16 julho 2012

Há 15 anos morria o poeta Telmo Padilha


Há 15 anos desaparecia o jornalista, escritor e poeta Telmo Fontes Padilha. O texto a seguir está publicado no meu livro Gente da Bahia, volume dois: Nasceu na vila de Ferradas, no município de Itabuna, a 05 de maio de 1930. Aprendeu as primeiras letras em Ferradas - então um agitado centro de disputas políticas - depois, em 1935, a família transferiu-se para Itabuna. Concluído o curso primário (1940), transfere-se para Salvador, onde cursa o primeiro ano ginasial no Colégio Americano (mais tarde, 2 de julho de 1941). Retorna a Itabuna em 1942, onde conclui o ginásio no Colégio Divina Providência. Publica seus primeiros poemas e artigos no jornal Voz de Itabuna - de quem viria a ser redator - então dirigidos por Hélio Pólvora. Retorna a Salvador em 1945, onde prossegue os estudos, não chegando a formar-se. Publicou seu primeiro artigo no suplemento literário do Diário de Notícias.

Atuou como jornalista e colaborador em diversos jornais do sul da Bahia, do estado e no Rio, onde residiu durante algum tempo. Em 1954 assume a direção da sucursal do Diário de Minas e, em seguida, do O Estado da Bahia. Trabalha como redator do Diário da Tarde, em Ilhéus. Dois anos depois, em 1954, publica seu primeiro livro de poemas, Girassol do Espanto, com prefácio de Adonias Filho e capa de Santa Rosa, pela Livraria Editora da Casa do Estudante do Brasil. A obra conquista o prêmio Melhores Livros de 1956, da Câmara Municipal de Itabuna. No Rio, em 1957, colaborou com artigos de críticas em suplementos e revistas de cultura. Assinou uma seção de livros em O Mundo e foi redator de Para Todos e do Jornal de Letras. Em 1959 dirige a Rádio Cultura de Ilhéus. Em 1960 funda, com Mário Padre, o primeiro jornal a cores do Estado da Bahia, em Itabuna. Colabora na fundação da Faculdade de Direito de Ilhéus (1960) e funda, com os amigos, a Rádio Jornal de Itabuna (1962), que passa a dirigir. Em 1963 ocupa, por breve período, a direção da Rádio Difusora Sul da Bahia e em 1965 assume a direção da Tribuna do Cacau. Instala uma gráfica. Com alguns amigos, funda a Associação Sul Bahiana de Imprensa. Dirigiu a Assessoria de Comunicação Social da Ceplac (1969), órgão de onde se aposentou e no qual coordenou também o Projeto de Atividades Culturais do Cacau, onde publicou diversos autores regionais e promoveu eventos, inclusive exposições de artistas plásticos do sul da Bahia em países europeus. Em 1974 publica Ementário, recebendo o primeiro prêmio do Concurso de Poesia promovido pelo jornal A Tarde, e Onde Tombam os Pássaros. Em 1975 obteve o prêmio nacional de poesia do MEC/INL, com Vôo Absoluto. No ano seguinte são publicados no exterior seus livros Où tombent les oiseaux, Esquisses, Volo assoluto e Wo die vogel hinfallen. Visitou a Suíça, França, Inglaterra, EUA, Itália e Alemanha. Em 1976 conquistou o prêmio internacional de poesia San Rocco, da Itália, com a versão intituladas Volo Assoluto.

Em 1977 foi indicado candidato ao Prêmio Nobel, juntamente com Jorge Amado e Adonias Filho. A indicação - feita à sua revelia - coube ao diretor do Dep. de Linguística e Literatura Geral da Universidade de Essex, Inglaterra, ensaísta e professor Fernando Camacho. No ano seguinte recebe a Comenda Honra ao Mérito-Literatura, do Jornal da Bahia. E publica Canto Rouco, Pássaro/Noite, O Rio, a antologia Poesia Moderna da Região do Cacau (1977), Poesia Encantada, Cacau em Prosa e Verso, a antologia O Moderno Conto da Região do Cacau (1978), Travessia, Notícia sobre a Civilização do Cacau, 12 Poetas Grapiúnas (1979), Noite contra Noite, O Anjo Apunhalado, O Punhal no Escuro (1980), Reflexões Sem Dor (1984) entre outros. Muitos de seus livros foram também traduzidos para várias línguas (francês, italiano, espanhol, alemão, inglês e japonês). Deixou inéditos: Coragem para Viver (poesia) e Livro de Paulo, meu Filho.

Assessor cultural da Universidade de Santa Cruz, membro da Academia de Letras de Ilhéus, contemplado com vários prêmios, ele publicou 37 livros no País e traduzidos no exterior em vários idiomas. Sobre ele escreveu um dia Carlos Drummond de Andrade: “Em Telmo Padilha a poesia se faz sentir e amar pela concentração e o poder de toque”. “Uma poesia rica de símbolos e de metáforas” (Manoel Bandeira), “Convence-nos pela sinceridade de seu canto e pela destreza com que o esgrima” (Érico Veríssimo), “Uma poesia contida, limpa e forte” (Carlos Nejar), “Uma poesia de ampla conjugação, apoiada em voz muito pessoal, mas alimentada pela certeza de que as verdades pessoais do poeta também podem ser de outrem” (Hélio Pólvora), “Uma poesia realizada, autêntica e definitiva porque uma poesia maior” (Adonias Filho), a poesia de Telmo Padilha “escapa, por natureza, a qualquer definição ou explicação lógica e limitada. É uma poesia naturalmente sintética e globalista. De certo modo rebelde a qualquer análise” (Tristão de Athayde, pseudônimo de Alceu Amoroso Lima) .

Ele morreu aos 67 anos, no dia 16 de julho de 1997, após duas paradas cardíacas, no Hospital Calixto Midlej, depois de uma demorada cirurgia para corrigir lesões no fígado e na face provocadas por um acidente automobilístico na BR-101, trecho Itabuna-Buerarema. Foi sepultado, com grande acompanhamento, no Cemitério do Campo Santo. Sua morte é uma perda para a cultura do sul da Bahia e para a poesia brasileira. Sem sair de sua cidade natal, Padilha sempre foi considerado pela crítica literária nacional como um dos mais importantes poetas brasileiros. Pouco antes do acidente, Telmo Padilha confessou ao jornalista Antônio Lopes: “O poeta escreve porque esta é sua maneira de se comunicar. Se não o leem, o problema não é dele. O importante é saber se a poesia é necessária, se serve aos objetivos do comunicador. Os momentos mais inteligentes do homem são momentos de poesia”. E, fiel ao engajamento de sua geração, arrematou: “Este momento da vida nacional precisa de uma poesia viril, comprometida com nossa realidade, uma poesia mais agressiva, em que estejam presentes as nossas perplexidades, nossas angústias, nossas incertezas, uma poesia através do qual o povo fale o que está sentindo”.
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

13 julho 2012

Música, música & Poesia, poesia para alegrar o dia

 

Metrô Linha 743 (Raul Seixas)


Ele ia andando pela rua meio apressado
Ele sabia que tava sendo vigiado
Cheguei para ele e disse: Ei amigo, você pode me ceder um cigarro?
Ele disse: Eu dou, mas vá fumar lá pro outro lado
Dois homens fumando juntos pode ser muito arriscado!
Disse: O prato mais caro do melhor banquete é
O que se come cabeça de gente
Que pensa e os canibais de cabeça descobrem aqueles que pensam
Porque quem pensa, pensa melhor parado.
Desculpe minha pressa, fingindo atrasado
Trabalho em cartório mas sou escritor,
Perdi minha pena nem sei qual foi o mês
Metrô linha 743

O homem apressado me deixou e saiu voando
Aí eu me encostei num poste e fiquei fumando
Três outros chegaram com pistolas na mão,
Um gritou: Mão na cabeça malandro, se não quiser levar chumbo quente nos cornos
Eu disse: Claro, pois não, mas o que é que eu fiz?
Se é documento eu tenho aqui...
Outro disse: Não interessa, pouco importa, fique aí
Eu quero é saber o que você estava pensando
Eu avalio o preço me baseando no nível mental
Que você anda por aí usando
E aí eu lhe digo o preço que sua cabeça agora está custando
Minha cabeça caída, solta no chão
Eu vi meu corpo sem ela pela primeira e última vez
Metrô linha 743

Jogaram minha cabeça oca no lixo da cozinha
E eu era agora um cérebro, um cérebro vivo à vinagrete
Meu cérebro logo pensou: que seja, mas nunca fui tiete
Fui posto à mesa com mais dois
E eram três pratos raros, e foi o maitre que pôs
Senti horror ao ser comido com desejo por um senhor alinhado
Meu último pedaço, antes de ser engolido ainda pensou grilado:
Quem será este desgraçado dono desta zorra toda?
Já tá tudo armado, o jogo dos caçadores canibais
Mas o negócio aqui tá muito bandeira
Dá bandeira demais meu Deus
Cuidado brother, cuidado sábio senhor
É um conselho sério pra vocês
Eu morri e nem sei mesmo qual foi aquele mês
Ah! Metrô linha 743


Cálice (Chico Buarque)


Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)



Céu (Wislawa Szymborska)


Era preciso começar daí: céu.
Janela sem encosto, sem moldura, sem vidraça.
Abertura e nada mais, porém muito bem aberta.
Não preciso aguardar a noite amena:
nem levantar a cabeça
para perscrutar o céu.
Tenho céu atrás de mim, sob as mãos
e debaixo das pálpebras.
Estou enredada de céu
e isto me exalta.
Nem as montanhas mais altas
Estão mais próximas do céu
que os vales mais profundos.
Não há mais céu num lugar
do que em outro.
A nuvem está atada ao céu
indiferente como o túmulo.
A toupeira é tão feliz
quanto a coruja que abre as asas.
O objeto que cai no precipício
cai do céu no céu.
Partes poeirentas, lequidas, montanhosas,
passageiras e queimadas do céu, migalhas do céu,
brisas de céu e montes.
O céu é onipresente
até nas trevas sob a pele.
Devoro o céu, rejeito o céu.
Estou com armadilhas na armadilha,
com o habitante instalado,
com o abraço abraçado,
com a pergunta presente na resposta.
A divisão entre céu e terra
não foi pensada de forma adequada
a respeito desta unidade.
Permite até que se sobreviva
no endereço mais exato,
que pode ser achado mais depressa
se me procurarem.
Os meus sinais característicos são
o arrebatamento e o desespero.


A máscara (Augusto dos Anjos)


Eu sei que há muito pranto na existência,
Dores que ferem corações de pedra,
E onde a vida borbulha e o sangue medra,
Aí existe a mágoa em sua essência.

No delírio, porém, da febre ardente
Da ventura fugaz e transitória
O peito rompe a capa tormentória
Para sorrindo palpitar contente.

Assim a turba inconsciente passa,
Muitos que esgotam do prazer a taça
Sentem no peito a dor indefinida.

E entre a mágoa que masca’ra eterna apouca
A humanidade ri-se e ri-se louca
No carnaval intérmino da vida.
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

12 julho 2012

A natureza humana pela ótica de Calvin (3)


As aventuras de Calvin & Haroldo falam a todos nós, remetendo a experiências comuns a nossas vidas. Quem nunca achou a escola uma prisão? Quem nunca teve uma professora ou professor que só queria ver de longe, de preferência bem longe? Quantas vezes sentimos que nem nossos pais nos entendem, e quantos de nós não gostariam de ter um amigo absolutamente fiel e companheiro, mas igualmente capaz de ser nossa consciência como Haroldo?

No quadrinho, o sagaz garoto de 6 anos e seu tigre de pelúcia --que ganha vida na imaginação do menino-- entabulam diálogos divertidos e surreais. Em suas conversas inteligentes e bem-humoradas, debatem o jeito de ser dos humanos, enquanto expõem particularidades do mundo infantil e contradições do mundo adulto.

Bill Watterson, eternamente oposto aos estragos que o capitalismo e o merchandising provocam em qualquer criação original, proibiu expressamente a sua editora de vender os direitos para lançar no mercado uma panóplia de artigos baseados na série. Por este motivo, Watterson passou vários anos em guerra aberta com a Universal Press e existem mesmo algumas tiras que fazem referência a esse conflito de forma muito pouco dissimulada. No final, Watterson levou a melhor e não permitiu o lançamento de qualquer merchandising exceto alguns artigos únicos de edição limitada como postais e posteres originais.
Apesar desta proibição, hoje em dia não é nada difícil encontrar T-shirts estampadas, porta-chaves ou autocolantes para carros pirateados, com imagens de Calvin a dizer e a fazer coisas que nunca disse nem fez nos quadrinhos. A proibição imposta por Bill Watterson ao merchandising da série significa também que nunca irá haver uma série de desenhos animados, como aconteceu com Garfield e Charlie Brown. Poucos ilustradores conseguiram captar tão bem a imaginação de um garoto, e ainda assim desenvolver críticas à sociedade de forma tão sutil. E sem nunca se vender ao sistema, já que jamais liberou os direitos dos personagens para bonecos, camisetas e toda essa porcariada que gera muito dinheiro.

A obra foi multipremiada. Seu autor recebeu os principais prêmios dos quadrinhos, como o Harvey Award (oito edições), o prêmio Eisner (duas edições) e Reuben Award (duas edições), todos nos Estados Unidos, e o Angoulême International Comics Festival, na França, entre muitos outros.

Calvin era - e continuava sendo até pouco tempo atrás - a tira favorita de dez entre dez leitores de tiras. Em 1995, no entanto, Watterson declarou estar “cansado de acordar todos os dias pensando no que Calvin iria fazer” e anunciou sua aposentadoria da tira - muitos viram na atitude do quadrinhista uma resposta às pressões para comercializar os direitos do personagem em produtos de licensing, algo que ele sempre se recusou a fazer, mas o autor, avesso a entrevistas, nada confirmou. Quando Watterson anunciou o fim da tira, Calvin era publicado em 2,5 mil jornais apenas nos Estados Unidos e em centenas de outras publicações de mais 13 países, entre eles o Brasil. O autor recebia, com o personagem, cerca de US$ 1 milhão. Ainda hoje, as tiras de Calvin são republicadas por diversos jornais (inclusive brasileiros) e podem ser vistas e até mesmo adquiridas, em quadros, via Internet (www.calvinandhobbes.com).

Os cartunistas de antigamente se consideravam homens de jornal, simplesmente. Seu trabalho era ajudar o periódico a vender sempre mais, sem se preocupar com qualidade. Assim, repor um desenhista era muito mais fácil. A tira continuava, mas seu criador não tinha seu lugar garantido. A situação mudou e hoje em dia até mesmo os syndicates acham que apenas o autor pode dar à tira sua forma ideal. Por isso, atualmente, os quadrinhos são levados mais a sério do que em anos anteriores, tanto pelo público como pelos seus criadores e empresários do ramo de comunicação.


Calvin e Haroldo ganharão documentário:
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11 julho 2012

A natureza humana pela ótica de Calvin (2)


Inteligente, criativo e carismático, Calvin recebeu seu nome em homenagem a Calvino (filósofo e teólogo francês do século XVI que foi uma das figuras chaves na reforma protestante) e seu amigo tigre, Haroldo (Hobbes), foi batizado em referência a Thomas Hobbes, filósofo britânico do século XVII). Watterson teria escolhido estes nomes por acreditar que os dois foram os grandes responsáveis pelos conceitos religiosos e morais americanos, que muitas vezes são colocados em xeque nas tiras.

Os dois são melhores amigos e adoram pregar peças nos outros. Com uma imaginação sem limites e um vocabulário sofisticado para um garoto, Calvin ironiza - mais que isso, é sarcástico em relação aos - costumes, crenças, morais, instituições e relacionamentos tipicamente americanos. Se Calvin é sarcástico e muitas vezes cruel, Haroldo, por outro lado, é irônico e altamente filosófico, o que d’um contraponto à história - mas não impede que os dois briguem em suas reuniões de clubinho para decidir quem tem mais poder, o “supremo ditador para toda a vida” Calvin ou o “primeiro tigre” Haroldo.

Calvin adora dar dor-de-cabeça a seus pais, que têm bastante trabalho para educá-lo. O pai eventualmente “se vinga” dando explicações nada claras sobre fenômenos naturais ou brincando com assuntos “sérios” como o presente de Natal que não virá, ou ainda levando o garoto para viagens de camping e atividades “que constroem o caráter”, o que dá ainda mais dor-de-cabeça à pobre mãe. Calvin adora ainda pregar peças e deixar enojada a coleguinha de escola e vizinha Suzie Derkins.

E, por falar em escola, o garoto deixa louco a professora, senhorita Wormwood (batizada em homenagem a uma demônio aprendiz de um conto de C.S. Lewis), graças à sua farta imaginação e criatividade imensurável que ele raramente aplica aos estudos - e também por causa de perguntas capiciosas em relação ao sistema de ensino americano.

Ainda na escola, Calvin sofre com o gorilão Moe, o típico valentão do colégio. Depois de uma tira em que Calvin é gozado pelo professor de Educação Física por ser demasiado fraco para entrar na equipe de basebol e não saber seguir as regras da equipe, Calvin decide criar o seu próprio desporto, onde a única regra é nunca repetir a mesma regra duas vezes. Assim nasceu o Calvinbol, um desporto fictício (não segundo Watterson, que ainda por cima já recebeu inúmeras cartas a perguntar como se joga) que fez inúmeras aparições na série.

O desenhista Bill Watterson sempre usou a tira como um espelho de si mesmo. Por exemplo, uma vez a mãe de Calvin vai fazer compras no supermercado e passa por aquelas situações bem comuns: mal atendimento, filas intermináveis etc. No final, a moça do caixa diz: “Tenha um bom dia!” e ela responde: “Tarde demais!”. Com certeza esta situação já deve ter acontecido com o próprio Watterson. A piada se escreveu sozinha.

Calvin e seu fiel tigre Haroldo (que só ganha vida quando os dois estão a sós), em uma série dominical de página inteira, discute a respeito do lixo deixado por algum imbecil em pleno bosque. "Aposto que as civilizações futuras vão saber mais do que gostaríamos sobre nós", ele comenta desapontado com uma sociedade que polui, estoca armas nucleares e emporcalham tudo. Haroldo comenta que tem orgulho de não ser humano, e no final Calvin concorda. Watterson, o mago, critica sem dó as mazelas da sociedade, mas com uma finesse, uma leveza e um bom humor inigualáveis.

A completa falta de sintonia entre Calvin e os pais é que faz as tirinhas e histórias maiores serem tão divertidas. Mesmo quando Calvin se dá mal em uma de suas armações, a lição que tiramos daí nada tem de didática ou maçante. Watterson, sempre ele, consegue sempre nos maravilhar e fazer rir.
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

10 julho 2012

A natureza humana pela ótica de Calvin (1)


Entre 1985 a 1995 o norte americano Bill Watterson publicou uma série estrelado por Calvin, um garoto hiperativo de seis anos de idade, com imaginação fértil, e Hobbes, seu tigre de pelúcia com nome de filósofo inglês que foi rebatizado como Haroldo aqui no Brasil. A série, publicada em mais de 2000 jornais do mundo inteiro, mostra as fantasias mirabolantes de Calvin e constituem frequentemente uma fuga à cruel realidade do mundo moderno para a personagem, e uma oportunidade de explorar a natureza humana para Bill Watterson. Em seu trabalho Bill fazia tudo: escrevia, desenhava, arte-finalizava e coloria. Ele não tinha assistentes ou ajudantes, além da mulher que apenas dava dicas sobre o texto ou o desenho.

Bill sempre quis manter total controle sobre Calvin & Haroldo mas só quando a tira completou cinco anos que a empresa resolveu negociar um acordo. Com todas as suas exigências feitas e aprovadas, Watterson conseguiu o que queria. Liberdade total e nenhuma buginganga estamparia seus personagens. Não deixar o merchandising dominar seu trabalho, não aceitar a pressão do syndicate ou tentar mudar as regras do jogo foram momentos estafantes que acabaram por prejudicar tudo. Ao tentar o controle sobre seus personagens, ele percebeu que os leitores na verdade são os que ditam o que devem ou não acontecer. O autor passa a sofrer a ditadura do público, que começa a decidir quem aparece na tira, que tipo de piada é mais legal, etc. E não conseguiu mais trabalhar como quer. Então, a única saída foi parar.

O autor abandonou a criação que o tornou famoso em 1995, embora as tiras continuem em publicação em vários jornais.

O próprio Watterson escreveu sobre as mudanças que vem ocorrendo nas HQs:

Desde o começo, os quadrinhos foram considerados como um produto comercial que existia para o fim de aumentar o público dos jornais. Os cartunistas se consideravam jornalistas, não artistas. O seu trabalho, pura e simplesmente, era ajudar a vender jornais.

Desde aquele tempo:

Sindicatos transformaram os quadrinhos num grande negócio. No começo, os cartunistas eram contratados por jornais individuais para produzir quadrinhos exclusivamente para aquele jornal. Hoje, os cartunistas trabalham para sindicatos que vendem suas tiras para jornais em todo o mundo. Isso quer dizer que uma tira hoje precisa de um apelo muito amplo. Enquanto os primeiros cartunistas experimentavam, começando e parando tiras à medida que seus interesses mudavam e descobrindo o que agradava ao público local no caminho, a sindicalização encorajou a produção calculada de tiras para espelhar tendências e capitalizar nos interesses específicos de grupos demográficos desejáveis. Comercializar tiras em grande escala encoraja os quadrinhos a serem conservadores, facilmente categorizáveis, e imitadores de sucessos anteriores. Os quadrinhos ganharam públicos imensos e se tornaram muito lucrativos dessa maneira, mas a algum custo da exuberância primitiva dos quadrinhos.

Agora há muito menos competição entre jornais. Cada cidade grande costumava ter vários jornais lutando pelos leitores,e uma tira apreciada poderia ajudar dramaticamente a circulação de um jornal. Tiras populares iam para o jornal que pagasse mais, e os outros jornais iriam correr para comprar outras tiras que poderiam ajudá-los a competir. Hoje, a maioria das cidades tem apenas um jornal, e o jornal sobrevivente pode ter qualquer tira que quiser. Ele irá obviamente comprar as tiras mais populares, e sem outros jornais para pegarem as outras tiras, as tiras grandes ficam enormes, e as tiras pequenas jogam cadeiras musicais e desaparecem. Há pouco espaço hoje em dia para um tira “cult” peculiar com público pequeno porém devotado. Há menos vagas para novas tiras, menos oportunidades para tiras marginais sobreviverem, e há menos tempo para uma tira achar o seu público.

A televisão substituiu jornais como a fonte de informações da maioria das pessoas. Os custos de produção dos jornais subiram, a circulação não subiu, e algumas das grandes contas de publicidade abandonaram os jornais. Um tira de jornal poderia uma vez ter atraído leitores de um jornal para outro, mas os quadrinhos não atraem pessoas da televisão. Os quadrinhos ajudam menos os jornais do que costumavam, então os jornais olham para a página de quadrinhos como mais um lugar para cortar custos. Eles espremem mais tiras em menos espaços, forçando os cartunistas a escreverem e desenharem de maneira mais simples para continuarem legíveis. Com menos palavras e desenhos mais grosseiros, os quadrinhos se tornam menos imaginativos e menos divertidos, A ironia disto é que os jornais estão desesperados para atraírem leitores criados no impacto visual da televisão. Os jornais gastaram muito dinheiro para melhorarem a diagramação e acrescentaram mapas, gráficos e fotografias coloridas, enquanto os quadrinhos – o único componente gráfico nos jornais – tipicamente definham numa única página de pequenas caixas preto e branco organizadas numa grade tediosa. Ao imporem de maneira pouco imaginativa formatos padronizados e reduzidos a todos os quadrinhos, os jornais dão aos quadrinhos espaço suficiente em custos, não espaço graficamente eficaz.

Por causa de todos esses desenvolvimentos, a relação tradicional entre cartunista, sindicato e jornal tem sido forçada. À medida que as circunstâncias mudam, cada parte tenta proteger os seus próprios interesses. Os jornais estão cortando custos ao cortarem espaço e tiras. Sindicatos respondem se diversificando para licenciamento e editoras. Os principais cartunistas estão exigindo controle sobre o seu trabalho, e alguns estão deixando totalmente o ramo. Com menos objetivos e necessidades comuns, há menos confiança e cooperação.

Como um cartunista que fez a sua parcela de agravar a situação, me parece que bons quadrinhos são do interesse de leitores, jornais, sindicatos e cartunistas. Porém, as melhores tiras do passado teriam dificuldades nos jornais hoje. A esotérica porém brilhante Krazy, mal comercializável no seu tempo, teria problemas para encontrar um editor disposto a defender sua visão única hoje. Seria improvável que tiras de aventura como Terry e os Piratas arrastassem leitores para suas aventuras exóticas, agora que a linda ilustração é sufocada pelas caixinhas disponíveis para tiras. Popeye usava até vinte quadros no domingo para criar sua energia furiosa, uma impossibilidade total nos espaços de um quarto de página de domingo de hoje. Tiras contínuas estilo “novela” quase desapareceram, incapazes de manterem seus enredos atraentes com a redução de diálogo necessária em quadros pequenos. Os quadrinhos estão perdendo a sua variedade.

Sessenta anos atrás, as melhores tiras não eram só desenhadas de forma divertida, elas eram lindas para se olhar. Eu não consigo pensar numa única tira hoje que chegue perto daquele padrão de competência técnica. Agora nós temos tiras de piadas com desenhos simples em abundância, e nada mais. Nós perdemos uma parte essencial do que torna os quadrinhos divertidos para se ler. Enquanto desenhos animados e gibis estão se tornando sofisticados, mais bem produzidos, e mais populares do que nunca, as tiras de jornais estão enfraquecidas.

Eu ouvi ser argumentado que os leitores de hoje não têm mais paciência para histórias complicadas e arte rica nos quadrinhos. Pesquisas de popularidade são citadas para mostrar que os quadrinhos estão indo bem do jeito que são. Eu discordo e acho que é um erro subestimar o apetite dos leitores pela qualidade. Os quadrinhos podem ser muito mais do que são atualmente. Tiras melhores poderiam atrair públicos maiores, e isso ajudaria os jornais. O potencial dos quadrinhos – como vendedores de jornais, e como uma forma de arte – é grande se os cartunistas se desafiarem a criar trabalhos extraordinários e se o ramo trabalhar para criar um ambiente de apoio para ele”. (Fonte: 10 Anos de Calvin & Haroldo - Volume 1 - Editora Best News)
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09 julho 2012

Asterios Polyp, instigante


Arrebatadora. A premiada graphic novel de David Mazzuccelli – Asterios Polyp – lançada pelo selo Quadrinhos na Cia, de Companhia das Letras, é excepcional. Utiliza todas as possibilidades oferecidas pelos quadrinhos. A obra, repleta de arrependimento e aprendizagem, é poético e conta com um visual instigante que Mazzuccelli domina totalmente. Traços, formas, cores, linhas e desenhos misturados em torno da carga dramática da história que atinge a maturidade.

Nas 344 páginas, David Mazzucchelli (conhecido por seu trabalho com super herois em O Demolidor: A Queda de Murdock e Batman: Ano 1) faz um relato maduro sobre arte, filosofia, amor e família. A graphic novel é narrada pelo irmão gêmeo natimorto de Asterios, Ignazio que serve como guia para toda a carga de dualidade que é inserida.

O “arquiteto de papel” e professor é uma pessoa teimosa, egocêntrica e intransigente. Aos 50 anos ele perde tudo o que tem quando um raio atinge o prédio onde mora. Há alternativas entre padrões de cores para demarcar o tempo: roxo e azul (passado), roxo e amarelo (presente). Permeando a complexidade do protagonista, há discussões sobre arte, estética, amor, família, metafisica, tudo dentro do contexto. A representação gráfica de Mazzucchelli é única e genial. Ele dá personalidade a cada personagem seja por meio do texto, seu conteúdo e representação gráfica. Seja no balão de diálogo, onomatopeia, quadro. O cético Asterios e a inquieta Hana quando se unem há uma explosão gráfica de grande riqueza visual.

O final é surpreendente e lembra um pouco do filme Melancolia, do diretor Lars Von Trier. A fita é um mergulho em uma experiência intelectual e sensual sobre duas irmãs: Justine e Claire, de temperamentos opostos. O fim de mundo literal e simbólico é tratado na obra de Trier. Vale a pena conhecer essa obra premiada com o Eisner e o Harvey Awards, verdadeira reflexão sobre o sentido dos relacionamentos, de arte, da família, da vida. Arrebatadora!



A Era dos Erês: uma era ao Culto da Natureza e dos Orixás

Erê é nome de espíritos infantis no candomblé. No Brasil os erês passaram a ter correspondência em Cosme e Damião e foram associados também aos Ibejés, orixás duplos, sendo um masculino e outro feminino. Os erês são vistos como energias de purificação e de limpeza. No livro A Era dos erês: uma Era ao culto da Natureza e dos Orixás, Adriano Bitarães Netto constrói um tempo mítico em que adultos não existiam, apenas crianças viviam e governavam nessa época.

A obra faz uma crítica à sociedade dos adultos que se sustenta na desigualdade, no preconceito, na ambição e no desrespeito. Para que o mundo mítico dos erês possa voltar a existir, o ser humano terá que reconhecer e aceitar as inúmeras religiões e crenças que constituem a própria riqueza das culturas.

O intuito das obra é de apontar para uma conscientização de caráter histórico e religioso, se propõe, por meio de uma linguagem poética, perpassada por orikis da tradição africana e por pontos e hinários nacionais, fazer uma louvação aos orixás – divindades do panteão africano tão presentes nos rituais de candomblé e umbanda do Brasil.

O livro, lançado pela editora Mazza em 2010, e rico em cores e ilustrações e no final contém um glossário das palavras do culto da natureza e dos orixás. Vale a pena ler.

“...Era uma vez
uma Era, que era, talvez,
a mais antiga de todas as Eras:
era a Era dos êres...”
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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

06 julho 2012

Salvemos Salvador dessa dor, desse desamor (2)


TRANSPARÊNCIA - “O poder não é um antro: é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até a sua vida particular deram paredes de vidro”, dizia Ruy Barbosa em seu texto A Imprensa e o dever da verdade. Transparência absoluta é o mínimo que se deve exigir dos homens públicos.

METRÔ – A população de Recife desde a década de 1980 dispõe de um metrô, composta de 20 estações (39,5 km). Foram adicionados 31,5 km. Salvador vai levar 12 anos para construir 6km de metrô (projeto inicial era de 12km) e na primeira etapa já foram gastos mais de R$1 bilhão. Cadê o Ministério Público, o Tribunal de Justiça, os homens da lei que silenciam com os gastos públicos... O eleitorado da cidade deve fazer seu voto um protesto nessas eleições.

CARA – Salvador é a quinta capital com a tarifa de ônibus mais cara do país, atrás apenas de São Paulo (R$3), Florianópolis (R$2,90), Porto Alegre (R$2,85) e Campo Grande (R$2,85). O reajuste fez Salvador ultrapassar, no ranking, as cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. E o cenário do sistema de transporte público de Salvador continua com frota reduzida, estações decadentes, pontos de ônibus sem cobertura e veículos em más condições de uso. Cerca de 1,3 mil é o número de pessoas que utilizam e sofrem com o transporte público da cidade diariamente.

DESPREPARADA – Dados do Censo de 2010 (IBGE) sobre a infra estrutura urbana no entorno dos domicílios de Salvador mostra que a cidade é uma das mais despreparadas. Ruas sem pavimentação, calçadas ou meios fios, ausência de rampas para cadeirantes, poucos bueiros e baixa arborização. O técnico do IBGE, Joilson Rodrigues informou que os projetos de Salvador priorizam o motorista, e o pedestre comum é esquecido.

CULTURA – O maestro Julio Medaglia critica o descaso com a cultura no Brasil: “Os nossos secretários de Cultura que realmente dirigem máquinas publicas não sabem o que fazer com elas...” (Revista Cult n.168, maio de 2012, p.3)

PLANEJAMENTO – Projeto é um conjunto de atividades planejadas para serem executadas dentro de uma área de atuação pre definida e com a finalidade de alcançar determinado resultado e objetivos. São poucos os gestores que realizam projetos em suas administrações. Raros ainda são os planejamentos de gestão. Como Salvador está quase abandonada surgiram os movimentos “A cidade também é nossa”, “Desocupa” e “Vozes de Salvador”. Pela primeira vez na Bahia a sociedade civil elabora um plano de governo, uma vez que o governo não tem nenhum. As propostas estão sendo enviadas para os partidos e candidatos para discutir e executar.

ABANDONADA - “Salvador hoje é uma cidade abandonada, sem comando e sem planejamento, vivendo um processo de decadência, onde o poder público, quando não é estúpido, é omisso – e a população não demonstra ter o mais raso senso de cidadania. Um quadro que envergonha quem tenha a mínima consciência do que esta cidade significa. Entre políticos e empresários, vigoram o imediatismo, a ignorância, o interesseirismo e a ladroagem. Eles nunca andaram tão íntimos, tão cúmplices, tão de bolsos dados” (Antônio Risério. A Tarde 21/04/2012).

JUSTIÇA - “Não podemos mais tolerar que o Brasil seja um país que discrimina os seus cidadãos. Pobre vai para a cadeia. Poderoso não só não é punido, mas invoca presunção de inocência, submerge estrategicamente, cai no esquecimento e volta para roubar mais” (Carlos Alberto Di Franco, professor de ética. A Tarde 02/04/2012).

PIOR – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou em 11/04/2012 relatório que apontou o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) como o terceiro pior em desempenho de todo o Brasil, no que se refere a agilidade no julgamento de processo em 2011.

METRÔ – Doze anos de obra para o menor e mais caro metrô do mundo. São apenas seis quilômetros ligando nada a lugar nenhum. O metrô de Salvador está nos trilhos da incompetência. Para onde foi o dinheiro das obras?

EMBASA – Após quatro anos, a concessionária Embasa reajusta as tarifas dos serviços de abastecimento de água e esgoto. Mas os reajustes não refletem uma melhoria nos serviços prestados. Centenas de bairros ficam sem abastecimento por dois ou três dias. Enquanto isso, a Embasa investe em publicidade...

BRANQUITUDE - “O exemplo baiano mostra porque a discussão da branquitude ainda é importante: mesmo com toda a ênfase na valorização da cultura negra desde a década de 1980, em políticas culturais oficiais, o quase monopólio branco do poder político na Bahia continua” (Liv Sovik, Aqui ninguém é branco, Aeroplano, 2009, p.40).

DANIELA - “No palco do trio elétrico, quando canta 'a cor desta cidade sou eu', Daniela assume uma máscara e representa a cultura soteropolitana: ela não é um indivíduo, mas encena a ancestralidade cultural do lugar, da maioria negra do público que a assiste, canta e dança com ele, e finge que não importa que ela é branca. Mas fora do palco ela se diz 'a branquinha mais neguinha do Brasil' e pessoas como João Jorge cobram uma efetividade das palavras, o cumprimento de um dever cidadão, depois de Daniela tirar a fantasia” (Liv Sovit, Aqui ninguém é branco, Aeroplano, 2009, p.164-5).

E meu amigo baiano Benjamin, da Alemanha, ligou para dizer: “Vocês estão ferrados. Agora vem o horário eleitoral nas rádios e tevês. Com esses candidatos aí não há como optar. O melhor seria se a população não fosse às urnas votar, como protesto. Diga não nas eleições. Não vote em corrupto não!”, disse ele. É mole? Durma com um barulho desses!!!

Quando a democracia não faz diferença
Quando as autoridades protegem apenas os poderosos
Quando os criminosos ficam impunes
Quando a desigualdade se torna a regra
Quando a Justiça não está presente
É tempo de sair às ruas
É tempo de protesto
É tempo de botar a boca no trombone
É tempo de brigar pelos seus direitos
É tempo de manifestação por mudanças!
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HISTÓRIAS EM QUADRINHOS À VENDA

Agente Secreto X-9 (Edições 70/ coleção completa R$150,00): vol.1 (22/01/1934 a 07/04/1934); vol.2 (09/04/1934 a 27/06/1934); vol.3 (28/06/1934 a 15/09/1934); vol.4 (17/09/1934 a 01/12/1934); vol.5 (04/12/1934 a 21/02/1935); vol.6 (22/02/1935 a 13/05/1935); vol.7(14/05/1935 a 16/11/1935).

Antologia da Banda Desenhada Clássica (R$20,00 cada álbum): Mandrake (14/09/1947 a 14/11/1948); Mandrake II (07/07/1946 a 07/09/1947); Rip Kirby (13/10/1947 a 12/06/1948); Rip Kirby II (04/11/1946 a 20/01/1947 e 26/05 a 11/10/1947); Flash Gordon (31/08/1954 a 26/04/1955); Flash Gordon II; Cisco Kid (15/01 e 13/10/1951); Brick Bradford (17/08/1935 a 08/08/1936); Aventuras de Dick (20/04 a 28/12/1947); Robin Hood.
Álbum comemorativo Flash Gordon (EBAL) – No planeta Mongo (R$100,00).
Álbum comemorativo Flash Gordon (EBAL) – Os proscritos e os tiranos de Mongo (R$100,00).
Álbum comemorativo Flash Gordon (EBAL) – De volta à Terra (R$100,00).
Álbum Asterix (Record/ R$10,00 cada exemplar): na Hispânia; os godos; o gaulês; o combate dos chefes; entre os bretões; nos jogos olímpicos; o caldeirão; a cizânia; entre os helvéticos; uma volta pela Gália com Asterix; o escudo arverno; Asterix gladiador; a foice de ouro; os normandos; o domínio dos deuses; Asterix legionário; os louros de César; o adivinho; na Córsega; o presente de César; a grande travessia; Obelix e companhia; entre os belgas; o grande fosso; a odisseia de Asterix; as 1001 horas de Asterix; a rosa e o gládio.
As aventuras de Tintim (Record/ R$10,00 cada exemplar): o Loto Azul; o ídolo roubado; Tintim e os Tímpanos; o cetro de Otoktar; as joias da Catasfiore; o templo do Sol; a estrela misteriosa; as 7 bolas de cristal; o segredo do Licorne; o tesouro do Rackham o terrível; voo 714 para Sidnei; Tintim na América; rumo à lua; Tintim no Tibete; perdidos no mar; o caso Girassol; Tintim e o Lago dos Tubarões; no país do ouro negro; a ilha negra; explorando a lua; na África; o caranguejo das tenazes de ouro.
Gibi Semanal “formatão” (RGE/ R$10,00 cada exemplar):
1,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12,13,14,15,16,17,18,20,21,22,23,
24,25,26,27,28,29,30,31,32,33,34,35,36,37,38,39,40.
Álbum Príncipe Valente vol.II, capa dura (EBAL R$35,00).
Álbum Príncipe Valente vol.VI, capa dura (EBAL, R$35,00).
Álbum Príncipe Valente vol.VII, capa dura (EBAL, R$35,00).
Brick Bradford – viagem ao redor de uma moeda (EBAL, R$20,00).
Mandrake (EBAL): no país dos faquires e no país dos homens pequeninos – capa dura (R$25,00).
Mandrake (L&PM): o cobra, 1934 – (R$20,00).
Almanaque do Fantasma 40 anos (RGE/R$25,00).
Tim e Tok (EBAL), três volumes (R$60,00).
Fantasma: bando do céu (L&PM, R$20,00).
Fantasma: os caçadores de diamantes (L&PM, R$10,00).
Batman: o raposa(1944) e a herança (1944) – (L&PM/R$10,00);
Batman: a gang das fugas (1943), o fantasma do teatro (1943), o coringa (1944) – (L&PM, R$20,00).
O melhor do Recruta Zero 2 (L&PM, R$5,00).
Nick Holmes (L&PM, R$10,00).
As primeiras histórias do Superman (L&PM, R$5,00).
The Spirit (L&PM, R$10,00).
The Spirit 2 (L&PM, R$10,00).
Jim das Selvas capa dura (EBAL, R$40,00).
Lucky Luke (Martins Fontes, R$10,00 cada exemplar): Jesse James; o fio que canta; o bandido maneta; a herança de Ran Tan Plan; Canyon Apache; Dalton City; pé-de-moça (em duplicidade); mãe Dalton; a diligência; a corda do enforcado e outras histórias; o grão duque; caçador de prêmios; western circus; o cavaleiro branco.
Lucky Luke (Meriberica/Liber/ R$10,00 cada exemplar): o esconderijo dos Dalton; na pista dos Dalton; Lucky Luke contra Pat Poker; fora-da-lei; os Dalton regeneram-se; os Dalton continuam à solta; a noiva de Lucky Luke; Carris na pradaria; arame farpado; a evasão dos Dalton; Billy The Kid; Lucky Luke e Phil Defer.
O analista de Bagé (L&PM, R$5,00).
Dick Tracy: O descarado (L&PM, R$10,00).
Dick Tracy: a piscina de Mr. Crime (L&PM, R$20,00).
Almanaque do Gibi Nostalgia nº1 (RGE, R$40,00).
Almanaque do Gibi Nostalgia nº 5 (RGE, R$40,00).
Almanaque do Gibi Nostalgia nº6 (RGE, R$40,00).
Almanaque do Ziraldo: 10 anos de Pasquim (R$20,00).
Mandrake Coleção (Globo, R$5,00 cada exemplar) – do nº 1 ao 29.
The Spirit (Abril Jovem, R$5,00 cada exemplar) – números 1,3,4,5,6,7,8,10 a 16.
The Spirit (NG, R$5,00 cada exemplar) – números 1,2,3,4,5 e (sem número).
Oliver Twist (EBAL Especial, R$3,00).
David Copperfield, edição maravilhosa, nº2 (EBAL, R$3,00).
Tarzan: o berço dos Deuses (EBAL, R$10,00).
Tarzan: o templo de Opar (EBAL, R$10,00).
Tarzan: o rio do tempo e prisioneiros dos tuaregues (EBAL, R$10,00).
Tarzan: o poço do tempo (EBAL, R$5,00).
Tarzan, coleção lança de ouro, nº15 (EBAL, R$3,00).
Tarzan, coleção lança de ouro, nº17 (EBAL, R$3,00).
Tarzan: o lago da vida (EBAL, R$5,00).
Tarzan: o massacre dos inocentes (EBAL, R$5,00).
Tarzan: o mundo que o tempo esqueceu (EBAL, R$5,00).
007 James Bond 1 (EBAL R$5,00).
007 James Bond 2 (EBAL, R$5,00).
007 James Bond 3 (EBAL, R$5,00).
007 James Bond 4 (EBAL, R$5,00).
História do Far-west: Davy Crocrett (Publicações Dom Quixote, R$5,00).
Álbuns Disney (R$5,00 cada exemplar): Pato Donald nº1; Mickey nº3; Tio Patinhas nº5; o xerife do Vale do Balaço nº7; Tio Patinhas nº8.
40 Anos da revista Pato Donald: edição histórica, nº1 (R$5,00).
As melhores aventuras do Pernalonga (EBAL, R$3,00 cada exemplar): números 1,2,3,4 e 5.
Álbum do Fantasma (EBAL, R$5,00 cada exemplar): a infância do herói; os piratas Singh – primeira parte; os piratas Singh – segunda parte; os piratas Singh – terceira parte; os piratas Singh – quarta parte.
O Fantasma (Saber S/A, R$5,00 cada exemplar): nº1 de 1972; nº4 de 1972; nº8 de 1974; nº9; nº10 de 1974; nº16 de 1971.
Pafúncio (Martins Fontes, R$3,00).
Flash Gordon: no reino do gelo (Martins Fontes, R$3,00).
Gibi Semanal (RGE, R$10,00 cada exemplar): números 1, 3 a 18, 20 a 40.
O fabuloso Homem-Aranha nº6 (Distri Editora, R$3,00).

Obs: Maiores contatos pelo e-mail leitor76@uol.com.br – Christiano Britto.


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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (Barris em frente a Biblioteca Pública) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)