21 março 2011

Rock, o grito negro que atravessou a América (1)

Primeiro foi o grito negro que cortou os céus americanos. O negro veio para a América como escravo. Seu grito era o reconhecimento do ambiente novo e hostil que o cercava. Em seguida o grito ia se alterando, assumindo novas formas. A única tábua de salvação era sua musicalidade. Seu lamento se transformou em grito. E o grito ia se alterando, assumindo novas formas Servia de suporte às canções de trabalho e às cantigas de escárnio, aos cânticos religiosos, a spirituals, gospel songs, e às canções de menestréis. Dessa forma, com música, o trabalho tornava-se menos pesado. A mão de obra negra, desde os tempos da escravidão, se refugiava na música (os blues) e na dança para dar vazão, pelo corpo, ao protesto que as vias convencionais não permitiam.


Foi do casamento do grito escravo com a harmonia europeia que nasceu o blues. A tonalidade blue (triste, melancólica) resulta de uma resistência cultural, uma inadequação do negro, incapaz de aderir completamente à tonalidade europeia. Essas notas (chocantes para os ouvidos da classe média) eram conhecidos como dirty notes (notas sujas).


Os blues eram marca de individualidade. Havia blues de Blind Lemon, de Willie Johnson e muitos outros. E os gritos se tornaram mais complexos: acompanhados pela guitarra, gaita de boca ou outros instrumentos rudimentares. O ritmo era marcado na batida do pé (nas zonas rurais). Já nas cidades, iam-se introduzindo os instrumentos europeus como cornetas, trombones, clarinetas e piano.


O rock and roll nasceu praticamente da fusão do rhythm & blues (velho blues rural em roupagem urbana) com o country & western). O country era a música rural do “branco pobre” dos EUA e o western a música dos cowboys do Oeste. Assim, houve o encontro de duas grandes correntes populares americanas: a branca e a negra. Uma mistura do velho blues rural, o rhythm & blues urbano, o country (música das zonas rurais brancols), o western (música dos vaqueiros do Oeste) e a tradição folclórica tanto negra (work songs, spirituals, gospels,etc) como branca, de origens americanas ou europeias.


GRITO > BLUES > RHYTHM & BLUES > ROCK AND ROLL > ROCK


Assim, Elvis Presley juntou o rhythm and blues ao contry and western. Chuck Berry, o blues com o country. Billy Halley, o boogie, o rhythm and blues e o country, e assim por diante. O resultado foi chamado de rock´n´roll.


Muita gente deve estar perguntando: porque a música europeia se misturou facilmente com a música da África Ocidental? Porque elas são parecidas. Em tempos antigos, a Europa e a África eram ligadas (por parte do mesmo continente) segundo os arqueólogos. Ambos, músicas europeia e africana, usam a escala diatônica (notas brancas no teclado do piano) e empregam em suas canções uma certa quantidade de harmonia.


A canção popular (derivadas dos grandes shows musicais da Broadway) preencheu seu papel no período entre guerras (eufórica nos twenties e melancólica nos anos da Depressão). Depois do choque da Segunda Guerra, ele não comunicava mais nada às novas gerações. Assim, por volta de 1950 a canção popular americana havia perdido sua função social. O blues não, sobreviveu a todas essas mudanças, olhando o mundo sem ilusões, como a coisa complexa que é.


Em fins de 1950, nos Estados Unidos, a chamada “geração silenciosa”, marcada pelo fim da Segunda Guerra Mundial, viu-se frente a um ritmo até então desconhecido, derivado da sonoridade de um povo marginalizado. O grito e o blues eram afirmações da individualidade do negro. Quando Elvis Presley juntou as duas correntes (o rhythm and blues e o country and western) o produto final, o rock and roll, surgiu carregado de ritmo negro e blue notes. E a voz humana ressurge, depois de um longo silêncio. O rock surgiu como o grito de revolta de uma nova geração.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929).

18 março 2011

Centenário de Assis Valente

Amanhã, dia 19 de março, comemora-se o centenário do compositor e cantor (além de desenhista), Assis Valente (1911-1958). Ele alcançou merecido sucesso na década de 1930 graças a Carmen Miranda que lançou várias de suas músicas como “Good-bye Boy”, “Camisa Listrada” e “O Mundo não se Acabou”.O auge da carreira de Assis Valente coincidiu com a época de ouro do rádio brasileiro, tendo no samba seu maior representante. Moreira da Silva, Carlos Galhardo, Nara Leão, Aurora Miranda, Aracy de Almeida, Carmen Miranda, Luiz Gonzaga entre outros gravaram suas musicas.


Ele teve uma infância difícil, agravada com o fato de ter sido tirado dos pais. Foi criado por uma família na cidade de Alagoinhas, que o tratava como empregado, até se mudar para Salvador. Lá fez cursos de desenho e se especializou na fabricação de próteses dentárias, profissão que manteve até o fim da vida.


A primeira composição foi feita em 1932, o samba "Tem Francesa no Morro", logo gravado pela cantora Aracy Cortes. Mas foi na voz de Carmen Miranda que suas canções ficaram conhecidas. Depois de ver o show da cantora, Assis Valente não sossegou enquanto não se aproximou da estrela. Especialmente para ela, compôs, ainda em 1932, o samba "Good Bye, Boy", que virou sucesso.


BRASILIDADE - Valente foi um dos compositores que mais retrataram em suas canções a brasilidade, aproveitando para fazer crônicas alegres, com críticas leves aos acontecimentos da época. Criticava a influência estrangeira na cultura nacional como, por exemplo, nos sambas "Good Bye Boy" e "Tem Francesa no Morro", nos quais se utiliza de expressões das duas línguas para fazer uma sátira.


Nessa época, o governo federal, comandado por Getúlio Vargas, decidiu investir na cultura nacional e, em contrapartida, iniciava o processo de agravamento da censura. Na década de 50, as músicas de Assis Valente já não eram mais gravadas, coincidindo com o declínio das gravações do samba tradicional. No seu lugar, a bossa-nova aparecia como representante da MPB no Brasil e exterior.


Os desenhos de Assis Valente chegaram a ser publicados em revistas famosas da época, como a Fon-Fon, logo que ele chegou ao Rio, em 1927. O trabalho como protético também era elogiado, sendo considerado um dos melhores da cidade. O sócio José de Aguiar Dantas acabou a parceria no laboratório de próteses por causa da carreira artística de Valente, que o afastava das obrigações do negócio. Em 1938, o compositor abriu seu próprio laboratório.


Compositor de incontáveis sucesso (Cai Cai Balão, Para Onde irá o Samba, Boas Festas, Chegou a Hora, Pão Duro, Fez Bobagem) morreu em total miséria, pressionado por dívidas que se somaram a seus problemas existenciais, até o suicídio. Em seu derradeiro bilhete ele pedia à sua sociedade arrecadadora que pagasse seus débitos, dívidas de um homem que sempre viveu em condições que (no máximo) poderiam ser chamadas de modestas.


Aurora Miranda, Moreira da Silva, Francisco Alves, Bando da Lua, Elza Cabral, Irmãs Pagãs, Almirante, Mário Reis, Sônia Carvalho, Orlando Silva e Carlos Galhardo também incluíram Valente em seus repertórios. Galhardo foi o primeiro a gravar "Boas Festas", música natalina popularizada no Brasil pelos versos "Eu pensei que fosse filho de Papai Noel".


Ele cantou o amor alegre, o amor de carnaval, a festa, o riso das ruas, criticando e ironizando, dando um formidável testemunho de seu tempo, dando linguagem popular e espontâneo. Enfrentou permanentemente problemas que hoje são extremamente aflitivos no Brasil, e que só agora começou a ser discutidos, tanto a nível social como profissional: homossexualismo, raça, direitos autorais e muitos outros condutores diretos a total marginalização do ser humano e de profissional. Sua última composição, "Boneca de Pano", data de 1950, foi gravada pelo conjunto Quatro Ases e Um Coringa. Em 1956, a cantora Marlene tentou fazer um resgate de suas músicas com o disco "Marlene Apresenta Sucessos de Assis Valente". Dois anos depois, com 50 anos, o compositor acabou com a própria vida tomando veneno. Morreu em 10 de março de 1958.

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17 março 2011

Cajucultura é estimulada no Recôncavo

A Bahia é o terceiro maior produtor de caju, com área plantada de 26.266 hectares, área colhida de 26.020 e produção de 5.414 toneladas, quase toda concentrada na região semi árida do Estado. Visualizando a participação da agricultura familiar na produção de caju, no recôncavo baiano, as gerências regionais da EBDA, em Cruz das Almas e em Ribeira do Pombal, numa parceria para desenvolver a cajucultura na região, começou a desenvolver ações para a distribuição de mudas para agricultores familiares.

Quatro ações voltadas para a atividade são os treinamentos para o aproveitamento do caju, tanto do pendúnculo (polpa), quanto da castanha e, também, a substituição de copas, que implica na renovação das plantas velhas, a partir da substituição de suas copas por material geneticamente superior.


Desde a época do descobrimento, os índios já consumiam o caju como fruta fresca ou bebida fermentada. O caju se espalhou pelo país através das castanhas levadas pelos índios. Dele, retiravam alimento e produziam bebidas com o fruto, medicamentos e habitação. Pelas mãos dos colonizadores portugueses, o fruto tropical foi levado para vários países da África e Ásia onde se adaptou perfeitamente. O cajueiro é originário do Brasil, e o nome do fruto é oriundo da palavra indígena acaiu, que em tupi quer dizer “noz que se produz”. Uma curiosidade a respeito do caju é que aquilo que chamamos de fruta é na verdade o pedúnculo, ou seja, o talo que prende a fruta ao galho e que, estranhamente, no caju é carnudo, saboroso e aromático. O fruto propriamente dito é o que nós chamamos de castanha de caju, cuja produção, aliás, é a principal finalidade das lavouras, uma vez que mais de 90% dos cajus-fruta não são aproveitados, apodrecem na roça, debaixo das árvores.

VITAMINA C - O caju possui de 180 a 230mg de vitamina C por 100g de suco. É rico também em cálcio, ferro e fósforo. A amêndoa do caju (fruto verdadeiro), quando torrada, tem alto valor no mercado internacional. Da castanha (amêndoa e casca), extrai-se o fino óleo de amêndoas, de uso cosmético, medicinal e culinário. O caju é um “velho” conhecido da Bahia, e para crescer e se desenvolver, o nordeste do Estado conta agora com esse produto nativo da região e que, até então, era desperdiçado ou vendido a atravessadores.


A importância social da cultura do caju é caracterizada pela geração de emprego e renda durante a estação seca, para a população rural, e pelo fato da maior parte dos plantios serem explorados por pequenos produtores. Estima-se que o agronegócio poderá gerar, só no campo, um emprego permanente para cada seis hectares e mais dois temporários durante os três e quatro meses de safra.


O sistema de cultivo tradicional do cajueiro, adotado pelo produtor, é economicamente inviável pela ineficácia na produtividade e qualidade de castanhas. A implantação de pomares de cajueiro anão, com mudas enxertadas, foi a tecnologia que apresentou os melhores resultados relativos à produtividade em todo o País. O plantio, por sementes com enxertia direta no campo, revelou-se uma boa alternativa. A substituição de copas em plantas, com até nove anos de idade, mostrou-se economicamente viável na recuperação de pomares improdutivos, especialmente aqueles mais novos.


O manejo do caju anão permite fazer consórcios com outras culturas, como mandioca, abacaxi, maracujá e milho. Isto significa maior aproveitamento da área plantada e aumento da renda das famílias pela diversificação agrícola. A maioria das indústrias processadoras utiliza apenas a castanha do caju. A polpa é comercializada em menor escala para produção de doces, cajuína e consumo in natura. Os compradores de castanha de caju brasileira são os EUA com um percentual de 75,7% do total exportado. O Canadá vem em segundo com 10,4% e a Europa com 11,4%.


A castanha de caju é um produto de grande valor econômico e social para a Região Nordeste do Brasil, com uma produção anual em torno de 200 mil toneladas nos Estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Para se ter uma ideia, só a agroindústria processadora da castanha de caju emprega cerca de 20 mil pessoas, além de proporcionar 280 mil postos de trabalho no campo. Parte dessa força de trabalho está distribuída em pequenas unidades de beneficiamento as minifábricas, cuja concepção e implantação têm o aporte tecnológico da Embrapa Agroindústria Tropical, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As minifábricas de beneficiamento de castanha de caju estão aumentando em 55% a renda de pequenos produtores, além de representar uma alternativa de emprego para os trabalhadores.

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16 março 2011

Alternativa para produtores do semiárido baiano: vinho de umbu

O fruto mais popular e generoso do sertão baiano é o umbu. Em todos os quintais, praças e plantações se veem umbuzeiros carregados, e os agricultores aproveitam para participar de cursos de capacitação e se valer dos benefícios que o umbu pode oferecer. Uma alternativa para os produtores do semi ariado baiano é o vinho de umbu. A bebida está sendo desenvolvida por um projeto de pesquisa do engenheiro de alimentos Breno de Paula, mestrando da Ufba.

A pesquisa conta com a parceria da Embrapa, Agroindústria de Alimentos (RJ) e do Senai de Vassouras (RJ). Breno vai apresentar o projeto na sua banca de mestrado em Farmácia na Ufba neste mês de março. Segundo ele, o processo foi realizado com a polpa da fruta, da qual após as fases de correção da acidez e medição do teor de açúcar, parte para a fermentação com a levedura selecionada. Com 25 kg de polpa de umbu, é possível produzir cerca de 50 litros do vinho.


POPULAR - Umbu, imbu, ombuzeiro, ambu, giqui, imbuzeiro, taperebá, são inúmeros os nomes populares dados ao umbuzeiro, a árvore-símbolo da Bahia. Árvore frondosa e de bons frutos, originário dos chapadões semi-áridos do Nordeste brasileiro, a exemplo da caatinga baiana, a planta encontrou boas condições para seu desenvolvimento encontrando-se, em maior número, nos Cariris Velhos, seguindo desde o Piauí à Bahia e até norte de Minas Gerais.

No Brasil colonial era chamado de ambu, imbu, ombu, corruptelas da palavra tupi-guarani "y-mb-u", que significava "árvore-que-dá-de-beber". Suas raízes superficiais exploram um metro de profundidade, possuindo uma estrutura conhecida como xilopódio, uma espécie de batata da raiz, na qual se armazena água, daí tal acepção. Pela importância de suas raízes foi chamada "árvore sagrada do Sertão" pelo escritor Euclides da Cunha.


É uma árvore de pequeno porte (em torno de 6m de altura), seu tronco é curto, sua copa tem forma de guarda-chuva, a qual projeta sombra densa sobre o solo, além disso, sua vida é longa, cerca de 100 anos. O fruto, o umbu, contém proteína, cálcio, ferro, fósforo, vitaminas A, B, C e B1. A frutificação inicia-se em período chuvoso e permanece por 60 dias, cada planta chega a produzir 300 kg de frutos por sofra.


TUDO SE APROVEITA - O umbu tem bom valor comercial, é consumido in natura ou preparado na forma de sorvete, refresco e, principalmente, como ingrediente da tradicional umbuzada, que é a polpa do umbu “de vez” (estágio entre o verde e o maduro), cozida com leite e açúcar. Das batatas da raiz do umbuzeiro é fabricado um doce de grande apreciação nas feiras livres da Bahia, prática que tem contribuído para a presença cada vez menor da árvore na paisagem nordestina.


Suas folhas frescas podem ser consumidas em saladas, já as folhas verdes bem como seus frutos, são consumidos por bovinos, caprinos, ovinos e animais silvestres. A casca do tronco e dos galhos é utilizada pelo sertanejo no combate as diarréias e verminoses, entre outros males, se cozida, tem propriedades adstringentes e é usada para combater infecções da garganta. A água que se acumula nos ocos dos troncos e galhos do umbuzeiro serve para lavar olhos doentes e inflamados, já a água da batata é usada como vermífugo.


O sertanejo também usa o umbu para fabricação de "sabão de decoada". A sombra do umbuzeiro é sempre procurada pelo trabalhador nas horas de descanso e calor. A árvore fornece ainda tinta extraída da madeira, esta por sua vez, é usada como lenha, para carvão, para fazer cachimbos, para obras internas, caixotaria e pasta para papel. Como se vê, o umbuzeiro é merecedor do título de árvore-símbolo do Estado, no qual as adversidades jamais se sobrepõem ao desejo maior da sobrevivência de um povo, e a natureza, generosa como sempre, dá todos os subsídios para garantir a vida onde pensamos não ser possível.


VÁRIOS PRODUTOS - Segundo estudiosos, a “ameixa do Nordeste” pode gerar cerca de 48 produtos, entre doces, farinha, bebida feita com o caroço torrado e moído, gelatinas, umbuzada, sorvetes, polpas, sucos, iogurtes, acetona, extrato (semelhante ao de tomate), vinagre, vinho, entre outros. Todos ricos em vitamina C e muito saborosos.

É da árvore sagrada do sertão que centenas de famílias do semi-árido nordestino garantem sua sobrevivência durante a seca. Mas a fartura na safra do umbu não se limita a alguns meses do ano. Em pequenas comunidades de Uauá, Canudos e Curaçá, no Norte da Bahia, o trabalho com a fruta transformou em fonte de renda fixa. As famílias se organizaram em cooperativa e estão beneficiando o umbu. O trabalho que começa com a colheita da fruta, reúne principalmente os jovens e as mulheres da comunidade.


A integração dessa fruticultura às atividades de pequenas indústrias de beneficiamento e transformação dos frutos em doces, geleias e sucos sinaliza para um mercado promissor. Nos municípios de Curaçá, Uauá e Canudos os pequenos produtores rurais aprenderam a beneficiar esses frutos. O doce de umbu produzido no semi árido baiano conquistou os europeus e já está sendo exportado para a França.

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15 março 2011

De Besouro Verde a Fúria do Dragão ecoa o legado de Bruce Lee (2)

Depois que o seriado de tevê Besouro Verde acabou e enquanto batalhava em Hollywood, Bruce Lee montou uma escola em Los Angeles, ensinando lutas para famosos como Steve McQueen, Lee Marvin, Roman Polanski e Chuck Norris. Quando ensinava filosofia oriental a amigos, conheceu a jovem Linda Emery e se apaixonou. Casou em 1964. E na academia ensinava uma mistura das técnicas que aprendera como boxe, jiu jitsu, boxe tailandês e karatê.


A base do jeet kune do é aprender a lutar com simplicidade. Bruce ensina como aprimorar posições de defesa e adquirir técnicas de equilíbrio e concentração, Indica também como obter coordenação velocidade, resistência, condicionamento físico e como executar os mais variados golpes da modalidade. O estilo combina a técnica com atrações filosóficas máxima do pensamento budista, taoísmo e auto-conhecimento.


Bruce era rápido e ágil em golpes e manobras nas lutas. O reflexo também impressionava. Parecia antecipar cada ataque e contra-ataque em frações de segundo, Defendendo-se com outro golpe ou esgueirando-se para se posicionar e, então, desferir um soco ou voar com as pernas sobre o adversário. Exatamente o que ele iria mostrar nas telas de cinema nos anos seguintes.


Ao fazer testes para o seriado Kung Fu do estúdio Fox percebeu o obstáculo pela sua descendência chinesa, pois o papel foi entregue a David Carradine. Resolveu então se tornar famoso primeiro no cinema de Hong Kong. Foi então que estreou em 1971 “O Dragão Chinês” quebrando todos os recordes da época na Ásia e recebendo o título de O Rei do Kung Fu. A América ele conquistaria como ator e lutador no filme “Operação Dragão” (1973).


Lee viveu pouco para desfrutar sua glória. Ele tomava muito analgésico devido a fortes dores de cabeça. Sofreu um edema cerebral agudo, provocado por uma reação alérgica a um componente químico do remédio. E em 20 de julho de 1973, as 32 anos, entrou para o time dos mitos da cultura pop. A morte fez muita gente acreditar em assassinato pela máfia chinesa e o mistério aumentou quando o filho de Lee, Brandon Lee, foi alvejado acidentalmente no set de “O Corvo”. A bala que deveria ser de festim, foi um projétil real de calibre 44. Brandon morreu 20 anos após o pai.

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14 março 2011

De Besouro Verde a Fúria do Dragão ecoa o legado de Bruce Lee (1)

Nos anos 1960 Bruce Lee chamou a atenção como o Kato, parceiro do Besouro Verde, paladino mascarado que fez sucesso nos anos 1930 em programas de rádio, em 1966 transportado para a TV, e depois migrou para os quadrinhos. De lá para cá, ficou no limbo e agora ganha uma revisão no cinema, desta vez sob a direção do cineasta Michel Gondry.

Kato, no seriado da TV, é o assistente do herói, perito em artes marciais e inventor do carro e das várias traquitanas do personagem principal. Mesmo com pouca participação, Lee rouba a cena quando mostra suas habilidades no combate corpo a corpo. Naquela época, Hollywood mostrava mais o típico americano de olhos verdes, Van William, o Besouro Verde. Na versão atual, Kato é vivido pelo ator Jay Chou, e sua atuação cresceu em importância, prova de que a luta de Bruce Lee por um lugar ao sol nas telas e na cultura norte americana não foi em vão. Basta conhecer o legado de Lee com atuações de atores como Jackie Chan, Jet Li, Chow Yun Fat, Jay Chou e muitos outros.


Ele foi um fenômeno que ultrapassou os limites da cultura pop. Um símbolo e uma referência máxima do século XX. Bruce Lee tinha a virtude de mostrar habilidade incomum numa luta. Com grande desenvoltura, Bruce misturava estilos variados de artes marciais. O kung fu, o jiu jitsu, o karatê, o judô – tudo ele dominava. Além de modalidades ocidentais como o boxe, cujos fundamentos exibia com maestria.


“O lutador deve se comportar numa luta como a água – insubstancial, flexível”. Ele acreditava que um lutador em plena forma deveria ser capaz de se mostrar imprevisível, ágil e veloz. Tudo para, aos olhos do adversário, parecer translúcido como a água. Lutador completo, Bruce Lee criou também um estilo próprio de luta: o jeet kune do. Esse estilo alia técnicas marciais com filosofia oriental. Foi assim que contribuiu para popularizar essa luta milenar no Ocidente.


No cinema, sua influência começou nos filmes de ação dos anos 70 na China e nos EUA, chegando até o ano 2000 em produções cultuadas como a série “Matrix” dos irmãos Laurence e Andrew Wachowski, os dois volumes de “Kill Bill” de Quentin Tarantino, “O Matador” do chinês John Woo, “O Tigre e o Dragão” do chinês Ang Lee, “O Quinto Elemento” do francês Luc Bresson, entre outros. Ele inspirou dezenas de atores e imitadores. Sua vida e trajetória viraram musical da Broadway.


Nas histórias em quadrinhos a Marvel, nos anos 70, criou vários personagens em sintonia com a época como Mestre do Kung Fu, ou Shang Che. O visual de Chi era claramente copiado de Bruce Lee. Na TV, a série King Fu mostrava um monge shaolin vagando pelos EUA em busca de seu irmão e fugindo de caçadores de recompensa. O tropicalista Caetano Veloso cantou em “Um Índio” que o lutador era “tranqüilo e infalível”, e a crítica de cinema Pauline Kael escreveu que ele “foi o Fred Astaire das artes marciais”. Já a revista americana Time classificou Bruce Lee como o “chinês mais importante do século XX”. O jornalista Marco Antonio Lopes lançou pela Conrad Editora o livro “Bruce Lee definitivo”. O que Lee fazia era lutar gloriosamente: leve, perfeito, fluído, insubstancial como a água.


ORIGENS


As artes marciais sempre fizeram parte da tradição familiar de Bruce Lee. Seu pai, Li Hoi Cheun era ator e cantor de ópera. Fazia parte da Companhia Cantonesa em Hong Kong, célebre e adorada como a Ópera de Pequim. Um dos três sobreviventes do massacre do templo Shaolin ocorrido em 1760, decidiu ensinar técnicas de luta para os atores da ópera. O objetivo era preservar a tradição da luta e, ao mesmo tempo, tentar denunciar através das peças a violência da dinastia Ching, que mandou destruir o templo onde viviam mais de 500 homens. Assim, muitos atores da ópera passaram a apresentar, de maneira coreográfica, os saltos, golpes e chutes dos Shaolin. Os filmes de luta nasceram da tradição do teatro chinês.


Bruce nasceu no bairro de Chinatown, em São Francisco no dia 27 de novembro de 1940, devido ao trabalho do pai que excursionava pelos EUA com uma companhia de ópera. Garoto inquieto, brigava na escola, na rua e com qualquer um que aparecesse em sua frente. O king fu foi o caminho encontrado para canalizar a energia e a agressividade do rapaz em Hong Kong. Aos 18 anos, por conta das brigas, ele se mudou de Hong Kong para São Francisco. E foi durante uma apresentação num torneio de artes marciais em Miami que Lee foi descoberto por um produtor da série Batman. Seu desempenho no evento lhe valeu um convite para participar da série Besouro Verde, no papel de Kato. Por ser oriental, Lee teve dificuldade para conseguir papéis nas TV e no cinema.

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11 março 2011

Nos 40 anos da morte de Anísio Teixeira, Caetité discute sua obra

Neste mês de março, na passagem dos 40 anos da morte do educador Anísio Teixeira (1900-1971), a Secretaria de Educação de Caetité reunirá todos os professores da rede municipal para dar início a um processo de discussão da obra anisiana. Os educadores vão tentar responder a principal pergunta: como trazer para a atualidade as propostas de construção da escola pública universal e gratuita de qualidade, motivo da luta de toda a vida de Anísio Teixeira?


Nos anos 1920, com a crescente industrialização e a urbanização em todo o mundo, a necessidade de preparar o país para o desenvolvimento levou um grupo de intelectuais brasileiros a se interessar pela educação – vista como elemento central para remodelar o país. Os novos teóricos viam num sistema estatal de ensino livre e aberto o único meio efetivo de combate às desigualdades sociais. Esse movimento chamado de Escola Nova ganhou força nos anos 1930, principalmente após a divulgação, em 1932, do Manifesto da Escola Nova.

O documento pregava a universalização da escola pública, laica e gratuita. Entre os nomes de vanguarda que o assinaram estavam, além de Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo (1894-1974), que aplicou a sociologia à educação e reformou o ensino em São Paulo nos anos 1930, o professor Lourenço Filho (1897-1970) e a poetisa Cecília Meireles (1901-1964). A atuação desses pioneiros se estendeu por décadas, muitas vezes criticada pelos defensores da escola particular e religiosa. Mas eles ampliaram sua atuação e influenciaram uma nova geração de educadores como Darcy Ribeiro (1922-1997) e Florestan Fernandes (1920-1995). Anísio foi mentor de duas universidades: a do Distrito Federal, no Rio de Janeiro, desmembrada pela ditadura de Getúlio Vargas, e a de Brasília, da qual era reitor quando do golpe militar de 1964.


AUTORIDADE - Anísio Spínola Teixeira foi uma das maiores autoridades educacionais da América Latina, estudando a educação como o maior problema político do Brasil. Para ele, a educação deve ser ajustada as condições da sociedade, servindo de instrumento para a mudança e progresso. Dedicou-se inteiramente a área da educação, na qual exerceu cargos relevantes.


Nasceu em Caetité, em 1900. Graduou-se em ciências de educação pela Columbia University, EUA. Exerceu, em Londres, as funções de conselheiro para o ensino superior, na Unesco. Autor intelectual do projeto da Universidade de Brasília, foi seu primeiro reitor.


Ensinou filosofia da educação na Escola de Educação da Universidade do Distrito Federal e foi catedrático de administração escolar da Universidade do Brasil. Suas doutrinas repercutiram grandemente na educação brasileira e no sistema educacional da América Latina.


Situou a educação como talvez o maior problema político brasileiro. Entre suas obras, destacam-se Educação Progressiva, A Educação e a Crise Brasileira, Vida e Educação, e Educação não é Privilégio. Na administração do prefeito Pedro Ernesto Batista foi nomeado secretário de Educação (1935), lançando as bases da obra de grande envergadura, ao criar um verdadeiro sistema de educação, da escola primária à Universidade do Distrito Federal.


De 1936 a 1946, afastou-se de qualquer atuação pública, dedicando-se à vida empresarial com o mesmo entusiasmo e dinamismo, tornando-se um dos grandes exportadores de manganês no Estado da Bahia. De 1946/47, exerceu as funções de conselheiro do ensino superior da Unesco. De 1947 a 1951 organizou os conselhos municipais de educação e o Centro Educacional Carneiro Ribeiro (Escola Parque de Salvador), experiência inédita, destinada a dar educação integra, aos jovens (dialética e profissionalizante), e que serviu de modelo ao sistema educacional mais tarde instalado em Brasília. Faleceu em 11 de março de 1971. (Fonte: O texto original foi publicado no livro Gente da Bahia, primeiro volume, de Gutemberg Cruz. Editora P&A, 1997 )

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves), na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) e na Midialouca (Rua das Laranjeiras,28, Pelourinho. Tel: 3321-1596). E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929.

10 março 2011

Ossain, o senhor das folhas

Originário de Iraô, atualmente na Nigéria, não fazia parte dos 16 companheiros de Odùdùwa quando na chegada de Ifá (Orunmilá). Patrono da vegetação rasteira, das folhas e de seus preparos, defensor da saúde, é a divindade das plantas medicinais e litúrgicas. Cada Orixá tem a sua folha, mas só Ossain detém seus segredos. E sem as folhas e seus segredos não há axé, portanto sem ele nenhuma cerimônia é possível. Osanyin usa uma cabaça chamada Igbá-Osanyin. Fuma e bebe mel e pinga.


Osanyin também é um feiticeiro, por isto é representado por um pássaro chamado Eleyê, que reside na sua cabaça. As proprietárias do pássaro do poder são as feiticeiras. Ele carrega também sete lanças com um pássaro em cima da haste, o qual é seu mensageiro e voa para trazer-lhe notícias. Osanyin está extremamente ligado a Orunmilá, Senhor da Adivinhações. Estas relações, hoje cordial e de franca colaboração, atravessaram no passado período de rivalidade.


Ossain recebera de Olodumaré o segredo das folhas. Ele sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor. Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria, as doenças e os acidentes. Os outros orixás não tinham poder sobre nenhuma planta. Eles dependiam de Ossain para manter sua saúde ou para o sucesso de suas iniciativas.


As folhas de Osanyin veiculam ao axé oculto, pois o verde é uma das qualidades do preto. As folhas e as plantas constituem a emanação direta do poder da terra fertilizada pela chuva. São como as escamas e as penas, que representam o procriado. O sangue das folhas é um dos axés mais poderosos, que traz em si o poder do que nasce e do que advém.

OSANYIN existe em todas as folhas, por isso quando as queimam as matas ele fica revoltado com o ser humano, que destrói a força da natureza, que é a cura de todas as doenças que existem e que vão existir.


ESCRAVO

A história revela que ossain era escravo de orunmilá e recusava-se a cortar as folhas que teriam inúmeras utilidades na manutenção da saúde das pessoas: ervas que curam febre,as dores de cabeça e as cólicas. Tomando conhecimento do fato, Orunmilá quis ver quais eram as ervas de tão grande valor. Convencido do conhecimento de Ossain, Orunmilá percebeu que ele poderia lhe ser útil e o manteve para sempre a seu lado para as consultas.


Xangô, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e impetuoso, irritado por não deter os conhecimentos secretos sobre a utilização das folhas, usou de um ardil para tentar usurpar de Ossain a propriedade das folhas. Falou dos planos à sua esposa Iansã, a senhora dos ventos. Explicou-lhe que, em certos dias, Ossain pendurava, num galho de Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas. "Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias", disse-lhe Xangô.


Iansã aceitou a missão com muito gosto. O vento soprou a grandes rajadas, levando o telhado das casas, arrancando árvores, quebrando tudo por onde passava e, o fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada. A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram. Os orixás se apoderaram de todas. Cada um tornou-se dono de algumas delas, mas Ossain permaneceu senhor do segredo de suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação. E, assim, continuou a reinar sobre as plantas como senhor absoluto. Graças ao poder (axé) que possui sobre elas.


NOME DAS PLANTAS


Òrúnmílá dá a Òsanyìn o nome das plantas. Ifá foi consultado por Òrúnmílá que estava partindo da terra para o céu e que estava indo apanhar todas as folhas. Quando Òrúnmílá chegou ao céu Olódùmaré disse, eis todas as folhas que queria pegar o que fará com elas ? Òrùnmílá respondeu que iria usá-las, disse que, iria usá-las para beneficio dos seres humanos da Terra. Todas as folhas que Òrunmílá estava pegando, Òrúnmílá carregaria para a Terra. Quando chegou à pedra Àgbàsaláààrin ayé lòrun (pedra que se encontra no meio do caminho entre o céu e a terra) Aí Òrúnmílá encontrou Òsanyìn no caminho.


Perguntou: Òsanyìn onde vai? Òsanyìn disse; "Vou ao céu, disse ele, vou buscar folhas e remédios". Òrúnmílá disse, muito bem, disse, que já havia ido buscar folhas no céu, disse, para benefício dos seres humanos da terra. Disse, olhe todas essas folhas, Òsanyìn pode apenas arrebatar todas as folhas. Ele poderia fazer remédios (feitiços) com elas porém não conhecia seus nomes. Foi Òrúnmílá quem deu nome a todas as folhas. Assim Òrúnmílá nomeou todas as folhas naquele dia. Ele disse, você Òsanyìn carrega todas as folhas para a terra, disse, volte, iremos para terra juntos. Foi assim que Òrúnmílá entregou todas as folhas para Òsanyìn naquele dia. Foi ele quem ensinou a Òsanyìn o nome das folhas apanhadas.


LIVRE PARA O MUNDO

Desde pequeno Òsanyìn andava metido mata adentro. Conhecia todas as folhas, sabendo empregá-las na cura de doenças e outros males. Um dia Òsanyìn resolveu partir pelo mundo. Por onde andava era aclamado como o grande curandeiro. Certa vez salvou a vida de um rei, que em recompensa deu-lhe muitas riquezas. Òsanyìn não aceitou nada daquilo; disse que aceitaria somente os honorários que seriam pagos a qualquer médico.


Tempos depois, a mãe de Òsanyìn adoeceu. Sendo procurado por seus irmãos e para espanto destes, Òsanyìn exigiu o pagamento de sete cauris por seus serviços, pois não poderia trabalhar para quem quer que fosse no mundo, sem receber algo. Mesmo contrariados os irmãos pagaram-lhe os sete cauris e sua mãe foi salva. Òsanyìn curou a mãe e seguiu caminho, pois ele é a folha e tinha que estar livre para o mundo.


NOVAMENTE SANGO


Òsanyìn havia recebido de Olodumaré o segredo das ervas. Estas eram de sua propriedade e ele não as dava a ninguém, até o dia em que Sangô se queixou à sua mulher, Yansan-Oyá, senhora dos ventos, de que somente Òsanyìn conhecia o segredo de cada uma dessas folhas e que os outros deuses estavam no mundo sem possuir poder sobre nenhuma planta. Oyá levantou as saias e agitou-as, impetuosamente. Um vento violento começou a soprar. Òsanyìn guardava o segredo das ervas numa cabaça pendurada num galho de iroco. Quando viu que o vento havia soltado a cabaça e que esta tinha se quebrado ao bater no chão, ele gritou "Ewê O!! Ewê O!" (Oh! as folhas!! Oh! as folhas!!)


As folhas voaram pelo mundo e os Orisás se apoderaram de algumas delas, mas Òsanyìn continuou dono do segredo das suas virtudes e dos cantos e palavras que devem se dizer para que sua força, Axé, apareça.


Assim, Ossain é o deus das ervas. Comanda as folhas medicinais, litúrgicas, é o mestre do mato. Sem ele nenhuma cerimônia é possível, usa pilão, veste verde, sua saudação é Euê ô! Ibaulama ou Inlê é. Ao dançar, leva em cada mão uma chibata de couro de três pernas, com ele se flagela. Come tudo que é caça e seu dia é quinta-feira.



FONTES:

http://www.africanasraizes.com.br/cultura.html

http://www.acordacultura.org.br

http://bravoafrobrasil.blogspot.com/2009/10/lendas-africanas.html

http://estudoreligioso.wordpress.com

http://www.lendas.orixas.nom.br

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Lamento de Carnaval (Gilberto Gil)


Para muitos é um pecado, ô, ô, ô

Que o imposto que pagamos ao estado

E do lucro que damos ao mercado

Um pedaço seja destinado ao carnaval



Para outros no entanto, ô, ô, ô

Da magia do tambor, da cor do canto

É que vem o calor que seca o pranto

Em seus olhos já cansados de ver tanto mal



Hoje é dia de folia

Hoje eu canto pra esquecer

Que a escola do bairro está sem professor

Amanhã depois da festa

A cidade que protesta

Entrará pela fresta da porta do corredor

Não adianta fugir

Não adianta fugir, seu doutor

Não adianta trancar a porta

Não adianta fugir, seu doutor



Para alguém neste momento, ô, ô, ô

Sua condição de dor e sofrimento

Deve ser cimentada com o cimento

Do rancor, do desespêro, da exasperação


Para um outro, o lamento, ô, ô, ô

Da triste canção levada pelo vento

Pode ser uma luz no firmamento

Uma noite estrelada em seu coração!


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03 março 2011

Música & Poesia (para esses dias de folia)

Prosoema Pra Ocê Ará (Timbalada)


Eu não vivo a tomar banho no rio grande do norte

Nem a tomar banho no rio grande do sul

Porque

Só vou ao rio, de janeiro em janeiro!

Prá quê

Ficar com esse sabor acre das agonias brasileiras

Estrangeiras catastróficas universais?

Eletronizar a cabeça a ser jipe? O Colombya ja está

De volta à terra!


Eu sou como aqueles que ama zona!

Ama pácas!

Das histórias brasileiras,a própria história

Alagou-as

Ir para o mar....Ah!Nhão!

Mar tem boca de fome!

Eu sou como os matutos do norte do Rio Macuco da

minha terra:

Quando pescam à noite gritam de suas canoas:

"Tem piaui...?

Baixinho para o peixe não ouvir!

Quando pescam alguém doente na roça, botam na

Macapá! Chega

Na cidade:Quem manda a procissão parar? Pará?

Respondem ríspidos aos coronéis

E não tem mato grosso do norte nem do sul

Quem respeitem os facões-hora!Mas não são gulosos!

Fazer feito aqueles que comeram em pedaços o

Quadro de Goya, às pintor espanhol? Dizendo

A todo mundo que eram tabletes de chocolate

Chocolate conhecemos nós: Buerarema e itabuna,

Respectivamente princesa e rainha do cacau!

Eu juro por São Paulo, Santa Catarina e o

Divino Espírito Santo

Que não me interessa ser tão rico de possuir as

Minas Gerais!

Eu prefiro arriar este barco de idéias em qualquer

Porto Seguro

Acordar num belo horizonte ter nascido numa baía

E pensar mais sobre o povo porque dele eu nasci!

Eu conheço aquele buco-buco!

Se ficou faltando algum estado o meu está de graça!


Mas a culpa foi do território do Coronel

Fernando de Noronha

Que entrou nesse prosoema prá ocê ará!

Mar tem boca de fome!


Padecemos nós, Padre Cícero, Jesus Cristo, Lampião.

Padecemos nós, estudante e povo, Padre Cícero, Jesus Cristo, Lampião.


Pá!Quando resolvemos parar de padecer, nesse país de pândegas

Paralelos,

Paralelopípedos,

Verde e amarelo

Pé de cabra,

Pé de coelho,

Pé de saci,

Pé no chão.

Quando os eleitos viram a cara,

Viram o tempo.


Pé no chão!

E,a gente vai votar com a cara virada

Pensando que sabe de quase tudo ou de quase nada,

Pé no chão!

Para ser feliz,

Nesse imenso e belo país

Pé no chão!Pé no chão!Pé no chão!

Pé no chão!

Mar tem boca de fome!


Quero ser tambor (José Craveirinha)


Tambor está velho de gritar

ó velho Deus dos homens

deixa-me ser tambor

só tambor gritando na noite quente dos trópicos.

E nem a flor nascida no mato do desespero.

Nem rio correndo para o mar do desespero.

Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero.

Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.

Nem nada!

Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra.

Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra.

Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.

Eu!

Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala.

Só tambor velho de sangrar no batuque do meu povo.

Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.

Ó velho Deus dos homens

eu quero ser tambor.

E nem rio

e nem flor

e nem zagaia por enquanto

e nem mesmo poesia.

Só tambor ecoando a canção da força e da vida

só tambor noite e dia

dia e noite tambor

até à consumação da grande festa do batuque!

Oh, velho Deus dos homens

deixa-me ser tambor

só tambor!


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