18 novembro 2011

Percepções estereotipadas dos EUA para o México

O teórico de literatura, da cultura e da comunicação, Hector Fernandes L'Hoeste escreveu um artigo “De Estereótipos Vizinhos: Memín Pinguín como uma oportunidade perdida” no livro Imprensa, Humor e Caricatura: A questão dos estereótipos culturais, organizado por Isabel Lustosa e lançado em 2011 pela Editora UFMG. O trabalho parte do personagem Memín Pinguín, um menino negro com feições exageradas, criado nos anos 1940, e do episódio de seu reaparecimento em 2005 – quando o Serviço Postal Mexicano emitiu 750 mil selos comemorativos dedicados ao personagem, para discutir o mito da democracia racial no México, onde é recorrente a ideia de que o racismo é uma “problemática alheia, exclusiva dos vizinhos do norte”.


A personagem da série (Memín), criada pela escritora Yolanda Vargas Dulché ao comemorar a tradição nacional de quadrinhos com uma coleção de selos desencadeou reações negativas do governo Busch ao declarar que “os estereótipos raciais não devem existir no mundo moderno”.

“O governo mexicano, por sua vez, teimou em defender a medida. O porta-voz da embaixada asteca em Washington, Rafael Laveaga, destacou o fato de que no México não se fazia uma leitura racial de personagens como Speedy González, que, mediante a sagaz estratégia de explicitar a exceção, mostravam os mexicanos como sonolentos e preguiçosos. Carlos Caballero, do Sepomex, defendeu a inclusão de Memín, dada a sua suposta encarnação de valores louváveis”, escreveu Hector, continuando mais adiante:


“O presente texto se propõe a analisar esse episódio como valioso exemplo dos efeitos nocivos do etnocentrismo em matéria de percepção cultural. O etnocentrismo, ou predisposição, em geral inconsciente, a julgar a nossa cultura de maneira superior, tende a enquadrar a nossa percepção do próprio e do alheio dentro do marco de matrizes culturais legitimadoras dos nossos inventários históricos, sociais e econômicos de índole nacional. Dessa maneira, impossibilita-se a apreciação da diferença – em geral o elemento imprescindível na organização de qualquer cultura – segundo pautas alheias em sociedades vizinhas. Em outras palavras, dado que nos habituamos à diferença de acordo com o nosso paradigma – assimilado mediante o correspondente exercício identitário nacional – nos desacostumamos a perceber como se constrói a diferença em outras latitudes e desperdiçamos as oportunidades de enriquecimento mútuo”.

Ainda segundo Hector Fernandes, “o episódio de Memín Pinguín, apoiado em percepções de raça – os norte-americanos tachando os mexicanos de racistas – e classe – os mexicanos se queixando do paternalismo do vizinho rico e poderoso -, diz quase o mesmo de ambos os países: nenhum dos dois se esforça por praticar a autocrítica e entender como esse incidente desvela aspectos significativos e exploráveis de ambas as sociedades”.


O articulista conta a origem do personagem publicado em um diário de novela gráficas (Pepín) que “alimentou os ânimos de leitura de milhões de mexicanos recém-alfabetizados e urbanizados em meados do século 20”. Assim as travessuras de Memín e seus amigos enaltecem e glorificam a mestiçagem, comum na localidade. “Portanto, o imaginário mexicano tende a se sustentar em interesses da classe preponderante, a classe média, o que não equivale a dizer que não se contemplam delimitações raciais. A ordem de raça existe no México, só que encoberta sob uma forte preocupação social”.

“Nos EUA – continua Hector - , ao contrário, a ordem é quase exatamente a oposta. O que prevalece é a raça e o que se interioriza é a classe. Boa parte da população carece de consciência de classe, mas reafirma de maneira constante o seu entendimento de raça. Para o capitalismo, a diferença de classe é matéria problemática, pois tende a fomentar uma consciência de exploração. Daí vem o fato de se promover a ilusão constante de se fazer parte de uma grande classe média. Os ricos, como disse Fitzgerald, são diferentes, vivem em outros lugares, e o seu estilo de vida, apesar do afã publicitário dos meios de comunicação, é bastante inacessível. A pobreza, ao contrário, se converte no bastião dos párias, daqueles que não souberam se acomodar nem aproveitar as oportunidades do sistema: eis aqui uma desculpa muito boa para atenuar responsabilidades coletivas. A raça, por sua vez, se converte no prisma segundo o qual se vê e se entende não só o que lhes é próprio, como também boa parte do que é alheio, da infinita alteridade possibilitadora da renovada construção identitária norte americana”.


Como analisa o estudioso, os negros dos EUA viram os selos de Memín e entenderam a imagem que lhes remeteu a aromas de melancia (fruta que ostenta conotações raciais negativas nos EUA), interpretados segundo matrizes identitárias apreendidas depois de um amadurecimento na sociedade americana com as usuais conotações pejorativas entre os seus semelhantes. Segundo ele, os norte americanos não se detiveram para pensar o que poderia significar essa personagem no contexto da indústria cultural de outra nacionalidade, de acordo com outras condições de produção assalariada. E foi incisivo:


“As negritudes norte-americanas estão tão convencidas dos seus papéis de alteridade, dos seus papéis de vítimas, que não se colocam a possibilidade de se conceberem no papel de opressoras hegemônicas, no papel dos que têm a vergonha – ou o descaramento, segundo se queira admitir – de opor os seus valores aos de outras nações. A hegemonia, por dizê-lo de maneira sucinta, não só se fundamentam em alteridades periféricas, alheias. Há também alteridades próprias, internas. Ditas alteridades – nesse caso, as negritudes americanas – sempre correm o risco de servirem de cúmplices, tácitas ou conscientes, da prática hegemônica”.


O texto analisa ainda a Revolução Mexicana que glorificava o passado indígena e idealizava a mestiçagem, promulgando o mito da democracia racial. Para ele, o México é, aos olhos dos EUA, uma nação na qual prevalece o antepassado indígena, com os estereótipos consequentes. Para os mexicanos, ao contrário, todos os norte-americanos, incluindo os negros que em ocasiões tiram férias nas rivieras astecas, são capital andante, acostumado a violentar os interesses da nacionalidade mexicana. E conclui que o fato de uma história em quadrinhos permitir que aforem e se evidenciem essas diferenças culturais demonstra bem o quanto as HQs são um meio de comunicação eficaz.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929).

17 novembro 2011

Desvendando Clarice Lispector

Ela é uma das maiores representantes da literatura brasileira do século XX. Linda, elegante, culta, arisca e selvagem conseguiu criar para si uma aura mística, que a aproximava mais da lenda do que ao ser humano. Dir-se dela que conseguiu captar verdadeiramente a alma feminina. Mas são tantas as facetas desta mulher que é quase surpreendente o fato de ela ter recebido uma biografia tão constante e coerente.


A partir de sua paixão pelas autora, o escritor norte americano Benjamin Moser escreveu a biografia de Clarice Lispector. Foram cinco anos ininterruptos de pesquisas sobre a vida e a obra dessa escritora, na tentativa de resgatar detalhes preciosos sobre a enigmática Clarice. Why this world (Por que esse mundo?) é o título da versão original do livro. Traduzido e publicado no Brasil pela Cosac Naify, sob o título de Clarice, ou seja, “Clarice virgula”. A vida de Clarice Lispector não comporta um ponto final.


Na introdução das biografia intitulada “A Esfinge”, Moser escreveu que Clatice Lispector “já chegou a ser considerado um pseudônimo, e seu nome original só foi conhecido depois de sua morte. Onde exatamente ela nasceu e quantos anos tinha também eram pontos poucos claros. Sua nacionalidade era questionado, e a identidade de sua língua nativa era obscura. Uma autoridade atestara que era de direita, e outra, que era comunista. Uma insistirá que era católica devota, embora na verdade fosse judia”.

A obra de Moser é um estudo que resgata muitas particularidades das origens judaicas de Clarice, do seu universo literário e de sua vida pessoal, que chega às mãos do leitor como uma surpresa reveladora de grandes descobertas. O contexto histórico de sua chegada ao Brasil, sua insistência em se considerar brasileira, a vida difícil que levaram seus pais, a dor e as cicatrizes psicológicas trazidas pela morte de sua mãe, assim como sua admiração por Spinoza, sua busca pela leitura dos livros de autores aos quais fora comparada, sua tendência amoral e selvagem, tudo está intimamente ligado à sua obra.


A alma exposta em sua obra é a alma de uma mulher só, mas dentro delas encontram toda a gama da experiência humana.

“Quem me acompanha que me acompanhe: a caminhada é longa, é sofrida mas é vivida. Porque agora te falo a sério: não estou brincando com, palavras; Encarno-me nas frases voluptuosas e ininteligíveis que se enovelam para além das palavras. E um silêncio se evola sutil do entrechoque das frases.


“Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra – a entrelinha - morde a isca, alguma coisa se escreveu. Uma vez que se pescou a entrelinha, poder-se-ia com alívio jogar a palavra fora. Mas aí cessa a analogia: a não-palavra, ao morder a isca, incorporou-a. O que salva então é escrever distraidamente.


“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.


“O que te direi/ te direi os instantes”. (Água Viva)

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16 novembro 2011

Cultivo de sonhos na essência poética de Sérgio Mattos

O poeta e jornalista Sérgio Mattos domina muito bem as palavras e, com elas, celebra o cotidiano. Essência Poética (poesia de toda a vida), obra publicada pela Gumercindo Rocha Dórea Edições contém os novos livros que produziu ao longo de sua caminhada, sendo oito deles já publicados e o último, Restantes, com poemas inéditos de várias épocas.


Em todas as fases de sua vida a obra apresenta descobertas, vivências e valores: “Embriagado/teu braço/ao mar tocava//Em princípio melancólico/encrespava as ondas do mar/enquanto secas folhas dançavam//Sumiram os pássaros/e o sol também/- a cidade emudeceu -/Comovido,/o vento começou a soluçar...”

“Desejei ser um fóssil/da criação/chorei larvas/e comi carvão./Foi tudo ilusão...”


“Raio/quente./Chuva/fria, Trovão/no coração/da amada./O/raio/regou/regaço/da/amada./O raio/ partiu/pariu/pereceu/de saudades/numa noite/de trovoada....”


Os versos líricos, inquietos, febris, espontâneos apresentam imagens surpreendentes. Como um vigia do tempo, Sérgio apresenta versos carregados de experiência, de sentimentos:


“A infância passa/a saudade fica/a infância passa/não volta..../a saudade chega,/não passa...”


“Fato/vida/preço/-a notícia -/nota://Cheia/feia ou/colorida/- técnica - //Noticia Técnica/ fome-cheia/vida-morta:/é manchete,/veja a nota...”


“Senti o poema/somar os sentimentos/mas não o escrevi:/era perfeito demais para existir...”


“E eis que, pela vidraça,/sem nenhum disfarce,/eu a vi, cheia de graça”


“Domingo/colhi flores/e libertei poemas/ao correr entre balanços,/gangorras e crianças”.


“Sotaque aberto/cheio de dengo/e aconchego/é como sinto o falar da baiana,/minha soteropolitana, mulher sedutora,/que me encanta, por ser reveladora,/com seu sorriso/largo, dos segredos,/da alegria, da dor,/dos mitos e medos:da cidade de São Salvador”.


E o poeta recorda a infância, idade sensível de sonhos carregados de fantasias no mundo de descobertas, e o porta estandarte vira poesia das belezas e tristezas da vida. Sereno, Sérgio vai libertando as palavras que aos poucos vai se espalhando por todos os cantos, recantos, encantos do nosso ser. E o que dizer de seus versos, sempre entreabertos, de cores, sabores, sensações. Essência, raiz, matriz, tudo por um triz. Sérgio corre risco, se joga no abismo com toda carga de emoção. E a criação? Esse bate em compasso, passo a passo com a razão. Adulto vira menino, criança com esperança, tudo misturado no sentimento de emoção:

“No ano, a cada estação/as plantas ensinam/ao homem a renovação”.


“O poema/é arte nata,/artesanato//O poema/é arte,de fato./artefato//a poesia/ é meu estandarte./Minha arma, minha arte./Passo a passo, a faço,/procurando ocupar espaços,/registrando o dia a dia,/sem dogmatismo ou maneirismo,/sem máscara ou palhaços./Meus versos/são lançados,/visando a todos atingir,/como se fossem estilhaços/cheios de verdade e emoção”.


“Que os poetas/façam em Revolução da Canção,/que usem as flores, as palavras/e os poemas como armas/da libertação./Que os poetas cantem/o amor, a liberdade/e usem a verdade/como estandarte/na luta contra a alienação'.


“Neste mundo,/as medidas fazem os meios/para os fins serem alcançados./Cada homem tem uma missão/e nos fins,/cada poeta busca/o princípio invisível do existir”.


Sérgio tem essa prática do domínio das palavras sem subterfúgio, sem máscara. Transparente, consciente, presente. Talvez pela sua grande experiência no jornalismo, ele trouxe essa vivência da prosa na poesia, ou vice versa. Mas a liberdade de suas palavras, algumas vezes em hai-cai, outras em trilhos definidos, precisos.


“O poeta é o estilista/que veste as palavras;com sentimentos coloridos./O poeta é o artista/que cobre as palavras/com sensualidade./furacão./Com a irreverência da imaginação,/o poeta consegue criar/do alfabeto, com ou sem afeto,/até lágrimas sintéticas./Lágrimas doces que mudam de cor/a depender da dor ou do amor....”


“É vento, é venta...é ventania,/chegando cheia de valentia,/Sinhá, este vento corre mundo,/atravessa mares, varre florestas,/agita desertos, poliniza flores/e levanta poeira./Sinhá, este vento ronca,/assobia, geme e ainda dá surra/de areia fina/nas pernas da menina./Sinhá, que nome tem este vento,/que venta, canta e encanta/em todas as pontas da rosa dos ventos;/Muitos nomes tem o vento,/seja quente ou refrescante,/ele acaba envolvendo a gente./Sinhá, este vento é traquina./Levanta a saia da menina,/rodopia que nem pião/e, quando zangado, vira furacão./Sinhá, este vento é indiscreto./Pouco importa se é vento de inverno/ou vento fresco do mar,/pelas frestas, em qualquer lugar,/ele penetra, fazendo até parede falar,/conduzindo vozes,/provoca um verdadeiro inferno./Siná, o vento na gente prega peça/quando nas madrugadas, passando com pressa,/faz bater janela, porta e portão/e no rastro ainda arrasta latas/nos deixando aquela sensação/arrepiante de assombração”.


E desta forma, Sérgio Mattos comemora 45 anos de poesia. Poesia de toda a vida. Essência poética é uma obra de fôlego, reunindo mais de 360 poemas, além de comentários de Raul Sá, Antonio Loureiro de Souza, Adroaldo Ribeiro Costa, Walter Siqueira, Adalberón Cavalcante Lins, Nonato Marques, Jorge Amado, Ênio Silveira, Cid Seixas, Gustavo Falcon, Helio Polvora, Germano Machado, Gerana Damulakis, Telmo Padilha, Jolivaldo Freitas, entre outros. São 323 páginas de reflexão poética.


“Escrevi em balões poemas/cheios de verdade/e os soltei nas curvas do espaço/para que fossem vistos./-A verdade voava pelo mundo...mas,/tiraram de mim as verdades./- Minhas mãos perderam as forças./Meu grito não repercutiu,/e o eco, dele se esqueceu -/(já não existem balões no espaço).


Como diz um de seus poemas, “ser poeta é ser intermediário, fonte e destinatário”. Assim é Sérgio Mattos, poeta que sabe transformar “o particular em linguagem universal”. Depois dessa leitura, encerro com esses versos para Sérgio:


“É preciso prestar atenção aos sonhos, antes que adormeçam/cultivar a esperança, antes que apodreça/viver a vida, antes que padeça/amar com o coração, para que sonhos floresçam” (Guto)


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De volta


Nesses 30 dias de minhas férias houve instabilidade no clima de Salvador (chuvas acima do normal para a época), instabilidade na economia europeia (Itália, Grecia...), na política brasileira (ministros afastados por corrupção) e no meu viver. Afinal, de férias, estava lendo alguns livros instigantes (História do Riso e do Escárnio, de Georges Minois-Unesp, Imprensa, Humor e Caricatura (a questão dos estereótipos culturais, entre outros), de Isabel Lustosa-UFMG, além de álbums em quadrinhos, livros de poesia), ouvindo a Rádio Educadora, as músicas essenciais (Bubuia-Ceu, Zé do Caroço-Mariana Aydar, Sentinela-Milton Nascimento, Efêmera-Tulipa Ruiz, Pise Fundo-Luiz Rocha, Cedotardar-Thaís Gulin, Life Gods-Gilberto Gil com Marisa Monte, Há Mulheres-Rita Ribeiro, Candombless-Carlinhos Brown, Sobre Todas as Coisas-Zizi Possi, Rosa Fuba-Pirigulino Babilake, Extravaganza-Silvia Machete, Pirata-Maria Bethania, a apaixonante Toque Dela-Marcelo Camelo...quer mais/ Agora é respirar fundo e seguir o cotidiano.

14 outubro 2011

Música & Poesia

Todos (Marcelo D2)


Todos!!! para los que dicen todo lo que sienten

Todos!!! los que navegan a contracorriente

Toto todos!!! paso firme camiliminando entre la gente

Todos!!! mala malabarismo tudo pendiente

Todos!!! vamonos del oxido de frente

Todos!!! ritmo que nunca caen en accidente

Todos!!! bitirididop no es lo mismo que junto

Todos!!! de de de ti depende


Para os que dizem tudo que sentem TODOS

Aqueles que não se se acomodam eu disse TODOS

Levante sua voz o mundo ouvirá TODOS

Só depende da gente para melhorar pra TODOS

Não importa a sua cor religião vamos nós TODOS

Não vim pra dividir eu vim para somar pra TODOS

Porque se repartir vai ficar ruim pra TODOS


Rio de Janeiro


Todos todos


Partideiros do mundo, vamo fazer barulho porra


Hey hey hey hey hey hey hey hey


Oye un murmullo viene es la gente contracorriente

Porque suena diferente mundo libre lleva ley

Oye un murmullo viene es la gente contracorriente

Porque suena diferente mundo curdo lleva ley


Totototo todos


Para que a água vire vinho precisaremos de TODOS

É um de cada vez é hora de unirmos TODOS

Não quero ouro dos tolos quero ouro pra TODOS

Não ser jogado aos lobos, porque os lobos somos TODOS

Que todos somos elos da corrente TODOS

E juntos chegaremos la na frente TODOS

De fato amor vem de dentro da gente TODOS

Se embora eu disse se embora eu disse TODOS


Baila-me baila-me pra bailante, todos!

Comuni comunicando cante, todos!

Pero mira como suena la gente, todos!

Pronto empieza pronto pronto acaba, todos!

Tirenme lo malo lo ves, comuni como lo ves, todos!

Deten deten detente, todos!

Para los que luchan sin armas de frente todos!

Dede dedede de ti depende


Ooohh

Funkeiros do mundo Vamo fazer barulho porra


Hey hey hey hey hey hey hey hey hey hey


Oye un murmullo viene es la gente contracorriente

Porque suena diferente mundo libre lleva ley

Oye un murmullo viene es la gente contracorriente

Porque suena diferente mundo curdo lleva ley


Barcelona

Conexion Rio de Janeiro

Emitiendo todos (todos)


Partieiros do mundo, vamo fazer barulho porra


25x hey


Oye un murmullo viene es la gente contracorriente

Porque suena diferente mundo libre lleva ley

Oye un murmullo viene es la gente contracorriente

Porque suena diferente mundo curdo lleva ley


O vento sopra pra cá que a gente é bamba (3)

Marcelo D2

Rio de janeiro

Macaco

Barcelona

O mundo é nosso, o mundo é nosso

Todos !

Todos !




Memórias de um arrepio (Pirigulino Babilake)


Você pode ter esquecido

mas minha memória é eterna

Eu sou aquele arrepio

sem vento e sem frio

subindo em sua perna


O grito comprimido num pote

O cheiro cheiroso

que te esquenta o cangote

Eu sou o inferno e a paz


O passado que vai à frente

e o presente correndo atrás

Aquele que te segue enquanto anda

tragando o aroma de mel e lavanda

Eu sou a sua libido viva


A gota saliva que escapole do beijo

escorre na louça e ilumina o que vejo

E mais do que justo segue sua trilha

atravessa seu busto e transborda à virilha

Assim como essa gota

sou eu agora

Passeio em seu corpo

pouso em sua mão

e vou embora


Férias:

Caros leitores: a partir de segunda feira (dia 17) estarei de férias. Serão 30 dias e vou aproveitar para ler uns livros reservados para ocasião (incluindo aí quadrinhos de alta voltagem), ouvir algumas músicas necessárias para o coração, colocar a mão na terra para saber da estação, mimar meus cachorros e plantar o que a natureza espera de cada um de nós. Dia 16 de novembro estarei de volta. Entre os temas que estarei comentando no blog de novembro/dezembro: o que é musica baiana, representações femininas no pagode baiano da década de 90, homossexualidade nos quadrinhos, cartografia dos prazeres, e muito mais. Voltarei com mais energia. Obrigado pela atenção.

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13 outubro 2011

Árvores dão vida

Em geral, enxerga-se a floresta, raramente as árvores que a compõe. Mas alguns belos e históricos exemplares que sobrevivem em vários países, remanescentes de tempos mais felizes, mostram que eles também têm identidade. Nada representa melhor a natureza que estas majestosas soberanas do reino vegetal – as árvores. Assim como o homem é o organismo mais complexo e evoluído do reino animal, as árvores simbolizam o máximo da evolução vegetal. A existência delas é fundamental para a qualidade de vida do planeta. Dão sombra, ar fresco e beleza a qualquer paisagem.


Entre as múltiplas funções e utilidades das árvores destacam-se a filtração e purificação do ar, redução da velocidade dos ventos, proteção contra o excesso de luminosidade, fornecedora de matérias-primas industriais, produção de alimentos e húmus, atração de pássaros e insetos. Além disso, podem se constituir em elemento nobre na composição de projetos paisagísticos. Quando integradas num jardim assumem destaque especial. Se o gestor municipal desejar escolher árvores destinadas à arborização de ruas, com plantio nas calçadas, devem buscar algumas com crescimento rápido, rusticidade, raiz pivotante (raiz principal se desenvolve no sentido vertical) porte médio onde a rede elétrica for aérea, frutos que não representem ameaça de transtorno, folhas perenes ou semi-caducas, e copa que proporcione boa sombra. Entre elas estão coralina, unha-de-vaca, alecrim-do-campo, alfeneiro, murta, quaresmeira-roxa e brinco-de-macaco.


O Pau-Brasil foi utilizado durante muito tempo como produto de tinta vermelha empregada na indústria têxtil. É a árvore símbolo do Brasil, da qual se derivou o nome do país. Seu nome vem do tronco vermelho, que era utilizado para tingir roupas. Atualmente é muito difícil encontrá-lo em estado natural, a não ser em parques de preservação. Em compensação, está sendo muito utilizado em arborização urbana. Com o desflorestamento e subsequente seca, rebanhos inteiros foram exterminados, e incontáveis pequenas propriedades ficaram enterradas nas areias do deserto. Por trás das recentes secas, há colheitas fracassadas e ar poluído que sufoca cidade após cidade. São sintomas de um planeta doente, um planeta que não suporta mais todas as demandas do homem.


Nada na Terra é mais importante para a nossa sobrevivência do que o ar que respiramos, os alimentos que comemos e a água que bebemos. Implacavelmente, o ar, a água e os alimentos são essenciais à vida e estão sendo contaminados ou exauridos pelo próprio homem. O que fazer para evitar os problemas provocados pela humanidade?


É difícil ajudar um alcoólatra que esteja convencido de que não tem problema com a bebida. Similarmente, o primeiro passo para melhorar a saúde do planeta é reconhecer a gravidade do mal. A educação é, possivelmente, o mais notável sucesso ambiental nos últimos anos. A maioria das pessoas hoje está bem a par de que a Terra vem sendo exaurida e poluída – e que é preciso agir. No Brasil, a preocupação com o meio ambiente tem mobilizado indústrias, escolas, universidades, centros de pesquisas, organizações governamentais e não governamentais, entre outros, na busca de soluções para problemas como disposição de resíduos sólidos (reciclagem), poluição dos recursos hídricos (água cristalina), limitação dos recursos energéticos, etc. Ajude a preservar o meio ambiente. Esse planeta é de todos nós.

Sessão solene do título de cidadão de Salvador ao quadrinhista Maurício de Souza

As fotos são de Rodrigo Soares

Luis Augusto, Maurício e Gutemberg

Flavio Luiz, Cedraz, Luis Augusto, Mauricio e Gutemberg





















Cedraz, Mauricio e Gutemberg. E a sessão solene na Camara dos Vereadores de Salvador
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11 outubro 2011

Árvores, os pulmões da Terra

O poeta St. John Perse gostava de dizer que todo livro nasce da morte de uma árvore. E como escreve o jornalista Sérgio Augusto, a dívida da palavra impressa com a celulose de que se alimenta é grande. Basta observar que book, bouquin e Buch derivam de boscus, bosque, e livro vem de líber, o tecido condutor da seiva das árvores. Poetas e prosadores utilizaram, a árvore como fonte de inspiração. Pinhos e magnólias eram celebrados por Francis Ponge, o baobá no imaginário de Antoine de St. Exupéry e Roger Caillois, no tronco do ipê de José de Alencar ou no meu pé de laranja lima, de José Mauro de Vasconcelos. E os versos que Drummond criou pensando nas mangueiras de sua infância e nas amendoeiras de sua idade adulta.


E não ficou só na literatura. A árvore encontrou campo fértil na gravura e na pintura a partir do Renascimento. Durer, Bruegel, Corot, Poussim, Cézanne e muitos outros desenharam de tudo quanto é jeito. Nos desenhos animados, Walt Disney é imbatível. As árvores falam e contam todo o seu sofrimento e alegrias com os humanos.


Pulmões da Terra e abrigos seguros, sem as árvores as paisagens murcham e o ar empobrece. Elas nos dão além de brisa e vento, flores, frutas, êxtase, lenha e matéria-prima para uma infinidade de coisas: casas, móveis, papel, rolhas, embarcações, talheres, armas, tamancos, instrumentos musicais, pneus, etc... O biólogo australiano Tim Flannery, autor do livro “The Weather Makers” lembrou que, até hoje, nós mal sabemos o que vem a ser, precisamente, uma árvore. Até duas décadas atrás podíamos estar convencido de sabermos, mas o estudo do DNA balançou todo o conhecimento, colocando o cogumelo mais perto do homem que da couve-flor e provando que a teça, árvore indiana de grande porte, é parente muito próxima do orégamo e do manjericão. Flannery se espanta ao registrar que, ultimamente, os botânicos põem os carvalhos mais ou menos ao lado dos pepinos. Desta forma, as árvores têm uma história épica, com grandes aventuras migratórias gravadas em seu genoma.


Colin Tudge, autor de “The Tree” informa que há espécies que podem ser árvores ou arbustos, dependendo d onde resolvam fincar raízes. Além de árvores que, no passado, foram trepadeiras ou mesmo ervas rasteiras. E árvores já é assunto do momento. Enquanto o inglês Thomas Pakenham retrata com sua câmara Linhof plantas de vários continentes, o engenheiro florestal Harri Lorenzi já está na nova edição de “Árvores Brasileiras”.


Uma pesquisa publicada na Califórnia afirma que remover as árvores do planeta pode esfriá-lo. Segundo o novo estudo, como as florestas são muito verdes e fechadas, elas conseguem absorver mais o calor do sol que outra vegetação, tornando o clima mais quente. As árvores, até hoje, eram consideradas fundamentais por seqüestrar o carbono da atmosfera (presente nas moléculas de CO2 que aquecem o clima).


As árvores se transformaram num símbolo ímpar, apresenta em quase todas as religiões arcaicas. Sejam maias, babilônicos, nórdicos e germânicos representavam com eles o cosmo. Os gregos as veneravam. Os lituanos (antes de serem convertidos ao cristianismo) praticavam abertamente a dendrolatria, o culto à árvore. E até o cristianismo tem uma simbólica macieira em sua mitologia. Suas características morfológicas, sua verticalidade, imobilidade, frondosidade e longevidade, pela força de sua presença e seu poder de regeneração, elas são símbolo impar, presente em quase todas as religiões arcaicas.



As árvores exercem um fascínio imenso sobre nós. No livro “O Homem e Seus Símbolos”, sobre a obra de Carl Gustav Jung, Marie Louise von Franz compara o desenvolvimento do ser humano ao das plantas. A semente contém o futuro pinheiro. Mas reage às circunstâncias, como qualidade do solo e vento, inclinando-se em direção ao sol e modelando o crescimento da árvore. Assim também acontece com o homem, de maneira espontânea e inconsciente, ela escreveu. Os celtas acreditavam que há muito em comum entre as árvores e as características das pessoas. Tanto que criaram um oráculo baseado nas plantas. Há 20 anos, Liz e Colin Murray resgataram esse conhecimento e escreveram The Celtic Tree Oracle, com 24 cartas, que incluem bétula, álamo, freixo, árvores típicas da Europa. Esse oráculo tem relação com o alfabeto celta, e criado pelos druidas com base em gestos dos dedos, conta a pesquisadora Wicca Mirela Fahur, autora do livro O Legado da Deusa. Adaptado para o Hemisfério Sul, o oráculo traz árvores tropicais, como coqueiro e goiabeira. Carvalho, ipê, oliveira e jacarandá representam as pessoas que nasceram em datas especiais de mudança de estação no Hemisfério Norte.


E o nome Brasil foi tirado de uma leguminosa, imortalizamos a chegada da corte de D. João VI com o plantio de uma palmeira imperial, cultuamos o mito de que “nossos bosques têm mais vida” e cultivamos o hábito de dar as pessoas e lugares patronímicos como Oliveira, Carvalho, Laranjeiras e Mangueira. Agora falta ter um relacionamento mais afetuoso com as árvores.

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