19 janeiro 2012

Cartografia dos Prazeres (9)

PORNOGRAFIA - É aquele produto manufaturado com a intenção de produzir excitação erótica. A pornografia é pornografia quando excita. Nem toda pornografia, portanto, é pornografia para todos (Dr. Robert Stoller). Do grego porne = prostituta/prostituição + graphos = escrever. Nesse sentido, é a produção que detém sobre o sexo, tendo em vista sua exploração, com outros fins que não o do prazer erótico. Em 1769, a palavra ‘pornógrafo’ foi usada por Restif de la Bretonne para se referir aos textos relacionados à prostituição. Em 1806, definia os textos que perturbavam a ordem social e transgrediam os bons costumes.


Para Francisco Alberoni, “a pornografia é uma figura do imaginário masculino. É a satisfação alucinatória de desejos, necessidades, aspirações, medos próprios deste século. Exigências e modos históricos, antigos, mas eu persistem até hoje e que ainda não são ativos. As mulheres não são particularmente interessadas em olhar a fotografia de um homem nu. De um modo geral, isso não as excita sexualmente”. Os estudiosos Pascal Bruckner e Alain Finkielk observaram que a pornografia é um suceder contínuo de atos sexuais, sem que necessariamente haja um história.


POEMAS FESCENINOS - O adjetivo “fesceninos” deriva de uma palavra latina e indica um tipo de poesia obscena que surgiu na Fescênia, região romana da antiguidade.


PIERCING - A prática do piercing consiste em colocar adornos metálicos como anéis e brincos em diversas partes do corpo. É uma prática sadomasoquista.


PRIAPEIA - Uma coleção de poemas alegremente eróticos e obscenos dedicados a Priapo, circulou amplamente em manuscritos no século XV. A versão romanceada mais antiga foi copiada por Giovanni Boccaccio. Todas as 75 versões manuscritas existentes datam do início do Renascimento. Foram publicadas 22 edições de Priapeia em 1517, sinalizando sua imediata popularidade no período de transição entre a cultura manuscrita e a cultura impressa. Inicialmente atribuída a Virgílio, a Priapeia surgiu como parte de suas obras completas, publicadas em Roma em 1469. Em seguida, foi publicada por diversos editores europeus, mas assiduamente pelas grandes casas editoras humanistas italianas, como a Aldimne de Veneza.

PUDOR - Desde que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso, a folha de figueira se tornou a expressão mais utilizada para desaprovar quaisquer formas de cobrir órgãos sexuais femininos e masculinos na arte e na literatura. A função indumentária da folha de parreira (a folha pudica preferia de pintores e escultores) foi inaugurada no século 17, quando um onda moralista tomou conta do continente europeu. Essa tendência de “vestir” a nudez artística teve início em Roma e foi uma decorrência do Concílio de Trento, em 1563, que marcou uma nova fase moralista na história da Igreja Católica. A mania da folhinha logo se fez presente em toda a Europa e passou a esconder nus de todos os tipos e épocas. Em 1670 o príncipe romano Giovanni Battista Pamphili, vítima de um ataque de pudor, inaugurou uma nova fase no mundo das artes e mandou cobrir as “vergonhas” de suas esculturas gregas. Em meados do século 18 o papa Clemente 13 ordenou a aplicação de folhas de parreira e véus em todo o acervo de nus do Vaticano. No sul da Alemanha, uma tendência ganhou importância com a exposição de 1860, quando o seu Ludovigo da Baviera, também inclinado às normas moralistas, ordenou a confecção de folhas de parreira em bronze para serem utilizadas no museu Glyptothek. A folha de parreira teve vida longa em museus e galerias européias e americanas e durou até o início do século 20. Sua existência revela um problema presente até hoje na abordagem social do corpo- a falsa moral. Como no caso dos biquines brasileiros, o que importa não é o quanto se pode ver, mas sim que haja uma vestimenta simbólica para as partes do corpo que possam ser conotadas eroticamente.



RELAÇÃO ENTRE OBSCENO E PORNOGRÁFICO - Obsceno é o que fere o pudor. Quer dizer em cena, em frente à cena (ob- em frente a/ sceno = cena). Proferir uma obscenidade é apresentar em público nãoapresentável”. Msituações sociais”(ou seja, na presença de outros, em cena) nem tudo pode ser dito. A razão não suporta o segredo. O jogo da culturatentar desvendar. A obscenidade é imoral, mas precisa ser dita. “O que se tinha como proibido é, então, colocado em discurso. A transgressão se organiza. A sexualidade é instalada a se manifestar, de todas as formas apresentáveispelos eufemismo assépticos do discurso científico e pedagógico, ou pla supidade assumida do discurso pornográfico. Pornografia é a explora;ao venal da sexualidade obscena. Assim como a prostituição, a pornografia é um aparelho indispensável à ordem social. Veiculada mensagens proibidas, sob o controle do discurso (pré-definido em seus conceitos) e do espaço (pré-determinado e restrito).

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Brotas), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929)

18 janeiro 2012

Cartografia dos Prazeres (8)

ORDEM MORAL - A partir do ano 200, e bem antes de o Império Romano se converter ao Cristianismo, foi implantada uma ordem moral bastante repressiva. O imperador zela pela sedimentação de seu poder. A homossexualidade é proibida pela primeira vez, o direito penal pune rigorosamente o adultério e o rapto. Uma censura se exerce sobre a literatura, e as últimas liberdades de costumes desaparecem de todo. A moral sexual repressiva data de fins da época pagã e responde a motivações políticas de um regime autoritário.


PAIXÃO - Manifestação sublimada do desejo. É criatividade, excesso, transgressão. Não há arte sem paixão. A paixão é a irrupção do novo, do diferente em nós, é uma invasão que nos afoga e completa, sufoca, mas preenche, aniquila mas satisfaz, envolve, pressiona, aprisiona e esmaga, mas também liberta e ilumina, leva ao êxtase. E enlouquece, porque é expansão infinita, visão do absoluto. Se desequilibra e revoluciona, é porque vivifica, renova e recria. Em estado de paixão, estamos no terreno do dionisíaco, por excelência, e, em termos nietzscheanos, o que a arte faz é dar forma ou aparência apolínea, ou melhor, dar objetividade ou configurar a subjetividade de Dionísio. Na opinião da mestra em Filosofia pelo IFCS-RJ, Rachel Gutiérrez.


É criatividade, excesso, transgressão. Não há arte sem paixão. A paixão é a irrupção do novo, do diferente em nós, é uma invasão que nos afoga e completa, sufoca, mas preenche, aniquila mas satisfaz, envolve, pressiona, aprisiona e esmaga, mas também liberta e ilumina, leva ao êxtase. E enlouquece, porque é expansão infinita, visão do absoluto. Se desequilibra e revoluciona, é porque vivifica, renova e recria. Em estado de paixão, estamos no terreno do dionisíaco por excelência, e, em termos nietzscheanos, o que a arte faz é dar forma ou aparência apolínea, ou melhor, dar objetividade ou configurar a subjetividade ardente de Dionísio. Na opinião da mestra em Filosofia pelo IFCS-RJ, Rachel Gutiérrez.


A paixão, diz Aristóteles, não é virtude, nem vício- é uma emoção da alma que nos impele para um prazer determinado, ou que nos faz fugir de um determinada dor. Não é, portanto em função de nossas paixões que somos julgados bons ou mus, porém segundo a maneira pela qual os integramos em nosso comportamento.


PALAVRÃO – Termo obsceno ou xingamento utilizado para se referir a algum comportamento sexual, preconceito ou partes do corpo.


PARAFILIA - Tara, compulsão sexual. Indivíduo parafílio – tarado.


PARTES VERGONHOSAS - Não foram os padres da Igreja e sim os filósofos estóicos, como Sêneca, que começaram a chamar os órgãos genitais de ‘partes vergonhosas”, ou pudendas (os gregos diziam aidia).


PEDOFILIA - Excitação sexual obtida através de contato físico com crianças ou adolescentes.


PEDOLATRIA - Excitação sexual obtida através de contato físico com pés ou sapatos de outra pessoa. A pedolatria é considerada uma prática sadomasoquista. Também conhecida como podofilia.


PÊNIS Órgão de copulação masculino. Desde o paleolítico, a imagem do pênis é encontrada nas paredes das cavernas. Ele volta com força no neolítico, especialmente na forma de megálitos (pedras monumentais erguidas em tempos pré-históricos) muito fálicos. Nessa época, o homem se torna sedentário e passa a desenvolver a agricultura. Nas culturas pagãssegundo David M. Frieldman o pênis era um ícone da criatividade, o elo entre o homem e o sagrado, um agente do êxtase físico e espiritual que aludia à comunhão com o eterno. Mas também era uma arma contra as mulheres, crianças e homens mais fracos. Era uma for;a da natureza, reverenciada por sua potência, ainda que não menos amoral. Unia o homem ã energia cósmica que abria os campos todo ano co novos rebanhos e safrase, com a mesma frequência, os destruía. A urgênciaanimaldo órgão não perturbava os antigos. O pênis não foi simplesmente exaltado em Atenasele foi exposto. A reverência pela forma masculina foi personificada em milhares de kouroi, estátuas de rapazes nus, espalhadas pelo mundo grego. “Embora o pênis nessas esculturas estivessem flácido os valores projetados por seus torsos rijos, musculosos, eram claramente obscenos. Outras estátuas gregas não eram tão sutis”.


PERVERSÃO - Práticas sexuais que, para muitas pessoas, têm gosto de coisa proibida ou que são, por elas, consideradas degradantes. A forma erótica do ódio é uma fantasia, em geral realizada, mas ocasionalmente restrita a um devaneio. É uma aberração habitual, preferida, necessária à plena satisfação, motivada sobretudo por hostilidade. A hostilidade na perversão assume forma numa fantasia de vingança oculta nas ações que constituem a perversão e serve para converter um trauma da infância num triunfo adulto. É uma neurose erótica.


No século 19, o termo perversão designava todas as formas de desvio sexual, ou seja, toda prática sexual que não estivesse ligada ao primado da reprodução. Em 1895, nos Três Ensaios sobre a Sexualidade,m Freud mostrou que tal desvio era universal, ou seja, que as práticas perversas servem de preliminares para o heterossexuais. Noutros termos, que a sexualidade humana não é determinada pela procriação.


Para o sexólogo francês Gilbert Tordjman (Lec Dialogue Sexuel. Questions de Madeleine Chapsal. Paris, Jean-Jacques Pauvert, 1976), “a única definição de perversão é quando não existe nenhum relacionamento entre dois seres que fazem amor. Quando um usa o outro como objeto sem lhe permitir tirar proveito dessa utilização”. A expressão-tipo de perversão é o estupro, esse raptor do gozo, esse desafio à regra do intercâmbio dos orgasmos.

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17 janeiro 2012

Cartografia dos Prazeres (7)

NINFOMANIA - Mulheres que fazem sexo em excesso ou têm desejo sexual elevado. O mito da ninfomania é uma herança da Antiguidade, que apresentava a mulher comum a uma essência da concupiscência, revelada, por exemplo, pela história de Mesalina e Cláudio. O cristianismo também veio reforçar essa imagem por meio do conflito de Adão e Eva. Foi ela quem seduziu Adão e introduziu o pecado original. A teoria freudiana foi um ponto de virada na leitura sobre o significado da ninfomania. Freud introduziu uma nova no;ao para o termo, paradoxalmente, ligada à frigidez. Seu fundamento básico era o de que uma ninfomaníaca era insaciável, pois não era sexualmente satisfeita.

OBSCENO - Corruptela do vocábulo “scena”, seu significado é “fora de cena”, ou seja, aquilo que não se apresenta normalmente na vida cotidiana. Aquilo que se esconde. Conforme o Novo Dicionário Aurélio, obsceno é “o que fere o pudor; impuro, desonesto”, ou “diz-se de quem profere ou escreve obscenidades”. Isto é, obsceno é aquilo que se mostra, que se põe “em cena”. Cometer uma obscenidade é colocar em cena algo que deveria estar fora dela. É transgredir. Nessa ambiguidade (ou ambivalência?) – fora de cena/dentro de cena – se funda o conceito de obsceno.


A fascinação pelas imagens obscenas – segundo Jean Baudrillard – seria a paixão desencarnada de um olhar sem imagem por uma cena vazia onde nada tem lugar mas na qual o olhar é satisfeito. A obscenidade é uma tentativa desesperada de sedução pela evidência grosseira da verdade, e não pelo uso sutil dos signos disponíveis. Ao acreditar que é suficiente se dar a ver e forçar ser vista, ela se comporta como uma oferta vulgar, ingênua e sentimental que pretende ser a verdade material das coisas, sem respeito pelas complexidades e pela sutileza das aparências. A obscenidade é uma efusão e uma provocação ao mesmo tempo.


A palavra obscena representa o contraste entre diferentes registros sociais da linguagem – rude e elegante, proletária e aristocrática, masculina e feminina. Ao representar a transgressão social, além de uma espécie de hiper-realismo, a linguagem obscena cria o fetichismo de certos vocábulos relacionados ao sexo. Ao representar uma parte do corpo, algumas palavras adquirem o status de fetiche. Em conseqüência, a ênfase no realismo transforma-se, paradoxalmente, em uma forma grotesca, os falos são imensos, as vaginas multiplicam-se e o ato sexual é uma espécie de frenesi improvável. Isso resulta em uma pornografia imaginária e, às vezes, fantástica.


Obsceno é aquilo que delibera ou abertamente ofende o recato por meio de representações de natureza sexual (Petit Larousse). Para Roland Burther, “o amor é o obsceno precisamente quando coloca o sentimental no lugar do sexual”/ A palavra obsceno atua denotativamente. A linguagem obscura relaciona-se mais diretamente que a linguagem usual, ao corpo e suas pulsões, e evoca representações corporais, dotando as de qualidade alucinatória. Portanto, a palavra obscena é governada pelo tabu em relação ao amor, que caracteriza grande parte de pornografia, embora não toda. O vocabulário obsceno expressa não só o corpo erótico da mulher, mas também o do homem. Isso suscita duas questões – uma que envolve exibicionismo e outro que envolve o desejo masculino em feminino. O exibicionismo resulta da vontade de expor o corpo ao outro e é uma motiva;ao frequente na pornografia, o que pode ser responsável por muitas descrições explícitas e entusiásticas do membro masculino. Se o narrador é do sexo feminino, essas caracterizações assumem importância adicional, inscrevendo o desejo feminino.


Apesar de o discurso pornográfico estimular o desejo apelando no imaginário, geralmente o faz por meio da linguagem verbal, ao evocar os atos sexuais que buscam mimitizar os dos seres humanos. As representar a transgressão social, além de uma espécie de hiper-realismo a linguagem obscena cria o fetichismo de certos vocábulos relacionados ao sexo. Ao representar uma parte do corpo, algumas palavras adquirem o status de fetiche. Em consequência, a ênfase no realismo transforma-se, paradoxalmente, em uma forma grotesca, os falos são sempre imenso, as vaginas multiplicam-se e o ato sexual é uma espécie de frenesi improvável. Isso resulta em uma pornografia imaginária e, às vezes, fantástica, ainda que os feitos sobre os leitores fossem bastante reais.


ONANISMO - Sob o termo “frouxidão”, pelos confessores da Idade Média, depois por certos pregadores do século 17, a masturbação chegou ao século XIX com ideia fixa médica do onanismo beirando ao delírio justificando todo tipo de recomendações, admoestações e ameaças dirigidas aos jovens. O que prevalecia era uma obsessão de perda pelo viés do esperma. Este discurso médico reflete as fantasias da classe burguesa, em vias de se tornar a nova classe dominante.

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16 janeiro 2012

Cartografia dos Prazeres (6)

MASOQUISMO - Obtenção de prazer através da dor física, humilhação ou submissão a outra pessoa. Tem derivado do nome do escritor austríaco Leopold von Sacher – Masoch, que escreveu em 1870 o livro A Vênus das Peles.


MASTURBAÇÃO – Fricção dos genitais, exceto no curso de sexo oral, vaginal ou anal.


MENÁGE A TROIS – Relação sexual envolvendo três pessoas no mesmo ato.


MORAL - Veículo de controles sociais, expressão organizada dos “bons costumes”, como extrato ideológico de uso corrente para reprimir e ajustar os indivíduos. O processo civilizatório foi (tem sido) assentado na repressão. Pela versão bíblica (judaico-cristã), por conta do pecado original – a consumação do desejo – o homem foi expulso do paraíso terrestre e condenado a ganhar o pão com o suor de seu rosto. Sobre essa base edificou-se um arranha-céu de condutas morais. Historicamente, a partir do momento em que o homem se organiza como sociedade, tornou-se necessária a formulação de regras de comportamento. A violação dessas regras passou a configurar-se como erro ou crime, sujeito às normas de punição e castigo criadas pelo grupo social. Nesse processo, por essencial também a disciplina do corpo para o trabalho que, adquirindo formas de organização, engendrou limites para os instintos. O corpo, assim administrado, passa a ter os prazeres sob controle. Embora com diferenças culturais, étnicas, geográficas e temporais, sempre existem regras que orientam as práticas sociais.


A moral não é apenas uma lei de costumes, mas também formas políticas emanadas do poder. Devidamente internalizadas, tende a ser uma “coisa natural” para os indivíduos. Os códigos instituem a normalidade e o proibido é instaurado para organizar as perversões.


A partir do século XIX, quando uma configuração de teorias (Darwin, Comte, Freud e outros) levou à compreensão dos fenômenos como leis naturais, a ciência, superando a palavra divina em rigor e eficácia, assume a tarefa de controlar a sexualidade, classificando, analisando e ordenando a vida dos indivíduos e seus prazeres. O corpo envergonhado, pecador e maldito passa a possuir. Cientificamente, perturbações do instinto, anomalias genéticas, neuroses, enfermidades, práticas condenáveis e, portanto, formas adequadas de agir, pensar e amar. A respeito das formas de amar, Michael Foucault distingue dois grandes procedimentos para produzir o conhecimento do sexo. Por outro lado, as sociedades orientais produziram uma “ars erotica”, em que a verdade é extraída do próprio prazer, encarado como prática e recolhido como experiência. A civilização ocidental, por sua vez, criou uma “scientia sexualis” que, fundada na confissão – a prática discursiva de falar da sexualidade – e na penitência, evoluiu para os discursos científicos que conjugam relações do saber e do poder. Segundo Foucoult, o século XIX nos legou um aparato discursivo científico para “dizer a verdade do sexo”, extrair sua “confissão”, capaz de “implantar perversões”, tão moralizante, normativo e controlador quanto o discurso religioso.


NÁDEGA – Cada uma das partes carnudas e globosas que formam a parte superior e posterior das coxas. Bumbuns redondinhos são a preferência nacional do Brasil, tanto para homens como para mulheres, visando igualmente à retaguarda de ambos os gêneros. As nádegas evocam a gula primárias dos homens e representam (as dos machos) energia sexual e “pegada” para as mulheres.

NECROFILIA – Atração sexual por cadáveres.


NEGRO – Humano com abundância de melanina na pele. O primeiro homo sapiens, ao que indicam as pesquisas arqueológicas, nasceu na África, provavelmente em torno do planalto da Etiópia, e tinha pele escura. Dali muitos migraram para o norte, adquirindo características físicas diferenciadas como adaptação a meio natural diverso do local de origem. A cultura, por ignorância e xenofobia, entre outras razões, criou vários estereótipos em torno do negro, muito dos quais depreciativos (racismo). Nem todos. Um deles diz a sensualidade aflorada e, co relação aos homens, de grande poder sexual e falos imensos dos negros. A indústria do pornô explora o fetiche à exaustão.


NINFETA - Termo cunhado por Vladimir Nabokov em sua novela “Lolita” (1955), definiu um gênero tão velho quanto o desejo, uma imagem de inocência que guarda em sua verdadeira natureza algo de demoníaco. Até então, ela era uma imagem sem nome, inspirada nas heroínas infantis de Charles Dickens, um apreciador de menininhas na vida real, e na paixão platônica de Charles Lutwige Dogson, ou Lewis Carroll, que transformou Alice no mais criativo caso de pedofilia. Foi no cinema que originou o culto, em Mary Pickford, Lillian e Dorothy Gish, Mabel Normand e Mary Miles Minter. Brooke Shields, Nastassja Kinski e Jodie Foster jogaram mais almas no inferno. Mas a imagem definitiva foi fixada sob filtros para a revista Penthouse. As ninfetas de David Hamilton são o clichê máximo da bucólica pretty baby.


NINFOMANIA – Termo usado para mulheres dotadas de um apetite sexual insaciável.

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13 janeiro 2012

Cartografia dos Prazeres (5)

IMPRENSA FESCENINA - Na primeira década do século XX começa a aparecer uma série de tabloides de caráter obscuro, os quais se tornaram conhecidos, então, pelo nome genérico de imprensa fescenina, imitação dos jornais e revistas congêneros de Paris. Surgiram como ampliação das secções cômicas e das caricaturas dos diários, muito apreciadas pelo grande público. Entre as publicações de cunho obsceno-cômico, estão: O Coió (1901/1904), O Rio Nu (1898/1916), O Tagarela (1902/1904), O Nu (1901), O Pau (1905), O Diabo (1907), O Badalo (1893/1894), O Empata (1906), Está Bom, Deixa (1903). Quase todas elas se caracterizavam pelo uso de uma linguagem dúbia, maliciosa. Seu maior atrativo residia nas ilustrações. O desaparecimento desses periódicos se dá por volta do fim da primeira década do século.

INCESTO – Relação sexual entre parentes próximos. A interdição do incesto é o tabu mais universal, presente em praticamente todas as culturas, das mais primitivas às mais civilizadas e ditas liberais.


INFIDELIDADE – Fidelidade é tudo de mais caro que se pode querer ou esperar do outro. Não podemos viver sem o outro. Infidelidade não dese ser restrita à questão afetiva, sexual, trocar ou não olhar, desejar ou não outro. Diz respeito a qualquer espécie de deslealdade, logro, desonestidade. Porém, especialmente no sexo, infidelidade é quebrar o pacto, instituído ou presumido em termos morais, legais e religiosos nas principais culturas civilizadas, entre namorados e cônjuges, que reza, regra geral, que aquele que tem relação física ou de desejo com um outro não pode ter com outro semelhante.


INTERDITO - O proibido por força de norma (interdição) imposta pela civilização organizada, fundada no trabalho e na razão. Diz respeito ao campo das proibições, criada a fim de que possam existir necessariamente, ultrapassando-as, as transgressões. As proibições situam-se entre as fronteiras do poder, enquanto as transgressões pertencem ao espaço do desejo. “Se uma parte da vida greco-romana que foi falseada pela lenda”, escreve Paul Veyne, “esta foi, sem dúvida, a sexualidade/ acredita-se, havia posto o verme do pecado no fruto proibido. Mas a verdade é o que o pagamento foi paralisado por interditos” (História da Vida Privada, 1985). “O interdito, escreve Jacques Rossiaud, um historiador medievelista, ‘produz fantasias que encontramos igualmente nas cosmografias da época, nestas imagens do mundo, as Imagines mundi , que então florescem e que mostram o centro do mundo como lugar dos valores da civilização/ se por infelicidade nos afastamos deste centro, chegamos a regiões fantásticas estranhas, em que reina o monstruoso” (LHistoire, 180, setembro, 1994).


JEGUE – Mamífero quadrúpede usado como animal de carga. O jegue pode ter fama de teimoso, barulhento, inconveniente, mas, em compensação, tem o que parece ser oi maior pênis (proporcionalmente ao tamanho do corpo) do mundo animal. Jegue (também chamado jumento), assim, está associado a pênis enorme, a ponto de inspirar a expressão “pau de jegue” para designar homens bem-dotados.


KAMA SUTRA – Antigo texto indiano com instruções para a prática sexual.


LÉSBICA – Mulher que prefere outra mulher como parceira sexual ou afetiva.


LIBIDO - Energia ou pulsão sexual presente em todas as épocas de nossa vida, desde a infância, e em nossos sentimentos mais profundos, determinando mesmo a linha de nosso destino pessoal.


LÍNGUA – Corpo carnudo alongado localizado na boca, responsável pelo paladar e pela articulação dos sons vindos das cordas vocais. A língua é órgão sexual de todos os gêneros e preferências.


LOLITA – Título de romance de Vladimir Nabokov, publicado em 1955. Adolescente perversa que usa seus encantos aparentemente meigos e inocentes para levar homens maduros a uma busca obsessiva por tê-la e satisfazer os caprichos dela.


MAÇÃ – Fruto da macieira, árvore do gênero malus. O fruto proibido da árvore do conhecimento no Gênesis, a maçã é das frutas mais consumidas no mundo e se transformou na preferida dos enamorados.


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