23 maio 2013

Utilidade, simplicidade e o charme das tradicionais moringas estão de volta



Quem nunca acordou de madrugada desejando um refrescante copo de água sem precisar se levantar e ir até a cozinha matar a sede? Pois é, a solução para a sede noturna pode estar na comodidade e beleza rústica das tradicionais moringas comumente utilizadas nas fazendas e casas do interior da Bahia e do Brasil. Além da praticidade, a moringa confere charme ao ambiente, seja pela simplicidade ou pela releitura moderna  da peça, que desta forma tem ganhando espaço nas grandes cidades.

peças para todos os gostos. Modelos que vão desde as originais, feitas de barro, pintadas a mão, até as mais sofisticadas, de cristal, porcelana, inox, alumínio, entre outros materiais. A dupla investe nos motivos florais, folhagens, palmeiras e coqueiros. Apesar dos inúmeros modelos, vale lembrar que somente as peças tradicionais de barro conservam a água fresquinha. A arte de fazer moringas é milenar. O processo de fabricação das peças se na olaria, onde se prepara a argila para a sua confecção.

Depois da modelagem, as peças são levadas para secar em local ventilado e sem a incidência direta dos raios solares para não danificá-las. O processo de secagem deve ser o mais lento possível, recomendam os artesãos. Em seguida, as moringas vão para o forno à lenha para a queima, que leva aproximadamente de sete a oito horas. Feito a queima, as peças são lixadas e limpas, para então entrarem no processo de pintura.

MATANDO A SEDE - Você deve ter se perguntado porque a água contida numa moringa de barro é fresca. Não é uma sensação física. A temperatura dela é realmente alguns graus centígrados menor que a temperatura ambiente. Por que isso acontece? Porque o barro cozido com o qual a moringa é feita, é porosa à água, isto é, á água atravessa lentamente a parede de barro. Essa ação faz com que a parede da moringa esteja sempre úmida. Por sua vez, essa umidade da parede externa está sempre evaporando e a moringa vai lentamente perdendo a água armazenada em seu interior.

Com a água, para passar do estado líquido para o gasoso necessita de calor, do mesmo modo, a evaporação da umidade das paredes da moringa requer calor. Esse calor necessário a evaporação é obtido da água do interior da moringa. Como a água do interior da moringa perde calor, a temperatura dela diminui, ficando, assim, mais fresquinha. É o fenômeno da termodinâmica aplicada à moringa de barro: água fresca sem precisar de geladeira. Isso não ocorre felizmente com o jarro de vidro, por exemplo, uma peça, digamos,mais modernaque a moringa de barro.

ESTADO DE ARTE - A Bahia é um grande centro produtor de artesanato em barro. O município de Barra, por exemplo, cidade localizada às margens do Rio São Francisco, no centro-oeste do Estado, no passado, com o seu intenso fluxo de vapores e gaiolas que navegavam pelo Velho Chico, incentivaram a produção e comercialização de peças em barro, como potes, filtros, talhas, vasos, e claro, moringas. Essas mercadorias abasteciam diversas cidades, como Barreiras, Xique-Xique, Bom Jesus da Lapa e Juazeiro. 


Com o declínio da navegação fluvial, infelizmente, a atividade manufatureira do barro entrou em acentuado declínio na cidade de Barra por falta de compradores que permitissem escoar a produção. Maragogipinho, distrito do município de Aratuípe, é a terra das olarias construídas com chão de terra batida e paredes de palha. São 157 no eixo do porto do rio Jaguaripe que margeia a localidade e mais umas 25 olarias nos fundos dos quintais das casas dos oleiros, segundo os registros da Associação de Auxílio Mútuo dos Oleiros de Maragogipinho (AAMOM). Em Maragogipinho, predominam a produção local de peças utilitárias e decorativas, como pote, moringa, prato e abajur.

Nos últimos anos, cidades como Barra e localidades como Maragogipinho, têm sido assistidas pelo Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, coordenador de políticas para o artesanato baiano, cujo trabalho, juntamente com os municípios, é direcionado no sentido de resgatar antigas tradições da cultura popular, com o objetivo de manter vivo o artesanato do Estado. Sua atuação ocorre através da aplicação de programas que visam o incremento da produção com geração de emprego e renda, a divulgação da atividade artesanal e o escoamento da produção através da comercialização direta com o público consumidor.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras, 28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

22 maio 2013

Claudia Barbosa: do bom senso para a diferença dos espaços para a mulher



Ela é uma mulher de todos os tempos, de todas as nações. Isso a fez crescer como pessoa e nos emociona. No meio a tanta turbulência cultural, ela já se habituou a triturar, processar e buscar a lógica da narrativa e do pensamento. Ela tenta entender de que matéria nós somos feitos. Para ela, há uma miscigenação civilizatória no mundo. Ou seja, você é tudo que você quer ser, porque a terra não confirma, a terra se expande. Mas que a língua é o espírito e a carne da gente.

Jovem persistente, obstinada, mas não obcecada. Ela presente quando a voz fala demais. Desde o início, dificultoso, Claudia já chamava a atenção das pessoas. Pela sua doçura, sua integridade, sua generosidade, sua postura ética. Mesmo assim ela está pagando um preço alto pela coragem de experimentar esse trabalho inédito.

Assim, ela vai cumprindo cada etapa do destino como pesquisadora. Não é um caminho fácil. Nem sempre as personagens de sua pesquisa se declinam a se dedicar um tempo para falar de sua experiência, apresentar o seu processo de trabalho pra a pesquisadora. Escrever é um abismo, o lugar do perigo, o centro da discórdia, do risco. É preciso saber costurar bem com linha que não arrebenta a linguagem. Mas a linha da costura arrebenta e ela precisa harmonizar tudo em meio a toda essa desarmonia.
 
Ela sabe que é muito difícil conquistar o espaço para uma mulher. Mas lhe agrada muito quando alguém busca renovar os ditames, os cânones, pois lhe desagrada muito a banalidade dos sentimentos, da palavra, dos sentimentos. Ela tem lados que lhe entristecem, mas outros abrem uma porta de esperança. E para dar continuidade em seu trabalho ela tem que entrar no corpo, na alma do outro, ser múltiplo. É como o mito Proteu, sendo tudo, o outro não lhe escandaliza na sua perspectiva. E assim, fala em nome desse outro, múltiplo.

“Diálogos com as mulheres na política local baiana: famílias, tradições e representações entre o público e o privado” defendido no dia 04 de dezembro de 2012, na Universidade Católica do Salvador, é uma pesquisa que reconhece as ações desenvolvidas por aquelas que, mesmo diante da condição de invisibilidade imposta pela situação social, fazem a diferença na história dos seus espaços.

Reivindicar direitos iguais em todas as áreas da vida é bom e justo. A história nos ensina que foi por seus próprios esforços que os oprimidos realmente se livraram de seus senhores. Assim, a liberdade irá até onde for seu poder de libertar-se. Mais liberdades pelas causas justas!
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras, 28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)