16 junho 2010

Prêmio de Literatura de Cordel

O Ministério da Cultura lançou o Edital Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 - Edição Patativa de Assaré. Serão selecionadas 200 iniciativas culturais vinculadas à criação e produção, pesquisa, formação e difusão da Literatura de Cordel e linguagens afins. Estão orçados R$ 3 milhões, distribuídos entre as iniciativas contempladas. As inscrições encerram-se dia 30 de julho de 2010. 2009, Patativa do Assaré recebeu in memorian a Comenda da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura em comemoração ao seu centenário e em reconhecimento a sua relevante contribuição à cultura popular brasileira. Também em sua homenagem o Programa Mais Cultura dedica a primeira edição do Prêmio de Literatura de Cordel.


O prêmio vem ressaltar a importância da Literatura de Cordel como patrimônio imaterial brasileiro, entendendo sua unicidade e papel fundamental na construção da identidade e da diversidade cultural brasileira. Podem concorrer poetas, repentistas, cantadores, emboladores, xilógrafos e demais artistas populares e profissionais da cultura em quatro categorias.

Na primeira categoria, voltada para a Criação e Produção, serão 100 prêmios, sendo 80 publicações de obra inédita ou reeditada em folheto de cordel no valor de R$ 7 mil cada, e 20 produtos artísticos formatados em livro, CD e DVD voltados para a literatura de cordel, xilogravura, repente, cantoria, coco, aboio e embolada no valor de R$ 22 mil cada. Para a categoria de Pesquisa (dissertações de mestrado, teses de doutorado ou reedição de livros publicados até 30 de maio de 2010) serão contempladas 10 iniciativas, no valor de R$ 25 mil cada.


Outros 50 projetos serão contemplados na categoria de Formação, destinada tanto para a qualificação de profissionais como para a formação leitora do público em geral, através do Cordel (cursos, seminários, oficinas, dentre outras atividades sócio-culturais de caráter educativo). Serão 10 prêmios para a manutenção e ampliação de atividades existentes, no valor de R$ 25 mil cada e outros 40 para projetos novos, no valor de R$ 15 mil cada.

Aqueles que divulgam o cordel e suas manifestações afins também poderão concorrer ao prêmio nesta edição, na categoria Difusão, que beneficiará 40 propostas. Os projetos podem ser em formato de evento (festivais, mostras, de shows e espetáculos, feiras, etc.) ou de produto cultural (como jornais, revistas, programas de rádios e sites, entre outros). Em qualquer um dos formatos, os prêmios serão divididos da seguinte forma: 10 iniciativas existentes (manutenção e ampliação da programação), no valor de R$ 30 mil cada, e 30 novas iniciativas, no valor R$ 20 mil cada.


Podem participar Pessoas Físicas com comprovada atuação na área literária ou cultural e Pessoas Jurídicas de direito privado, com ou sem fins econômicos com no mínimo três anos de existência e comprovada atuação em atividades de cunho literário, artístico-cultural e/ou editoriais. Neste caso, a inscrição está aberta para as categorias de produção, formação e difusão. Cada candidato poderá inscrever até dois projetos, em categorias diferentes, podendo ser selecionado em apenas uma das categorias inscritas. O edital completo poderá ser acessado nos sites: www.cultura.gov.br ou mais.cultura.gov.br.


JORNAL DO SERTÃO


Histórico, moralista, biográfico, humorístico e até mesmo político são alguns temas que a literatura de cordel vem abordando desde o seu aparecimento até os dias atuais. Um dos poetas de cordel mais conceituado do Brasil foi o baiano Cuíca de Santo Amaro, justamente por causa de sua mordacidade – era um poeta satírico na linha de Gregório de Matos. Exibidos ao público em cordas estiradas no alto das barracas das feiras nordestinas – daí a expressão “literatura de cordel” -, os folhetos aparecem com as pequenas tipografias do interior e são consumidos principalmente por vaqueiros, lavradores e vendedores ambulantes.


Os mais variados temas são abordados pelos autores desses folhetos, desde pitorescas histórias, criadas pelo matuto (“A moça que dançou com uma caveira”), à crítica social (“O gozo da mocidade”), passando pela crendice popular (“A moça que sonhou com Padre Cícero e jogou no cavalo”). Também o fato político – real ou resultante da fantasia do povo – mereceu farta bibliografia.


O cordel ainda é o jornal por excelência do povo do interior, e o trovador é o seu repórter. Quando acontece um fato importante, ele tem de escrever o folheto rapidamente, mesmo que não dê lucro. Naqueles tempos, na zona rural, em lugares que nem o rádio alcançava, o povo só acreditava nos acontecimentos depois que lesse sobre eles nos versos do cordel. É famoso (e verídico) o caso do matuto que só acreditou que o homem foi à lua depois que leu os detalhes num folheto popular. É a literatura de cordel refletindo a problemática social do homem nordestino.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

15 junho 2010

Mania das figurinhas começou no século XIX

O ancestral mais remoto do álbum de figurinhas está localizado na Idade Média. Por volta do século XV, surgiu um tipo de estampa, isto é, figurinha impressa, cuja finalidade era divulgar conhecimentos, curiosidades, datas comemorativas ou propícias ao agricultor, eventos e vultos religiosos. Esta estampa, denominada popular, supria uma série de necessidades de visualização de informações que habitualmente percorriam a população através da tradição oral. As estampas populares tornaram-se verdadeiras propagandas da imagem impressa para uma população que não tinha acesso às obras de artistas nem às bibliotecas.


Com a introdução do processo de impressão cromolitográfico, inventado em 1826, na França, essas estampas passam a ter a possibilidade de serem reproduzidas em várias cores, em melhor qualidade e maior quantidade. Disto se aproveita a publicidade para tornar seus produtos mais atrativos, com a isenção de pequenas estampas para a ornamentação de caixas e calendários.


A mania começou na Europa, em 1872, nas embalagens do extrato de carne Liebig. Por volta de 1880, os cromos começaram a circular no Brasil, através da Fumos e Cigarros Veado, que os distribuiu por quase 50 anos. Em 1895, a Manufactura de Cigarros França & Murça (SP) lança uma coleção de figurinhas com o tema Marinha Brasileira, baseadas em fotografias de Marc Ferrez, um dos maiores fotógrafos do século XIX. As figurinhas premiadas começaram ainda nos anos 10, dando fotografias de mulheres, artistas e de paisagens.

O primeiro álbum para colecionar as figurinhas veio do Uruguai, em 1934. Era A Hollandeza, que trazia outra novidade: a primeira figurinha difícil, “carimbada”, O Cravo do Ar, tão difícil que dava um carro para quem a conseguisse. A possibilidade de participar de concurso com direito a prêmios deu impulso a este veículo. Assim, a fábrica de balas A Hollandeza fez um álbum com este mesmo nome, cujos assuntos tratavam de lugares e construções, natureza, invenções, histórias, personalidades, curiosidades em geral, inaugurando um tipo de coleção que iria servir de modelo a muitos outros.


Entre as décadas de 20 e 50, circularam as estampas Eucalol, numa das mais longas séries lançadas no Brasil, e com grande receptividade, formando ao todo um conjunto de mais de dois mil. Cerca de 50 títulos surgiram nos anos 30 e 40 e tiveram um papel muito importante na divulgação didática de imagem de caráter escolar ou não, como artistas, personalidades históricas, regiões do mundo, animais, cidades e tornaram-se acessíveis visualmente, já que livros escolares e outras publicações não contavam com estes temas organizados em série e ilustrados em cores. Os personagens dos quadrinhos aparecem nos álbuns a partir de 1942, com Parada Mickey Mouse, da S/A IRF Matarazzo que, estrategicamente, usou sua diversidade de produtos alimentícios, perfumarias, cigarros, balas, chocolates, bebidas para a distribuição das figurinhas.


Em 1949, a Editora Vecchi publica o álbum Branca de Neve e os Sete Anões, desvinculando o uso promocional, pois até então as figurinhas eram utilizadas intensamente como brindes de empresas. Os álbuns agora passaram a ser publicados por editoras (Martins Fontes, Ebal, Aquarela e outras) e colocados em envelopes. A partir de 1954, surgem álbuns trazendo o jogo completo de figurinhas. Junto a outros temas (desenhos animados, fábulas, animais) os álbuns ampliam na década de 50 seu caráter de memória, com as imagens procurando fixar aquilo que ficará como lembrança de um evento, de uma situação, extrapolando assim o objetivo de ilustrar, de esclarecer.


No período de 1969 a 1976, o álbum de figurinhas passa a ser o divulgado das idéias e dos produtos de “Brasil Grande”, aproveitando ainda outras áreas ou personagens de veículos específicos como o futebol, quadrinhos, tevê. Surgem muitos títulos sobre o Brasil, objetivamente ufanistas como O Nosso Brasil (1970), Pra Frente Brasil (1971), Sempre Brasil (1972) e mais de 50 títulos semelhantes. Na segunda metade da década de 70, sobressaem os álbuns sobre personagens de quadrinhos e desenhos animados da tevê: Festival Disney (76), Super HB (77) e Turma do Pernalonga (78). Enquanto temas como artistas de rádio, progresso humano, flores e frutos tiveram seu uso reduzido, outros como animais, futebol, artistas e personagens de desenho animado para tevê permaneceram ou aumentaram. E desde 1979, vários governos estaduais passaram a fazer uso dos álbuns de figurinhas como meio indireto fiscalizador do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM).


Em 1974, o campeão absoluto, com 50 milhões de envelopes vendidos foi Galeria Disney, da Abril. O desempenho só foi ameaçado por História Natural, lançado pela Cedibra em 1985, que vendeu 400 milhões. A produção do início dos anos 80 foi marcado por dois álbuns em 1979: Clube do Zequinha, do governo do estado do Paraná e Amar é.... da Editora Abril. No primeiro, as figurinhas eram obtidas pela troca com notas fiscais (um meio de apoiar a fiscalização do ICM) e, com o segundo, passou-se a utilizar as figurinhas adesivas, expandindo-se a adesão de temas, personagens extraídos de outros veículos, expressados em versos e frases de humor. Hoje, na febre do momento, o maior sucesso é o álbum de personagens em quadrinhos, principalmente quando são transportados para o cinema.

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14 junho 2010

A volta da febre de figurinhas

Figurinha não é mais objeto de cobiça apenas da criançada, mas também de muito adulto. Aqui em Salvador é fácil encontrar donos de bolos de figurinhas repetidas doidos para fazer trocas. Nada de cinco por R$ 0,75, o preço cobrado pelo pacotinho na banca. Mas, sim, três por R$ 1. Esse é o valor de mercado. O mesmo acontece em dezenas de endereços da cidade, que viraram ponto de encontro de colecionadores. Como manda a lei da oferta e da procura que dita as regras do varejo, ganha quem tem o produto mais raro e cobiçado. Com o lançamento do Álbum Oficial da Copa do Mundo 2010 a brincadeira virou febre em várias cidades


Originalmente as figurinhas eram feitas em papel e os colecionadores tinham que fixá-los no álbum usando cola. No final dos anos 60 pedaços de adesivos dupla face eram colados no verso das figurinhas, para que as mesmas pudessem ser fixadas no álbum sem o uso de cola. No dia 28/07/1991 publiquei uma reportagem no jornal A Tarde que reproduzo a seguir:

Os álbuns de figurinhas exercem um grande fascínio sobre as crianças e adolescentes. No momento, estão circulando cerca de 30 nas bancas de jornais e revistas. A febre voltou e a garotada fica ansiosa para completar seus álbuns, cujas figurinhas ou cromos reproduzem imagens fotográficas ou desenhos de artistas de cinema, personagens de quadrinhos, futebol, animais e uma infinidade de temas. Muitas crianças quando têm figurinhas repetidas, fazem troca ou “bafo”. Conheça um pouco mais dessa mania de mais de um século.


Utilizando a estampa de personagens consagrados como os da Turma da Mônica, Jaspion, Pica Pau, Snoopy, Bob Esponja, Zé Carioca e Popeye, estão de volta os álbuns de figurinhas. As editoras adotam os lançamentos regionalizados. Um álbum é lançado primeiro em uma região e, dependendo da aceitação, o lançamento é feito em outra região. Isto evita a falta de figurinhas e permite lançamentos semestrais.


Os Super-Heróis da Marvel com figurinhas do Capitão Marvel, Homem Aranha, Justiceiro, X-Men, Os Vingadores e muitos outros fizeram sucesso no Brasil. Quando o garoto começa a comprar as figurinhas nas bancas para completar o álbum, alguns que falta ele troca com os amigos na escola ou faz o tradicional bafo. A brincadeira bafo é feita quando se tem vários cromos duplicatas. Então os garotos colocam as figurinhas no chão e bate com a mão semi-fechada (em forma de concha), “abafando” a figurinha para ela virar para o lado direito.


“A figurinha hoje não é mais artística. Antes era colorida a mão e tinha uma série de formatos, abrangendo toda a cultura universal. Atualmente, é mais comercializada, enquanto que, naquela época, era mais informativa e cultural. Basta conhecer as estampas do sabonete e creme dental Eucalol que dava condições às pessoas de terem conhecimento geral”. A opinião é de Antônio Marcelino, fundador do Tempostal, o templo dos postais. E ele mostrou, emocionado, as estampas de Eucalol, “verdadeira enciclopédia”, apresentando o Brasil antigo, lendas, danças, brasões, uniformes do Brasil colonial, a vida de grandes vultos. No verso das estampas, as legendas informativas das imagens. Marcelino mostrou também o álbum de Branca de Neve, dos 40, e muitos outros, mas sua verdadeira paixão é pelo cartão-postal.

PÚBLICO - Destinados a um público quase que exclusivo e necessariamente infantil, muitas crianças quando têm figurinhas repetidas fazem trocas ou bafo. Além das diferentes abordagens que podem ter, como futebol, animais, atores, transportes e outros temas já incorporados ao universo temático do livro de figurinhas os álbuns deixam muito pouco espaço para que aflorem outras atualidades, como a mulher, o negro, o operário, o índio, o meio ambiente, o Carnaval e/ou festas populares.


Para o jornalista Gonçalo Júnior, “os temas variam de acordo com os modismos da época. Outrora traziam as fotografias de tricampeões mundiais de futebol, como Pelé e Tostão; depois, a seleção dos principais inventores ou aqueles que fizeram a nossa história; a seguir, os ases da Fórmula 1; até chegar aos personagens de quadrinhos e, por fim, os fantásticos intergaláticos e heróis da televisão que fazem a fantasia da garotada. Elas são as imortais figurinhas para colecionar. E não tem dado outra: geração vem, geração vai e elas estão aí”.


“Como explicar isso?”, pergunta Gonçalo. “Talvez uma análise mais aprofunda sobre o assunto seja uma tarefa para psicólogos, cientistas sociais e colegas afins. Mesmo a grosso modo, o que causa tanta euforia nos colecionadores de figurinhas? Seria o suspense do próximo pacotinho, a figurinha tão esperada? A curiosidade infantil em montar as sequências e ter a história (narrada em cromos – outra denominação das figurinhas) ou esse nosso incansável desejo de conquista, de completar aquele desafio? Provavelmente isso e um pouquinho mais, já que as figurinhas não fascinam só seu público-alvo, as crianças. Muitos adultos aproveitam a empolgação dos seus filhos e netos e se entregam por completo a essa aventura de completar o álbum, até financiando altos investimentos em pacotinhos”.


Apesar do alto custo para se completar um álbum, nem sempre as figurinhas são distribuídas com “boas intenções”. Ainda hoje é comum – e a imprensa tem denunciado – no interior do estado, a circulação de figurinhas “enganosas”, prometendo milhares de prêmio valiosos como inúmeras bicicletas, televisores e até carros – que nunca são ganhos. Elas se caracterizam por desenhos malfeitos, papel de baixa qualidade e impressão inferior, facilmente falsificável. O golpe é o mesmo em todo lugar: o colecionador só ganha o valioso prêmio se completar uma sequência ou página (tipo quebra-cabeça). O detalhe: gastam-se “fortunas” na busca da figurinha premiada que nunca é encontrada – sequer chegam a ser impressa. A não ser que o prêmio seja um jogo de copos ou uma bandeja de custo menor. ). Amanhã contaremos como essa mania começou.


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11 junho 2010

Sessão Maldita de Rock em Salvador

No final dos anos 40 e início dos 50 um novo gênero estava surgindo nos Estados Unidos: uma mistura de blues, country, rhythm and blues, folk, gospel e jazz. Todas essas influências combinadas em uma simples estrutura musical baseada no blues que era "rápida, dançável e pegajosa" deu origem ao rock and roll. No final dos década de 1960 e início dos anos setenta, o rock desenvolveu diferentes subgêneros. Quando foi misturado com a folk music ou com o blues ou com o jazz, nasceram o folk rock, o blues-rock e o jazz-rock respectivamente.

Na década de 1970, o rock incorporou influências de gêneros como a soul music, o funk e de diversos ritmos de países latino-americanos. Ainda naquela década, o rock gerou uma série de outros subgêneros, tais como o soft rock, o glam rock, o heavy metal, o hard rock, o rock progressivo e o punk rock. Já nos anos oitenta, os subgêneros que surgiram foram a new wave, o punk hardcore e rock alternativo. E na década de 1990, os sub-gêneros criados foram o grunge, o britpop, o indie rock e o nu metal.

Na Bahia, mais precisamente em Salvador, dos anos 60 aos 80 foram efervescentes. O rock garagem corria solto em cada esquina da cidade. Raul Seixas já gritava em alto e bom som: “aumenta que isso é rock and roll”. Valdir Serrão, o Big Ben, também entrava na dança com muitos agitos. Bandas como Os Cremes, Companheiro Mágico, Mar Revolto davam acordes para acordar a moçada. E o garoto Marcelo Nova já incendiava a rádio Aratu todas as sextas a partir das 22h com o programa Rock Special. Na mesma época (maio de 1981 a julho de 1982) Gutemberg Cruz escarrava na rádio Piatã a sua Sessão Maldita de Rock. E tome-lhe Jimi Hendrix, Jane Joplin, Rolling Stones, The Doors, Led Zeppelin, T Rex, Black Sabbath, sex Pistols, AC/DC, Pink Floyd e outras feras. Eis uma pequena amostra do programa com o especial sobre Elvis Presley.


Tem bola rolando...

Tem bola na área ou ninguém está dando bola. Bolinha de gude é uma volta a infância, bola de cristal é onde o sonho transita, bola de sabão é pura diversão, bola na estampa é ficar na moda, a bola da vez é não ficar bolado, irritado, mas se divertir no famoso Cordão do Bola Preta. Ora bolas! E o que dizer dos quadrinhos da Brotoeja, aquela personagem de vestido de bolinha, ou a gorducha Bolota, além de Bolinha e Luluzinha se enfrentando todo dia. No início do século passado quem tinha muita bola era artista de música clássica. Maria Callas é um bom exemplo. Depois o sucesso ficou nas mãos dos artistas da música e do cinema. Agora quem está com a bola toda é jogador de futebol, principalmente nos tempos de Copa do Mundo, maior evento que mobiliza bilhões de pessoas. É o futebol tomando conta do espetáculo...


Na literatura muitos já escreveram sobre o assunto, mas o destaque vai para o livro infantil A Bola e o Goleiro onde Jorge Amado conta a história da bola Fura-redes que se apaixona pelo goleiro Bilô-Bilô. No circo as principais atrações eletrizantes estão nos motoqueiros que circulam dentro do globo da morte. No cinema, o filme de Ugo Giorgetti, Boleiros, se concentra nas vidas do jogador, do técnico, do juiz, do empresário de atletas, das esposas e dos torcedores.


Nas cantigas de roda, as crianças se divertiam com “Sou mineira de Minas,/mineira de Minas Gerais/sou carioca da gema,/carioca da gema do ovo/rebola bola você diz que dá que dá/você diz que dá na bola, na bola você não dá!”. “A bela bola/rola:/a bela bola do Raul.//Bola amarela,/a da Arabela.//A do Raul,/azul.//Rola a amarela/e pula a azul./A bola é mole,/é mole e rola.//A bola é bela,/é bela e pula.//É bela, rola e pula,/é mole, amarela, azul./A de Raul é de Arabela,/e a de Arabela é de Raul” é a poesia “Jogo de Bola” de Cecília Meirelles. Bola pra frente porque a música popular brasileira dribla todas as bolas e chuta na rede para fazer um gol.

Em 1956 Luiz Gonzaga e José Dantas cantavam: "Lá no mar/vi dois siris jogando bola/lá no mar/vi dois siris bola-jogá/fui passeá/no país do tatu-bola/onde bicho tem cachola/e até sabe fala”. Teixeirinha se dizia “Bom de Bola”: “Lá vai bola do barbante/o corintians e o palmeiras/são dois timão bandeirantes/pára sanfona e viola/que os dois timão de bola/orgulham o Brasil gigante”. Em 1967 Sérgio Ricardo participou do II festival de Música Popular Brasileira com a canção “Beto Bom de Bola”: “Como bate batucada/Beto bate bola/Beto é o bom da molecada/e vai fazendo escola/tira de letra a pelada/com bola de meia/disse adeus à namorada/a lua é bola cheia/a cigana viu azar/mas Beto não deu bola/e aceitou a proteção/do primeiro cartola/nas manchetes de jornal/ Bebeto entrou de sola/- Extra !/- O novo craque nacional/- É o Beto Bom de bola/(...)/E foi pra Copa buscar a glória/e fez feliz a nação,/no maior lance da história”.


Os Tribalistas fizeram sucesso cantando: “Já sei namorar/já sei chutar a bola/agora, só me falta ganhar/não tenho juiz/se você quer a vida em jogo/eu quero é ser feliz”. “Te pego na escola/e encho a tua bola/com todo o meu amor” cantou Cazuza em Faz parte do meu show. Enquanto o grupo Ultraje a Rigor se sente “Inútil” nesta canção: “A gente faz música e não consegue gravar/a gente escreve livro e não consegue publicar/a gente escreve peça e não consegue encenar/a gente joga bola e não consegue ganhar”. A dupla Claudinho e Buchecha fica assim sem você: “Avião sem asa, fogueira sem brasa/sou eu assim sem você/futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola/sou eu assim sem você...”.


Milton Nascimento volta a infância Com “Bola de Meia, Bola de Gude”: “Há um menino/há um moleque/morando sempre no meu coração/toda vez que o adulto balança/ele vem pra me dar a mão//Há um passado no meu presente/um sol bem quente lá no meu quintal/toda vez que a bruxa me assombra/o menino me dá a mão/(...)/Bola de meia, bola de gude/o solidário não quer solidão/toda vez que a tristeza me alcança/o menino me dá a mão...”. Fagner e Fausto Nilo colocaram a Bola no Pé: “Quem não fez levou/no carnaval/quem sambou, sambou/no coração/qualquer coisa boa//Maracanã/em tarde de calor/bola no pé/que a galera não perdoa/meu coração/não é qualquer coisa”.


Com muita jinga e bossa, Jorge Ben fez uma bela homenagem a Fio Maravilha: “Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa/que a magnética agradecida assim cantava/Fio Maravilha, nós gostamos de você/Fio Maravilha, faz mais um pra gente ver/e novamente ele chegou com inspiração/com muito amor, com emoção com explosão e gol/sacudindo a torcida aos 33 minutos do segundo tempo/depois de fazer uma jogada celestial em gol/tabelou, driblou dois zagueiros deu um toque, driblou o goleiro/só não entrou com bola e tudo porque teve humildade em gol/foi um gol de classe onde ele mostrou sua malícia e sua raça/foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa/que a magnética agradecida assim cantava/Fio Maravilha, nós gostamos de você/Fio Maravilha, faz mais um pra gente ver...”


O jogo é na raça, uma luta se ganha no grito. Toquinho e Carlinhos Vergueiro cantam “Camisa Molhada”: “É o chute no canto, é o Espírito Santo,/é a chance perdida./É a falta de sorte, é a vida, é a morte,/é a contrapartida./É a fome, é a sede, é a bola na rede,/a torcida a favor./A camisa molhada, no corpo abraçada,/é seu único amor.”. Já Gonzaguinha em “Geraldinos e Arquibaldos” aconselha que “no campo do adversário /é bom jogar com muita calma, /procurando pela brecha,/ pra poder ganhar/acalma a bola, rola a bola, trata a bola/limpa a bola que é preciso faturar/E esse jogo tá um osso/é um angu que tem caroço/e é preciso desembolar”


Samuel Rosa e Nando Reis contam como “È uma Partida de Futebol”: “Bola na trave não altera o placar/bola na área sem ninguém pra cabecear/bola na rede pra fazer o gol/quem não sonhou em ser um jogador de futebol?//A bandeira no estádio é um estandarte/a flâmula pendurada na parede do quarto/o distintivo na camisa do uniforme/que coisa linda, é uma partida de futebol//Posso morrer pelo meu time/se ele perder, que dor, imenso crime/posso chorar se ele não ganhar/mas se ele ganha, não adianta/não há garganta que não pare de berrar//A chuteira veste o pé descalço/o tapete da realeza é verde/olhando para bola eu vejo o sol/está rolando agora, é uma partida de futebol//O meio campo é lugar dos craques/que vão levando o time todo pro ataque/o centroavante, o mais importante/que emocionante, é uma partida de futebol//O meu goleiro é um homem de elástico/os dois zagueiros têm a chave do cadeado/os laterais fecham a defesa/mas que beleza é uma partida de futebol//Bola na trave não altera o placar...(...)O meio campo é lugar dos craques/que vão levando o time todo pro ataque/o centroavante, o mais importante/que emocionante, é uma partida de futebol!”


Jorge Ben Jor fez outra: Ponta de Lança Africano (Umbabarauma): Umbabarauma homem-gol/Joga bola, joga bola/Corocondô/Joga bola, joga bola/Jogador//Pula, pula, cai, levanta/Sobe, desce, corre, chuta/Abra espaço/Vibra e agradece//Olha que a cidade/Toda ficou vazia/Nessa tarde bonita/Só pra te ver jogar//Umbabarauma homem-gol/Umbabarauma homem-gol/Umbabarauma homem-gol//Joga bola jogador/joga bola corocondô/Joga bola jogador/joga bola corocondô//Rere, rere, rere jogador/Rere, rere, rere corocondô/Rere, rere, rere jogador/Rere, rere, rere corocondô//Tererê, tererê, tererê, tererê/Tererê homem gol/Tererê, tererê, tererê, tererê/Tererê homem gol//Umbabarauma homem-gol...”

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10 junho 2010

Química do amor

Estudos científicos identificaram as substâncias responsáveis para iniciar o processo de atração sexual: dopamina, feniletilamina e ocitocina. Esses produtos químicos são todos relativamente comuns no corpo humano e são encontrados apenas durante as fases iniciais do flerte. Segundo a professora Cindy Hazan, da Universidade Cornell de Nova Iorque, “os seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses”, tempo suficiente para que o casal se conheça. Copule e produza uma criança.

Com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos efeitos da feniletilamina, e toda a “loucura” da paixão desvanece gradualmente – a fase de atração não dura para sempre. O casal, então, se vê frente a uma dicotomia: ou se separa ou habitua-se a manifestações mais brandas de amor – companheirismo, afeto, e tolerância -, e permanece junto.


A feniletilamina é uma molécula (neurotransmissor) natural semelhante à afetamina e sua produção no cérebro é desencadeada por eventos tão simples como uma troca de olhares ou um aperto de mãos. Esta substância pode responder em grande parte, pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando estamos apaixonados.


Pesquisadores afirmam que exalamos continuamente, pelos bilhões de poros na pele e até mesmo pelo hálito, produtos químicos voláteis chamados feromônios. Assim como os animais, que se deixam guiar pelo olfato durante o acasalamento, os seres humanos usam inconscientemente este sentido no momento de escolher um parceiro. Assim, por meio dos feromonas somos capazes de detectar o cheiro corporal dos demais e responder diante deste estímulo.

O odor corporal é fortemente influenciado pelo tipo de alimentação e influência nossas preferências por certos aromas. Pessoas que gostam de comidas muito temperadas também preferem fragrâncias fortes e penetrantes, como as que contêm patchuli, sândalo ou gengibre. Aquelas que consomem mais laticínios preferem florais, como lavanda e néroli (flor de laranjeira). Os japoneses (alimentação baseada em peixes, verduras e arroz) são atraídos por fragrâncias delicadas. E, enquanto os esquimós são tidos como tendo cheiro de peixe e os africanos cheiro de amoníaco, o resto do mundo concorda que o cheiro azedo dos europeus é o mais nauseante, dizem os pesquisadores.


Os sentidos humanos estimulam a paixão. A visão é, provavelmente, a fonte de estimulação mais importante que existe. No homem, existem numerosos estímulos visuais envolvidos na atração sexual, que vão muito além da visão dos genitais do sexo oposto. A forma de mover-se, um olhar, um gesto, inclusive a forma de vestir-se, são estímulos que podem resultar mais atraentes que a contemplação pura e simples de um corpo nu. O amor entra pelos olhos.


O uso de frases e canções amorosas constitui uma das preliminares mais habituais n as sociedades humanas como meio de solicitação sexual. Através da audição, uma frase erótica, sussurrada ao ouvido, pode resultar tão incitadora quanto um bramido de elefante na imensidão da selva. E não só as primeiras palavras, mas também os tons de voz deverão responder aos padrões de saúde e genética desejados na escolha do (a) parceiro (a).


O tato é outra preciosidade, a pelo com a qual amamos. A superfície do corpo humano, com aproximadamente dois metros quadrados de extensão é, poderíamos dizer, o maior órgão sexual do homem. Mais do que simplesmente um dos sentidos, o tato é a resultante de muitos ingredientes: sensibilidades superficiais, profundas, vontade de explorar e atividade motora, emoções, memória, imaginação. Existe cerca de cinco milhões de receptores do tato na pele – as pontas dos dedos têm uns 3.000 que enviam impulsos nervosos ao cérebro através da medula. O tato é o mais primitivo e elementar dos sentidos.


A boca é a primeira fonte de prazer. Vai da fase em que o bebê se amamenta através do mamilo da sua mãe até a fase adulta, quando o paladar fica cada vez mais apurado. A língua é a base de todo o paladar e a boca é uma das partes mais sensíveis do corpo e mais versáteis. Um beijo combina os três sentidos de tato, paladar e olfato. Favorece o aparelho circulatório, aumento de 70 paras 150 os batimentos do coração e beneficia a oxigenação do sangue. Sem esquecer que o beijo estimula a liberação de hormônios que causam bem-estar.


E quem pensa que o amor começa quando os olhares se encontram está enganado. É um pouco mais embaixo, no nariz. Há circuitos que vão do olfato ao cérebro e leva uma mensagem muito clara: sexo. Os feromônios que falamos no início e exalam pelos bilhões de poros na pele envolve nosso comportamento sexual e a marcação de território. Eles produzem reações químicas que resultam em sensações prazerosas. Quando decidimos que temos química com alguém, o mais provável é que estamos literalmente certos.

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Quem desejar adquirir o livro Bahia um Estado D´Alma, sobre a cultura do nosso estado, a obra encontra-se à venda nas livrarias LDM (Piedade), Galeria do Livro (Boulevard 161 no Itaigara e no Espaço Cultural Itau Cinema Glauber Rocha na Praça Castro Alves) e na Pérola Negra (ao lado da Escola de Teatro da UFBA, Canela) E quem desejar ler o livro Feras do Humor Baiano, a obra encontra-se à venda no RV Cultura e Arte (Rua Barro Vermelho, 32, Rio Vermelho. Tel: 3347-4929

09 junho 2010

Beijos nas histórias em quadrinhos

Smak! Chuac! Mmmm!! Beijos molhados, apaixonados ou no pé do altar do Super Homem, Batman, Fantasma, Ferdinando, Pato Donald, Peanuts, Mônica, Menino Maluquinho e tantos outros personagens dos gibis já foram expostos nas galerias de Salvador nas décadas passados quando gostava de homenagear a todos os que se entregam à magia do amor. Nos mais de 40 quadros em sequências revelava que um beijo é mais que somente um beijo, é uma poderosa forma de comunicação entre duas pessoas. Se nos anos 30, 40 e 50 as personagens de quadrinhos passavam anos sem dar uma “bitoca”, pois a idéia era de que quadrinhos era coisa de criança, nas décadas seguintes o que se via eram beijos calorosos de dar água na boca.

Na história dos beijos quadrinizados, cada

geração pode escolher seu casal preferido: Mandrake e Narda, Fantasma e Diana, Pato Donald e Margarida, Super Homem e Lois Lane, Homem Aranha e Mary Jane, Mônica e Cebolinha, Zé Carioca e Rosinha ou Popeye e Olívia Palito. Vale a pena conferir cenas desses grandes beijoqueiros.


Antes, as namoradas existiam apenas para atrapalhar ou colocar os heróis em frias, como fazia Mirian Lane com Super Homem. É bom lembrar que naquela época não só a religião mas toda a sociedade colocava a mulher em segundo plano e o gibi refletia essa realidade. Os que passavam desse limite eram censurados. Depois de namorar Lana Lang e a sereia Loris Lemaris, Super Homem resolveu casar com Lois Lane comprovando que no amor nem ele é de ferro. Isso sem falar nos namoros de Spirit com Elle, filha do comissário de polícia Dolan, com muitos tumultos. Constantemente ela o pega em flagrante em conturbados romances com as vilãs da série como P´Gell ou Silk Satim. E não é só o Spirit que tem suas caídas por damas fatais. Flash Gordon é o que mais se prendeu nessa rede. Eterno noivo de Dale Arden. Ele sucumbiu a paixão da rainha Frigia, princesa Áurea e da rainha Azura. Ele namorou ainda todas as musas de todas as galáxias em que esteve.


Demorou 400 anos mas Fantasma resolveu finalmente casar com Diana Palmer. E a Princesa Narda com o Mandrake? Por amor Tarzan abandonou os macacos para conquistar Jane. E se não existisse o namoro do Príncipe Valente com Aleta, sua saga não teria um terço da fama. Se Brucutu não namorasse Ulla e não virasse o mundo pré-histórico de cabeça para baixo por ela, suas histórias não teriam a menor graça. O mesmo aconteceu com Fredy Flintstones e Vilma.


Durante década o Dia de Maria Cebola foi uma grande atração da série Ferdinando, de Al Capp. Ferdinando Buscapé morava em Brejo Seco, no interior dos EUA. Quando solteiro, era um dos mais perseguidos no tal dia de Mária Cebola, que em determinada hora, a partir de um sinal de gongo, todas as solteiras da vida tinham o direito de caçar os solteiros e levá-los ao altar à força. Por muitos anos, Violeta namorada de Ferdinando, nesta data protagonizava as mais loucas aventuras onde preparava armadilhas ou livrava seu namorado delas. Quando eles se casaram, o dia de Maria Cebola continuou com uma grande atração na série. E acabou por ser assimilado por universitários em todo o país nos anos 40. E os triângulos amorosos entre Donald, Margarida e Gastão? A gata Krazy Kat, o ratinho Inácio e o cão buldog Xerife? É bom lembrar os velhos namoros de Mickey e Minie, Popeye e Olívia, Zé Carioca com Rosinha e Bolinha com Luluzinha. E aquela paixão platônica de Charles Brown pela garotinha ruiva?.


Nos anos 60 o namoro esquentou com a chegada de Stan Lee e Jack Kirby que criaram o Quarteto Fantástico, implantando o novelão que são as historietas de super-heróis de hoje. Primeiro Benjamin namorava Sue. Ele se transformou no mostro Coisa e ela na Garota Invisível. Ela passou, mais tarde, a namorar o Senhor Fantástico, mas surgiu em sua vida o Príncipe Submarino, que se apaixona por ela, esquecendo Betty, Namora e Dorma, suas namoradas anteriores. O jeito foi o Senhor Fantástico acabar roubando Alicia, a nova namorada do Coisa, única capaz de sentir a angústia do Surfista Prateado, que abandonou seu planeta, para que o vilão Galactus deixasse sua namorada Shalla Ball viva. O casal X-Men, Scott Summers e Jean Grey finalmente oficializou o namoro e entrou na igreja com muitos beijos.


E o que dizer do Homem Aranha. Um tremendo namorador. Primeiro, conquistando Betty, a secretária do jornal Clarin, depois Mary Jane, a linda sobrinha do melhor amigo de sua tia. Mas quando conheceu Gwen Stacy ficou perdido. Por azar do herói, ela morre em seus braços, assassinada pelo vilão Duende Verde. Veio a super heroína a Gata, mas ele ficou mesmo foi com Mary Jane. E para acabar com os boatos da existência de um romance entre Batman e Robim, seus editores deram-lhe uma namorada fatal, Tália, filha do vilão Rã´s Al Ghul, que acabou por lhe dar um filho no álbum “O Filho do Demônio”.


Enquanto os autores de aura politicamente correta envolviam os heróis com o ar ingênuo, os mais liberais divertiram leitores adultos. Barbarella, por exemplo, namorava não só um anjo sem sexo, mas também se envolvia com qualquer macho, mesmo que fosse robô. A bela Drunna frequentemente é vista enlaçada por criaturas em decomposição. Vampirella é sedutora de corpo e alma e os famosos catecismos de Carlos Zéfiro (aquelas revistinhas picantes que circulavam pelas bancas de jornais dos anos 50 e 60) não faziam mais nada além daquilo. Querem mais? Dessa forma, com ou sem censura, no mundo das histórias em quadrinhos, namorar é imprescindível e o beijo é fundamental para o início do relacionamento.

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08 junho 2010

"O amor vê não com os olhos, mas com a mente”.

Alguns poetas davam a entender que a origem do amor era totalmente orgânica. Outros acreditavam à atividade profunda do coração a verdadeira origem. Para o estudioso Bronislaw Malinowski em seu livro The Sexual Life of Savages (Londres, 1929), o amor “é uma paixão que atormenta a mente e o corpo em maior ou menor extensão; conduz muitos a um impasse, um escândalo ou uma tragédia; mas raramente, ilumina a vida e faz com que o coração se expanda e transborde de alegria”.


Apesar de a beleza atrair nossa atenção, o sentido duradouro da beleza de uma pessoa revela-se em estágios. Pode ser através das qualidades criadas pelo entusiasmo, inteligência, sagacidade, curiosidade, doçura, paixão, talento e graça. Como disse Shakespeare em “Sonhos de uma Noite de Verão”: “O amor vê não com os olhos, mas com a mente”. “Amar é um deserto e seus temores/vida que vai nas celas dessas dores/não sabe voltar/me dá teu calor/vem me fazer feliz por que eu te amo/você deságua em mim e eu oceano/e esqueço que amor é quase uma dor/só sei viver/se for por você”, revela o apaixonado Djavan na bela Oceano.


Para o baiano Raimundo Sodré, “amar é coisa fina/é porcelana da China/que não deve se quebrar/porque uma dor desatina/e as garras desta felina/coração dilacera” (Desejo de Amar). Para Edil Pacheco e João Nogueira, “é bom viver de amor/e até morrer de amor é bom”. Na canção De Amor é Bom eles afirmam que “o amor não quer poder/não quer dinheiro não/o amor n]ao quer beber/o vinho da ilusão/o amor é bem querer/é a fonte da emoção/então lugar de amor/é mesmo o coração”. Já Renato Russo diz que “é ó o amor que conhece o que é verdade” (Monte Castelo).


Na composição de Isolda e Milton Carlos, Roberto Carlos declara: “Eu quero seu amor a qualquer preço/quero que você me tenha até pelo avesso/pra me sentir envolvida em seus cabelos/faça de mim o que quiser/você é meu homem, sou sua mulher” (Pelo Avesso). Um dos maiores clássicos da MPB, “Eu Sei que Vou te Amar”, os poetas Tom Jobim e Vinicius de Moraes se declaram à amada: “Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar/a cada despedida eu vou te amar, desesperadamente eu sei que eu/vou te amar e cada verso meu será pra te/dizer que eu sei que vou te/amar por toda a minha vida eu/sei que vou chorar, a cada ausência tua eu vou chorar, mas cada volta/tua há de apagar o que essa ausência tua me causou, eu/sei que vou sofrer, a eterna desventura de viver, a espera de viver ao lado teu por/toda a minha vida”.



Não dá para esquecer a bela “Eu Te Amo”, de Tom Jobim e Chico Buarque: “Ah, se já perdemos a noção da hora/se juntos já jogamos tudo fora/me conta agora como hei de partir/Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios/rompi com o mundo, queimei meus navios/me diz pra onde é que inda posso ir/Se nós, nas travessuras das noites eternas/já confundimos tanto as nossas pernas/diz com que pernas eu devo seguir/Se entornaste a nossa sorte pelo chão/se na bagunça do teu coração/meu sangue errou de veia e se perdeu/como, se na desordem do armário embutido/meu paletó enlaça o teu vestido/e o meu sapato inda pisa no teu/como, se nos amamos feito dois pagãos/teus seios inda estão nas minhas mãos/me explica com que cara eu vou sair/não, acho que estás te fazendo de tonta/te dei meus olhos pra tomares conta/agora conta como hei de partir”


Um beijo fez com que Johnny Alf descobrisse o amor: “É só olhar, depois sorrir, depois gostar/você olhou, você sorriu, me fez gostar/quis controlar meu coração/mas foi tão grande a emoção/de sua boca ouvi dizer ´quero você´/quis responder, quis lhe abraçar/tudo falhou/porém você me segurou e me beijou/agora eu posso argumentar/se perguntarem o que é amar” (O Que é Amar). Já Chitãozinho e Xororó e Zé Ramalho afirmam em “Sinônimos” que sinônimo de amor é amar: “Quanto o tempo o coração, leva pra saber/que o sinônimo de amar é sofrer/no aroma de amores pode haver espinhos/ é como ter mulheres e milhões e ser sozinho/ na solidão de casa, descansar/ o sentido da vida, encontrar/ ninguém pode dizer onde a felicidade está// O amor é feito de paixões/ e quando perde a razão/não sabe quem vai machucar/quem ama nunca sente medo/de contar o seu segredo/sinônimo de amor é amar”

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