25 julho 2016

Humor armado de Henfil (1)



No dia 04 de janeiro de 1988 – há 28 anos- morria o cartunista Henfil (1944-1988). Ele teve uma
atuação marcante nos movimentos políticos e sociais do país, lutando contra a ditadura, pela democratização do país, pela anistia aos presos políticos e pelas Diretas Já. Com humor mordaz e desenho caligráfico, Henfil destaca-se como um dos militantes mais ativos na resistência ao regime militar. De suas mãos saem personagens antológicos como os fradinhos Baixim e Cumprido, a ave Graúna, o bode Orellana, Capitão Zeferino e Ubaldo, o paranoico, que provocam mudanças na história dos quadrinhos brasileiros não tanto pela inovação formal - apesar de ser marcante o seu traço nervoso e espontâneo -, mas pelo uso dessa linguagem gráfica específica como o melhor suporte para crítica e comprometimento social.

Ele contribuiu para renovar o traço humorístico brasileiro e criou personagens que entraram para o cotidiano do país. Poucos desenhistas conseguiram erguer uma coleção de personagens tão identificada pelo brasileiro médio como o mineiro Henrique de Souza Filho, Henfil, o travesso do traço. Seu desenho era uma caligrafia. Com duas linhas, fazia um personagem e levava sua irreverência às últimas e às melhores consequências.

“Para mim, os fradinhos são personagens clássicos da história em quadrinhos universal. Uma das lições que eles nos deixaram é a de você se permitir tudo, ir cada vez mais longe, sem tabus. Qual a marca característica do Henfil? Sua integridade”, atestou o humorista Jô Soares. Para o cartunista Paulo Caruso, “ele foi uma das pessoas mais brilhante da geração que saiu do Pasquim. Tinha uma vivacidade enorme, brincando o tempo todo, um humor incrível mesmo. Um outro lado do Henfil: ele tinha uma capacidade fascinante para criar”.

“Dos cartunistas brasileiros era o que mais se aproximava do que se costuma chamar de gênio”, disse
o cartunista Jaguar. “O desenho dele não é de prazer, é mais um instrumento de crítica, uma navalha afiada. Ele não deixava escapar nada com seu traço”, revelou o crítico de arte Frederico Morais. O crítico Moacy Cirne saudou com entusiasmo a série Zeferino: “Depois da semente plantada por Henfil, com seus vibrantes personagens da caatinga, o quadrinho brasileiro não é mais o mesmo; com ele aprendemos a inventar voltados para a saga da nossa miséria social”.

Sua capacidade de se entregar às ideias sem se prender aos homens já diferenciava o dublê de político e humorista. Ele nunca precisou se filiar a qualquer partido ou causa para se transformar no militante mais ousado. Avesso à luta armada, que considerava uma armadilha dos militares para derrotar mais facilmente uma esquerda em frangalhos, Henfil estava familiarizado com as táticas da guerrilha. Embora estivesse convicto de sua opção pelo humor armado, ele ajudou os militantes da Ação Popular e do PC do B de todas as maneiras, além do Partido dos Trabalhadores. Liderava as cotizações para contratar advogados para os presos políticos, escondia militantes em sua casa e servia como motorista, guiando seu próprio carro nas ações dos grupos.

TRAJETÓRIA

Mas quem pensa que tudo isso surgiu na carreira de Henfil de modo premeditado, engana-se completamente. Na verdade, ele tem uma trajetória pouco comum. E já andou pulando como sapo para ver se conseguia escapar das pragas de urubu que, vez por outra, surgiam em seu caminho. Proveniente de família mineira do norte de Minas – seu pai foi barraqueiro do São Francisco, tropeiro, vaqueiro, pescador. Depois a família mudou-se para Belo Horizonte, deixando para trás o polígono das secas. Foi em Belo Horizonte que começou a desenhar com mais intensidade. Tinha então 17 anos e seus desenhos eram charges copiadas de revistas francesas. Os desenhos foram apresentados ao diretor do jornal O Binômio, Lúcio Nunes que, embora gostasse dos desenhos, afirmou não poder publicá-los porque o jornal só publicava charges políticas.

Desde que começou a publicar seus cartuns, na revista mineira Alterosa, antes de 1964, teve consciência da precariedade da atividade jornalística. E, mais grave: em 1973, numa entrevista ao Pasquim, reconheceu que “o desenho significa a morte da ideia, porque vira papel, tinta nanquim, clichê, jornal”. Por isso Henfil procurava sempre o movimento. Assim, desenvolveu um traço ágil a partir dos cartuns do Diário de Minas. Mais tarde, no seu trabalho no Jornal dos Spots criou personagens populares como o Urubu, que virou símbolo do Flamengo, o Cri-Cri, o Pó de Arroz e o Gato Pingado.

Começou a trabalhar como revisor na extinta revista Alterosa, editada pelo escritor Roberto Drummond, que o descobriu para a charge ao ver uns desenhos pornográficos que ele havia feito para os operários da gráfica. Foi aí que nasceu o nome Henfil (juntando o hen de Henrique, com o fil de Filho) e seus primeiros e mais marcantes personagens, os Fradins Cumprido e Baixim, inspirados em dois freis dominicanos.

Com o fechamento da Alterosa, levou os personagens para o Diário de Minas. Em 1965 começou a trabalhar no Diário de Minas, fazendo os cartuns que aprendera já no colégio noturno, o exílio dos escolares repetentes. De lá foi para o Rio, no Jornal dos Spots, onde nasceu a galera de tipos de times de futebol. Os Fradins só foram ressuscitados nas páginas do Pasquim, em 1969. Em 1971 as tiras foram reunidas em um álbum, e dois anos depois se transformaram em revista mensal. Depois foi o Rio de Janeiro com toda sua explosão de mar.

22 julho 2016

ABC do Rock (03)



RHYTHM'N'BLUESFoi um dos mais importantes precursores do rock'n'roll e um elo fundamental entre o blue e o soul. Os primeiros artistas surgiram na época das big bandas e do swing jazz (anos 1930 e 1940), tocando musicas para dançar que eram mais sonoras. O primeiro estilo popular de rhythm'n'blues foi o jump blues, misturando instrumento de sopro, suingue de jazz, estruturas genéricas de acordes e os riffs do blues.


ROCK GÓTICOCorrente inglesa do pós punk onde a banda Joy Division trocou a fúria de outros grupos por um estilo introspectivo e angustiado. New Order, The Cure, Bauhaus.

ROCK PROGRESSIVOGênero onde o timbre e a textura sonora são mais importantes que a batida (beat). Apareceu na Inglaterra na segunda metade da década de 1960 como o grupo Moody Blues e Soft Machine. Entre as bandas que tiveram sucesso durante os anos 1970 estão Pink Floyd, Tangerine Dream e HawKwind.

ROCK PSICODÉLICOEmergiu em meados dos anos de 1960. Rock inspirado ou relacionado com a experiência induzida feita pelo uso de substâncias psicoativas. O rock psicodélico e o acid rock relacionaram-se tanto com a moda, posters e projetos de gravação e os efeitos visuais dos concertos. Jefferson Airplane, The Greateful Dead, Jimi Hendrix, Cream são alguns deles.


ROCKABILLYBlues com pulsação country. Inicialmente, uma fusão entre black music e country music do  sul dos EUA, antecipando-se e sobrepondo-se ao rock'n'roll que atingiu seu sucesso em meados dos anos de 1940. Gene Vincent, Eddie Cochrane e Elvis Presley (na fase da Sun).

SURF MUSICFenômeno musical de curta duração, mas influente. Foi uma cena musical regional associada a uma subcultura que se tornou rotulo de marketing. Sucesso entre 1961 e 1965, ficou restrito basicamente ao sul da Califórnia. Dick Dale, Beach Boys, Surfaris, Ventures.

THRASH METALInfluente subgênero do heavy metal, chamada algumas vezes de speed metal. Fenômeno basicamente norte americano, o thrash desenvolveu-se fora do hardcore e do punk. Baseado na guitarra, tocada de modo muito rápido e bastante alto. Metallica e Anthrax são bandas da era do speed metal.

TROPICALISMOMovimento musical e cultural que aconteceu na música brasileira a partir de 1967 e foi inspirada na tese antropofágica da Semana de Arte Moderna de 1922. Misturou tudo (passado, presente, futuro, música instrumental) e abriu a porteira, com uma grande sofisticação na letra. A canção virou uma instância de reflexão sobre a cultura. Foi um movimento irreverente e informal conciliando por antagonismo como universalismo e regionalismo. Passou rápido (1967 a 68), mas feriu fundo e seus efeitos se fazem sentir até hoje. Os tropicalistas romperam o círculo de bom gosto imposto pela bossa nova. Em 1950 foram reabilitados vários gêneros musicais que estavam à margem, como a música nordestina que o elitismo da MPB considerava quadrada e banal. Para uma geração que estava indecisa entre a sofisticação bossa novista e a inflação de ritmos estrangeiros, ela apresentou uma opção, permitindo que se reavaliassem um Canto da ema, Sebastiana e Cantiga do sapo, o nome de Jackson do Pandeiro volta ao primeiro plano.