16 janeiro 2013

Sociedade humorística (03)

Duas guerras mundiais não aniquilaram o senso do cômico. O riso do século XX é humanista. É um riso de humor, de compaixão e, ao mesmo tempo, de desforra. Como escreve Georges Bataille, “só o humor responde todas as vezes à questão suprema sobre a vida humana”, e sem ele os sofrimentos do século seriam ainda mais insuportáveis.

Depois, a epidemia do riso atingiu a religião – sobretudo o cristianismo, porque o islamismo continua, tragicamente, a levar-se a sério.

A democracia moderna aprendeu esta lição da história: um poder que não aceita a zombaria é um poder ameaçado, desprezado, votado a desaparecer. Só se zomba daquilo que ainda inspira algum respeito: o cúmulo do desprezo é a indiferença. As democracias modernas aceitam o contrapoder do riso porque avaliaram sua utilidade.

Hoje, a obsessão festiva é outra sinal do triunfo ambíguo do riso. A festa gregária sufoca o indivíduo, única base de um humor autêntico. A festa é, por essência, coletiva e antiindividualista, a pessoa se perde no grupo. Neste inicio do século XXI o riso está em toda parte, mas volta ao vazio. O que, outrora, fazia o vigor do cômico era o contraste com o riso: seriedade do Estado, da religião, do sagrado, da moral, do trabalho, da ideologia. Esse contraste atualmente se atenuou em proveito de um mundo raso, o da sociedade humorística, da qual Gilles Lipovetski deu uma bela descrição em A Era do Vazio.

Sob a aparência hedonista e narcisística, a sociedade humanística revela-se profundamente antiindividualista. Ele bajula a pessoa para melhor neutralizá-la. O riso tem seu lugar nesse impulso de gregarismo. Um riso inofensivo, desarmado, desligado, um riso cordial, fun, descontraído. A regra é ser engraçado e original o suficiente para não chocar. A indiferença e a desmotivação de massa, a ascensão do vazio existencial é a extinção progressiva do riso nos fenômenos paralelos – por toda parte é a mesma desvitalização que aparece, a mesma neutralização das emoções, a mesma auto-absorção narcisística. Estamos no fim do riso? Responda caro leitor, entre também nessa discussão..

Riso, o elixir da longa vida

O homem é a única criatura que ri e sabe que a morte é uma certeza absoluta. Os antigos filósofos defendiam o riso como manifestação pessimista diante da dramaturgia absurda que é a vida. Em seu livro “O Riso. Ensaio sobre a significação da comunidade”, o estudioso Henri Bergson (1859/1941) é dono da tese do riso como trote social. O riso embute o sentido de humilhar alguém. Daí o formato mais perto da vida social seria a comédia, não o drama.

De Aristóteles a Hobbes, de Platão a Georges Bataille, foram inumeráveis e quase infinitas as tentativas de conceituação do humor. Na Grécia antiga, o humor estava no centro da sociedade, nos rituais de sacrifício, danças e cultos, nos sagrados festivais báquicos, nas procissões orgiásticas. Na Idade Média, por sua vez, o humor também se expressa como representação essencialmente pública, uma prática coletiva de vilarejos, praças e igrejas, como as festas cristãs da celebração dos mistérios da Paixão, da Páscoa e do Natal. Ele integra a conjunto de práticas para as legítimas expressões próprias da época – exorcismos, conquistas, misérias, fantasias. A commedia dell´arte nasce na Itália no século XVI e se consolida no século seguinte na França como gênero teatral distinto do teatro medieval.

A partir do século XVII a tragédia se afirma como gênero “de conteúdo” e assim desqualifica a comédia, o humor e o riso como fontes de informação sobre o real. À medida que o sério na Idade Clássica passa a ser condição de credibilidade para conteúdos que pretendem exprimir verdades, o humor perde essa sua característica positiva e universal.

Na Antiguidade, na Grécia ou em Roma, na Idade Média e no Renascimento, tempos em que a razão não havia ainda espalhado certezas pelo mundo, o humor como produtor e veículo de verdade ocupa um espaço central no cotidiano da sociedade. Assim, a afirmação do poder absolutista na política, do capitalismo que o financiava na economia e do discurso da razão na ciência e na cultura, marcam a decadência da festa, da celebração e do riso como portadores da verdade.
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

15 janeiro 2013

Sociedade humorística (02)

A grande ofensiva político-religiosa do sério começa na metade do século XVI e vai até o século XVIII. A aliança da Igreja triunfante e uma monarquia absoluta não poderia tolerar as bufonarias populares que colocam o mundo do avesso. O riso torna-se suspeito. Assim, a palavra de ordem de uma Europa consciente da necessidade de restaurar a ordem ameaçadas pelas fortes sacudidas das descobertas e das Reformas é que o riso é desordem.

O riso deve ser eliminado das altas esferas da cultura e da espiritualidade em proveito do solene, do grandioso, do imponente, da nobreza. A hora é do majestoso. É preciso terminar com o riso obsceno e subversivo do Carnaval e de outras festas populares. Mas as resistências fazem-se sentir um pouco por toda parte.

Se para Rabelais todo mundo pode rir, para Voltaire o mundo é risível. Na Renascença, todos podem rir, com acentos diferentes, porque o riso é próprio do homem e essência de vida. Na época clássica, muitos não riem mais: os responsáveis, as autoridades defendem a ordem, a grandeza, a imobilidade das instituições, valores e crenças de um mundo, enfim, civilizado. Essa atitude exige seriedade, já que o riso é o movimento, o desequilíbrio, o caos. O riso é, portanto, relegado à oposição. Reduzido à função crítica, de escárnio, de zombaria, ele se torna ácido.

A era da desvalorização cômica (primeira metade do século XVII) fracassa porque o riso não morreu, ele se transformou em razão da evolução cultural global. O riso ora se torna espetáculo ora instrumento – ri-se às gargalhadas e mata-se em duelos; zomba refinadamente e assassina-se por uma tirada de espírito. O riso torna-se, antes de tudo, um instrumento de crítica social, política e religiosa. O riso polido se transforma em zombaria nos séculos XVII e XVIII. Todos os risos, sonoros ou insinuados, altos ou abafados, participam, em última instância, da consolidação de ordem social, moral e política, desempenhando a função de válvula de escape.

Não é pela cólera, é pelo riso que se mata”

A vida política no século XIX, que avança de maneira caótica em direção à democracia, necessita do escárnio, uma vez que o debate livre não pode prescindir da ironia. Riso e democracia são indissociáveis. O riso de combate, o riso partidário, conhece, portanto, um extraordinário renascimento no século XIX. Os métodos grosseiros de intimidação e de repressão são largamente empregados, mas os regimes parlamentares recorrem a soluções mais sutis, e o slogan romano “pão e circo” retorna com toda a força. As relações entre a religião e o riso não melhoram no século XIX. Na Igreja Católica, em particular, os rostos nunca estiveram tão franzidos. A Igreja, encenada, criticada, confrontada com a ascensão das ciências e do ateísmo, encolhe-se, crispa-se sobre seus valores e responde ao mundo moderno com o anátema. Mais que nunca, o riso é diabólico.

O filósofo Hegel abre o século XIX com desconfiança em relação ao riso em sua seriedade dialética. Já Kierkegaard apresenta o riso do desespero e Arthur Schopenhauer afirma que o pessimismo não é inimigo do riso, ao contrário. Mas o grande sopro da gargalhada niilista atravessa a obra de Nietzsche e apresenta o riso destrutivo: “Não é pela cólera, é pelo riso que se mata”. Bergson apresenta sua mecânica social do riso: “O cômico é inconsciente”. Sigmundo Freud interessa-se pela questão e vê no humor a forma mais acabada do triunfo do eu. O humor tem “alguma coisa de sublime e de elevado...”. Assim na primeira metade do século XIX, o mundo interpretado pelo riso é a visão do grotesco romântico. E na segunda metade do século, é uma visão do absurdo derrisório.

“O riso é satânico, logo, é profundamente humano”, escreve Baudelaire em seu tratado Da essência do riso. Toda a obra de Victor Hugo ilustra a ambiguidade do riso. O mundo riu de tudo, dos deuses, dos demônios e, sobretudo, de si mesmo. O riso foi o ópio do século XX, de Dada aos Monty Pythons. Essa doce droga permitiu à humanidade sobreviver a suas vergonhas. Assim o riso tornou-se o sangue e a respiração dessa sociedade humorística que é a nossa. Não há como escapar dele: o riso é obrigatório, os espíritos tristonhos são postos em quarentena, a festa dever ser permanente.

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Nildão lança novo livro no Rio Vermelho



O cartunista e designer Nildão promove big festa para lançar "Drops Pops", seu décimo sexto livro.
Será sábado, dia 26 de janeiro, a partir das 22 horas no Póstudo, Rua João Gomes n° 87, no Free Shop - Rio Vermelho. A animação fica por conta de DJ Roger N' Roll, o ingresso custa 30 reais e dá direito a um exemplar do livro.

“Drops pops” é um livro formato postal e capa dura, em preto e branco com pitadas de vermelho que brinca com os ícones universais da cultura pop: de Bob Marley a Fernando Pessoa, de Michael Jackson a Hitler todos são tratados e digitalmente modificados através da lente do humor sutil e perspicaz do autor. Nos últimos dez anos, Nildão lançou dez livros em animadas festas dançantes no Rio Vermelho. O que une todos eles é o humor sutil, matéria prima que o artista utiliza nos seus mais variados suportes. De nanodelicadezas a falsos logomarcas, de cartuns não verbais a anúncios fictícios o afiado e delicado humor de Nildão continua atual e a serviço da não paranóia, estado de espírito pouco cultivado nos dias de hoje. Todos os livros lançados nesse período estão à venda no site autoral: nildao.com.br (Fonte: Site do autor)


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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

14 janeiro 2013

Sociedade humorística (01)

Alternadamente agressivo, sarcástico, escarnecedor, amigável, sardônico, angélico, tomando as formas da ironia, do humor, do burlesco, do grotesco, ele é multiforme, ambivalente, ambíguo. Pode expressar tanto a alegria pura quanto o triunfo maldoso, o orgulho ou a simpatia. Serve ao mesmo tempo para afirmar e para subverter. Na encruzilhada do físico e do psíquico, do individual e do social, do divino e do diabólico, ele flutua no equívoco, na indeterminação. Portanto, tem tudo para seduzir o espírito moderno.

Fenômeno universal, ele pode variar muito de uma sociedade para outra, no tempo e no espaço.

O riso, nos mitos gregos, só é verdadeiramente alegre para os deuses. Nos homens, nunca é alegria pura; a morte sempre está por perto, e essa intuição do nada, sobre o qual estamos suspensos, contamina o riso. Aliás, pode-se, literalmente, “morrer de rir”.

O trocista e sarcástico Momo, do panteão grego, zomba, caçoa, escarnece e faz graça. Já Dionísio, deus da vinha, do vinho, da embriaguez, é ambíguo, perturbador – deus da ilusão, associado ao teatro misturando comédia e tragédia.

O humor está em toda parte

A primeira qualidade do humor é precisamente escapar a todas as definições, ser inacessível, como um espírito que passa. O conteúdo pode ser variável: há uma multiplicidade de humor, em todos os tempos e em todos os lugares, desde o movimento em que, na mais remota pré história, o homem tomou consciência dele mesmo, de ser aquele e ao mesmo tempo de não o ser e achou isso muito estranho e divertido. O humor surge quando o homem se dá conta de que é estranho perante si mesmo.

Diabolização do riso na Idade Media

O riso não é natural no cristianismo, religião séria por excelência. Suas origens, dogmas, história o provam. O monoteísmo estrito exclui o riso do mundo divino. Para os cristãos, quando o pecado original é cometido, tudo se desequilibra, e o riso aparece: o diabo é responsável por isso. Essa paternidade tem sérias consequências: o riso é ligado à imperfeição, à corrupção, ao fato de que as criaturas sejam decaídas, que não coincidam com seu modelo, com sua essência ideal. É esse hiato entre a existência e a essência que provoca o riso, essa defasagem permanente entre o que somos e o que deveríamos ser. O riso vai se insinuar por todas as imperfeições humanas.

Os pais da Igreja viram no riso um fenômeno diabólico, ligado à decadência humana. Eles tinham uma concepção muito negativa do riso, e isso marcará o cristianismo durante século.

Na Idade Média, a visão cômica foi excluída do domínio sagrado e tornou-se a característica essencial da cultura popular, que evoluiu fora da esfera oficial. O riso medieval explode de forma espetacular na festa – Carnaval e peças cômicas.

A Renascença foi a rejeição da cultura oficial da Idade Média pelo riso popular, por uma “carnavalização direta da consciência, da concepção de mundo e da literatura” (BAKHTINE, M. L'Ceuvre de François Rabelais. Paris. 1970, p.273). Os humanistas utilizaram a cultura popular cômica medieval como alavanca para reverter os valores da sociedade feudal. Pelo riso, eles liberaram a cultura de sendeiro escolástico estático e introduziram uma visão de mundo dinâmica, otimista e materialista. O revelador dessa revolução pelo riso foi Rabelais, o Marx da hilaridade, o fundador da internacional do riso. Rabelais realizou a síntese entre o cômico popular medieval, de base corporal, e o cômico humanista, de base intelectual. Com Boccacio, Rabelais, Cervantes e Shakespeare o riso ascende ao estatuto filosófico. O riso não é só divertimento, pode ser uma filosofia: eis uma das grandes descobertas da Renascença, que dá ao riso direito de cidadania na grande literatura.

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10 janeiro 2013

Harmonia e imperfeição

Na vida tudo gira em torno da harmonia. Um bom exemplo disso é a coreografia dos ciclos naturais, primavera, verão, inverno e outono mostrando como a vida coexiste e improvisa com o meio ambiente e como padrões simétricos tendem a se repetir. Basta ver a bifurcação dos troncos das árvores e dos leitos dos rios, as espirais das galáxias, e das conchas, a simetria das asas de uma borboleta e dos flocos de neve.

No universo não há só harmonia e simetria. Se só houvesse equilíbrio jamais haveria transformação. Todas as coisas fundamentais que existem dependem de um desequilíbrio. O próprio Universo se originou do desequilíbrio. Quando o sistema está equilibrado, não se transforma. Sem transformação não há criação, nada acontece. Portanto, tudo o que ocorre e que se transforma no mundo o faz devido a imperfeições, ao desequilíbrio. É a tensão entre harmonia e imperfeição que gera a criatividade do mundo natural, das formas mais simples àquelas mais complexas. Como pode existir harmonia em um Universo que tende à desorganização. Esse é um dos grandes desafios da Ciência.

As imagens vindas dos mais distantes recônditos cósmicos mostram as profusões de cores e formas de uma beleza espetacular que alguns defendem como harmonia universal. Puro mito. O que existe se olharmos mais atentamente no espaço cósmico são fenômenos catastróficos como galáxias em colisões gerando devastadoras explosões e até buracos negros engolindo tudo ao seu alcance. Um verdadeiro caos absoluto. A imperfeição e falta de harmonia também se encontra em nosso planeta. Um bom exemplo são os dinossauros que, de tão imperfeitos, já nem existe há mais de milhões de anos porque não alcançaram a harmonia e perfeição exigidas naquele momento. Se houvesse de fato harmonia universal não teríamos o velho confronto entre o bem e mal (e tantos outros opostos).

Toda a história contemporânea gira em torno do problema da desigualdade ou da igualdade dos direitos humanos. E neste século a história registra um movimento igualitário cada vez mais acelerado. Velhos querem parecer jovens. Professores se dizem iguais aos alunos. Governantes procuram igualar-se aos governados, padres querem nivelar-se aos fiéis.

Assim, a desigualdade permite a ordem e harmonia do Universo. A beleza do arco íris só é possível pela desigualdade harmoniosa das cores. É a desigualdade das notas musicais que permite a música. No reino vegetal, a desigualdade cresce de valor diante da variedade: cedros majestosos no Líbano, orquídeas delicadas nas selvas brasileiras e repolhos em qualquer horta. E nos animais? O rei das selvas é o leão mas ele tem defeito na vista, só vê coisas grandes; o morcego somente pousa de cabeça para baixo, tendo uma visão invertida. Nos seres humanos todos são iguais em tudo, nos acidentes é que são diferentes (altos, baixos, gordos, magros, loiros, morenos, negros etc).

Sem encontrar paz na Terra, o astrônomo Johannes Kepler (1571-1630) buscou a harmonia do mundo nos céus. Durante toda a vida, os homens se destroçaram em conflitos religiosos. Com imaginação e observação, a base da investigação científica, Kepler tornou-se o primeiro a compreender o movimento planetário. Ao constatar que uma força física movia os planetas, ele ajudou a fundar a Ciência moderna. Mas Kepler só conseguiu mudar a maneira de pensar de sua época porque não temia o que descobria. Sua curiosidade sobre seu Deus, dizia Carl Sagan, era maior que seu temor.

Assim, ao final, Kepler encontrou harmonia do mundo. Já o cientista Marcelo Gleiser, a imperfeição. Harmonia e imperfeição são pensamentos científicos de duas épocas distintas. Imperfect Creation, o livro de Marcelo Gleiser. "Vou escrever sobre a importância da imperfeição no universo. Todas as coisas fundamentais que existem dependem de um desequilíbrio, o próprio universo se originou de um desequilíbrio. Quando o sistema está equilibrado, ele não se transforma. Sem transformação não há criação, nada acontece", diz. "Mas o que vemos é a organização, a simetria. Um dos grandes desafios da Ciência é explicar como pode existir harmonia em um universo que tende à desorganização. A ideia que eu quero trazer é explicar como imperfeição e harmonia caminham juntas.". Pela primeira vez, Gleiser vai mesclar - deliberadamente - a Ciência com a própria biografia. Ele quer mostrar qual foi o papel da imperfeição, do desequilíbrio e da morte na criação da sua vida. Como ele alcançou à sua pró-cura.
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09 janeiro 2013

Bando de Lucas invade quadrinhos novamente!

Lucas da Vila de Sant’Anna da Feira foi o primeiro álbum publicado em 2010. A publicação recebeu o Prêmio Ângelo Agostini em três categorias, e uma merecida indicação ao Troféu HQMIX. Agora chega às livrarias o novo álbum Sant’Anna da Feira, Terra de Lucas. Patrocinado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult), através de recursos do Fundo de Cultura, com 180 páginas e é resultado de treze anos de trabalho, divididos entre pesquisa histórica, e iconográfica, revelados através do roteiro de Marcos Franco e belíssimas ilustrações de Hélcio Rogério.

Lucas da Feira foi um escravo rebelde que se notabilizou como líder de um afamado bando de salteadores da Bahia provincial na primeira metade do século XIX. A trajetória de vida de Lucas da Feira é delineada na obra, embasada por uma acurada pesquisa em fontes documentais, memória oral, romances, cordéis e no estudo da cultura material dos locais onde o escravo, possivelmente, teria percorrido.

O álbum é um convite a se embrenhar pelas caatingas do agreste baiano escravista na região de Feira de Santana, localizada numa encruzilhada de caminhos e sede de uma vigorosa feira que alimentava as demandas do interior da Província e da capital no século XIX. A expressão 'Terra de Lucas' é uma expressão comumente atribuída à Feira de Santana, normalmente carregada de uma conotação pejorativa, cujo simbolismo está correlacionado à rebeldia escrava personificada em Lucas Evangelista, o 'Lucas da Feira', que viveu e atormentou aquela região da Província da Bahia na primeira metade do século XIX.

A narrativa mostra o menino Lucas, escravo rebelde que foge da humilhação do cativeiro, até a construção do homem, bandido temido pelo poder local. Nesses recortes narrativos do passado o leitor toma conhecimento das façanhas da personagem como resistência negra, sua força e personalidade até o mito, a prisão e o enforcamento do herói. Toda a construção da personagem foi baseada em elementos do imaginário popular, histórias da oralidade e versões forjadas pela historia oficial. Essa última pode edificar ou dignificar seus heróis e demonizar e silenciar os personagens do ovo. O olhar sobe Lucas nessa HQ é pela resistência no auge da escravidão no Brasil, ou seja, mesmo acorrentado, silenciado, invisibilizado, o povo não permaneceu passivo.

A busca pela liberdade permeia toda a obra. E nossa historiografia não costuma mostra essa faceta. O mundo impessoal dos negócios da escravidão onde as pessoas eram submetidas a transações comerciais reduzidas a meros instrumentos de trabalho, é cheio de ações complexas e delicadas. O narrador pode evidenciar o lado de uma ideologia de concessão senhorial ou apresentar o quotidiano do lado escravo e a sua luta por justiça e o direito à liberdade.

Nesse aspecto, esses escravos eram homens e mulheres com ideias próprias que lutaram e conseguiram pequenos ou grandes vitorias. Interessa aqui, portanto, compreender a partir da trajetória de Lucas como ele construiu estratégias para a conquista da liberdade na região de Feira de Santana, na segunda metade do século XIX. Esta investigação buscou pensar o problema num contexto mais amplo ao buscar observar graus de todos os sentimentos e nuances da personalidade de Lucas, inserindo-as ma micropolítica tecida no dia a dia a partir da relação senhor/escravizado. Numa sociedade onde uma classe dominante sempre é mais visível, vale resgatar e legitimar as lutas desses escravos invisíveis.

A historia oficial ofuscou a figuras de negros em nossa história. Uma prova disso é a guerreira de Itaparica, Maria Felipa. Os autores procuraram dar mais credibilidade ao trabalho apresentando as variedades do português popular e expressões africanas na cultura oral brasileira. No final do álbum, o apêndice com palavras utilizadas pelos personagens e um glossário, relação de termos e expressões regionais ou pouco comuns, com o sentido em que são usados nessa obra. Um belo trabalho que deve ser lido e relido por todos.

A dupla Marcos Franco e Helcio Rogério estão de parabéns. Há closes espetaculares, enquadramentos cinematográficos, realismo histórico na narrativa quanto na ilustração. Um álbum que deveria estar em todas as nossas escolas para o conhecimento de todos – quem foi Lucas da Feira? Por que nossas historiografia oficial esconde esses fatos? A conquista de sua liberdade pela altivez dos seus atos fere a história oficial? O que está por traz disso tudo? Precisamos espalhar para todos o significado do percusso desse personagem e e muitos outros que estão no subsolo da história. É preciso resgatar todos eles a visibilidade dos dias atuais para a reflexão.

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08 janeiro 2013

Diferentes sexualidades no Quarto ao Lado

Existe uma tensão entre intimidade e estranheza nos momentos de descoberta sexual e afetiva, principalmente quando os envolvidos possuem diferentes vivências de sua sexualidade e desejo. Nos relacionamentos contemporâneos, a descoberta sexual e afetiva é realizada com maior abertura para a experimentação do sexo e dos sentimentos com pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto – sem que para isso haja a obrigatoriedade de se definir como hetero, bi ou homo. Mas essa abertura ainda sofre, hoje, de preconceitos. A força do sexo ainda é tabu num pais religiosamente tradicional.

Há vários olhares possíveis sobre os temas da transitoriedade do amor, das inúmeras inúmeras potencialidades do afeto, às vezes contrárias às convenções sociais, e de toda gama de sentimento humano. Sob o pano de pressões políticas, sociais, econômicas e existenciais no século XXI veio à tona o ser humano “em pedaços”, fragmentado. Para muitos psicanalistas o que pode unir todos esses fragmentos é o erotismo. E s intersecção do erotismo comas manifestações artísticas tem a capacidade de agregar todas essas versões do ser humano, em seu sentido mais amplo, antropológico.

As descobertas sexuais, os tabus e a sexualidade são temas pouco trabalhado nas historias em quadrinhos brasileiras. O Quarto ao Lado é um álbum que mostra as curiosidades, experimentações e diversidades sexuais de jovens e de adolescentes. São três histórias em quadrinhos, e um conto, passadas em cidades da Bahia sobre os relacionamentos afetivos e sexuais entre personagens de diferentes sexualidades.

Idealizado pelo roteirista Marcelo Lima, o álbum tem como desenhista principal o ilustrador André Leal, com participações de Daiane Oliveira e Bruno Marcello, além de arte para a capa feita por João Oliveira. Foi patrocinado pelo Fundo de Cultura da Bahia (Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e Fundação Pedro Calmon), e selecionado no Edital de Culturas LGBT.

As personagens principais vivem a poucos metros uma da outra, sempre no quarto vizinho e os desdobramentos tanto positivos quanto negativos dessa proximidade fornecem material para estas histórias:

“Warren é um fotógrafo britânico que viaja a Salvador a trabalho. No entanto, outros interesses lhe despertam ao conhecer Uilliam, jovem negro morador da Comunidade do Unhão. O relacionamento começa pelo interesse de um experimentar novas sexualidades e do outro em troca financeira. Com o tempo a relação amadurece e a distancia de um com o outro traz sentimentos mais fortes. O desejo de melhorar de vida e intensificar o relacionamento sexual acontece mais uma vez nesse enredo.

Em outro roteiro, Rafa é universitário e mora com Matias, em Feira de Santana. São amigos de infância desde Santo Amaro e jamais se desgrudaram… Pelo menos até o momento em que se inicia essa história. Algo estranho e muito íntimo aconteceu entre eles abalando a amizade e a intimidade do quarto ao lado. Uma das razões é a presença de Isa… Ex-namorada libertária do frustrado Rafa, que retorna de uma experiência transformadora na casa de seu pai e da madrasta Alessandra, em Santo Antonio de Jesus. Sua volta traz ainda mais confusão para a vida de Matias e Rafa. O resultado disso tudo é bastante revelador...

Em uma cidade não identificada, Luisa encara o tédio de sua vida adolescente e sem novidades quando conhece a misteriosa Ticiana e o excitante Thácio, que fazem ela encarar de frente as necessidades mais urgentes em sua vida: provocar desejo em alguém e perder a virgindade. Homoerotismo com suas dúvidas, questionamentos, setimentos a flor da pele e ansiedades que acompanham o processo de descobertas de si e do outro. A vida é assim, cheia de surpresas e descobertas. O roteirista é muito bom e o desenhista também. O trabalho é maduro, questionados por deixar o leitor refletir sobre o assunto pouco usual em nossos quadrinhos.

Na HQ/conto de Marcelo Oliveira não há tabu ou preconceito. As descobertas, em termos sexuais e literários, podem atacar para todos os lados, em qualquer relação de gênero. Tudo isso possível a partir dos traços dos três ilustradores (André Leal, Daiane Oliveira e Bruno Marcello), em que se permitiu uma fronteira entre o real e o onírico para compor uma imagética rica, sem cair nas obviedades, a respeito de sexo, masturbação, corpo, desejo e segredos íntimos.

Ao abrir as páginas desse álbum e conhecer as intimidades dos personagens o leitor não desgruda mais, segue sem conseguir parar a leitura. Nesse momento pode haver mistura do que a imaginação insinua ao ler as histórias e o que a recordação das próprias experimentações sexuais nos dizem. Arrisque nessa aventura para descobrir a sua viagem. Quem desejar adquirir o álbum O Quarto ao Lado basta enviar um e-mail para:
Ou acessar a página de Facebook:
Boa leitura!


O quê: Coquetel de lançamento do livro O Quarto ao Lado

Quando: 09 de janeiro, quarta-feira, das 19 às 21 horas

Onde: Livraria Cultura Salvador Shopping - Salvador – Av. Tancredo Neves, 2915 – Caminho das Árvores. Fone: 71 3505- 9050

Contatos:

Telefone: (71) 8787 – 3329
Blog: www.oquartoaolado.com
Email: oquartoaolado@gmail.com
Fanpage: http://www.facebook.com/OQuartoAoLado
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

Batatinha, o diplomata do samba (2)

Ninguém sabe quem sou eu/também já não sei que o sofrimento/de mim até se cansou/na imitação da vida/ninguém vai me superar/pois sorrio de tristeza/se não aceito chorar/mesmo assim eu vou passando/vou sofrendo e vou sonhando/ate quando despertar” (Imitação, de Batatinha)

Em 1976, finalmente, fez o LP Toalha da Saudade, eleito pelos críticos como um dos melhores trabalhos daquele ano. No dia 03 de janeiro de 1997 a Bahia perdeu um de seus maiores sambista. Batatinha faleceu, aos 72 anos, no Hospital Aristides Maltez, vítima de câncer na próstata, em Salvador.

Em 1998 foi lançado o disco Diplomacia, produzido por Paquito e Jota Velloso. Os arranjos do álbum vão da tradição regional aos recursos de violoncelo, com assinaturas de Antônio Burgos,César Mendes, Edson 7 Cordas, Roberto Mendes e Tuzé de Abreu, sob a direção de estúdio a cargo de Nestor Madrid. Em 2006 foi lançado o documentário de Pedro Abid: Batatinha – Samba Oculto da Bahia. Em 2009 o cineasta Marcelo Rabelo lançou o documentário Batatinha – Poeta do Samba, sobre a obra e a vida deste artista que tem muito pouco reconhecimento na cidade onde viveu.

Sou profissional do sofrimento/professor do sentimento/do amor sou artesão/mestre do viver já fui chamado/conselheiro do reinado/cujo o rei é o coração” (Conselheiro, de Batatinha e Paulo César Pinheiro)

Ao longo de sua carreira, Batatinha teve muitos parceiros e conquistou muitos amigos com o seu jeito unânime de ser: sério, sensual, equilibrado, respeitador e calmo. Um dos melhores momentos de sua carreira foram os 11 shows que fez em várias capitais brasileiras para o Projeto Pixinguinha, em 1983, ao lado de Elza Soares. Depois de seu primeiro disco solo em 1976, nos anos seguintes quatro sambas seus ganharam interpretação em disco, com Nora Ney (Inventor do Trabalho), Alcione (Agolana, parceria com Ederaldo Gentil), Moraes Moreira (O Circo) e Ciro Aguiar (Não Pise no Meu Calo). Em 1994 a gravadora WR de Salvador lançou o LP, 50 Anos de Samba.
Todo mundo vai ao circo/menos eu, menos eu/como pagar ingresso/se eu não tenho nada/fico de fora escutando a gargalhada” (O Circo)

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LANÇAMENTO:


O quê: Coquetel de lançamento do livro O Quarto ao Lado

Quando: 09 de janeiro, quarta-feira, das 19 às 21 horas

Onde: Livraria Cultura Salvador Shopping - Salvador – Av. Tancredo Neves, 2915 – Caminho das Árvores. Fone: 71 3505- 9050

Contatos:
Telefone: (71) 8787 – 3329
Blog: www.oquartoaolado.com
Email: oquartoaolado@gmail.com
Fanpage: http://www.facebook.com/OQuartoAoLado


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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

07 janeiro 2013

Batatinha, o diplomata do samba (1)

A cabeleira totalmente branca contrastando com a pele negra, o cantor e compositor Batatinha (1924-1997) – ou o cidadão Oscar da Penha – conservou a mesma simplicidade quando era office boy do Diário de Notícias. Foram mais de 70 anos bem vividos. Ele foi gráfico e funcionário público. Nasceu em Salvador no dia 05 de agosto de 1924. Desde garoto que cantava nas ruas, nas festas, gafieiras. Foi cantando todo o repertório do compositor Vassourinha que deu origem a veia do sambista, do cantor e do intérprete Batatinha (apelido dado pelo radialista Antonio Maria na década de 1940 baseado na gíria “batata”, que quer dizer gente boa).

Ao participar do Campeonato do Samba, da Rádio Sociedade da Bahia com sua música “O Inventor do Trabalho”, sagrou-se campeão. Com o conjunto vocal Ases do Ritmo ele começou a compor e nunca mais parou. Foram muitos anos de batalha para conseguir gravar suas músicas. Compositor que lançou a capoeira na música brasileira, “Bossa e Capoeira”, teve parceria com Jairo Simões, Ederaldo Gentil, Edil Pacheco, Lula Carvalho, Jota Luna, além de músicas gravadas por Maria Bethânia, Caetano Veloso e muitos outros.

Sofrer também é merecimento/cada um tem seu momento/quando a hora é da razão/alguém vai sambar comigo/e o nome eu não digo/guardo tudo no coração” (Hora da Razão, de Batatinha e J.Luna)

Com mais de 70 anos de idade, ele conservou a vitalidade e alegria de viver, que raramente transparece em seus versos, muito mais voltado para o outro lado da trama humana: o sofrimento, a dor (pelo menos nas músicas que fizeram mais sucesso). Na sabedoria de quem viveu desde cedo no samba, o curtido Batatinha transmite em suas letras lições de vida: a arte de dar a volta por cima, de saber sorrir na tristeza, celebrando o estoicismo, a face mais oculta do povo brasileiro. Autor de sucessos como Diplomacia, Toalha da Saudade, O Circo, Hora da Razão e Imitação da Vida. Simples, alegre e bom de samba. Assim foi Batatinha, definido por Riachão como “uma cabeça cheia de cabelos brancos e cada fio uma nota musical”.

O compositor e letrista José Carlos Capinam assim se expressou sobre a obra de Batatinha: “Seus ritmos são movimentos que aprendeu no convívio com as formas do samba de rua, sambas de roda, além daqueles das canções que parecem nascer da percepção da pulsação mais tranquilo do universo”. O cantor e compositor Edil Pacheco comentou que “Batatinha foi o primeiro na introdução de sons e elementos da capoeira na MPB. Um exemplo disso é a música Bossa e Capoeira, gravada pelo Inema Trio, nos anos 60. Batatinha era a expressão do povo da Bahia, encarnado o mito do samba”.

É a toalha da saudade/pra minha infelicidade/não vai ornamentar/e pra não sofrer desilusão/nem passar decepção/eu vou sambar” (Toalha da Saudade, de Batatinha)

O poeta e jornalista Jehová de Carvalho na apresentação do disco Toalha da Saudade (1976), escreveu: “Mostro-lhes o mundo de um baiano simples, puro, sem compromissos artesanais, sem ânsia de assimilação do comportamento artístico de outros compositores de sua origem e de tempo. O mundo que ele mesmo recria, em sua experiencia quotidiana. Dai o respeito com que recebemos o que desse mesmo mundo Batatinha devolve aos brasileiros em forma de samba”.

Em 1960, Jamelão gravou “Jajá da Gamboa”, introduzindo Batatinha no sul do Brasil. Em 1973, aos 49 anos, gravou Samba da Bahia, o primeiro disco, dividido com Panela e Riachão. Gostava de comparar a sua situação com a de outro grande do samba, Cartola, achando vantajoso o fato de ter chegado ao disco naquela idade, ao contrário do carioca, que gravou com 60 anos. Nesse ano o compositor homenageou Paulinho da Viola com a música “Ministro do Samba”.

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28 dezembro 2012

Nossas origens cósmicas: somos poeira das estrelas (3)

Ar, árvore, sol e terra são vitais para nossa existência assim como nosso coração, pulmões, fígado e rins. Não seríamos capaz de existir na ausência de qualquer um deles. Nossa existência e ligação com o ecossistema vão além de palavras.

A lei da transformação é que devolve a sua essência, um processo ativo muito reais em nossa vida. Nosso corpo está constantemente em movimento, se alimentando e reinventando. No nível de moléculas e átomos, temos uma pele nova por mês, um novo esqueleto a cada três meses, um novo revestimento gástrico a cada quatro dias e um novo fígado a cada seis semanas. Nosso DNA é reciclado a cada seis semanas no nível de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.

No plano emocional estamos constantemente mudando por causa da rede de lembranças, esperança, desejo, relações e interações na qual estamos envolvidos. “A realidade é um ato percepção” diz um ditado oriental. Quando tomamos consciência dessa percepção, ganhamos controle de nossa realidade. Assim, a capacidade de manobrar nossa própria percepção (ou ponto de vista) é a arte de mudar de forma. Para haver transformação é preciso equilíbrio. Cada habilidade que aprendemos nos leva mais adiante no caminho para utilizar todo nosso potencial.

É preciso descobrir que nossa consciência é a consciência do universo, nossa mente é parte do universo. Afinal, nosso corpo é feito de 1 trilhão de células – mais que o número de estrelas e planetas na Via Lactea. Cada uma faz cerca de 6 trilhões de coisas por segundo, e toda célula sabe instantaneamente o que as outras células estão fazendo. Essa é a mágica, o mistério e a alquimia da existência.

Reconheça e questione suas crenças limitadoras. Se você tem um crença limitada, ela se tornará sua realidade. Seu verdadeiro poder é o da presença e o controle de seus sentidos. Mas não é possível adquirir essas habilidades sem dominar as leis do equilíbrio e da transformação.

O poder vem do interior, e quando integrado e compreendido corretamente, se expressa fisicamente de uma forma visível. O poder interior vem de conhecer a verdadeira mecânica do universo, e interconexão de todas as coisas se elevando juntas. Só podemos aprender como exercer o poder quando podemos realmente ter uma consciência. De onde viemos antes de nascer e para onde vamos quando morremos, e o que reside dentro de nós silenciosamente por toda a nossa vida. O poder flui por meio de nós quando estamos conectados com o momento, ligados na fonte mais profunda da qual toda experiência, todo conhecimento e existência emergem e ao qual retornam.

Esteja atento a sua respiração, sensações, sons, visões, formas, cores, gostos, cheiros. Pratique a meditação consciente e seja íntimo da inteligencia da natureza todo o tempo. A natureza exibe leis e inteligencia em ação. Caminhe pelo parque, vá para a floresta, é sua fonte. Não analise, não avalie, não classifique, não julgue nem descreva. Apenas observe e seja. A inteligência da natureza fluirá por você.

Quando a pequena luz se apaga, a célula perde energia e então decide retornar para as estrelas, de onde um dia partiram. E esse ciclo se repete pela eternidade, vida e morte, morte e vida no princípio meio e fim

Essa é a nossa origem. E se você se interessou pelo assunto e deseja se aprofundar mais, vale a penar ler esses livros: Origens, de John Gribbin, A Aurora Cósmica, de Erick Chaisson, O Código Cósmico, de Heinz Pagels, Cosmos, de Carl Sagan, O Tear Encantado, de Robert Jastrow, Uma Nova História do Tempo, de Stephen Hawking e Leonard Mlodinow, O Universo numa Casca de Noz, de Stephen Hawking, História Natural dos Sentidos, de Diane Ackerman, As 7 Leis Espirituais dos Super Heróis, de Deepak Chopra, A Dança do Universo, de Marcelo Gleiser, A Harmonia do Mundo, de Marcelo Gleiser, e Poeira das Estrelas, de Marcelo Gleiser.


Somos criaturas solares,
dependemos do sol para sobreviver
Não somos um sistema fechado,
trocamos energia uns com os outros,
reciclando a vida até morrer.

É preciso olhar para as coisas
de modo diferente
para admirá-las em sua plenitude
e viver com toda virtude.
Assim o sol irá brilhar
em toda nossa juventude.
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

27 dezembro 2012

Nossas origens cósmicas: somos poeira das estrelas (2)

Depois da grande explosão inicial, aonde toda a viagem cósmica começa, aqui se inicia a segunda era, a era química. Esses átomos se espalharam-se pelo espaço interestelar, semeando as galáxias nascentes que encheram o Cosmo. E nessas galáxias, o mesmo processo de vida e morte das estrelas foram se repetindo, e mais elementos químicos foram forjados. Junto a elas nasceram planetas e suas luas. Naquela onde existia água líquida e uma química complexa, a vida pode ter surgido.

Começou aqui a terceira era, a era biológica. A vida surgiu aqui na Terra, composta dos restos de estrelas que explodiram em nossa vizinhança cósmica.

A quarta era, era cognitiva, começou há menos de meio milhão de anos na Terra. A vida demora a evoluir de seres unicelulares a seres multicelulares e, destes, a seres inteligentes.

A vida surgiu quando apareceu a molécula de RNA, a primeira dotada de uma propriedade bem simples: fazer cópias de si mesma. Mas as moléculas de RNA não puderam se multiplicar sem restrições. Para se formar precisaram ser sintetizadas a partir de outras moléculas presentes ni ambiente primordial que compunha a superfície da Terra. Ou seja, elas foram obrigadas a competir pelos recursos existentes naquele tempo. Sobreviveram as mais aptas, aquelas capazes de retirar do meio tudo o que necessitavam para dar origem a moléculas filhas, que herdaram a habilidade das mães.

Todo ser vivo surgiu da água, do oceano. Assim, há 600 milhões de anos o rio da vida abandonou o monotonia unicelular e deu origem aos primeiros seres formados por agrupamentos rudimentares de várias células. A competição por nutrientes e condições físicas favoráveis fez com que essas formas de vida multicelulares aumentassem rapidamente de complexidade, dando origem a animais e vegetais que deixaram os mares e se estabeleceram em terra firme.

Um códon é a receita para a construção de cada um dos aminoácidos, os tijolos básicos dos quais os seres vivos são feitos. As proteínas, moléculas que fazem tudo na célula, são compostas de dezenas ou centenas de aminoácidos enfileirados. Existem na natureza 22 aminoácidos, cada um definido por uma sequência de três letras no DNA ou RNA.

No início do processo evolutivo, existíamos em meio aos oceanos. Carregamos o oceano dentro de nós. Nossas veias espalham as marés. A composição de nosso sangue continua sendo basicamente de água salgada. E necessitamos de solução salina para lavar os olhos e, ao longo dos séculos, a vagina feminina tem sido descrita como possuindo odor semelhante ao de peixe.

O discípula de Freud, Sandor Ferenczir, foi ousado o suficiente para declarar, em sua obra Thalassa: A Theory or Genitality, que os homens só faziam amor com as mulheres porque seus interiores cheirava, a salmoura de arenque e, com o ato, os homens estariam tentando voltar ao oceano primordial – “sem a menor dúvida, uma das teorias mais fantásticas sobre o assunto. Não somente devemos nosso olfato e paladar ao oceano, mas temos o cheiro e o gosto do oceano”, disse Diane Ackerman em sua obra História Natural dos Sentidos.

Em uma de suas citações mais conhecidas, o filósofo Heráclito diz que “não se poderia penetrar duas vezes no mesmo rio”. Ele estendeu essa ideia desde a Natureza até o comportamento humano, sempre enfatizando a importância da tensão e complementariedade entre opostos como força motriz por trás do dinamismo do mundo à nossa volta.

Nada do que foi será/De novo do jeito que já foi um dia/Tudo passa/Tudo sempre passará//A vida vem em ondas/Como um mar/Num indo e vindo infinito//Tudo que se vê não é/Igual ao que a gente/Viu há um segundo/Tudo muda o tempo todo/No mundo//Não adianta fugir/Nem mentir/Pra si mesmo agora/Há tanta vida lá fora/Aqui dentro sempre/Como uma onda no mar/Como uma onda no mar/Como uma onda no mar//Nada do que foi será/De novo do jeito/Que já foi um dia/Tudo passa/Tudo sempre passará//A vida vem em ondas/Como um mar/Num indo e vindo infinito//Tudo que se vê não é/Igual ao que a gente/Viu há um segundo/Tudo muda o tempo todo/No mundo//Não adianta fugir/Nem mentir pra si mesmo agora/Há tanta vida lá fora/Aqui dentro sempre//Como uma onda no mar/Como uma onda no mar/Como uma onda no mar/Como uma onda no mar/Como uma onda no mar” (Como uma onda, Lulu Santos)
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26 dezembro 2012

Nossas origens cósmicas: somos poeira das estrelas (1)

Nós todos somos “poeira de estrelas”. Nós, o planeta e o cosmo somos partes de todo universo. Somos feitos dos mesmos elementos de que é feito o universo. A gente é 99,9% carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, fósforo e enxofre. O resto, o 0,1% é todo o resto da tabela periódica.

Nós somos poeira das estrelas, dizia o astrônomo americano Carl Sagan. Os elementos dos quais somos compostos, como o carbono em nossos corpos de mamíferos, o cálcio e o fósforo do esqueleto e dos dentes, o nitrogênio e o oxigênio das proteínas, vieram dos restos mortais de estrelas que existiram antes da formação do nosso Sistema Solar, há aproximadamente cinco bilhões de anos. Quando estrelas morrem, explosões gigantescas espalham a sua matéria através do espaço interestelar. É essa matéria que, fazendo parte da Terra, é encontrada em nossos ossos e órgãos.

O nascimento do nosso sistema solar foi um misto de violência e poesia, assim como o nascimento de todos os animais. Uma gigantesca nuvem contendo hidrogênio (elemento mais simples, formado apenas de um próton e um elétron) e hélio entrou em colapso devido à sua própria gravidade. Assim, a nuvem gasosa foi se achatando tomando uma forma de pizza cósmica. Em seguida, o Sol entrou em ignição no centro, por meio do processo de fusão nuclear que transforma hidrogênio em hélio. Fez-se luz. E em torno da luz central, giravam os proto planetas, aderindo matérias.

Os planetas mais internos, atuais gigantes gasosos, sujeitos à temperaturas baixas, podiam agregar materiais gasosos e engordaram mais. Os planetas, mais internos, a Terra dentre eles, agregaram materiais rochosos e metais, como o ferro e o níquel. Assim nasceram os planetas. As sobras desses materiais que não se agregaram como planetas nascentes, ou seja, os detritos, são chamados de asteroides e cometas.

Um desses asteroides, logo no início da formação do Sistema Solar, colidiu e arrancou uma enorme quantidade de massa da Terra que reorganizou-se em órbita à sua volta. Essa massa é a nossa Lua, costela da Terra.

A energia é a origem de toda a matéria viva sobrenadando no oceano de sincronicidades para observar o que acontece de possibilidades. O universo é indivisível e se dá de forma não casual, mas há interação muito mais que mera coincidência. O que existe de fato, é essa ocorrência, acontecimentos simultâneos, coincidência significativa.

Toda vida vem da mesma fonte.

As criaturas vivas são aglomerados de moléculas capazes de criar cópias de si mesmos.

Como moléculas são coleções de átomos, e átomos são feitos de prótons, nêutrons e elétrons, a vida precisa, como ingredientes essenciais, das partículas de matéria que preenchem o Cosmo.

São três eras que deram origem a vida, a saber:

A primeira era foi da física, conhecido como a origem do Universo e se estendendo até a formação das primeiras estrelas. Nessa era surgiram os elétrons e prótons e nêutrons que formaram os núcleos atômicos mais leves, isótopos de hidrogênio, hélio e lítio. Mais tarde os prótons e elétrons combinaram-se para formar átomos de hidrogênio, simples e abundantes do Universo.

Esses átomos aglomeraram-se em nuvens gigantescas que, com a ajuda da gravidade, formaram as primeiras estrelas. Eram enormes e de curta vida. Esses monstros estelares explodiram com tremenda violência, gerando átomos: carbono, oxigênio, nitrogênio e outros de todos os seres vivos.

Depois da explosão, o que aconteceu (INTERROGAÇÃO). Não perca o próximo capítulo da origem da vida...

Trem do desejo/penetrou na noite escura/foi abrindo sem censura/o ventre da morena terra/o orvalho vale a flor/que nasce desse prazer/nesse lampejo de dor/meu canto é só pra dizer/que tudo isso é por ti/eu vi/virei estrela...” (Estrela, de Vander Lee)

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