16 dezembro 2013

Umbuzeiro, árvore símbolo da Bahia, é antes de tudo, um forte





Umbu, imbu, ombuzeiro, ambu, giqui, imbuzeiro, taperebá, são inúmeros os nomes populares dados ao umbuzeiro, a árvore-símbolo da Bahia. Árvore frondosa e de bons frutos, originário dos chapadões semi-áridos do Nordeste brasileiro, a exemplo da caatinga baiana, a planta encontrou boas condições para seu desenvolvimento encontrando-se, em maior número, nos Cariris Velhos, seguindo desde o Piauí à Bahia e até norte de Minas Gerais.

No Brasil colonial era chamado de ambu, imbu, ombu, corruptelas da palavra tupi-guarani "y-mb-u", que significava "árvore-que-dá-de-beber". Suas raízes superficiais exploram um metro de profundidade, possuindo uma estrutura conhecida como xilopódio, uma espécie de batata da raiz, na qual se armazena água, daí tal acepção. Pela importância de suas raízes foi chamada "árvore sagrada do Sertão" pelo escritor Euclides da Cunha.

É uma árvore de pequeno porte (em torno de 6m de altura), seu tronco é curto, sua copa tem forma de guarda-chuva, a qual projeta sombra densa sobre o solo, além disso, sua vida é longa, cerca de 100 anos. O fruto, o umbu, contém proteína, cálcio, ferro, fósforo, vitaminas A, B, C e B1. A frutificação inicia-se em período chuvoso e permanece por 60 dias, cada planta chega a produzir 300 kg de frutos por sofra.

O umbuzeiro perde totalmente as folhas durante a época seca e reveste-se de folhas após as primeiras chuvas. A sobrevivência do umbuzeiro deve-se à existência dos xilopódios que armazenam reservas que nutrem a planta em longos períodos de seca. O umbuzeiro cresce em estado nativo, nas caatingas elevadas de ar seco, de dias ensolarados e noites frescas, requer ainda clima quente.

TUDO SE APROVEITA - O umbu tem bom valor comercial, é consumido in natura ou preparado na forma de sorvete, refresco e, principalmente, como ingrediente da tradicional umbuzada, que é a polpa do umbu “de vez” (estágio entre o verde e o maduro), cozida com leite e açúcar. Das batatas da raiz do umbuzeiro é fabricado um doce de grande apreciação nas feiras livres da Bahia, prática que tem contribuído para a presença cada vez menor da árvore na paisagem nordestina.

Suas folhas frescas podem ser consumidas em saladas, já as folhas verdes bem como seus frutos, são consumidos por bovinos, caprinos, ovinos e animais silvestres. A casca do tronco e dos galhos é utilizada pelo sertanejo no combate as diarreias e verminoses, entre outros males, se cozida, tem propriedades adstringentes e é usada para combater infecções da garganta. A água que se acumula nos ocos dos troncos e galhos do umbuzeiro serve para lavar olhos doentes e inflamados, já a água da batata é usada como vermífugo.

O sertanejo também usa o umbu para fabricação de "sabão de decoada". A sombra do umbuzeiro é sempre procurada pelo trabalhador nas horas de descanso e calor. A árvore fornece ainda tinta extraída da madeira, esta por sua vez, é usada como lenha, para carvão, para fazer cachimbos, para obras internas, caixotaria e pasta para papel. Como se vê, o umbuzeiro é merecedor do título de árvore-símbolo do Estado, no qual as adversidades jamais se sobrepõem ao desejo maior da sobrevivência de um povo, e a natureza, generosa como sempre, dá todos os subsídios para garantir a vida onde pensamos não ser possível.

VÁRIOS PRODUTOS - Segundo estudiosos, a “ameixa do Nordeste” pode gerar cerca de 48 produtos, entre doces, farinha, bebida feita com o caroço torrado e moído, gelatinas, umbuzada, sorvetes, polpas, sucos, iogurtes, acetona, extrato (semelhante ao de tomate), vinagre, vinho, entre outros. Todos ricos em vitamina C e muito saborosos. 

É da árvore sagrada do sertão que centenas de famílias do semi-árido nordestino garantem sua sobrevivência durante a seca. Mas a fartura na safra do umbu não se limita a alguns meses do ano. Em pequenas comunidades de Uauá, Canudos e Curaçá, no Norte da Bahia, o trabalho com a fruta transformou em fonte de renda fixa. As famílias se organizaram em cooperativa e estão beneficiando o umbu. O trabalho que começa com a colheita da fruta, reúne principalmente os jovens e as mulheres da comunidade.

A integração dessa fruticultura às atividades de pequenas indústrias de beneficiamento e transformação dos frutos em doces, geleias e sucos sinaliza para um mercado promissor. Nos municípios de Curaçá, Uauá e Canudos os pequenos produtores rurais aprenderam a beneficiar esses frutos. Pelo menos 250 pessoas da região estão se beneficiando, ampliando a economia doméstica com bons resultados. Eles estão ligados à Cooperativa Agrícola e Familiar de Curaçá, Uauá e Canudos. O doce de umbu produzido no semi-árido baiano conquistou os europeus e já está sendo exportado para a França.
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública), na Midialouca (Rua das Laranjeiras, 28, Pelourinho. Tel: 3321-1596) e Canabrava (Rua João de Deus, 22, Pelourinho). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

13 dezembro 2013

Vitória de Zappa no humor gráfico





Em 1994 visitei a cidade de Vitória para lançar meu livro “O Traço dos Mestres”. Na oportunidade fiz uma palestra sobre humor e quadrinhos no Brasil. Na época observei que os jornais de Vitória tinham pouco espaço para os desenhistas locais, então provoquei toda a turma da palestra para visitarmos a imprensa e cobrar esse espaço. O resultado foi muito vitorioso.

Um desses artistas era o Gilberto Zappa que já produzia uma série de tiras e caricaturas. O traço, expressivo, consegue amarrar a atenção do leitor sem se distanciar do texto denso e poético. Cínico e de humor negro cortante, o trabalho de Zappa traz o incômodo dos malditos, dos que estão sempre à margem, subterrâneo, espreitando a vida na superfície.

Denso, cruel, infernal. Ele mesmo escreve, desenha, arte-finaliza e coloca as letras em seus álbuns. Seu trabalho é como terapia. E, ao longo dos anos, o seu estilo gráfico vai evoluindo. Seus desenhos, que podem parecer rudimentares ou mesmo desajeitados à primeira vista, são de uma espontaneidade e vivacidade raras.

Gervásio, o Mecânico, personagem principal completou 20 anos de publicações em tiras de jornais (A Tribuna e A Gazeta, em Vitória, entre outros impressos no país). Trata-se de um mulherengo acomodado que tem como esposa, a censora e destemperada Jandira. Mas não vamos julgar esse casal tão brasileiro em seu cotidiano familiar, vamos conhecer, através das tiras diárias. Gervásio foi também o protagonista em quatro livros lançados em todo o Brasil e na Espanha em 2002: O Melhor de Gervásio, Gervásio e Jandira,  O Bom Humor de Gervásio e  E Isso São Horas?.  Tem também participações em diversas outras obras e catálogos (nacionais e internacionais.
 
Quem pensa que Zappa parou em Gervásio se enganou. Assim como o nome Zappa (vindo de zap, veloz, rápido, certeiro), ele não se acomodou, tratou de espalhar seus desenhos pelo mundo. Seus trabalhos foram publicados em veículos como o The Atlanta Journal (EUA), Opasquim21, Quevedos (Espanha), A Notícia (Brasil/SC) e muitos outros.

Desenha mensalmente para a editora Abril (Revista Você s.a) desde 2001 e autor da página Oficina de Desenho com Zappa, publicada no suplemento infantil A Gazetinha. Atualmente o cartunista Zappa é um dos mais requisitados pelas agências brasileiras como caricaturista de convenções.

O capixaba Zappa é sem dúvida um dos mais talentosos profissionais do chamado humor gráfico do Brasil. Especializou-se em ensino de artes visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Seus trabalhos incluem atividades como pintura, cinema, animação, histórias em quadrinhos, ilustrações para produtos como canecas, relógios, etc.

Proprietário da Zappa Criações, empresa pela qual faz projetos para ilustrações e identidade visual. Zappa é também um dos artistas brasileiros mais premiados em festivais de humor. Todos esses fatos são razões mais do que suficientes para nos orgulharmos dele. Para celebrar as duas décadas de sucesso, ele está lançando o livro “Gervásio & Jandira – 20 Anos de Humor”. Vale a pena conferir.



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12 dezembro 2013

Mangaba, fruta dos deuses, corre o risco de desaparecer no Nordeste



Isso é dos deuses. A famosa frase, proferida por milhares de baianos, vem a calhar muitíssimo bem quando o assunto é fruta e, sobretudo, quando a fruta é mangaba. Excelência em sabor, a mangaba é própria dos deuses. Mangaba (Hanconia Speciosa) é daqui mesmo, das praias do norte e do nordeste brasileiro. Os índios a chamavam mangawa (fruta boa de comer). E assim como as demais delícias do Brasil, a fruta não tardou a cair no gosto do colonizador português.


São muitos os registros desses primeiros tempos. Fernão Cardim, reitor do colégio jesuíta da Bahia, diziajamais farta-se delasem Do Clima e Terra do Brasil, século 17. Logo depois, escreveu Ambrósio Fernandes Brandão:mangaba, fruta que pode ser estimada entre as boas que no mundo, qual semelham as sorvas de Portugal(Diálogos das Grandezas do Brasil). Encantados ficaram também os franceses, que aqui vieram embalados pelo sonho grandioso de fundar uma França tropical. Como prova, temos o comentário do capuchinho Claude dAbbeville:são frutos muito doces e agradáveis e que derretem na boca.

A mangabeira não é árvore alta, tem galhos pequenos. A madeira avermelhada é de bem pouco valor econômico, prestando-se à fabricação de lenha e móveis baratos. Dela se pode extrair ainda um látex rosado de qualidade inferior. As folhas têm manchas que lembram ferrugem. As flores são claras e levemente perfumadas, e são medicamentos caseiros de prestígio para o tratamento de tuberculose e úlcera entre os simples sábios da medicina natural. Os frutos podem ser consumidos ao natural, mas não são muitos os que apreciam o travo de seu visgo. Melhor quando convertida em suco, sorvete, geleia, doce em calda ou ainda licor.

RÚSTICA - A mangabeira é uma árvore muito rústica. Ela produz muito bem em solo arenoso, que é um solo muito pobre. Ela não é exigente em nutriente. Também são poucos os traços culturais, basta uma limpeza do terreno para se ter uma boa produção, explica os agrônomos da Embrapa. A mangaba reina absoluta nas baixadas litorâneas da região Nordeste, onde se obtém, de maneira extrativista, a quase totalidade dos frutos colhidos no Brasil. Os Estados da Paraíba, Bahia e Sergipe são os maiores produtores desta delícia dos deuses.

A mangaba é uma fruta que deve ser direcionada para a indústria. Ela é mais utilizada em suco e sorvete porque trata-se de uma fruta muito perecível. Então, a exploração comercial deve envolver sempre a questão do congelamento, detalha os especialistas.  A mangaba é muito rica em ferro e vitamina C. A fruta verde é venenosa e imprópria para o consumo, causando intoxicações que podem levar à morte.

AMEAÇA - Essa fruta saborosa e tradicional do Nordeste corre o risco de desaparecer de algumas regiões. As áreas nativas de mangabeiras vêm perdendo espaço para a especulação imobiliária, canaviais, coqueirais e para os criatórios de camarão. Um dos exemplos mais graves está em Pernambuco. Estimativa feita pela Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju/SE) mostra que o estado perdeu 90% das áreas originais de mangaba.A situação também é crítica em Alagoas e Paraíba, onde as mangabeiras estão sendo substituídas por monoculturas e ampliação das infra-estruturas turísticas, afirma o pesquisador e um dos coordenadores do projeto, Josué Francisco da Silva Júnior.

O projeto, iniciado em 2003, tem como objetivo revelar a situação dos remanescentes da mangaba no litoral nordestino e analisar o papel das comunidades tradicionais na conservação desses recursos.A mangaba é muito importante para os nordestinos porque faz parte da cultura do povo, além de ser muito apreciada pela população. Na época da colheita, que ocorre de novembro a maio, comunidades inteiras vivem exclusivamente da coleta dos frutos nas áreas nativas e da venda em mercados e feiras livres. O desaparecimento da mangaba significará a perda da fonte de renda para centenas de famílias, justifica o pesquisador.

Os locais em que as áreas nativas da mangabeira estão mais conservadas são em Sergipe e no litoralnorte da Bahia.Percebemos que nessas áreas a especulação imobiliária e a monocultura ainda não são tão predominantes, aponto Josué Francisco da Silva Júnior. Os trabalhos contemplam os estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pará. Vale lembrar que estamos na estação da mangaba, que vai de novembro até maio.


Conta a lenda que um índio muito corajoso chamado Diaí lutou inúmeras vezes para defender a natureza e protegeu principalmente a seringueira que os homens brancos estavam destruindo. Numa dessas lutas, foi ferido e morreu, sendo abençoado pela Lua. Do seu coração brotou a mangabeira, que se tornou uma árvore sagrada para os índios, dando frutos doces e polpudos, cujo leite se parece com o látex. Um dia, uma jovem índia chamada Ytaciara estava desesperada para salvar Koara, seu grande amor, que estava para morrer. Uma velha índia ensinou Ytaciara a preparar um chá da folha da mangabeira para o seu amado. Ao tomar o chá, Koara sobreviveu e todos conheceram o poder de cura da planta.
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