riscá-los, inútil negá-los, ingênuo tentar esquecer. Alguma coisa parecia ter morrido  em mim. Olho as fotos, das poucas que tirei, e vejo através da janela as estrelas que me parecem incrivelmente distantes. E de repente me dou conta de que estou só. Sentei-me novamente e tive vontade de ficar assim, parado.... Como é difícil ter que aceitar alguém que ama ficar assim distante....Sim,  eu o  amo  e essa é a verdade.  Não poso  esconder. Não sei mais o  que fazer. Os dias parecem longos e as noites mais tristes.  Os meses ficam  tropeçar uns nos outros. O  tempo até paarece que parou...mas na verdade quem está parado  sou eu, triste e só.

 


E quanto mais penso  que seu mundo está lá, sua família e seus amigos, e não  aqui, perto  de mim,  fico mais triste.  As circunstâncias unem e separam as pesssoas. Não sei explicar bem isso, mas não queria que fosse assim. Tudo estava tão belo....Ah! estou lembrando o dia em que passamos na ilha, era seu aniversáario, chovia muito, e nós dentro da barraca, fazia um frio, mas nossos corpos juntos esquentaram um ao outro. E ele era puro sorriso, brilho nos olhos, no corpo. Brilho de sol, pombas no ar. Agora, não posso mais escrever, maeus olhos estão nublados...são lágrimas Odemar, por você, por mim, por nós. Obrigado. (Guto, 30 de março de 1981).

20 dezembro 2021

Tudo é mais intenso na estação do sol

 

No verão (ele começa no dia 21 de dezembro e termina no dia 20 de março) os dias são mais longos, e contribuem com a energia necessária ao processo da fotossíntese, estimulando o crescimento de plantas e animais. As pessoas vestem roupas mais descontraídas, e parecem adotar a mesma descontração para o seu comportamento. Sinônimo de festa e descanso para muitos, o verão significa oportunidade de trabalho e rendimento para outros. Os turistas chegam com o sol e a população aproveita parta ganhar um dinheiro extra, mesmo que temporário. A estação que aquece a economia e, consequentemente possibilita trabalho para milhares de pessoas, também faz as pessoas consumirem mais.

 


O verão traz consigo o êxtase, o calor, tudo parece mais intenso, mais livre, somos capazes de enormes sorrisos, vivemos momentos únicos, intensos, sabemos que é o prêmio mais que merecido depois das etapas anteriores. É também o contrastes da juventude com manhãs ensolaradas de brilho ofuscante e de sombras nítidas. Sol ardente no silêncio denso do meio dia. Nuvens amontoadas barrocamente, ameaçadoras. Um raio que estala, chuvarada na terra fofa. Assim é o verão, todo contraste. Sol abrasador e brisas de doçura, dias ofuscantes e noites profundas. Vida, entusiasmo e força. Manhãs claras e tarde de tempestade. Nuvens negras e arco-íris coloridos. Assim é o verão, assim é a juventude.

 

Assim como a primavera se desenvolve naturalmente para o verão, assim também a energia expansiva e criativa da madeira amadurece para a energia do fogo. Esta é a fase mais cheia de energia de todo o ciclo, quando acontece a fase mais quente da energia. Todas as formas de vida se esquentam nesta fase de crescimento da energia do fogo. O fogo está associado ao coração, que é a morada das emoções humanas e o órgão que pulsa e distribui o sangue e sua energia pelo corpo. Sua cor é o vermelho, a cor do calor e do sangue. Esta energia está associada ao amor e à compaixão, à generosidade e à alegria, à abertura e à abundância. Se bloquearmos esta energia, o resultado é a hipertensão, os problemas do coração e as desordens nervosas.

 


No final do verão chega um momento de interlúdio, de perfeito equilíbrio quando a energia do fogo diminui, se transformando em energia da terra, e se instala um estado de equilíbrio perfeito. Este momento é o clímax do ciclo, o intervalo entre as energias (yang) da primavera e do verão e as energias (yin) do outono e do inverno. O humor das cinco fases da energia está em harmonia neste momento, trazendo uma sensação de bem estar e completude. A energia do final do verão é a energia da terra, sua cor é o amarelo, a cor do sol e da terra. Na anatomia humana está associada ao estômago, ao baço e as pâncreas que estão situadas no centro do corpo e alimentam todo o sistema do corpo. Se a energia da terra for insuficiente, o organismo fica mal nutrido, afeta a digestão e todo o sistema se desequilibra e fica desvitalizado.

 

O verão é a estação das férias, das festas, do sol, do calor e da vitalidade. O calor e densidade são combinações perfeitas para que as plantas e flores cresçam nesta estação. Tempo da flor de lis, copo de leite, e gêrbena. Alimentação saudável deve ser praticada em todas as estações, mas o clima quente do verão exige cuidados extras, para evitar mal-estar e intoxicações alimentares. Nesta época do ano, a temperatura do ambiente auxilia na manutenção da temperatura interna, ao contrário do que acontece no inverno, quando o organismo gasta mais energia para fazer essa regulagem. No frio, as pessoas tendem a sentir mais fome, pois há uma maior necessidade de armazenar calor.

 


Ingerir comidas pesadas e calóricas no verão, como feijoada, leva à produção excessiva de calor no corpo. Isso pode causar um mal-estar generalizado. Segundo as nutricionistas, as pessoas podem sentir mais cansaço, indisposição para as atividades físicas e enjôo. Os alimentos gordurosos, como frituras, sobrecarregam mais o indivíduo e o organismo passa a ter uma digestão mais lenta, privilegiando o cansaço.

 

As ocorrências de intoxicações alimentares tendem a se acentuar no calor. A temperatura alta pode predispor à deterioração acelerada dos alimentos quando não acondicionados adequadamente, principalmente os que requerem refrigeração. Por isso, na praia, o ideal é que se evite o consumo de alimento der quiosque que não tenham infra-estrutura adequada e os vendidos por ambulantes. Verifique se a manipulação dos alimentos foi feita de forma cuidadosa. É comum a contaminação deles por coliformes fecais, pois nem todas as pessoas que trabalham com alimentação se preocupam em lavar as mãos adequadamente, após ir ao banheiro, por exemplo. (Texto publicado neste blog em 20 dezembro 2006)

 

29 novembro 2021

Olfato, o sentido mudo, que não tem palavras

 

Quando respiramos, inalamos o mundo que passa por nossos corpos, assimilamo-lo ligeiramente e expiramo-lo, deixando-o livre novamente, levemente alterado por nos ter conhecido. Escreveu sabiamente Diane Ackerman em “Uma História Natural dos Sentidos”. Ao respirar percebemos os odores. Os cheiros envolvem-nos, giram ao nosso redor, entram em nossos corpos, emanam de nós. Vivemos em constante banho de odores. No livro “O Cão dos Baskervilles”, Sherlock Holmes identifica uma mulher pelo cheiro de seu papel de cartas, esclarecendo que “existe 75 perfumes, e um especialista criminal tem que ser capaz de identificar perfeitamente um do outro”. O escritor Kipling tinha razão ao dizer que “os cheiros são mais capazes de ativar as batidas do coração do que as imagens e os sons”.

 


Os sentidos da olfação e da gustação são considerados químicos, pois dependem do estímulo de substâncias químicas sobre receptores especiais. O olfato é o sentido que nos permite sentir os odores. As substâncias têm cheiro quando desprendem partículas que, levadas pelo ar, impressionam as terminações das células nervosa olfativa, localizadas na região superior da mucosa que reveste as fossas nasais. Estimuladas, as células olfativas transmitem impulsos nervosos ao nervo olfativo, que, por sua vez, os transmite à área cerebral responsável pela olfação. Aliás, muito do que geralmente chamamos paladar é realmente olfato.

 

Embora possa soar estranho, não é óbvio que com o olfato tudo esteja 100%. Existem pessoas que não conseguem sentir o cheiro de nada. Isso afeta o cotidiano tanto quanto a surdez ou a cegueira. Apesar de imprescindível, o olfato foi até pouco tempo um dos menos pesquisados órgãos dos sentidos. Somente há 15 anos, sabe-se como ele funciona. Na Europa, nos Estados Unidos, como também em outros países, pesquisadores trabalham tentando desvendar os mistérios do olfato. Cada pessoa possui cerca de 350 receptores olfativos diferentes. Isto não significa, entretanto, que possamos distinguir somente 350 tipos de cheiro. Os diferentes receptores são necessários devido à complexidade da estrutura molecular dos odores. Somente o espectro completo do aroma do café reivindica muitos e muitos receptores, afirma o professor de Neurofisiologia da Universidade de Stuttgart-Hohenheim, Heinz Breer. A cada odor corresponde, por assim dizer, um conjunto de receptores e, desta forma, também um conjunto de células sensoriais que podem ser ativadas por este cheiro, enquanto outras não.

 


Em 2005, o Prêmio Philip Morris para a Ciência foi concedido a pesquisadores do olfato da cidade de Bochum. Eles descobriram que os espermas possuem receptores olfativos semelhantes aos do nariz. Tudo o que é gostoso cheira bem? "É discutível se o fato de se estar com muita fome faz com que as coisas cheirem melhor. Que ovo podre fede e que pão fresco tem bom cheiro, isto se aprende com a experiência olfativa, pois somente com a língua não se pode distinguir mais do que se a comida é doce, azeda, salgada ou amarga. Em compensação, existem dezenas de milhares de odores – morangos frescos, café moído, baunilha, anis, canela, chá de menta...", responde Breer.

 

O sentido do olfato é o mais espiritual de todos os sentidos. A palavra hebraica para "olfato", rei'ach, é cognata àquela para espírito (ruach). Nossos Sábios ensinam que o olfato é o único sentido que "a alma desfruta, e não o corpo". O sentido do olfato é o mais sensível e complexo e, o menos entendido. É um sentido sutil e misterioso. Um odor nos passa uma sensação instantânea de prazer, nostalgia ou aversão.

 


Inúmeros estudos têm sido realizados com o objetivo de desvendar o poder do cheiro sobre o comportamento humano. Quando sentimos um cheiro, a nossa mente vai mergulhando numa viagem pelo tempo e as lembranças vão escorrendo, se derramando. E chegamos muitas vezes a tempos tão remotos que não sabemos explicar o sentimento que nos aflora. Cheiramos o tempo inteiro, sempre que respiramos. Os cheiros nos envolvem, giram ao nosso redor, entram em nosso corpo, emanam de nós. Se fecharmos os olhos, deixaremos de ver; se taparmos os ouvidos, deixaremos de ouvir; mas, se bloquearmos o nariz para não sentir o cheiro, morreremos.

 

O olfato é o sentido mudo, o que não tem palavras. O sentido do olfato é a própria imaginação. O bairro de Brotas, em Salvador, cheira a cajá. O bairro da Saúde em Nazaré é pura manga. Na Federação amêndoa tem cheiro forte e na Paralela o cheiro é de jaca. O mundo dos aromas é, portanto, um mundo sem palavras, um mundo de imagens, para ser explorado desde a ponta do nariz até o centro do nosso cérebro - um mundo de surpresas sutis e de um êxtase silencioso, com ondas de deleite percorrendo nosso corpo e produzindo sensações novas.

 

O mundo é cheio de sensações. O verão traz o sol iluminando a todos e trazendo um perfume doce no ar. No inverno o som matinal dos pássaros acorda os que teimam em ficar debaixo dos lençóis. No outono as folhas caem trazendo o sopro do vento e na primavera, as flores se abrem exalando perfume de todos os aromas. Os sentidos dividem assim a realidade em fatias vibrantes, juntando-as de modo a formar um padrão significativo. Os sentidos fornecem milhares de informações ao cérebro como se fossem microscópicas peças de um quebra-cabeça.